Seus lábios e os meus encaixavam-se com perfeição. Beijávamos sorrindo. Sentíamos falta uma da outra. Sentia saudades do doce sabor da sua boca e até do cheiro do batom dela.
Mordendo meu lábio inferior a ruiva me provocou e sorriu.
- Beijar você é uma delícia.
Sussurrou me dando beijinhos.
- Seus beijos me deixam com o coração acelerado. Consegue senti-lo?
Perguntei pousando sua mão em meu peito.
- Consigo.
Confirmou sorrindo e fixando seus olhos nos meus.
- É por você, sempre por você que ele bate assim.
Declarei apaixonada.
O tempo só me deixava mais certa de que tê-la como esposa, era a minha maior felicidade.
- Meu coração fica assim por sua causa também Cariño. É maravilhoso sentir isso depois de mais de tantos anos. Parece que estamos sempre no começo do namoro.
Declarou e eu concordei. Realmente parecia que o nosso amor estava sempre se renovando.
- Imagino que isso aconteça quando o sentimento é verdadeiro.
Concluí sorrindo para ela, que novamente me beijou.
- Algumas vezes fico pensando em tudo que você fez para ficarmos juntas. Nunca desistiu de mim, mesmo quando dei motivos ou quando as coisas ficaram difíceis. Desde que você surgiu na minha vida não pensei como ela seria sem você. Eu te amo Nay, sabe disso não sabe?
Declarou toda emocionada e sorrindo eu lhe dei um beijo.
- Sei sim minha ruiva. Eu faria tudo de novo se fosse necessário. A recompensa sempre foi maior que o problema. Mesmo estando na vida uma da outra há quase cinco anos, esse ainda é o começo da nossa história. Temos muitos caminhos a percorrer juntas. Disso tenho certeza.
Concluí afagando seus cabelos e ela sorriu em silêncio me olhando fixamente.
Ainda que sem mais palavras, apenas enxergando a doçura em seu olhar, eu sabia o que ela desejava, e era o mesmo que eu.
Sem pressa ajudei-a a se despir. Tirei seu blazer, camisa, desabotoei o sutiã, abri os botões e zíper da sua calça. E em seguida ela começou a me despir, jogando minhas roupas no sofá do quarto. Ficamos apenas de calcinha e olhamos uma para a outra. Seu corpo me deixava com água na boca e seu olhar me encarando fazia com que me sentisse desejava.
- Nunca vou me cansar de ver você assim!
Ela disse.
- É justo, porque também não me canso.
Rimos.
- Eu quero tomar um banho bem demorado antes de começarmos.
Disse espontaneamente e eu concordei.
Tiramos a última peça que usávamos e tomamos uma ducha deliciosa juntas. Abusamos do sabonete líquido do hotel, que tinha um aroma suave e uma textura aveludada. Demoramos no banho, deixando o vidro do Box embaçado. Foi um banho revigorante.
Vestimo-nos com roupões e ao sair do banheiro eu a abracei. Nesse abraço nos movemos pelo quarto lentamente como se dançássemos sem música. Ela sorriu me olhando e começou a cantar com o tom baixo.
- É tudo o que eu pedia. O que minha alma vazia. Queria sentir... É o que eu tanto esperava. O que em sonhos buscava. E que em ti descobri... Você chegou a incendiar. Cada parte da minha alma. Cada espaço do meu ser. Já não tenho coração. Nem olhos para ninguém. Só para você... É o amor da minha vida. O destino já sabia. E hoje te pôs ante mim. E cada vez que olho o passado. É que entendo que ao seu lado. Sempre pertenci... Você chegou a incendiar. Cada parte da minha alma. Cada espaço do meu ser. Já não tenho coração. Nem olhos para ninguém. Só para você... Isto é de verdade. O posso senti. Sei que o meu lugar. É junto a você... Era tudo o que pedia. O que eu não conhecia. E que em você descobri!
