Como não admirar os traços bonitos dele…Segurei em seu rosto, debruçando ao seu lado e vendo a imagem enfraquecida daquele lobo que, um dia, fora imbatível. Os cabelos encaracolados, os traços lineares do rosto moldavam a pele em tom dourado e a musculatura rígida do maxilar ossudo.
Puxei um lençol, mantive a nudez coberta e o vi se mexer. Soltei o seu rosto e me mantive com os joelhos dobrados, sentada sobre minhas canelas. Malekith abriu os olhos devagar e eu ouvi um comando lá fora.
— Fiquem atentos! — era a voz de Taurum, e um comando de lanceiros apontando ao redor da tenda, cuidando para conter a fera, se fosse necessário.
Ele respirou fundo, piscou devagar e virou o rosto. Havia uma escuridão em seu olhar, algo triste e que não sabia explicar. Os reflexos da nossa distância desandou com muita coisa, acabou com a ilha e principalmente com ele. E eu não conseguia encontrar nem mesmo uma piada fajuta pro momento.
Eu esperei, e devagar ele levantou a mão grande, mirou o meu rosto com seus olhos dourados e tocou em meu cabelo. No silêncio, ele dispersou uma mecha entre os dedos, continuou respirando cansado e resolveu abrir a boca.
— Estrangeira… — soltou baixo. Eu sabia que aquele era um termo ofensivo. Era pra gente que não era deles, não se encaixava neles e até não merecia estar entre eles, mas esperei. Malekith parecia ter ainda mais palavras para soltar. — Fêmea…
Ele subiu os punhos, alcançou minha nuca e fechou as mãos. Senti a repuxada nos cabelos e imediatamente levei minhas mãos para trás. Com destreza, ele simplesmente me puxou, me fez tombar para o lado e num rápido movimento, estava me segurando pelos cabelos e me forrando de barriga para baixo no chão.
Malekith ficou de joelhos no chão, tendo uma de suas pernas no meio da minha enquanto mantinha meu rosto seguro e contra a terra. Eu fiquei quieta, tentei não me mexer, mas confesso que sentia as batidas do meu coração aceleradas. Não estava com medo por mim, mas estava com medo por ele. Se ele estivesse confuso e fosse fazer o que eu acho, quando sua verdadeira consciência voltasse, ele ia estar arrependido.
Não me dói ele querer me tocar. Me dói ele me acusar e renegar o que a gente sente. Isso me dói.
— Malekith… — soltei num sussurro, sabendo que ele estava quieto, apenas me observando. — Você está consciente?
— Muito. — Sua voz grave reverberou em minha cabeça. Pesada e carregada, ele começou a respirar fundo e não soltou meus cabelos de jeito nenhum. Quando fechei os olhos, tentando encontrar a solução para o que quer que esteja acontecendo, senti ele se mexer. — Como fez aquilo?
Engoli devagar e senti os dedos no meu cabelo apertar, seu rosto se aproximar e o peso do corpo duro encostar em meu corpo. Estremeci, fechei os dedos da mão pegando um pouco de terra, já que eu fui forrada no chão cru, e tentei raciocinar.
— Não sou eu… — sussurrei, sentindo a respiração quente afagar meu cabelo — Somos nós… Não se trata apenas de mim. Você precisa me ouvir.
Ele afrouxou a mão, mandou meus cabelos de lado, encostou o rosto entre a ossada do ombro e meu pescoço, e com a outra mão subiu o saiote das vestes. Ele rosnou, abriu a boca e passou os caninos pontudos pela curva do meu pescoço respirando cada vez mais fundo, enquanto as mãos livres espalmava minha cintura e apertava os ossos da circunferência um tanto pequena para a estrutura do lobo grande.
O grande alpha se afastou repentinamente, parecia estar sentindo dor para se conter e permaneceu de joelhos, olhando minha b***a de fora e meu corpo estirado no chão. Devagar, ele respirou fundo, certamente inalando o cheiro do momento, e quando olhei para trás, me apoiando em meus braços, vi ele abrir os olhos, fechar os punhos e cerrar os dentes.
— Fêmea… — ele rosnou, respirou contido movimentando o peito com volúpia. Suas veias estavam demarcando a estrutura de seu corpo e até a ossada do pescoço parecia retida com força. — Fêmea…
Só então eu entendi. Ele só está se segurando. Não está inconsciente, só está lutando contra sua própria vontade. Foi então que eu me virei, fiquei com o bumbum na terra e mordi a bochechas por dentro, um tanto decepcionada. Mas se ele estava me negando, a ponto de lutar contra seus extintos e sua própria lei para não se entregar, o que eu ia fazer?
— Porque em todas as nossas histórias sou eu quem tem que se sacrificar? — Eu me virei, ele continuou respirando fundo, fechando os punhos e me olhando com os seus olhos famintos. Ele não me impediu, então eu levantei e fiquei de pé, olhando pra ele com os olhos cheios de água.
Comecei a arrumar a roupa em meu corpo, e quando virei para trás, ele segurou minha mão. Eu olhei para trás e numa única puxada, dei um passo para perto. Meus olhos estavam cheios de água e meu coração estava extremamente partido. Igualzinho naquelas histórias furrecas e meia boca de amor doce. Mas ele estava ali, levantando minhas saias e eu com os olhos cheios d’água.
— Eu não quero que você faça nada pra me recusar depois. — Puxei minha mão com força e dei um passo para trás.
— Desejo a fêmea! — rosnou, um tanto irritado com o meu afastamento.
— Eu não ligo! — rebati com força na mentira. Esse problema de dupla personalidade numa versão dark nele estava me doendo a b***a, a alma e o peito.
— Deite-se em meu ninho, fêmea, irei possuí-la agora! — bradou, apontou o chão como uma ordem e afinou os olhos. — Se dê para mim!
Era exatamente assim que ele dizia: “Se dê para mim.” Infelizmente, me recordar disso era uma memória somente minha. Como eu queria abrir minhas pernas e agir igual uma louca dadeira, esquecer a noção e desandar com a merda toda. Mas o que eu ia fazer? Se ele me recusasse depois, ia ser pior. Não posso ter um filho dele com esse sentimento de recusa, não posso deixar ele me morder… Eu quero, mas não posso!
As coisas estavam totalmente desequilibradas e Malekith precisava, a qualquer custo, aceitar isso, antes de se entregar. Andrômeda me ensinou a importância do fio do destino, e agora acho que ela me ensinou tudo aqui por um propósito. Se eu não cuidar do que sentimos agora, como será depois?
— Você já tem uma prometida. — soltei, tentando manter os pés no chão. E claro, aquilo me deu um estalo importante na discussão. — Como assim você já tem uma prometida? — Eu olhei para os lados, abri as mãos tentando entender e procurar o antro maluco que escreve essa merda. — De onde saiu aquela desgraçada? Quem escreveu ela com os p****s daquele tamanho?
Ele esticou as mãos, pegou as barras das roupas e a puxou sem nenhum problema, fazendo o linho se tornar um r***o e repuxar o meu corpo. E com isso, descobri que os panos pareciam uma folha de papel em suas mãos, porque o r***o abriu em seus dedos e distendeu em toda sua costura; fazendo eu ter de tapar os s***s e ficar apenas com umas lascas de trapo penduradas nos ombros. Acabei vendo o pano ficar em suas mãos e arregalei os olhos.
— A visão dos deuses me pertence! — rosnou, jogou o pano fora e se levantou, enquanto eu dava um cuidadoso passo para trás. — Dê-se para mim, fêmea!
Tropecei naqueles objetos que não fazem muita importância, mas como a história é m*l escrita, caí diretamente na esteira fofa e cheia de cobertores, a mesma em que ele estava deitado. Nu e de p*u em pé, com um único passo ele me alçou. Tentei me segurar nas cobertas, mas ele se ajoelhou rápido, já me puxando pela cintura.
Eu já não tapava mais s***s, curvas e nem nada, e ainda tinha a “Silvana” totalmente visível para ele. As cobertas não me salvaram de nenhum movimento e o seu rosnado se fazia cada vez mais grosso. — Malekith, você tem certeza? — tentei me certificar.