Capítulo 4

1904 Words
As duas ficaram ali, jogando conversa fora até a chegada de Mark alguns minutos depois. - Olha só quem chegou. – Anunciou Molly assim que viu Mark entrando pela porta da confeitaria. – Meu querido irmãozinho. - Bom dia, senhoritas. – Beijou o topo da cabeça de Molly – Me perdoe pelo atraso, Emma. Precisei passar na casa de meus pais e aí já sabe como é... Minha mãe insiste que eu fique e tome café, faz um monte de perguntas... - Não se preocupe. Molly me fez uma excelente companhia. – - Os pirralhos ficaram lá? – Molly perguntou, pegando outro bolinho. - Sim. Não teve como evitar. - Pirralhos? – Emma não entendi do que os irmãos falavam. - É... meus sobrinhos. São esses aqui – Mostrou as fotos dos filhos de Mark que estavam na tela de seu celular, a Emma. - Que lindos! Adoro crianças! Muito mesmo. – A informação atraiu a atenção de Mark. - São seus filhos? – perguntou a Mark. - Sim! – Respondeu todo orgulhoso. - Não sabia que era casado. – Fez o comentário, constrangida. - Ele é viúvo, há cinco anos. – Molly apressou-se em atualizar Emma sobre o estado civil de Mark. – Viúvo e solteiro, se é que pode usar essas duas expressões juntas. - Ah, sim... Meus sentimentos. – Falou, um pouco sem graça - Você cuida das crianças sozinho? - Não totalmente. As vezes Molly me ajuda, minha mãe também... e assim vamos caminhando. - Acho que ainda não conheci a mãe de vocês. – Comentou em dúvida. - Ela é a médica na clínica da cidade. E nosso pai é o prefeito. – Molly falou enquanto recolhia os itens na bandeja. – Agora, se me dão licença, tenho uma encomenda para preparar. – Retirou-se deixando os dois sozinhos. - E então? Podemos ir? – Perguntou Mark. - Ah... sim, claro! *** Os dois caminharam até a Casa Rosa, conversando amenidades. - O que deu na sua cabeça para vir morar aqui e comprar justo a Casa Rosa? – Mark perguntou. - Eu queria uma mudança em minha vida. - Uma mudança radical, por assim dizer. - Por que você diz isso? - Bom, é evidente que você não é daqui e antes devia morar em uma cidade badalada, grande. Aqui é o oposto. - Como disse antes, eu queria uma mudança. - Em todo caso, não vai demorar a se adaptar. Aqui, as pessoas são bem amistosas. Algumas chegam a ser intrometidas, mas você se acostuma e passa a contornar algumas situações com mais tranquilidade. - Eu espero. Estou curiosa para conhecer sua Mãe. Como ela é? - Minha Mãe é uma das pessoas mais conhecidas dessa cidade. Ela vem da família dos fundadores e os habitantes daqui tem um grande carinho por ela. - Era de se esperar, ela é a médica. - Na verdade, ela é mais que apenas médica. Ela é o coração dessa cidade. Considera a todos aqui como se fossem parte da família dela. - Que coisa bonita de se ouvir. - Pois é... chegamos! Emma destrancou o portão velho da garagem e eles entraram na propriedade que, agora vista pela claridade da manhã, não parecia tão f**a quanto na noite em que chegou e viu pela primeira vez. Os dois entraram na casa e Mark começou a fazer algumas anotações em um bloco de papel. Na sala enorme, todas as paredes eram revestidas com um tipo de papel sofisticado; do lado direito havia uma grande estante que, no passado, deveria ser cheia de livros e um balcão, semelhante à de uma recepção, feito em tijolinhos de vidros. Emma achou lindo e decidiu mantê-lo ali mesmo, onde estava. A Casa Rosa possuía oito suítes, sendo que uma ficava na parte superior do imóvel; aquela seria a de Emma, para que pudesse ter um pouco de privacidade. Olharam cômodo por cômodo; algumas janelas quebradas, lâmpadas para trocar, precisa de uma boa pintura... Mark olhou tudo com muita atenção. O piso da casa estava intacto. Os armários da cozinha deveriam vir a baixo; foi tomado por cupins. Em alguns banheiros deveria trocar as louças; já em outros, estavam como novas. Haviam vários móveis velhos naquele lugar que deveriam ser jogados fora o quanto antes. Quando terminaram a vistoria interna, retornaram até a sala maior, onde fica a recepção e Emma notou algo que ambos não tinham percebido no primeiro momento em que estiveram ali. Um móvel grande, coberto com um tecido que já estava corroído pelo tempo. Ela e Mark se entreolharam e aproximaram-se do móvel. De perto parecia muito maior. Juntos, removeram o velho tecido e lá estava ele, majestoso e imponente, nem parecia que o tempo havia passado para ele: o piano que pertenceu a família do antigo proprietário. - Nossa! É lindo! – Os olhos de Emma brilharam com a novidade. - É mesmo! Você toca? - Tocava quando criança. Minha Mãe me ensinou algumas músicas e que tornaram minhas favoritas. – Sua mão percorreu as teclas enquanto se perdia em suas lembranças de uma infância distante. - Vou ligar para o Nick e avisar sobre o piano. Só um momento. Mark se afastou para fazer a ligação e Emma ficou ali, admirando o móvel que lhe trouxe a nostalgia de uma época que ela nem lembrava que havia vivido. Fazia tanto tempo que parecia que nem era ela. Ainda muito nova, sua mãe a colocou em aulas de piano. Assim que Emma chegava das aulas, ia praticar no velho piano de sua Mãe. Lembra bem de sentar no colo da Mãe e dedilhar as notas que aprendera nas aulas. Sua Mãe tocava como ninguém; por vezes via seu Pai sentado e admirando a esposa