(Tradução da Música: Sólo para ti - Banda Camilla)
Ouvi-la cantar era sempre delicioso, ainda mais quando a música era uma declaração de amor.
Sorrindo como boba a guiei até a cama. Deitamo-nos olhando uma para a outra e ficamos abraçadas, trocando beijos e carinhos.
Percorri seu corpo com o dorso da mão, acariciando sua pele macia e a puxei para mais perto. Rimos uma da outra. Desejava com muita intensidade fazê-la minha e ser dela. Beijamo-nos com mais calor, um beijo ávido e com tanta vontade que logo estávamos ofegantes. Ela me apertava, abraçava, acariciava. Senti sua mão percorrer meu corpo até meu sexo que estava e******o. Não perdi tempo e levei minha mão ao sexo dela, que também estava molhada. Massageamos uma à outra enquanto nos beijávamos com deleite.
Seu toque era gostoso, me excitava demais, e a julgar pela entrega que ela demonstrava ao me beijar, o meu toque também a estava instigando. Ela gemeu baixinho e eu sorri.
- Estamos sozinhas aqui.
Lembrei sabendo que ela sempre se continha ao fazermos amor em casa e ela sorriu.
Sorrindo, ela pediu que a penetrasse e eu obedeci introduzindo meu dedo médio em seu sexo. Sem demora ela fez o mesmo comigo. Entre sussurros e gemidos, ela mordia meu lábio inferior e passava sua língua em minha boca e em meu pescoço, me causando arrepios. Gozamos tocando uma à outra e continuamos abraçadas, ainda com vontade de namorar.
Depois de recuperarmos o fôlego continuamos. Ela subiu em cima de mim, encaixando nossas coxas e colocando nossos sexos em contanto. Estávamos molhadas e com a fricção dos sexos voltamos a gemer. A saudade alimentava a chama do fogo que ardia em nós duas. Quentes, ofegantes, agarradas uma na outra, juntas e inseparáveis. De mãos dadas, nos duas nos remexíamos e o roçar dos nossos sexos era uma sensação deliciosa.
Mais uma vez gozamos e ficamos abraçadas, sentia o coração dela acelerado e o meu estava do mesmo jeito. Deitando-se ao meu lado a ruiva me abraçou e pousou a cabeça em meu ombro.
- Obrigada Cariño!
Agradeceu sem que eu soubesse o motivo.
- Pelo que minha ruiva?
Perguntei curiosa e ela me olhou.
- Por ser atenciosa. Por essa noite. Estava mesmo precisando de você!
Afirmou me tirando um sorriso apaixonado.
- Sua satisfação é a minha Paola. Saiba que sempre tem a mim. Cuidar de você me faz feliz!
Garanti com sinceridade. Proteger, amar, cuidar e apoiá-la era uma missão de vida.
Cansada, ela se aninhou em meu abraço e ficou quieta até adormecer. Passei mais um tempo acordada pensando nos caminhos que percorremos na vida, que muitas vezes nos surpreendem. As coisas mais inusitadas me aconteceram em um pequeno espaço de tempo, porém não me espantava a sucessão de fatos ocorridos e sim a intensidade e os desígnios ligados a eles.
Fazer escolhas e tomar decisões no meu caso, não foi apenas decidir ir viver em outro país, ou namorar uma mulher com uma perspectiva da vida diferente da minha, ao escolher o caminho e tomar decisões importantes eu trouxe pessoas, oportunidades, relações problemáticas, amor e desafetos, problemas e incríveis soluções. Foram tantas as coisas em um curto e intenso espaço de tempo, que sem perceber, com naturalidade, eu amadureci e me tornei uma pessoa melhor, capaz de amar incondicionalmente e de perdoar meus próprios erros e os de terceiros, superando meus dilemas e os dilemas das pessoas ao meu redor, apenas oferecendo respeito e amor. E por amor eu continuaria mudando e me adaptando sempre que fosse necessário.
