Capítulo 2 - Explicações Parte II

2776 Words
Ele concordou. "Miklos me deu uma foto, mas o i****a me deu uma foto do dia do casamento e a Dimi tinha um véu maldito cobrindo parcialmente o rosto dela. Ele assumiu que eu sabia quem ela era porque ela era filha do Vasili, mas a maioria do meu trabalho para a família antes disso era nas ruas, não nos depósitos. Ele me fez jurar segredo porque ninguém na família sabia que ele era casado, e ele queria que continuasse assim. Eu não me importava. Era apenas um trabalho com um salário estável." Ela sorriu para ele e assentiu. "Eu sei. Ela me chutou por baixo da mesa e eu sabia que ela queria que eu fingisse, e eu era tímida demais para discutir. Quando você sentou na mesa próxima, ela veio com o plano dela. Ela consegue elaborar planos na hora, com muito mais facilidade do que a maioria das pessoas." "Eu sei. Eu a vi transformar o p*u de um homem numa bagunça gigante e flamejante e ela levou apenas dez segundos para fazer isso." Ela riu da descrição dele. "Coitado do Ben." Ele riu, um sorriso puxando seus lábios. "Ela é feroz." "Sim, ela é. De qualquer forma, ela disse que se Miklos descobrisse as coisas que ela planejava fazer na faculdade, ele a retiraria. Ela não queria voltar para Los Angeles e viver na casa grande sozinha enquanto ele estivesse dormindo com toda mulher que encontrasse. Ela disse que você já achava que eu era ela, então ela me pediu para fingir. Eu não gostava de mentir, mas então ela disse que se eu concordasse, eu poderia receber a pensão alimentícia mensal. Isso pagaria para minha mãe ficar em uma instituição de cuidados melhor e uma parte da minha educação. Eu poderia trabalhar na biblioteca, pegar turnos no clube de strip se precisasse." "Espera, você trabalhava nos clubes enquanto eu te vigiava?" Ela deu de ombros. "Você tinha folga todas às vezes que a Dimi ia para casa. Ela e eu íamos juntas aos aeroportos. Eu ficava no banheiro esperando até você sair. Ela pegava o voo de volta para Los Angeles e o segurança dela de LA a encontrava no avião. Você tinha o merecido tempo de folga para passar com sua família. Eu pegava turnos extras para aumentar a conta bancária e passava mais tempo com a minha mãe." "Mas num clube de strip?" "Sim. Acho que você não entende a diferença real de salário entre a biblioteca e o clube de dança. Eu podia ganhar em uma noite no pole dance o que eu ganhava em um mês na biblioteca." "Você tirava tudo?" "Só de cima", ela deu de ombros. "Eu nunca tirava a parte de baixo." Ela quase podia ver a fumaça saindo dos ouvidos dele. "Quando foi o seu último turno? Quando parou de trabalhar lá?" Ela desviou o olhar e então respirou fundo. "Duas semanas antes de você descobrir." Ela viu ele se afastar da mesa como se estivesse pronto para sair e lutou contra a dor em seu peito. "Eu não sabia que as garotas iriam criar um fundo para a minha mãe. Eu esperava que, com a Dimi voltando para Los Angeles, com seus pais insistindo que ela faça o casamento virar realidade, o fluxo de dinheiro fosse acabar. Eu tinha uma pequena quantidade de dinheiro no banco, mas não o suficiente. Você tinha me deixado no apartamento perto do campus e eu saí sorrateiramente para o clube." "Como você escapava de mim?" seus punhos estavam cerrados com força na mesa. "Eu sempre ficava no estacionamento até meia-noite." "Eu tinha uma das perucas que a Magda, costumava usar em uma de suas fantasias." "A maldita ruiva", ele apontou para ela, seus lábios uma linha reta e fina. "Saindo às dez e meia várias vezes de casaco e óculos escuros. p***a, Sienna, você fez isso mais de uma vez! Pelo menos cinquenta ou sessenta vezes nos últimos três anos!" "Eu sei, mas estava desesperada por dinheiro." Ele passou a mão frustrado sobre a boca. Ela queria se aproximar dele, mas ele estava inclinado para trás em sua cadeira, como se estivesse em outro