Capítulo 3 - O Fantasma

2509 Words
Sienna estava desesperadamente tentando não deixar as lágrimas consumi-la, mas quando um soluço escapou de seus lábios, ela soube que estava travando uma batalha perdida. Ele não a amava. Uma conversa que tiveram uma vez, anos atrás, quando ele se sentou pela primeira vez mais perto dela em sua loja favorita em Boston, agora se repetia em sua cabeça. Seis anos atrás. Ela era jovem e desesperada para mantê-lo ocupado enquanto Dimitra fazia seu trabalho. Ela perguntou se ele tinha esposa. Sua resposta foi que os homens em sua linha de trabalho não se casam. Ela questionou por quê, e sua resposta foi que o amor era uma emoção que um soldado nunca deveria ter. "Você está bem, Sra. Lawrence?" perguntou o motorista através da divisória abaixada. Ela olhou para ele confusa e balançou a cabeça. Ela era uma mulher extremamente tímida, incapaz de olhar a maioria dos estranhos nos olhos, então ela admitiu para si mesma que não olhou direito para o motorista. Seria esse mais um dos soldados de Miklos que não se permitia amar? "Estou bem", sussurrou ela. "Ou ficarei." "Quem quer que ele seja, não vale suas lágrimas", disse o homem simplesmente. "Uma mulher nunca deve derramar lágrimas de tristeza por um homem." Ela fungou e um sorriso brincou em seus lábios.  "Você está certo."  Ela notou um prédio se aproximando na rua e franzindo o cenho. "Hum, eu queria voltar para o lugar de moradia. Você está me levando na direção oposta." "Sim, estou", sua voz tinha um toque de sorriso. Ela alcançou seu telefone, e ele deu uma risada. "O telefone não vai funcionar." Ela sentiu um momento de pânico.  "O que está acontecendo?" "Eu acredito que você e seus amigos pediram minha ajuda." "Sr. Caputo." Ela percebeu agora que ele falava seu sotaque era diferente do de Miklos. Para uma antropóloga, ela certamente perdeu uma das pistas mais básicas. Ela relaxou ao olhá-lo pelo espelho. "Eu pensei que íamos nos encontrar mais tarde esta semana." "Eu disse isso, mas também queria encontrar sozinho e sabendo da companhia que você mantém, eu sabia que não seria provável que eles permitissem que você ficasse sozinha comigo." Quando ela não respondeu, ele falou novamente, "o homem na cafeteria certamente não queria que você se encontrasse comigo sozinha. Ele foi muito condescendente." "Ele foi." Ela concordou. "Onde está meu outro motorista?" "Dormindo. Não se preocupe com ele. Ele está seguro e nenhum m*l lhe acontecerá. Nós simplesmente o colocamos para dormir, movemos o veículo e colocamos um duplicado em seu lugar para você entrar." "Eu realmente preciso começar a olhar as pessoas nos olhos", murmurou para si mesma. "Não é uma má ideia. Você também precisa ser muito mais observadora. Por exemplo, o homem com quem você tomou café, aquele por quem você está derramando lágrimas, tinha um chupão logo abaixo da gola de sua camisa. Foi por isso que ele manteve a camisa mais fechada do que o usual, mas quando ele se moveu para a direita, ficou visível. Você estava tão focada no conteúdo da sua caneca que perdeu o jeito como ele o arrumava." "Um chupão?" "Não é queimadura de chapinha. O cabelo dele é bem curto." Ele deu de ombros, "eu suponho que seja provavelmente a mulher com quem ele tem saído intermitentemente nos últimos dois anos." "Desculpe, o quê?" "Sienna Lawrence, vinte e seis anos, mestrado em Antropologia, buscando seu doutorado focado em ciência e antropologia e os efeitos dos testes de DNA na sociedade. Você está examinando como ter dados ao alcance da pessoa comum está afetando construções sociais como família e amizades. Eu li seu trabalho e ele é fascinante." "Você leu