Adormeci e dormi tranquilamente. Sentia o calor do corpo da Paola, e durante a noite quando ela mudava de posição, algumas vezes eu tateava a cama a sua procura, apenas para tocá-la. Tê-la na cama comigo era reconfortante e por essa sensação eu dormia muito melhor.
- Bom dia Cariño!
Ela sussurrou me acordando e afagando meus cabelos.
- Bom dia... Que horas são?
Perguntei sonolenta.
- Sete da manhã.
- Está cedo demais.
Reclamei com preguiça de levantar.
- Lamento ter que acordá-la Nay. Se estivéssemos em casa deixaria você dormindo. Mas precisamos tomar o café e ir embora. Preciso da sua carona Cariño.
Pediu com delicadeza.
- Tudo bem. Não quero dormir até tarde mesmo. Você está bem, dormiu bem?
Perguntei me levantando com lentidão. Espreguiçando-me.
- Dormi muito bem e você?
Sorri para ela.
- É fácil dormir bem ao seu lado. Vamos tomar o café e depois eu lhe deixo no trabalho?
- Posso abusar um pouco de você?
- Claro que pode.
Afirmei rindo.
- Tomamos o café aqui mesmo, depois eu quero passar em casa pra trocar de roupa e se não for lhe atrapalhar, pode me dar uma carona para o trabalho depois?
- Posso fazer esse sacrifício.
Afirmei brincando e ela sorriu.
Deixamos o quarto e tomamos o café no restaurante do hotel, depois seguimos para casa e eu fiquei esperando que ela se trocasse para então levá-la aos escritórios da grife. Aproveitamos o trajeto para conversar e ela me contou que tinha pensando em falar som o Casillas e saber se ele poderia sugerir uma maneira melhor para que ela administrasse seu trabalho da empresa.
- Porque acha que o Casillas pode ajudar?
Perguntei sem entender a ideia dela.
- Ele é responsável por várias empresas.
- Mas seus pais não vão retornar a Espanha em breve? Você pode dividir a carga com eles.
- Sim eles vão. Mas não para tomarem a frente da empresa novamente. Meus pais querem aproveitar a vida. Eventualmente vão viajar e ficar longe. Talvez eu precise contratar alguém que possa me ajudar. Mas não sei como fazer isso quando se trata de um cargo executivo.
- Posso falar com ele se você quiser. Ele está na cidade?
Perguntei.
- Não tenho certeza. Mas se puder liga pra ele.
- Vou fazer isso. Se vamos conversar sobre isso com alguém que seja o Casillas.
Concluí concordando com a ideia dela.
Ao deixá-la no trabalho liguei imediatamente para o Serrano.
- Bom dia Nayara. Tudo?
- Bom dia. Tudo bem Casillas. Você está em Madrid?
- Estou. O que aconteceu para você me ligar a essa hora?
- Na verdade preciso falar com você.
- Posso ir a sua casa em uma ou duas horas.
- Combinado. Espero por você.
A Paola pensar em contratar alguém para dividir o trabalho me parecia uma ótima ideia. Ela acumulava funções e responsabilidades demais. Sabia que por estar se envolvendo tanto com o lado executivo ela havia diminuído o ritmo do seu trabalho como Designer, que era o que ela verdadeiramente amava fazer, criar e produzir peças exclusivas.
Voltando pra casa, tomei um banho para despertar e tirei um tempo para ler na área da piscina. Concentrei-me na leitura por pouco mais de uma hora. Estava lendo pela terceira vez o mesmo livro. Havia me viciado nele e nos seus ensinamentos que me inspiravam.
- Esse é um dos meus livros favoritos.
O Casillas chegou chamando minha atenção.
- É muito bom mesmo. Foi a Emilly quem me indicou.
- Assistimos a uma palestra sobre esse livro anos atrás.
Ele comentou.
- Certamente é o livro dos empresários e empreendedores.
Comentei e ele concordou.
- Creio que não me chamou aqui para falarmos de livros.
Disse bem humorado.
- Tem razão. Vamos conversar lá dentro. No escritório. Quer um suco, água, café?
- Água e café.
Ao entrarmos pedi a Lilian que providenciasse e o levei até o escritório.
- Senta Casillas. Fica à vontade e despreocupado. Não é nada com a Gabriela.
Adiantei para que ele não ficasse ansioso. Preocupava-se demais com a filha.
- Fico aliviado. Estranhei sua ligação.
- Imagino que sim. O que quero falar é sobre a Paola. Depois que cheguei de Nova York, nós duas ainda não tivemos muito tempo para conversar, mas ela se mostrou muito tensa com o fato de andar trabalhando demais e passando pouco tempo com a Gabriela.
Introduzi o assunto.
- Ela comentou por alto comigo na última vez que estive aqui. Confesso que fiquei preocupado. Vejo que a Paola está se envolvendo em coisas demais com a responsabilidade de dirigir a empresa e confesso que no começo pensei que o Luís e a Marta foram precipitados ao deixá-la com o peso da administração da empresa sabendo que também cuida da Gabriela.
Expressou seu ponto de vista, que no fundo tinha um olhar masculino, para não dizer machista.
- A Paola queria isso Casillas. Os pais sentiram que ela estava pronta. E a julgar pelo trabalho que tem feito estavam certos. Mas é natural que ela se sinta em falta com a função de mãe. A Paola tem os traumas dela e não quer que a filha cresça sem a sua presença e atenção.
- Não posso imaginar como deve ser para ela. Eu cresci com a minha mãe sempre em casa.
Disse ele.
- Mas os tempos são outro Serrano. As mulheres hoje em dia exercem vários papéis ao mesmo tempo. E esse é o exemplo da Paola.
Comentei e ele ficou sem graça.
- Não estou dizendo o contrário.
Disse sem jeito.
- Não de maneira consciente.
Falei sério e ele ficou me olhando esperando que eu dissesse que era uma brincadeira.
- Estou brincando Casillas... Você tentou me comprar. Me fez passar por um processo e um atropelamento, mas é um cara legal.
Ele continuou me olhando sem graça e eu ri.
- Eu só estou brincando com você. De verdade. Mas vamos ao que interessa.
Falei e ele ficou me olhando todo sério.
- A Paola pensou que você poderia ajudá-la a resolver essa situação. Talvez encontrar alguém que ela possa colocar na empresa para dividir o trabalho.
- Ela nunca pensou em um CEO?
Sugeriu.
- Com um CEO ela e os pais perderiam o controle. Dificilmente ela cogita algo assim.
- Mas deveria. A Paola antes de ser empresária é uma Designer, ela teria mais tempo para se dedicar aos desenhos e a própria vida. E pode fazer um contrato com prazo, determinando um período de trabalho ao CEO. Ao final do contrato ela pensa se quer voltar a dirigir a empresa.
A sugestão não me pareceu r**m, mas duvidava que a Paola fosse aceitar.
- A ideia não é má Casillas. No entanto, a Paola gosta de tomar conta de tudo, tem um perfil centralizador. Um CEO fica com toda responsabilidade. Certamente ela está cogitando apenas alguém para ajudá-la e não para assumir o comando da grife.
Ponderei prevendo que a ideia não seria do agrado da ruiva.
- Você tem capacidade para fazê-la pensar nessa hipótese.
Sugeriu me olhando e deixando uma mensagem subtendida.
- Nunca vou querer manipular as decisões da Paola se é o que está sugerindo.
- Não se trata de manipular e sim conduzi-la.
- Praticamente é a mesma coisa. E sinceramente eu prefiro que ela faça como preferir. É o patrimônio dela e um dia será da Gabriela. Só me preocupo que isso a sobrecarregue.
Afirmei e a Lilian nos interrompeu trazendo água e café.
