O pub The Crowned Bear estava cheio o suficiente para abafar qualquer conversa indesejada, e isso foi exatamente o que eu precisava depois do dia que tive. Assim que entrei com Taylor, senti os ombros relaxarem pela primeira vez desde a manhã.
Taylor apontou para uma mesa mais afastada.
— Anda, senta. Quero saber por que você me mandou mensagem dizendo "vou explodir" às quatro da tarde.
Eu bufo enquanto largava a bolsa na cadeira.
— Porque eu realmente ia.
O garçom passou, e Taylor já levantou a mão.
— Duas pints, por favor.
Assim que ficamos sozinhas, Taylor cruzou os braços e inclinou o corpo para frente.
— Tá. Agora fala. O famoso novo chefe entrou na sala e você odiou ele?
— Não é que eu odiei — comecei, frustrada. — É que ele é... um problema ambulante. Aquele tipo de cara que acha que todo mundo respira porque ele permite.
Taylor arregalou os olhos.
— Uau. Isso é forte. O que ele fez?
Eu apoiei as mãos na mesa, indignada.
— Ele me olhou como se eu fosse uma estagiária de quinze anos que caiu de paraquedas. Só porque eu sou jovem e o pai dele me contratou. Ele nem tentou disfarçar o julgamento.
— E você disse o quê?
— Disse que a minha idade não interfere na minha competência.
Taylor sorriu, satisfeita.
— Boa. E como ele reagiu?
Reviro os olhos.
— Deu aquele sorrisinho irônico de "claro, querida, o que você disser". E depois saiu da sala como se tivesse acabado de vencer uma discussão que nem aconteceu.
As cervejas chegaram. Taylor ergueu a dela, mas não bebeu ainda.
— Então... deixa eu ver se entendi — disse ela. — O Harry Cooper é bonito?
Eu engasguei.
— O que isso tem a ver?!
— Tudo. — Taylor riu. — A forma como você está surtando tem uma energia muito específica.
— Ele é... normal. — dei de ombros, claramente mentindo m*l. — Ok, ele é bonito. Óbvio. Mas é daquele tipo bonito que irrita.
— Aham. — Taylor tomou um gole. — Bonito e insuportável. Clássico.
— Ele é arrogante —completei. — E mandão. E acha que sabe tudo. E tem uma ex que fica rondando a empresa como um fantasma loiro e irritante.
Taylor levantou uma sobrancelha.
— A tal de Bethany?
— Isso. — suspiro. — Hoje ela ficou me olhando como se eu tivesse roubado o lugar dela. Ou roubado ele. Sei lá. Ridícula.
— Tem clima entre eles ainda?
— Tem clima de que ela quer, e ele... eu não sei — admiti. — Mas o problema é que todo mundo no setor olha para mim como se eu não pertencesse ali. E ele reforça isso com a postura dele.
Taylor respirou fundo, avaliando.
— Ok. Vamos concluir: Seu chefe é lindo. Seu chefe é um i****a. Suas colegas são invejosas. Você está um passo de jogar um grampeador na cabeça de alguém.
Levanto a caneca.
— Exatamente.
— Então brindemos — Taylor ergueu a dela. — À sua capacidade de não ser presa no segundo dia de trabalho.
Eu ri, finalmente relaxando.
— À minha capacidade de não ser presa.
Nós duas brindamos, e eu tomo um gole generoso.
Enquanto encosto a cerveja na mesa, a minha mente voltou por um instante ao olhar frio e calculado de Harry naquela manhã.
Aquele olhar que dizia:
Eu não confio em você. Eu não te escolhi. Prove que merece estar aqui.
E isso só deixava tudo ainda mais irritante.
Porque Madison Bennett iria provar.
Só para esfregar na cara dele.
E talvez só para ver aquele olhar arrogante finalmente rachar.
Eu tomei mais um gole da minha pint, sentindo o amargor familiar subir pela garganta, e Taylor não parava de me fitar com aquele sorriso malicioso.
— Sério, Madison… você está tentando me dizer que toda essa raiva é profissional ou pessoal? — ela perguntou, inclinando a cabeça.
— Profissional, obviamente — retruquei rápido demais. — Tudo é profissional. — Mas a voz saiu mais alta do que eu pretendia, e eu senti o calor subir à face.
— Uh-huh. Profissional. — Taylor riu, balançando a cabeça. — Claro, e o olhar dele? Profissional também?
Reviro os olhos, quase derrubando o copo.
— É… complicado. Ele me irrita, me desafia e, ao mesmo tempo, não consigo parar de reparar. É exasperante.
Taylor bateu na minha mão de leve, zombando.
— Exasperante e atraente. Isso é clássico, Madison. Todo mundo sabe que você só está nervosa porque ele mexe com você.
— Estou nervosa porque ele me avalia como se eu fosse uma ameaça ou uma piada. — a minha voz ficou mais firme. — E, porque Bethany está ali. Sempre ali, lembrando todo mundo do passado dele, e agora, do meu lugar no setor.
— Ai, meu Deus — Taylor gemeu teatralmente, virando os olhos. — Então ele tem história com a loira fantasma, você está no meio do fogo cruzado e ainda assim quer impressionar? Madison, você está pedindo para sofrer.
Suspirei, admitindo silenciosamente que ela estava certa.
— Não é só isso — murmuro, baixando a voz. — Hoje de manhã, ele entrou na sala e me lançou aquele olhar… aquele olhar que parece medir cada fibra do meu corpo. Como se estivesse tentando descobrir se eu sou capaz de sobreviver naquilo tudo.
Taylor apoiou o queixo na mão, estudando o meu rosto.
— E você? Sobreviveu ao olhar dele?
— Sobrevivi. — Respiro fundo. — Mas não sem esforço. É irritante, irritante de um jeito que não consigo definir.
Ela gargalha, batendo na mesa.
— Madison Bennett, você está oficialmente fisgada pelo chefe arrogante e bonito.
— Não estou fisgada. Só… cautelosa. Profissional. — Tento soar firme, mas meu coração dispara só de lembrar daquele olhar.
Nosso brinde de novo ecoa pelo pub, misturando-se ao som de vozes e música. Mas, no fundo, sei que quando eu voltar amanhã, Madison Bennett — ou melhor, eu mesma — vai ter que lidar com Harry Cooper, Bethany e todo aquele caos de gente bonita e complicada.
E, por algum motivo que eu ainda não quero admitir, estou ansiosa para isso.