meu trabalho?" Ela se inclinou para frente, "isso é invasão de minha privacidade." Ela estava dividida entre estar irritada com a intrusão e as informações que ele compartilhou. "Quando me pedem para fazer um trabalho, Sra. Lawrence, sou muito minucioso para garantir que não esteja sendo enganado. Você pode entender que minha posição é delicada." "Sim, sim. Volte a essa coisa de Jonas ter uma namorada." Seu coração sentiu que estava se partindo. "Em Boston. Ele fez um desvio a caminho da Grécia para Boston. Ela fica no apartamento em que a família o alojou enquanto ele estava disfarçado como Dimitra." Ele franzia a testa, "eu não vejo semelhança. Ele estragou tudo. Se eu fosse Miklos, Jonas estaria morto. Seu líder da família é fraco." "O quê? Por quê?" Ela queria mais detalhes sobre essa mulher, mas ele a havia distraído com seu comentário sobre por que Jonas deveria estar morto. "Vamos começar pelo mais básico: ele não sabia quem estava disfarçando. Ele tem trinta e quatro anos e faz parte da família desde os treze anos, quando seu padrasto abusivo o colocou nas ruas. Vasili o trouxe para o grupo e o treinou para ser um soldado, um guarda, por assim dizer. Ele foi designado para muitos trabalhos cobrindo Miklos ao longo dos anos, pois é ligeiramente mais velho que seu chefe. Miklos confiou nele para cuidar de sua esposa e fornecer relatórios. Ele observou a mulher errada por oito anos completos, o que significa que Dimitra estava em perigo o tempo todo. Ela é filha de Vasili Lykiaos e, como resultado, é um alvo. Andar pelas ruas e se comportar como ela tem nos últimos anos, sem proteção, foi uma tolice. Seu orgulho poderia ter matado todos vocês. Como executor, Jonas deveria ter conhecido seu alvo e protegido com sua vida. Em vez disso, ele ficou em cafeterias e bibliotecas babando pelo que não deveria ser dele, enquanto sua missão estava por todo o mundo em cidades como Londres e Dubai." "Bem, nós o enganamos." "Você e a Dimitra têm características semelhantes, Sra. Lawrence, mas de forma alguma são idênticas. Seu cabelo é mais cor de caramelo, o dela é quase preto. Seus olhos são mais estreitos e os dela são redondos. Seu rosto é perfeitamente simétrico, como La Madonna, e o dela não é. Ela tem um olho um pouco menor que o outro e o nariz ligeiramente desalinhado." Ele não estava errado. Ele era bom. "Jonas estragou a ordem mais básica seguindo a mulher errada por anos. Depois, ele se aprofundou em sua idiotice ao se apaixonar pela esposa do chefe, independentemente de você não ser realmente ela e então", ele continuou, "ele permitiu que a esposa do chefe dançasse em clubes de strip sem reconhecer a mulher por quem ele se masturbava há anos poderia simplesmente colocar uma peruca e passar direto por ele. Ele é um i****a. Eu o colocaria fora do meu tormento." "É bom que você não seja o Miklos então." "De fato. Eu teria vergonha de dirigir uma organização como a dele. Muito desorganizada", ele riu. Sienna estremeceu com o som de sua risada e lembrou-se de Darya dizendo que sua risada era como ouvir um Deus exalar. Kostas havia dado um tapa em sua b***a quando ela disse isso, mas concordou. Ela estava inclinada a acreditar que eles estavam errados. Não era um Deus. Era o d***o. A risada desse homem era má como o pecado. Ele começou a falar novamente: "agora, ao estudar o pequeno trio que eu apelidei de Geek Girls Gone Wild", "Ei!" Ele riu mais alto agora. "Não estou errado." "Não, mas mesmo assim." Um sorriso puxou seus lábios. "Ao estudar suas amigas, eu a tinha apenas como uma conhecida e não prestava muita atenção em você, mas ao revisar, percebi que você desempenhou um papel