cômodo. "Jonas, me desculpe. Eu sei que você não entende, mas tem algo que você precisa saber." "O quê? Meu Deus, o que mais tem?" "Eu nunca namorei. Eu nunca deixei ninguém me tocar. Eu nunca sequer considerei estar com outra pessoa. Desde a primeira vez em que você trocou de mesa no café onde passávamos tempo juntos e sentou-se comigo, sempre foi você. Eu queria te dizer tantas vezes, mas o risco de minha mãe ser expulsa do asilo de idosos me impediu." "Sienna, você entende o quanto foi difícil para mim querer a esposa do meu chefe? Eu ia dormir todos os dias imaginando se era o meu último dia. Se o Miklos descobrisse o quanto eu te desejava, eu estaria morto. O nível de estresse que isso me causava todos os dias por seis anos. Como você pode sentar aí e me dizer que você se importava comigo quando você me fez passar por tudo isso?" "Foi apenas desejo?" ela sussurrou incapaz de encarar seus olhos. "Sienna", ele gemeu, balançando a cabeça. "Eu não pude admitir mais do que isso para mim mesmo. Até onde eu sabia, você era Dimitra Lykiaos Laskaris, e eu não era nada mais do que um soldado maldito. Minha vida não é minha. Eu devo tudo a essa família. Eles me acolheram quando eu era criança e me deram um propósito. Ter a responsabilidade de cuidar da posse mais valiosa do chefe foi uma enorme responsabilidade." "Você nunca me amou então", ela encontrou seus olhos. "Eu não me permitia." "E agora? Agora que você sabe a verdade, consegue se ver ao meu lado?" Ele balançou a cabeça uma vez só. "Sienna, eu quero dizer não. Eu quero manter meu orgulho e sair daqui e não olhar para trás. Você me machucou. Você mentiu para mim. Você me colocou em uma situação perigosa em que eu nunca deveria ter estado. Droga, eu te peguei tomando banho no chuveiro do dormitório com um dildo, gemendo meu nome. Se Miklos descobrisse que a mulher que eu achava que era sua esposa estava gemendo meu nome, eu teria morrido." Ela piscou contra as lágrimas amargas. "Mas eu não posso ir embora", ele admitiu quietamente, encontrando seus olhos quando o olhar dela voltou para ele. "Eu estou consumido por pensamentos de você o tempo todo. Você está presa aqui", ele tocou na sua cabeça, "e eu não consigo tirar você de lá." "E agora?" "Nós precisamos recomeçar", ele disse simplesmente. "Precisamos começar como duas pessoas que não se conhecem, e eu quero conhecer a verdadeira Sienna Lawrence, não a falsa Dimitra Lykiaos-Laskaris." Ela sentiu sua respiração tremer de empolgação com suas palavras. "É mesmo?" "Sim", ele assentiu. "Podemos nos conhecer e conversar e aprender um sobre o outro. Vamos levar um dia de cada vez." Ela assentiu, "Estou disposta a tentar, se você também estiver." "Ótimo. Nada de dançar mais, tá? Não por dinheiro. Por favor?" Ela riu. "Não preciso mais. As meninas criaram um fundo para minha mãe e pagaram todas as minhas dívidas estudantis. A saúde da minha mãe está garantida até os cem anos, se ela viver tanto. Eu tenho um novo emprego que paga seis dígitos, o que é ótimo. Vou morar em um condomínio que está passando por reformas." "Você comprou um condomínio?" "Não. As meninas compraram um prédio com duas unidades. Elas têm escritórios no térreo e dois apartamentos no andar de cima. A irmã da Darya, Lyra, vai morar no que era para ser da Darya. Ela passou por alguns problemas recentemente e a Darya ofereceu o lugar para ela morar. Eu vou alugar a unidade de cima. Não é longe da casa da minha mãe e dá para ir para a universidade. É seguro e eu posso escolher como quero que fique. Vou ficar com a Dimi e o Miklos até ficar pronto, já que eles não querem que a gente volte para a casa na praia." "Considerando que o cara que sequestrou sua amiga pode entrar e sair sem deixar rastros, tenho que concordar que a casa na praia não é segura." "O Fantasma", sussurrou. "O quê?" "O cara que sequestrou a Magda é conhecido