- Podemos pensar em outras maneiras Nayara. A Paola pode terceirizar muitos processos da empresa. Seria interessante até mesmo financeiramente. Eu mesmo utilizo esse nos meus negócios. Assim ganho de outras formas. Sem me preocupar com tantos processos e detalhes.
- Acha que essa é realmente uma opção?
- Ela vai precisar mexer na estrutura da empresa, mas é uma opção.
Ele afirmou.
Continuamos conversando por mais um tempo e chegamos a vários cenários. Bastava agora falar com a Paola e descobrir se algum seria do seu interesse.
Depois que o Casillas foi embora continuei no escritório. Voltei a trabalhar no meu relatório.
- Licença Nayara. Estou indo ao mercado fazer compras para o jantar de hoje à noite. Precisa de alguma coisa?
Perguntou a Lilian.
- Não. Obrigada.
- Depois eu vou passar na escola para trazer a Gabriela. Quer que sirva o almoço antes ou prefere esperar por ela?
- Pode ir ao mercado. Eu vou buscar a Gabi hoje.
Decidi imaginando que ela ficaria contente.
- Está bem. Licença.
Continuei trabalhando até perto do horário que terminava a aula da ruivinha e depois fui buscá-la.
Na recepção do imenso colégio, as auxiliares recebiam os pais e autorizavam a saída do aluno. O lugar era bem seguro, havia câmeras, segurança nos portões externos, além de uma lista com o nome dos responsáveis autorizados a buscar os alunos, na maioria das vezes as babás.
- Mamãe!
A Gabi me olhou e sorriu andando bem rápido para me abraçar.
- Oi, minha princesa. Gostou da surpresa?
Perguntei e ela confirmou me abraçando forte.
- Eu te amo mamãe!
Disse toda carinhosa.
- Eu amo você, minha princesa!
Devolvi a declaração me derretendo toda por ela.
- Aprendeu muita coisa na escola hoje?
- Sim. Muita.
- Que maravilha. Quero ver tudo que você fez. Está com fome?
- Quero doce.
Pediu sendo bem filha da Paola.
- Depois do almoço você vai poder comer um doce de sobremesa.
Expliquei ajeitando-a na cadeirinha no carro.
No caminho de volta ela não parou de falar. Estava cada vez mais falante, um reflexo da rotina na escola com outras crianças. Algumas vezes eu não entendia o que ela falava, mas sorria achando a coisa mais linda do mundo.
A Lilian preparou a mesa e quando estávamos indo comer a Paola chegou de surpresa.
- Vim almoçar com vocês duas!
Disse sorridente e a Gabi correu pra abraçá-la.
- Que bom que veio almoçar conosco minha ruiva.
Falei antes de lhe cumprimentar com um beijo.
- Essa tarde eu ficarei trabalhando aqui mesmo no estúdio.
Disse parecendo mais animada.
- Lilian, comprou tudo que lhe pedi para o jantar?
- Sim, cada ingrediente.
- Ótimo. A chef vai chegar por volta das dezessete.
- Você contratou o serviço de uma chef para preparar o jantar de hoje?
Perguntei espantada.
- Uma brasileira. A indicação foi feita pela própria Joana.
- Falou com a Joana de novo?
Questionei intrigada.
- Liguei para perguntar se ela tem alguma preferência, então ela me sugeriu essa chef.
O comportamento da Paola com esse jantar estava cada vez mais estranho.
- Precisa mesmo de tudo isso Paola?
Questionei e ela sorriu pra mim.
- Está enciumada?
Perguntou rindo e me olhando estranho.
- Bom, se esse for o caso é um direito meu. Você não costuma convidar muitas pessoas a nossa casa. Muito menos alguém que não conhece pessoalmente.
- Ela está com a Emilly. Confiamos na Duquesa não é mesmo?
Colocou a situação a seu favor e eu precisei concordar. Não tinha mesmo um motivo pra implicar com a Paola por conta de um jantar. Certamente estava apenas com um ciúme t**o.
