CAPÍTULO 9: FUGA E PERIGO
O clima de medo constante estava me consumindo. As mensagens, o isolamento, os olhares vigilantes de Dante... tudo isso fazia com que eu me sentisse prestes a sufocar. Na minha cabeça, acreditava que se conseguisse chegar à cidade, procurar a polícia ou pessoas que não estivessem envolvidas com a máfia, poderia encontrar uma saída, provar que eu era inocente e livrar-me dessa sombra que dominava minha vida. Não percebi que ao sair da p******o de Dante, eu estaria caminhando direto para a boca do lobo.
Aproveitei uma manhã em que ele saiu para inspecionar as armadilhas mais distantes. Peguei algumas roupas, dinheiro que encontrei em um gaveta e fugi pela mata densa, sem olhar para trás. Corri até encontrar uma rodovia, pedi carona e cheguei ao centro da cidade de Feira de Santana. O movimento, o barulho, as pessoas passando apressadas pareciam um sonho depois de tanto silêncio. Mas a sensação de liberdade durou pouco.
Ao entrar em uma lanchonete para comer e descansar, percebi que dois homens me observavam de um canto. Vestiam roupas comuns, mas tinham os mesmos olhos frios e calculistas dos capangas de Dante. O coração disparou. Tentei sair disfarçadamente, mas eles me seguiram. Ao chegar a uma rua vazia, um carro fechou minha passagem. Fui arrastada para dentro, amordaçada e algemada. O pânico foi total.
Os sequestradores riram, falando que eu era a "peça de ouro" que finalmente tinham conseguido. Me levaram para um galpão abandonado na periferia, escuro, úmido e cheiro de mofo. Ali, fui amarrada a uma cadeira e interrogada por um homem com voz áspera, que queria saber onde Dante escondia suas reservas de armas e dinheiro. Eles me bateram, me negaram água e dormir, tentando quebrar minha resistência para usar como moeda de troca.
No fundo do meu desespero, uma única certeza brilhava: Dante viria. Ele não me deixaria nas mãos daqueles monstros. Mesmo magoado, furioso com minha fuga, ele me procuraria até o fim da terra. E essa esperança foi a única coisa que manteve minha mente sã enquanto os segundos pareciam se transformar em horas de t*****a.
CAPÍTULO 10: A CAÇADA IMPLACÁVEL
Dante não era homem de perdoar traições, mas muito menos de perdoar quem tocasse o que era seu. Ao descobrir minha fuga, ele entrou em um estado de fúria silenciosa, ainda mais perigoso que os gritos. Reuniu seus melhores homens, os mais leais e cruéis, e traçou um plano de rastreamento meticuloso. Ele sabia dos meus hábitos, sabia por onde eu iria, e sabia também que os inimigos estariam de tocaia.
A caçada começou pelas estradas, depois pelos bairros perigosos da cidade. Dante dirigia em alta velocidade, com os olhos fixos na estrada, pensando apenas em chegar até mim. Usando redes de informantes que controlavam cada canto da região, ele recebeu a localização aproximada do galpão. Sem hesitar, partiu para o ataque.
A ação foi furiosa. Chegaram ao local de madrugada, cortando a energia e as comunicações. Dante entrou primeiro, disparando com precisão letal, movendo-se como uma sombra entre os contêineres e máquinas enferrujadas. O tiroteio ecoou como trovões dentro do galpão. Ele avançou sem medo, ignorando ferimentos leves, eliminando cada guarda que cruzava seu caminho. Nada podia pará-lo.
Ao me encontrar amarrada, com o rosto machucado e os olhos cheios de lágrimas, ele parou por um instante. O olhar de Dante era de dor absoluta, transformando-se em ódio mortal por todos que estavam ao redor. Com um movimento rápido, cortou minhas amarras, pegou-me no colo como se eu fosse uma criança e cobriu meu corpo com o seu, protegendo-me de qualquer resíduo de perigo.
— Eu estou aqui, meu anjo. Nada vai te machucar agora — sussurrou ele, com a voz embargada de raiva e alívio. — Perdoe-me por não ter estado lá antes. Mas aqueles que ousaram levá-la vão pagar com juros. Cada gota de sangue que eles fizeram você derramar será multiplicada sobre eles.
Ele me levou para fora, para a segurança do veículo, entregou-me aos cuidados de um médico da equipe e voltou ao galpão para finalizar o serviço pessoalmente. O som da destruição que ele deixou para trás foi o aviso mais forte que qualquer inimigo poderia receber: tocar Elena Varella era assinar a própria sentença de morte.