Chegaram na confeitaria de Molly alguns minutos depois e àquela hora ainda estava lotada de clientes. Molly passava pra lá e pra cá com bandejas nas mãos, ajudando no atendimento.
- Já falo com vocês – Passou pelos dois e falou. – Tem uma mesa logo ali, me esperem lá.
- Não tenha pressa... Não iremos a lugar algum. – Mark respondeu no mesmo ar zombeteiro da irmã.
Mark puxou a cadeira para que Emma sentasse. Ela estranhou a atitude, mas aceitou e agradeceu. Emma perguntou:
- Ela é sempre assim? – se referia a Molly
- Assim como? – Mark não entendeu.
- Parece que tá ligada na tomada?
- Ah, sim.... – Ambos riram.
- Sim, sempre. Desde muito novinha, quando ainda parecia um esquilo.
- Vocês parecem muito unidos.
- E somos. Mas nem sempre foi assim – Mark pareceu mergulhar em suas lembranças – Houve uma época em que brigávamos muito, mas uma grande tragédia nos uniu.
- Que tragédia – Emma quis saber.
- Nós tínhamos um irmão mais velho que eu. Ele morreu afogado quando éramos adolescentes. Nós dois éramos muito unidos e sempre deixávamos Molly para escanteio. Ela ficava muito brava e xingava demais... quando Noah faleceu, nós só tínhamos um ao outro. Então prometi a ela que nunca mais a deixaria de lado e que cuidaria dela para sempre.
- Ah, Mark... eu sinto muito! Sinto muito mesmo! Não deve ter sido fácil perder alguém assim, ainda tão jovem. – Involuntariamente, Emma pegou uma de suas mãos e acariciou, confortando-o.
- Hello, people!! – Molly chega à mesa, toda barulhenta. – Hummm... – Ela não pôde deixar de notar que estavam de mãos dadas e imediatamente soltaram, como se tivessem levado um choque. – O que vão querer para acompanhar esse clima de romance que sinto no ar.
- Não tem clima nenhum de romance, coisinha – Mark respondeu sem conseguir esconder o seu total constrangimento. – Quero uma fatia daquela sua torta maravilhosa de maçã e um suco de morango.
- Combinação interessante.
- E você, Emma?
- Com toda essa propaganda vou querer uma fatia de torta de maçã também, o suco pode ser de pêssego.
- Vocês gostam mesmo de doce, não é? Já volto.
Menos de cinco minutos depois, Molly trouxe o pedido dos dois. Emma provou a torta de maçã e quase deu pulinhos de alegria.
- Ah, meu Deus, Molly! Essa torta é uma delícia! – Falou com a boca cheia.
- Eu não disse? – Mark perguntou. – Minha irmã tem o dom de criar receitas maravilhosas.
- Ai, gente... assim vocês me deixam com vergonha – Fez cena de que estava encabulada – Mentira! Eu sei que arraso mesmo. Fiquem à vontade, meus amores! – E saiu novamente os deixando a sós.
- Ei... – Mark a chamou – Você não faz pausa? Senta um pouco aqui com a gente.
- Daqui a pouco. Estou com bolinhos no forno. Quando tirar, tenho um tempinho pra vocês.
Os dois ficaram traçando o plano para a pequena reforma da Casa Rosa. Mark ligou para seu amigo e fez o orçamento do que iriam precisar. Não ficaria tão caro e Emma aprovou tudo imediatamente. O único inconveniente é que não conseguiriam entregar no mesmo dia devido à grande demanda de entregas.
- Não tem problema. Não vai ter ninguém lá para receber o material. Vamos estar na rua resolvendo outros assuntos. Você acha que consegue entregar no primeiro horário amanhã? – Pequena pausa para ouvir a resposta – Perfeito! Estaremos lá aguardando. Muito obrigado!
Mark desligou o celular com o orçamento fechado e entrega marcada para o dia seguinte.
- Nem posso acreditar que você já resolveu quase tudo. – Emma estava surpresa com a eficiência de Mark.
- Calma... ainda tem muita coisa para resolver, lembra? Vamos apenas recarregar as baterias aqui e já iremos pedir a religação de tudo. Para começar a arrumar a casa, vamos precisar que tudo já esteja religado. Vamos torcer que consigam religar tudo hoje ou amanhã pela manhã.
- Tudo certo por aqui, meus queridos? – Molly retornou trazendo seu lanche numa bandeja e sentou-se com eles.
- Tudo certinho! – Mark respondeu comendo a última garfada da torta de maçã.
- Como foi lá na Casa Rosa? – Molly quis saber.
- Bem melhor do que eu esperava. O estrago não está tão terrível assim. – Emma respondeu, com um sorriso de satisfação no rosto.
- É mesmo? Isso é ótimo!
- Molly, você não vai acreditar... temos aqui uma musicista. – Mark falou todo entusiasmado.
- Não brinca!