- Esquece. Está tudo bem. Você tem razão em querer preparar uma noite especial. Talvez a Joana faça parte da nossa vida de alguma maneira, a partir de agora.
Afirmei sabendo que ela sendo parceira da Emilly, na vida ou só nos negócios, teríamos que conviver e pensando assim conhecê-la melhor seria importante.
Almoçamos e depois conversamos um pouco no escritório onde eu lhe contei sobre a sugestão do Casillas. Como eu previa, ela não gostou muito da ideia de contratar um CEO, porém para minha surpresa ela não descartou a possibilidade.
- Em todo caso preciso conversar com os meus pais antes de tomar uma decisão dessas, mas prefiro falar com eles quando voltarem a Madrid, até lá vou continuar procurando um jeito de ser eficiente sem perder o foco. Em algumas semanas começamos a produção da nova coleção, que será bem intensa, por isso não posso tomar uma decisão que desvie a atenção.
Ponderou me parecendo confiante.
- Eu tenho que passar à tarde no ateliê, mas fique à vontade pra ir me ver se sentir saudade.
Brincou comigo antes de me beijar e morder meu lábio inferior.
- E se sentir vontade de algo mais?
Brinquei com ela que se fez de séria.
- Seja profissional Cariño!
Disse me lançando um olhar arrebatador antes de deixar o escritório.
No decorrer da tarde, enquanto trabalhava, a Gabriela entrou no escritório algumas vezes e ficou por perto brincando. Ela até que não era muito bagunceira, mas ainda sim por ser pequena fazia alguns barulhos e chamava minha atenção. Estava me esforçando para ficar um pouco com a pequena depois de tantos dias distante. Tendo que dividir meu tempo entre ser mãe e profissional, eu percebia ainda mais a angústia da Paola.
Por volta das dezessete horas a Chef amiga da Joana chegou, e como a Paola estava ocupada me pediu para recebê-la junto com a Lilian.
- Boa tarde! Eu sou a Nayara e essa é a Lilian, ela vai lhe ajudar com tudo que precisar.
Expliquei a moça ao me apresentar.
- Obrigada pelo convite e por me receber Nayara. Eu sou a Chef Lívia Lamartine. Conversei com a sua esposa mais cedo e sugeri um menu para o jantar desta noite.
Cumprimentou-me com simpatia e se mostrou bem profissional.
- Cuidei das compras de todos os ingredientes senhorita.
Garantiu a Lilian.
- Excelente. Podemos começar?
- Vou acompanhá-la até a cozinha.
Disse a Lilian.
- Bom serviço Chef Lívia!
Desejei e a moça que sorriu agradecendo antes de seguir a Lilian.
Voltei ao escritório e trabalhei por mais um tempo até a Paola vir ao meu encontro.
- Vamos nos arrumar Cariño.
Sugeriu sentando-se em meu colo e me beijando.
- Pedi que separassem e passassem nossa roupa para essa noite.
Disse ela.
- Pensei que tínhamos superado a fase em que você escolhe tudo que eu visto.
Brinquei.
- Foi só hoje Cariño. Imaginei que estava distraída demais pra pensar nisso.
- E você encontrou tempo pra fazer isso como?
Perguntei rindo.
- Em segundos eu escrevo uma mensagem e envio ordens pra muitas pessoas. É prático.
- Sempre eficiente.
Brinquei.
Preparamo-nos para o jantar e as oito em ponto a Joana e a Duquesa chegaram juntas.
- É um imenso prazer vir a sua casa Paola.
Disse a Joana ao cumprimentá-la com um abraço.
- Seja bem vinda Joana!
Afirmou a Paola sorrindo para ela.
- Quero agradecer pelo convite.
Dessa vez a Blanc mostrou-se elegante.
- Você é bem vinda na nossa casa Joana. E você também Emilly!
Garanti cumprimentando-as.
- Agradecemos o convite.
Afirmou a Duquesa.
