Memórias e desejos

650 Words
Joshuá olhou aquele toque e sentiu vontade de defender a mãe, quis que Elijah soltasse a mão de Ayla, lembrou do pai e de como o mundo de Marco parecia girar em torno da israelense. Pensou no que o padrinho lhe disse quando o pai nunca voltou do hospital. - ‘Ele não vai voltar El niño, mas vai estar lá de cima cuidando da sua mãe e de vocês, ele te ama moleque’. Achou que se o pai estivesse mesmo olhando para eles estava muito bravo por Ayla não ter rejeitado aquele toque, colocou o celular de lado, mas antes que pudesse falar alguma coisa, a mãe puxou a mão e cruzou os braços. - Falta muito? Ela respondeu com uma pergunta aleatória, quase infantil, mas Elijah já conhecia aquele jeito que parecia buscar por ele, ao mesmo tempo que o rejeitava. Ayla estava ali por vontade própria, sabia disso, por mais que ela recusasse seus toques, procurava pela sua companhia e muitas vezes a pegou olhando para ele, se lembrou da primeira vez em que estiveram juntos no rancho, na época ele tinha acabado de se separar de Aurora e Ayla tinha o ajudado a enfrentar um dos piores castigos da máfia, a levou para conhecer o estábulo, algumas éguas tinham acabado de dar cria e Elijah se encantava com aquela liberdade amorosa que via entre as mães e seus potros, quis compartilhar com ela. Quando tirou a camisa a viu olhando para ele, parecia perdida em pensamentos, mas percebeu quando a israelense esquadrinhou seu corpo com os olhos. - Gosta de peões? Linda? A resposta foi áspera e arisca... - Não tenho nada contra ninguém, nem nada a favor de peões. Apesar disso, assim que voltaram para a casa do rancho ele a puxou para si, o corpo pequeno preso ao dele o fez pensar muitas coisas, mas agora, no carro, o que se lembrava era do sabor dos lábios, a beijou meio que a força, Ayla estava preocupada, tinha perdido o voo que a levaria de volta ao Brasil. - MEU VOO! Ela gritou quando se deu conta da hora, mas Elijah segurou sua mão e a puxou de volta para ele. O choque entre os corpos o fez pensar em como gostaria de tê-la completamente, de ouvir aquela voz dizendo que o amava enquanto ele a fizesse apenas sua. Passou o braço em torno na cintura de Ayla e a beijou, ela não retribuiu, não no começo, também não tentou se soltar, mas quando ele sentiu a língua buscar pela dele, e a mão que havia ficado até aquele momento em seu peito, também o puxar, Elijah teve certeza de que faria qualquer coisa para tornar aquele momento eterno. - Não vai embora Falou o que o coração pediu, ter mulheres em sua cama sempre foi fácil, mas jamais tinha pedido para que nenhuma delas ficasse. Ayla tinha feito com um beijo o que ninguém havia conseguido oferecendo muito mais. Não foi atendido e nem esperava que fosse, a israelense não era uma mulher sem passado. - Desculpa! Preciso ir, meus filhos, eu... Foi assim que ambos terminaram no Brasil, ela tinha perdido o voo e ele queria aproveitar cada segundo que pudesse ao lado daquela mulher que tinha lhe apresentado, mesmo que sem querer, um universo de possibilidades. Por muitos anos, Elijah pensou no casamento como um contrato, deveria ser bom para ambos, gerar filhos e a mulher deveria ser fiel. Acreditava que os casamentos arranjados eram, sempre a melhor alternativa, escolheu uma garota muito mais jovem para ocupar esse posto, na época achava estar fazendo um favor a Aurora, só entendeu o que significava as coisas que o irmão dizia quando provou o beijo de Ayla. Suas certezas se esvaziaram, mas estava disposto a tudo agora que ela estava ali, ao seu lado. Não pretendia deixá-la partir, não importava o que precisaria fazer.
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