importante em suas vidas, e elas se importam com você tanto quanto umas com as outras. Uma rara falha da minha parte. Dediquei tempo para voltar e revisar o que perdi." "E o que você descobriu?" "Você passou oito anos vivendo às expectativas que sua mãe tinha para você. Você trabalha diligentemente para ser a melhor que pode ser. Você nunca foi a garota mais inteligente da sua turma na faculdade, mas foi a mais esforçada, o que lhe rendeu muito respeito de cada professor. Apesar de ter uma formação religiosa muito profunda, adquirida de sua mãe que trabalhava principalmente em cuidados no fim da vida, você, quando está confortável com seus amigos, tem um senso de humor muito perverso e uma boca suja. Você dançou por dinheiro para cuidar de sua mãe, o que me diz que você tem um senso de responsabilidade enraizado. Você é leal ao extremo, apesar de querer contar a verdade ao seu guarda, você protegeu a liberdade da Dimitra em vez da liberdade do seu próprio coração. Você também não gosta de olhar com muita atenção para as outras pessoas, caso não goste do que encontrar, incluindo o Jonas." "Ele tem uma namorada?" "Não uma de quem ele goste", ele disse com arrogância em seu tom. "Ele se envolveu com ela uma noite depois de deixar você em seu apartamento há dois anos. Provavelmente, por volta do tempo em que Vasili começou a pressionar a Dimitra para voltar para casa e lhe dar o herdeiro que tanto deseja. Vale ressaltar que ele foi lá ontem para terminar." "Como você sabe de todas essas coisas?" ela perguntou com os olhos arregalados. "Acho que uma pergunta mais importante, Sienna Lawrence, é como eu sei de todas essas coisas e ainda assim você não tem medo de mim." Ele mantinha o olhar dela por vários segundos no espelho. "Até mesmo Magda tem medo de mim depois de passar um tempo comigo, e até os homens em sua organização me temem. Você não tem medo." Ela encolheu os ombros. "Não faço ideia. Mas eu sinto que, se você quisesse me matar, eu já estaria morta." "Há verdade nisso", ele riu novamente. "Para onde estamos indo?" ela perguntou curiosa. "Para uma caminhada. Há uma trilha a dez minutos daqui. É isolada e então posso reunir mais informações de que preciso para começar minha busca pelo seu golpista desaparecido." Ele piscou o olho. "Embora seu encontro para tomar café tenha fornecido boas informações." "Você ouviu tudo?" "Claro que sim." Ele não se arrependia. "Isso é tão constrangedor." Ela ficou vermelha ao saber que Jonas tinha mencionado o chuveiro e coisa de dildo. "Encontrar um potencial amante para ver se vocês dois estão na mesma página não deveria ser constrangedor, Sienna. É comunicação básica. Jonas é um t**o. Ele ocultou informações de você hoje e deveria ter sido honesto, ter dito a você que havia levado uma garota para morar em seu apartamento há um ano, mas terminou o relacionamento, embora após uma última transa, e estava pronto para seguir em frente com você. Em vez disso, ele menosprezou sua necessidade de encerramento e a fez se sentir boba por precisar do que precisa. Você merece melhor." Ela encolheu os ombros, tentando não pensar no comentário sobre a última transa. "Ele insinuou que não conseguia permitir-se ter sentimentos por mim, então ele nunca os deixou crescer." "Você não pode controlar o amor, Sienna." Ele fez olhos grandes para ela. Ela percebeu que seus olhos eram tão escuros que quase pareciam carvão. "Como você pode saber? Você já esteve apaixonado?" "Definitivamente não." "Então, como você pode saber?" "No meu ramo de negócios, eu conheço os riscos e perigos associados a ter um parceiro. Quanto mais tempo você passa com uma mulher, mais provável