- Trouxe um espumante de vinho perfeito para brindarmos a ocasião.
Disse a Joana entregando-o a Paola.
- Muito obrigada! Sentem. Aceitam um licor para abrir o apetite?
Perguntou simpática e as duas concordaram.
Sorridente, a ruiva agradeceu pela sugestão da chef, e disse estar ansiosa para provar os pratos. Iniciamos uma conversa sobre gastronomia, onde a Joana dominou o assunto ao mencionar a diversidade cultural gastronômica no mundo e principalmente no Brasil. Tanto a Paola quando a Emilly a ouviam com um sorriso nos lábios e eu me limitei a tentar entender as suas intenções. Se eu tinha aprendido algo na vida, era a não confiar cegamente nas pessoas.
De gastronomia a conversa seguiu para o campo de domínio da Blanc, o turismo. A Paola estava bem interessada na conversa e fez várias perguntas sobre o negócio do Grupo Blanc. Com total simpatia, falando de forma impecável, a Joana contou que a empresa começou quatro gerações antes da dela. E que no começo eles investiam em transporte, até que o avô dela tornou o turismo o negócio principal. E desde então eles se diversificaram investindo em hotéis, resorts, navios de turismo e diversas ações como a de empresas aéreas. Orgulhosa, ela contou que estava se preparando para assumir a direção do Grupo, e pelo que pude perceber o trabalho parecia ser o que mais a fascinava e talvez fosse onde ela mais colocasse paixão.
- Entendo perfeitamente seu sentimento em relação ao Grupo da sua família. Sinto o mesmo pela grife criada pelos meus pais. Estou me dedicando ao máximo para ter o meu legado nela.
Afirmou a Paola.
- Eu tenho certeza de que vai conseguir. Aliás, está conseguindo. Estava no evento em que você recebeu o prêmio de destaque empresarial. Prova de que você tem visão.
Elogiou a Joana e a Paola ficou toda sorridente.
Lancei um olhar para a ruiva que ao perceber sorriu e segurou minha mão como se dissesse pra que eu me acalmasse.
- Devo dizer que a visão empreendedora da Nayara também é espetacular!
Elogiou a Duquesa.
- Obrigada Emilly, mas não se compara. Eu só faço o meu trabalho.
Falei no automático.
- Eu concordo com a Emilly. Você tem espírito empreendedor. Voz ativa, liderança. Essas são características que não devemos ignorar nos negócios, ainda mais em um mundo dominado por empresários do sexo masculino. Você se sobressai com muita persuasão Nayara.
Afirmou a Joana me chamando atenção.
- Ela nem sempre reconhece que é maravilhosa!
Disse a Paola me beijando e eu sorri.
- Você que é maravilhosa minha ruiva!
Dei-lhe outro beijo como se marcasse território.
- Podemos servir o jantar?
A Lilian perguntou a Paola que autorizou.
- Vamos provar os pratos da sua chef Joana.
Ela brincou e todas nos encaminhamos para a mesa.
A Lívia trouxe os pratos de entrada. Mandioca grelhada. Simples e muito saborosa. O prato principal, segundo a Joana, era um dos seus favoritos. Baião de dois, um sabor clássico nordestino que certamente levou a Blanc de volta para sua terra. De sobremesa a Chef nos surpreendeu com uma cocada de tabuleiro e um delicioso sorvete de tapioca com uma calda cítrica de laranja. Há muito tempo não me surpreendia tanto ao comer, e confesso que a comida mexeu com meus sentimentos e me fez sentir saudades do Brasil e da minha mãe.
Ao final do jantar elogiamos muito a Lívia, que embora trabalhasse há anos com os clássicos franceses havia mantido uma linha de pensamento muito direcionada ao Brasil. Algo admirável.
- Seus pratos foram realmente surpreendentes Lívia. Parabéns!
Elogiou a Paola.
- Fico lisonjeada.
Ela disse com timidez.
- A Lívia é excepcional. Ela merece um brinde.