pelo Miklos como O Fantasma. Ele tá muito animado com esse cara." Ela viu a surpresa no seu rosto e depois, como Miklos e Kostas, viu seu entusiasmo e revirou os olhos, "ele até pediu para estar presente quando eu me encontrar com ele." Seu entusiasmo desapareceu e seus olhos se arregalaram. "Que p***a é essa de se encontrar com ele? Sienna, você sabe quem é esse cara?" "Sim. Ele comprou a nossa masmorra de sexo em Boston e é algum tipo de chefão da máfia." "Ele não é algum tipo de chefão da máfia. Ele é o chefão da máfia. Ele é o motivo dos filmes sobre o crime organizado existirem. Ele faz o Miklos parecer um covarde. Ele foi o cara que levou a Magda?" "Sim." Ela tinha a sensação de que os soldados não tinham tantos detalhes quanto o alto escalão da máfia de Miklos. "Por que você vai se encontrar com ele?" "Darya fez uma troca de favores." "Me desculpe?" "Ele queria o primo dele que estava na cela de Miklos. Darya trocou a ajuda dele para encontrar a mulher que me roubou pelo primo dele." "Eu não entendo." Ele massageou as têmporas e respirou fundo, "explica isso para mim, por favor? Por que você vai se encontrar com o cara mais procurado do mundo em todas as listas governamentais?" "É fácil. Dimitra é um gênio certificado, mas ela nunca conseguiu encontrar a mulher que roubou minha mãe e a deixou morrendo. Ele pode, ou pelo menos é a nossa esperança." "Pra quê?" "Eu preciso saber por quê, Jonas. Eu preciso entender por que essa mulher deixou minha mãe sozinha por dias, talvez semanas, e levou tudo dela. Darya, baseado na experiência da Magda com ele e no fato de que suas habilidades em informática são muito maiores que as da Dimi, sugeriu que ele poderia ser capaz de encontrar a mulher que deixou minha mãe para morrer." "Eu não gosto disso." "Jonas", ela falou suavemente, preocupada que já estivesse arruinando o começo deles, "eu preciso fazer isso. Eu preciso saber por quê." "Por quê? Por que você não pode aceitar que foi enganada e seguir em frente?" "Porque eu estava lá, Jonas. Eu estava lá em novembro, e deveria ter ficado. Eu deveria ter percebido que a mulher estava me passando a perna. Minha mãe já estava piorando. A quantidade de culpa que eu sinto por não ter reconhecido que coloquei minha mãe em perigo e fui embora para voltar à escola, ficando mais tempo do que deveria, me consome todos os dias. Durante os três meses em que a deixei, ela piorou tanto que raramente tem um dia de lucidez agora. Eu a tornei pior por não estar lá. Eu preciso confrontar essa mulher para ter paz de espírito." "Você não pode recuperar o dinheiro nem a mente da sua mãe. O que isso vai realmente fazer? Você vai mandá-la matar?" "Não. Eu quero olhar nos olhos dela e dizer o que ela fez e perguntar por quê." "Ela não vai se importar. Pessoas assim fazem isso dia após dia, sem consideração pelas pessoas que enganam. Você acha que vai fazê-la sentir culpa? Garanto que não vai. Ela não vai sentir nada. Tudo o que você está fazendo é se preparar para a decepção." "Por que você não pode me apoiar nisso?" "Porque eu acho que é um esforço inútil. Se você me dissesse que queria fazer isso para se vingar de verdade e recuperar o dinheiro ou jogá-la na ilha estranha do tio do Dimi, aí eu entenderia. Fazer isso apenas para falar com ela? Parece perda de tempo pra mim. No final, você vai chorar porque essa mulher não terá remorso e você não estará mais adiantada." Ela franziu o cenho para ele. "Bem, eu estou fazendo isso. Preciso saber." "E ele vai te levar, assim como levou Magda?" "Ele levou Magda porque era o trabalho dela." Ela lutou para sorrir, "e talvez ele tenha tido uma queda por ela." "Homens como ele não têm quedas, Sienna. Se ele quisesse ela, ela seria dele." "Ele devolveu ela para Ares porque ela ama Ares, mas…" "Como você sabe?" Ele balançou a cabeça. "Sienna, você é ingênua. Você não conhece