- Sério! Sabe aquele piano que ficava na entrada da Casa Rosa?
- Sei.
- Continua lá. O Nick deixou na casa. E eu acabei de assistir a um show particular apresentado por Emma.
- Nossa! Que incrível, Emma!
- Seu irmão tá exagerando um pouco. Não... bastante. Só toquei algumas poucas notas e nada mais.
- Sabe o que isso significa? Que podemos pensar em algo além...
- Como o quê, por exemplo? – Emma estava curiosa sobre os planos de Molly.
- Ouça... tenho uma amiga que está terminando o processo de produção de seu livro. Seria maravilhoso fazer uma tarde de leitura na Casa Rosa ao som do piano... – Molly começou a sonhar acordada.
- Tá vendo como a minha irmã é romântica.
- A ideia é incrível. Só tem dois detalhes, muito importantes: primeiro, como saberemos que sua amiga vai querer fazer parte disso e segundo, ainda vai levar alguns dias até que a Casa Rosa fique pronta de novo. Pode demorar mais de um mês.
- Relaxa! Vou falar com ela. Podemos programar a reabertura da Casa Rosa no dia da leitura, o que acham? Daí matamos dois coelhos com uma cajadada só. Precisamos de publicidade; precisamos que as pessoas saibam que a Casa Rosa tá de volta... uhuuu!!!
Molly era uma jovem com seus vinte e poucos anos; alegre, cheia de vida e cheia de ideias na cabeça. Seu tino para os negócios era muito aguçado. Construiu sua confeitaria sozinha, sem o dinheiro de seus pais, quando voltou de Paris. Passou alguns anos lá, estudando gastronomia, que é sua paixão desde a adolescência. Não tinha medo de trabalhar e, mesmo sendo a dona de seu próprio negócio, não deixava o hábito de acordar muito cedo e estar sempre ali, no atendimento com um sorriso no rosto.
Era conhecida na cidade por ter essa energia boa e agradável que atrai as pessoas. Fazia questão de tratar a todos com muito respeito e mantinha sua postura respeitosa, mesmo quando lhe destratavam. Só tinha um detalhe muito importante sobre seu temperamento: ela não conseguia disfarçar quando não gostava de alguém. E quando isso acontecia, tratava logo de resolver.
Nunca casou ou teve filhos. Ao longo de sua vida colecionou decepções amorosas e isso lhe transformou em uma mulher madura que não cria grandes expectativas quando o assunto é amor. Sua última experiência amorosa foi com um rapaz que havia chego à cidade, sem dar grandes informações sobre seu passado.
Alguns meses depois que o forasteiro chegou à cidade, estavam noivos, com os preparativos do casamento a topo o vapor. Duas semanas antes do dia que estava marcada a cerimônia, a verdade veio à tona: o fulano era casado e tinha dois filhos com a esposa. Isso partiu o coração de Molly, mas também lhe o impulso que precisava para mudar-se para Paris, mesmo que provisoriamente, e fazer o seu tão sonhado curso.
Morou em Paris durante quase cinco e retornou de lá pronta para começar a se aventurar no fantástico mundo do empreendedorismo. Apesar de viver sozinha, é feliz e completa. Claro, gostaria de encontrar o amor de verdade. Aquele que provoca borboletas no estômago, porém, se não acontecer, ela também está feliz. É resignada. Acredita que as coisas acontecem por alguma forte razão.
***
Após os momentos que passaram com Molly, Emma e Mark pegaram o carro do rapaz e seguiram com o planejado. Por sorte, Mark tem muitos conhecidos na cidade e grandes amigos, o que facilitou muito a resolução dos problemas que tinham que solucionar naquela tarde.
Antes mesmo de o sol se pôr, a energia, a água e o gás da residência já haviam sido estabelecidos. O dia fora muito produtivo para ambos. Estavam fechando o portão do estacionamento quando Emma falou:
- Mark, nem sei como te agradecer. Você tem sido um grande amigo.
- Aqui nós cuidamos uns dos outros, saiba disso desde já. A cidade é pequena e tá muito longe de ser uma cidade perfeita, mas vivemos aqui como se fossemos uma grande família. – Fez uma pequena pausa – E eu sei como você pode me agradecer.
- Como?
- Falei mais cedo... Não pare de tocar.
- Pode deixar. Vou me lembrar disso.
- Agora vou deixar você no Hotel das Flores e seguir com a minha vida. Estarei lá no pub, se quiser passar lá mais tarde, só pra jogar conversa fora, pode ir.
- Eu vou sim.
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P.S.: Todas as histórias estarão totalmente atualizadas a partir de 05.09.21 – Todas elas estão sofrendo segunda revisão, por esta razão, algumas estão incompletas.
Como é a primeira vez que publico nesta plataforma, ainda estou testando. Mas prometo que todas as histórias estarão atualizadas a partir da data acima.
Obrigada por lerem minhas histórias!
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