capitulo 5 e 6

897 Words
CAPÍTULO 5: O ATAQUE AO LAR A tempestade que caía sobre a cidade naquela madrugada parecia anunciar o caos. O vento batia nas janelas de vidro grosso, e os relâmpagos iluminavam os corredores vazios da mansão. Eu estava no quarto principal, lendo para tentar dormir, quando o som seco de um disparo cortou o ar, seguido de gritos e explosões abafadas. Meu sangue gelou. O sistema de segurança disparou um alarme estridente que fazia os ouvidos doerem. Em segundos, a porta do quarto foi aberta de chofre. Dante entrou, com o peito nu coberto por uma jaqueta de couro, uma a**a em cada mão e uma expressão de fúria absoluta. Ele correu até mim, segurando meu rosto com as mãos sujas de fuligem e gritos distantes. — Fique perto de mim! Não solte minha mão por nenhum motivo! — ordenou, com a voz firme sobre o barulho do tiroteio que se aproximava. Ele me enrolou em um cobertor, pegou um colete à prova de balas e vestiu sobre mim com movimentos rápidos e precisos. Em seguida, abriu um painel secreto na parede do guarda-roupa, revelando um corredor estreito e escuro. — É um esconderijo que construí para emergências — explicou, enquanto me empurrava para dentro. — Mas não vamos ficar aqui. Vamos sair pelo túnel que leva à garagem secreta. Eles vieram em grande número, mas não vão nos deter. Caminhamos pelo corredor apertado, ouvindo o barulho da destruição do outro lado das paredes — vidros estilhaçados, móveis virados, gritos de dor e ordens em códigos que eu não entendia. Dante andava na frente, protegendo-me com o corpo, atento a qualquer som suspeito. Ao chegarmos ao final do túnel, um g***o de três inimigos apareceu na saída. Sem hesitar, Dante agiu com velocidade mortal: dois tiros precisos, um golpe seco com o cabo da a**a no terceiro. Tudo aconteceu em questão de segundos. Chegamos a um veículo blindado. Ele me colocou no banco de trás, entrou na frente e acelerou para fora da garagem enquanto explosões abriam buracos no chão atrás de nós. O carro disparou pela estrada de terra, fugindo para a escuridão da floresta. Durante a fuga, ele olhou pelo retrovisor, encontrou meus olhos assustados e apertou minha mão com força. — Olhar para você é a única coisa que me mantém sã — disse ele, com uma ternura que contrastava com a guerra que deixávamos para trás. — Eles podem destruir minha casa, queimar meu nome, mas nunca, nunca vão tocar em você. Eu derramarei cada gota de sangue do mundo se for preciso, mas você vai permanecer segura, ao meu lado, minha para sempre. CAPÍTULO 6: SEGREDOS DO PASSADO O esconderijo era uma cabana de madeira isolada, perdida em uma área remota da serra, sem sinal de celular e sem vizinhos por quilômetros. O silêncio ali era diferente, mais profundo, cortado apenas pelo canto dos pássaros e o vento nas copas das árvores. Nos primeiros dias, Dante manteve-se vigilante, circulando pelo local, verificando armadilhas e comunicando-se com os poucos homens que restaram leais. Mas com a calmaria veio a oportunidade para perguntas que eu guardava havia tempo. Uma noite, sentados perto da lareira que espalhava luz e calor pelo ambiente, toquei no assunto que me atormentava: a ligação entre ele e meu pai. — Vocês eram amigos? Parceiros? — perguntei, observando suas reações ao brilho do fogo. Ele ficou em silêncio por um longo tempo, girando um copo de licor nas mãos, com o olhar perdido nas chamas. — Nós éramos como irmãos no início — começou ele, com a voz rouca, carregada de lembranças amargas. — Crescemos nas mesmas ruas, aprendemos a sobreviver da mesma forma. Mas a ambição do seu pai era diferente da minha. Ele queria poder, mas queria se esconder atrás de uma fachada de empresário respeitável. Eu sempre preferi ser o lobo assumido do que a ovelha disfarçada. Dante virou-se para mim, e seus olhos suavizaram-se, revelando uma vulnerabilidade que ele escondia de todos. — Houve um acordo, Elena. Um pacto selado quando você ainda era criança. Ele me prometeu tudo: o território, as rotas... e você. Disse que um dia eu seria o único capaz de mantê-la a salvo deste mundo sujo. Mas com o tempo, ele começou a temer meu poder. Tentou quebrar o acordo, vender você para outro chefão, para se salvar. Foi aí que as coisas saíram do controle. Senti um frio na espinha. A imagem inocente do pai protetor desabou de vez. — Então ele sabia... e me usou como moeda de troca? — Ele amava você, mas amava mais a si mesmo — disse Dante, aproximando-se e segurando minha mão entre as suas. — Mas eu já te observava há muito tempo. Não era só um negócio para mim. Desde o dia em que te vi saindo da faculdade, com esse olhar doce e sem saber do perigo, eu soube que você era a única coisa que eu precisava possuir para ser completo. O acordo foi apenas a desculpa que o destino me deu para reivindicar o que já era meu no coração. Aquelas palavras misturaram medo e uma estranha sensação de pertencimento. Ele não me via como uma pessoa livre, mas como parte de si mesmo, uma extensão de seu império sombrio. E de alguma forma assustadora, eu comecei a entender que também não conseguiria viver mais longe da sua órbita.
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