tocar melodias que ficaram gravadas para sempre na memória de Emma. - Falei com o Nick – Mark retornou, interrompendo os pensamentos de Emma, lhe trazendo de volta à realidade – Ele disse que se você quiser, pode ficar com o piano; se não quiser, pode doar. Era da Mãe dele. Pelo que me falou, seria muito dolorido ficar com ele... Traz muitas lembranças a ele e à sua família. – Fez uma pausa rápida – E então, quer ficar com o piano? - Sim. Claro que quero. É lindo! – respondeu imediatamente – E ele vai ficar exatamente aí. - Tudo bem. É você quem manda. Vou terminar de fazer minhas anotações. Emma parou para prestar atenção na partitura que estava no piano e se deu conta de que era uma música que conhecia muito bem, mas nunca havia tocado. Sentou-se na banqueta do piano e muito timidamente começou a dedilhar as notas daquela música.   “Say Something Say something, I'm giving up on you I'll be the one, if you want me to Anywhere, I would've followed you Say something, I'm giving up on you And I am feeling so small It was over my head I know nothing at all And I will stumble and fall I'm still learning to love Just starting to crawl Say something, I'm giving up on you I'm sorry that I couldn't get to you Anywhere, I would've followed you Say something, I'm giving up on you And I will swallow my pride You're the one, that I love And I'm saying goodbye Say something, I'm giving up on you And I'm sorry that I couldn't get to you And anywhere, I would've followed you Say something, I'm giving up on you Say something, I'm giving up on you Say something” Quando terminou se deparou com um Mark totalmente impressionado com sua performance. Recebeu aplausos e elogios. - Isso foi maravilhoso! Você toca muito bem! – elogiou com um sorriso que ia de orelha a orelha. - Ah.., isso não foi nada. – Levantou-se um pouco envergonhada. Não tocava havia muito anos - A música nem é tão difícil assim de tocar. – Parou por um instante, pensou um pouco e continuou – há quanto tempo mesmo a casa está fechada? - Não sei... deve ter uns cinco anos. Desde que a Mãe de Nick faleceu, ele perdeu o encanto pelo lugar e fechou. Mas, por que a pergunta? - Não... nada. Achei que fosse há mais tempo. Estranhei que tivesse uma música tão atual no piano. - Ah, sim... Na verdade, para quem está por perto, parece uma eternidade. Parece que foi em uma outra vida. - Ainda estamos falando da Casa Rosa, não é? – Emma parecia confusa com o comentário de Mark. - Sim e não... quer dizer... é que também fazem cinco anos desde que minha esposa se foi. – O homem parecia mais constrangido do que deveria estar. - É verdade! Lembro de ouvir Molly comentando. – Emma completou – Essa nossa vinda aqui foi um tanto quando nostálgica, você não acha? - Demais até! – Mark concluiu, coçando a cabeça e olhando para seu bloco de anotações. - Conseguiu o que precisava? - Sim. Anotei tudo o que vamos precisar para deixar essa casa um brinco de novo. - Isso é ótimo, Mark! - Quero que saiba de uma coisa: você não está sozinha. Eu vou te ajudar, tenha certeza disso. – Falou com uma ternura no olhar que Emma não conhecia. - Muito obrigada, Mark! Eu prometo que vou te pagar direitinho, viu? – Garantiu. - Ei... para com isso! Metade do meu pagamento você já me deu quando me permitiu te ajudar e a outra metade você pagou quando me deixou ouvir você tocar essa maravilha aqui – deu leve batidinhas no piano – Só quero que me prometa uma coisa... - O quê? – perguntou, curiosa. - Não pare de tocar nunca! Você toca muito bem! - Vou tentar. Tenha certeza disso. – Emma prometeu. - Agora vamos. Temos uma longa jornada pela frente. - O que faremos agora? - Bom, primeiro uma pausa na confeitaria para comer algo... estou faminto, de novo! De lá mesmo vou ligar para o j**k e fazer o orçamento disso aqui – balançou a lista que tinha em mãos – Quando terminarmos, se você aprovar o orçamento, fechamos o pedido e pronto, aguardamos a entrega. - Maravilha! - A boa notícia é que não temos uma grande obra pela frente; são apenas pequenos reparos. O que vai demorar mesmo é a pintura. Dei uma olhada no estacionamento, não há nenhum estrago aparente. O telhado também está e ordem... Não está tão r**m quanto pensávamos. - Certo! – Emma estava maravilhada. - Você vai precisar ir na companhia elétrica, de água e de gás para pedir o religamento. Está tudo desligado. Podemos fazer isso hoje ainda se você não estiver muito ocupada no período da tarde. - Bom, não tenho nada marcado em minha agenda. – Deu uma leve risadinha. - Perfeito! Agora vamos. Meu estômago está conversando comigo... mais precisamente, me xingando. - Vamos. Fecharam tudo e fizeram o caminho de volta à confeitaria de Molly.  *** Caros leitores e leitoras, Siga meu perfil aqui na Dreame e siga também minhas histórias. Isso me incentiva muito a continuar escrevendo. P.S.: Todas as histórias estarão totalmente atualizadas a partir de 05.09.21 – Todas elas estão sofrendo segunda revisão, por esta razão, algumas estão incompletas. Como é a primeira vez que publico nesta plataforma, ainda estou testando. Mas prometo que todas as histórias estarão atualizadas a partir da data acima. Obrigada por lerem minhas histórias!  ***
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