você é de acabar se apaixonando." "O que você é? Celibatário? Um monge?" Ela inclinou-se para a frente, seus olhos castanhos brilhando de diversão, "se você me disser que é um eunuco, as garotas vão ficar tão desapontadas." Uma risada alta ecoou ao seu redor, e ela sorriu maliciosamente. O que havia de errado com ela? "Nada disso. Eu simplesmente não saio com ninguém. As mulheres com quem eu passo tempo são uma vez e pronto, no máximo duas vezes, e isso elimina a necessidade de conversas mais íntimas e de as pessoas se envolverem. Eu poderia ser morto ou preso a qualquer momento. É melhor não deixar uma mulher me esperando, principalmente porque eu nunca revelaria minha verdadeira identidade para ela." "Ok, mas você disse para a Magda que queria seduzi-la. Você queria algo mais com ela?" Seus olhos se encontraram novamente por um longo momento antes de ele apontar o dedo para o reflexo dela no espelho, "Reforço, eu esperava que você tivesse mais medo de mim." "Você a espancou e a mandou para casa. Ela disse que além da surra você foi um cavalheiro a semana toda." "Eu a espanquei. Ela se comportou como uma criança. Me arrependi imediatamente." "Você tem um mau temperamento e problemas de controle de impulsos." "Eu tenho um mau temperamento, sem problemas de controle de impulsos, mas uma necessidade muito real de obediência sempre. Ao contrário do seu amigo Kostas Masalis, que pode ser versátil e levar no traseiro, eu não sou desse tipo. É do meu jeito ou rua. Também desprezo comportamento sorrateiro e não suporto ser mentido." "Mas você mente." Ela o confrontou. "Você não pode ser o homem que você é, com as conexões e negócios que você administra, sem mentir. O que te faz acima do resto nas suas próprias regras?" "Minhas regras, minha lei, minhas punições." "Parece hipócrita para mim." Ela cruzou os braços e recostou-se em sua cadeira, pensativa sobre suas palavras. "E você colocou as mãos em uma mulher." "Estou prestes a colocar as mãos em outra", ele retrucou. Ela riu de suas palavras e sua sobrancelha levantada indicou que ele não apreciou. Foi duro. Algo nele a fazia sentir muito mais segura do que Miklos ou Dimi. Talvez fosse porque ela sabia que ele já havia pesquisado sobre ela e conhecia sua história de vida. "Eu sou muito convencional", ela retrucou. "Como você sabe? Você já foi espancada alguma vez?" "Eu m*l fui beijada", ela respondeu com desdém e um aceno de mão. "Você está me dizendo que o Jonas nunca ousou abusar de você e te beijar?" "Não. Ele nunca faria isso. Ele é leal ao seu chefe." "Mesmo depois de ouvir você se satisfazendo?" "Oh meu Deus!" sua pele parecia estar em chamas quando o rubor a tomou. "Por quê?" Ele estava rindo dela novamente, "vou adicionar cagão à lista de adjetivos que tenho para o covarde do homem em quem você pensa que está apaixonada." "Eu o amo." "Será? Ou você simplesmente gosta da ideia de um amor ilícito, um que você nunca deveria ter? Romeu e Julieta, Guinevere e Lancelot, Padmé e Anakin." Ele fez uma expressão de zombaria enquanto estacionava o carro em uma trilha isolada. Ela nem tinha percebido para onde eles tinham ido dirigindo, e entendeu que ele a tinha mantido bem distraída durante a viagem. Não sendo da região, ela jamais encontraria esse lugar novamente e sabia disso. Ele poderia se livrar do corpo dela e ninguém a encontraria. No entanto, o pensamento a fez quase rir. Suas palavras se misturaram e ela soltou uma risadinha. "Star Wars não se encaixa com Shakespeare e a lenda Arthuriana." "Claro que sim. Amplie sua mente", ele saiu do carro. "Saia. Vamos dar uma caminhada."
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