Assim que Elijah estacionou o carro, a israelense pensou que estava novamente entre dois mundos, na porteira simples de um rancho afastado, quatro homens segurando fuzis como aquelas armas fizessem parte dos seus corpos, um pouco mais a frente alguns peões separavam feno em montes menores e outros amarravam.
O sol escaldante fez com que um deles tirasse a camisa e Ayla prendeu o olhar nos músculos do peão, pensou que com certeza nenhuma academia podia competir com o trabalho braçal.
Elijah percebeu o olhar da israelense e a raiva que sentiu o fez pisar no freio de repente, o movimento fez com que Eva fosse lançada para frente e batesse a boca no banco do motorista.
- O que foi isso, Elijah!
Ayla perguntou antes de consolar a filha que começou a chorar com a mão na boca.
Joshuá também reclamou, mas de uma forma mais dura.
- Não sabe dirigir, por acaso?!?!
Elijah desceu do carro e antes de bater a porta falou algo que para Ayla pareceu completamente sem sentido.
- Isso não dar certo!!!
Ela também saiu do carro, alguns grãos de terra entraram entre a sola da sandália rasteira e o seu pé deixando uma sensação de incomodo, o suor e a terra se misturaram fazendo ela ansiar por um banho.
Deu a volta no carro, abriu a porta do passageiro e puxou Eva para o seu colo.
- Calma, princesinha, foi só um susto.
Passou a mão no rosto da filha para secar suas lágrimas e viu as marcas ficarem gravadas na poeira que a estrada tinha impregnado na face corada de Eva.
- Precisa de um banho!
Joshuá desceu do carro, bateu a porta e ficou olhando para a Elijah com um olhar acusador, o rosto sério e fechado do filho fizeram com que Ayla, apesar de sentir os pés escorregando no próprio suor fosse até o filho.
- O que foi?
- Meu pai nunca faria isso
Ela olhou para a direção em que Elijah havia ido, o homem estava claramente irritado, gesticulava de forma agressiva e a voz parecia alterada apesar de Ayla não conseguir ouvir o que realmente estava sendo dito.
O sol quente e o calor da terra pareciam se juntar deixando uma espécie de miragem em que era possível ver uma faixa manchada sobre a terra dando a impressão de estar molhado.
- Isso não é da nossa conta, e nem tem nada a ver com o seu pai. Marco era um...
Pensou em dizer que o falecido marido era um empresário, mas percebeu em tempo que a fala soava preconceituosa, nada impedia que um homem da máfia fosse gentil, apesar de nenhum nem ao menos se aproximar de como se lembrava de Marco.
O ex-marido resolvia absolutamente tudo de forma aristocrática, tinha uma capacidade de equilibrar e manter a paciência quase como um monge. Pensou que jamais conheceria alguém como o pai dos seus filhos, mas que isso não significava que eram pessoas ruins.
- Seu pai era um lord, e você meu lordezinho, o que tanto olha nesse celular, hein?
Falou fingindo olhar para a tela do aparelho do rapaz, apesar de nunca ter feito isso, criou os filhos com base na confiança e verdade. Tinha certeza de que Joshuá não faria nada além do que era permitido que ele fizesse e falaria a verdade se fosse perguntado.
- Estava falando com a Hope
- Tudo bem, filho, só estava brincando.
O rapaz abaixou a cabeça, desfocou de Elijah, aquele olhar o fazia parecer só uma criança outra vez, mas o problema era que Joshuá, se parecia tanto com o pai que chegava a ser doloroso para Ayla olhar o filho.
E a cada dia, eles se pareciam mais, a cor dos olhos, o jeito de sorrir, a bondade e principalmente a inteligência aguçada.
A diferença estava na personalidade, Marco era atraente, naturalmente sedutor, tinha um jeito que atraia mulheres para ele como mel atrai abelhas.
Já Joshuá, apesar de ser tão bonito quanto o pai, era fechado, pouco sociável, preferia jogar xadrez ao invés de futebol, não tinha muitos amigos, mas, apesar disso, tão gentil e cavalheiro quanto o pai.
Ele chamou por Ayla com a voz empolgada e carregada de dúvida e vergonha, tudo ao mesmo tempo.
- Mãe?
- Pode falar, Joshuá
- Acha que uma menina pode gostar de mim, tipo, tipo de verdade.