a reputação desse homem se acredita que ele teve uma resposta sentimental e a devolveu por bondade." Ela estava se mexendo desconfortavelmente. "Você acha que sou ingênua?" "Sim. Você esquece, meu bem, que te segui por oito anos. Eu te vi enterrar o nariz nos livros em todos os lugares onde fomos. Eu estava na biblioteca com você quando você m*l conseguia manter contato visual com qualquer homem que pegasse um livro emprestado ou que se atrevesse a flertar com você. Você m*l fala a menos que seja falada com. O fato de que você será professora universitária me deixa confuso, porque não sei como você vai sequer se dirigir a uma sala cheia de estranhos." Ele recostou-se na cadeira e a olhou friamente. "Vamos lá, Sienna, se você não pode ser honesta consigo mesma, como espera ser honesta comigo?" "Jonas, você está certo. Eu sou tímida. Sou quieta e reservada e tendo a pensar muito antes de falar, mas não sou ingênua. Não sou cega para os horrores deste mundo, Jonas. Simplesmente tenho esperança de que a humanidade tenha humanidade suficiente para equilibrar o bem e o mal." "Eu realmente não quero que você encontre esse cara sozinha. Ele é perigoso, Sienna. Ele pode fazer você desaparecer da face da Terra e ninguém vai saber. Ele pode fazer com que todos pensem que você não passou de um sonho. Você vai confiar nele?" "Não", ela franziu o nariz. "Estou aproveitando a oportunidade para encerrar um assunto que me incomodou por oito anos. Não estou entrando em um relacionamento com ele." "Vou conversar com Miklos." A arrogância de sua afirmação percorreu sua espinha como uma lâmina. "Não, você não vai", ela respondeu, interrompendo-o. "Jonas, você acabou de sentar aqui na minha frente e me dizer que não me ama porque nunca se permitiu sentir nada além de desejo por mim. Você me disse que quer começar de novo como se fôssemos estranhos. Você não tem direito de interferir na forma como eu levo minha vida se não estamos em nenhum tipo de relacionamento no momento. As pessoas que realmente me amam, apesar de eu ser uma tola ingênua, me apoiam nisso e vou contar com as opiniões e pensamentos delas. Você foi embora."  Ela se afastou da mesa e pegou sua bolsa. "Você me abandonou e foi para a Grécia. Entendo que você precisava de tempo para pensar, mas dois meses se passaram. A propósito, minha mãe está bem em sua nova casa. Estou animada por ter conseguido um novo emprego. m*l posso esperar para ter meu primeiro apartamento em Los Angeles. Essas seriam as respostas para perguntas básicas trocadas entre duas pessoas tomando café juntas. Você se sentou nesta mesa com o objetivo de me fazer sentir culpa e por quê? Para se sentir menos i****a por ter desaparecido por dois meses?" Ela jogou a bolsa no ombro e balançou a cabeça. "Isso foi um erro. Acabou." "O quê?" ele se levantou ao lado dela e estendeu a mão. "Sienna." Ele franziu a testa, incrédulo. "Não. A única razão pela qual você me ligou esta semana é porque eu tomei café com o professor que deu aulas desta disciplina no ano passado. Você não me ama e nem tenho certeza se você gosta de mim. Tive dois meses para superar você, Jonas. Você achou que eu deitei na cama todas as noites suspirando por você e rezando para Deus te trazer de volta para mim? Supere-se." Ela fez uma pausa. "E para constar, você dizer que Dimitra é a posse mais valiosa de Miklos é coisa de um passado sombrio. Você e seu clube das cavernas deveriam ir bater areia em outro lugar." Ela saiu furiosa da cafeteria e foi até o carro que Miklos tinha deixado para ela. Ela entrou no banco de trás. "Me leve para casa." Ela viu Jonas saindo da cafeteria quando o carro se afastou da calçada, seus dedos passando frustrados pelos cabelos. Ela enxugou as lágrimas de raiva do rosto e se perguntou, pela primeira vez, o que diabos ela viu nele.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD