A FUSÃO

1665 Words
A lente do projetor finalmente encontrou o ponto de equilíbrio. O estalo metálico do ajuste fino ecoou como um veredito, e a imagem na parede de concreto, antes uma mancha disforme, ganhou contornos nítidos. YONA O ar fugiu dos meus pulmões, mas não pela proximidade sufocante dos irmãos Guedes. A imagem projetada era uma fotografia antiga, em preto e branco, de uma mulher jovem sentada exatamente nesta mesma oficina, décadas atrás. Ela tinha o meu rosto, o mesmo arco das sobrancelhas, mas havia algo nela que eu nunca tive: uma liberdade selvagem no olhar. Ela estava rindo, sentada no capô de um carro, e ao lado dela, dois homens grandes — cujas semelhanças com Caleb e Seth eram de arrepiar a espinha — a seguravam como se ela fosse o centro do universo deles. — Essa é a minha mãe... — sussurrei, sentindo uma lágrima quente teimar em cair. — Eu nunca soube onde essa foto foi tirada. Eu não sabia que ela... que ela conhecia este lugar. — Ela tinha o seu olhar, Yona — Caleb disse, sua voz saindo tão profunda que pareceu vibrar no metal das ferramentas ao redor. — Mas os olhos dela eram cheios de luz. Os seus... os seus parecem que estão tentando esconder um incêndio que ninguém ajudou a apagar. Yona abraçou o próprio corpo, os dedos cravando no tecido fino do vestido. Uma lágrima solitária traçou um caminho pela sua bochecha. YONA A imagem da minha mãe ainda estava queimada na minha retina. Eu fugi da minha cidade natal não apenas pelo anonimato, mas para escapar do fantasma de uma mulher que amou demais e pagou o preço por isso. Eu vim para cá porque encontrei uma carta escondida no fundo daquela caixa de madeira, com um endereço rasgado e uma frase que dizia: "Onde o aço encontra o ímã, você encontrará a verdade". Meus ombros tremeram. A solidão dos últimos meses, o medo do "incidente" que me fez deixar tudo para trás — as cicatrizes invisíveis de uma noite em que quase perdi minha voz para alguém que não aceitava um "não" — tudo desabou. Eu não era apenas uma voluntária da igreja; eu era uma sobrevivente tentando não quebrar. E ali, no escuro, cercada por dois homens que exalavam perigo, a melancolia me atingiu como uma onda fria. — Eu não vim para cá só pelo projetor — ela confessou, a voz falhando. — Eu fugi de um homem que achava que o meu "sim" era um detalhe desnecessário. Alguém que me fez sentir que a minha pureza era um alvo, não uma escolha. Seth jogou o cigarro no chão e o esmagou com a bota, aproximando-se com uma rapidez felina. Ele parou na frente dela, o rosto branco e os olhos castanhos fixos nos dela, agora sem o deboche habitual. — Ele machucou você? — Seth perguntou. O tom era baixo, mas carregava uma violência contida que fez Yona estremecer. — Ele tentou. Eu fugi antes que ele terminasse de destruir quem eu era. Eu pensei que, se viesse para o lugar da foto, onde ela parecia tão segura e amada... talvez eu encontrasse um pouco dessa força. Mas agora estou aqui, e eu só sinto que o medo me seguiu. Caleb não esperou mais. Ele deu o passo final, envolvendo-a por trás. Seus braços morenos e robustos, escondidos pelas mangas do moletom cinza, cruzaram-se sobre o peito de Yona, puxando-a contra o seu corpo firme. Pela primeira vez, a sensação não trouxe pânico, apenas uma segurança avassaladora. — Respire, pequena — Caleb murmurou no ouvido dela, o cabelo crespo roçando sua têmpora. — Você está sentindo isso? Esse é o meu coração. Ele bate por ordem minha, e agora ele está dizendo que você está segura. Seth deu um passo à frente, fechando o cerco. Ele colocou as mãos na cintura de Yona, os dedos longos se espalhando sobre o quadril dela. Ele inclinou a cabeça, encostando a testa na dela. — O aço não é só para construir, Yona — Seth disse, o rosto a centímetros do dela. — Ele serve para proteger. E para esmagar quem ousa desafiar o que protegemos. Yona soltou um suspiro longo, deixando o peso do corpo cair contra o peito de Caleb enquanto sentia o calor das mãos de Seth. Ela estava prensada entre as duas versões da masculinidade mais intensa que já havia conhecido. — Eu nunca estive tão perto de ninguém — ela sussurrou, olhando de Seth para Caleb. — Eu tenho medo de que, se eu me entregar a isso... eu acabe me perdendo de vez. Seth sorriu, um sorriso sombrio e devastadoramente sexy. Se perder em nós não é o fim, Yona. É o começo. Ele deslizou uma das mãos da cintura para a nuca dela, puxando-a levemente para trás, forçando-a a olhar para Caleb, que a observava de cima com seus olhos pretos e famintos. — Você quer ir embora? — Caleb perguntou, a mão dele subindo pela coxa dela, o tecido do vestido subindo junto, revelando a pele pálida sob a luz da lua. — Diga a palavra agora, e nós te deixamos ir. Mas se ficar... se decidir aprender a "operar" esse desejo, não haverá volta. Yona sentiu o volume dos dois contra seu corpo, a promessa de uma entrega que sua alma pedia e seu corpo temia. Ela olhou para a porta da oficina, para a liberdade fria da rua, e depois voltou para os olhares de Caleb e Seth. — Eu não quero ir — ela respondeu, a voz ganhando uma firmeza nova. — Mas eu não sei o que fazer. — Não precisa saber — Seth murmurou, roçando os lábios no canto da boca dela, enquanto a mão de Caleb apertava sua coxa com uma posse absoluta. — Nós temos a noite inteira para te mostrar exatamente por onde começar. O som da chuva começou a tamborilar no telhado de zinco, criando uma cortina acústica que isolava a oficina do resto do mundo. Dentro, o calor era sufocante, alimentado pela respiração pesada de três pessoas que haviam atingido o limite da contenção. — O metal precisa de calor para ser moldado, Yona — Caleb sussurrou, a voz vibrando contra a nuca dela. Suas mãos grandes, calejadas pelo trabalho bruto, desceram pelo vestido de algodão dela até a barra, subindo lentamente pela pele macia das coxas. — E você está pegando fogo. Yona soltou um arquejo quando sentiu os dedos de Caleb tocarem a renda fina de sua calcinha. Ela tentou recuar, mas encontrou o peito de Seth. Ele a segurou pelos ombros, girando-a para que ela ficasse de frente para ele, enquanto Caleb permanecia colado às suas costas. — Olhe para mim, boneca — Seth ordenou, a voz rouca, os olhos castanhos fixos nos dela. Ele começou a desabotoar o vestido dela com uma destreza irritante. — O que você sente agora não é pecado. É a sua natureza chamando a nossa. — Eu... eu nunca... — as palavras de Yona morreram quando o vestido caiu aos seus pés, deixando-a apenas de lingerie sob a luz pálida da lua. Seth parou por um segundo, admirando a brancura da pele dela contra a escuridão da oficina. — Eu sei. E é por isso que vamos devagar. Vou te ensinar que o prazer pode ser gentil — Seth disse, inclinando-se para beijar o pescoço dela, enquanto Caleb, atrás dela, abaixava o moletom cinza, revelando o torso moreno e robusto. Caleb puxou-a para trás, fazendo-a sentir a rigidez impressionante de sua masculinidade através do tecido fino. Suas mãos subiram para os s***s de Yona, cobrindo-os inteiramente. — E eu — Caleb completou, a voz como um rosnado baixo no ouvido dela — vou te ensinar que o amor também pode ser uma força que te domina, que te reivindica até que não reste nada além do nosso nome na sua mente. Eles a conduziram até uma bancada coberta por um acolchoado de couro velho. Seth a deitou com uma delicadeza que contrastava com o volume que marcava sua calça. Ele se posicionou entre as pernas dela, enquanto Caleb se manteve ao lado de sua cabeça, oferecendo o braço forte para ela apertar. — Dói? — ela perguntou, os olhos dilatados de medo e desejo. — Só no começo — Caleb respondeu, levando a mão à boca dela para que ela mordesse seus dedos se precisasse. — Depois, será a única coisa que você vai querer sentir pelo resto da vida. Seth removeu o que restava da roupa dela. Ele não avançou de imediato. Ele a preparou com os dedos, com a língua, ensinando-a a gemer, a aceitar a invasão. Quando Yona estava arqueando o corpo, perdida no ritmo que Seth ditava, Caleb se inclinou e selou seus lábios em um beijo profundo, explorador, enquanto Seth finalmente se posicionava. — Somos nós, Yona — Seth murmurou, a testa encostada na dela, os olhos castanhos brilhando. — O aço e o ímã. Houve uma resistência, um momento de tensão aguda onde o passado de Yona pareceu querer gritar, mas o toque firme de Caleb em seus cabelos e a entrada lenta e possessiva de Seth silenciaram tudo. Ela sentiu a ruptura, mas logo em seguida, o preenchimento absoluto. Não era apenas físico; era como se as peças do projetor finalmente tivessem encontrado o encaixe perfeito. Caleb não ficou apenas assistindo. Ele a acariciava, ditava o ritmo, sussurrando palavras de encorajamento em seu ouvido enquanto Seth a conduzia por um caminho de sensações que ela nunca imaginou existir. Era uma dança de contrastes: o moreno e o branco, a brutalidade e a ternura, o amor e a f**a. — Você é nossa agora — Caleb sentenciou, quando sentiu que ela estava pronta para o clímax. — Em cada cicatriz, em cada suspiro. Yona não era mais a menina fugitiva. Naquele momento, entre as ferramentas e o cheiro de óleo, ela se tornou a mulher da foto, a mulher que pertencia ao aço.
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