Sugeriu a Joana antes de abrir a garrafa de vinho espumante e nos servir. Brindamos ao delicioso jantar e ao talento da Chef Lamartine.
Após o brinde nos reunimos na sala de estar para encerrar a noite e continuamos conversando.
A Joana logo dominou a conversa. Ela tinha essa presença que atraia atenção e eu ainda não sabia se gostava ou se me incomodava com seu jeito. A Emilly parecia bem entrosada com ela que entre um gole e outro de vinho olhava para a Duquesa e sorria jogando seu charme.
- De onde vocês duas se conhecem?
Perguntou a Paola.
- Uma amiga em comum nos apresentou.
Respondeu a Duquesa sendo objetiva.
- Estava procurando um novo modelo de negócio para inserir nos investimentos do grupo, por isso ela nos apresentou e eu logo me interessei pela Emilly, não só por questões profissionais.
A Joana disse rindo e deixando a Duquesa constrangida, o que nos fez rir.
- Vocês duas estão...
Antes que a Paola terminasse a Joana respondeu.
- Estou ensinando a Duquesa como aproveitar a vida.
A Blanc brincou, deixando a Emilly ainda mais envergonhada.
- Não precisa ficar tensa assim Duquesa. Estamos entre amigas.
Disse sorridente. A Emilly era discreta demais para falar sobre sua vida íntima.
- Em todo caso vocês duas formam um belo casal.
Declarou a Paola.
- Não conseguiríamos namorar mesmo que quiséssemos. Nossas energias estão muito direcionadas ao trabalho. Embora, tenho certeza que namorar uma Duquesa elevaria meu status a um nível excepcional.
Brincou a Joana flertando com a Duquesa que finalmente resolveu reagir.
- Ela fala assim, mas a verdade é que gosta de ser livre. E por isso não namoraria comigo ou qualquer outra independente de ser da nobreza.
A Duquesa surpreendeu com sua resposta e nos fez rir.
- Fico feliz que tenha aprendido a se vingar Duquesa. Vejo que estou ensinando direito.
- O que mais está ensinando?
Questionou a Paola interessada e eu a olhei como se pedisse para ela se conter.
- A Duquesa precisa entender que existe vida além do trabalho. Eu sou como ela, gosto do que faço, sempre gostei, mas nunca deixei de me divertir e aproveitar a vida conhecendo pessoas.
- Esse é o seu estilo de vida?
Continuou a Paola.
- Costuma ser. Não sei como será quando voltar ao Brasil. Terei muita responsabilidade e uma cobrança extra por ser a mais jovem e a primeira mulher a assumir a direção do Grupo. No entanto, tenho planos para preservar meu estilo de vida.
Disse demonstrando ser mesmo uma pessoa que se preocupava com o descanso.
- Talvez o meu estilo de vida seja mais sóbrio que o seu Blanc.
Retrucou a Duquesa.
- Eu acho muito sexy quando você fala assim comigo. Vai me fazer apaixonar Duquesa.
Ela brincou deixando a Emilly embaraçada e nos fazendo rir.
- Vejo que divirto você Joana.
Disse ela ainda envergonhada.
- Somos boas parceiras Duquesa Velásquez.
Ela falou fitando a Emilly, que sorriu e disfarçou em seguida.
- Creio que está na hora de nos despedirmos.
A duquesa se levantou apressada, um jeito incomum ao seu comportamento polido.
- Acompanhamos vocês até a porta.
Falei me antecipando a Paola.
- Mais uma vez obrigada pelo convite e pela noite. Foi muito agradável!
Agradeceu a Emilly.
- Obrigada Paola, Nayara! A noite foi uma delícia. Espero vê-las em breve!
A Joana se despediu abraçando a Paola e depois me abraçando.
- Vocês sim formam um lindo casal. Tenham certeza que inspiram muitas pessoas!
Disse soando bastante sincera, mas eu ainda não sabia o que pensar a seu respeito.