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1764 Words
Oliver. O que aconteceu? Continuo me perguntando isso. Estava em todo lugar. Começou quando eu quis provar algo para ela — para mim — eu não sei, p***a. Fui tomado por uma onda de possessividade completamente estranha para mim. Eu compartilhei tudo. a minha vida inteira com outros cinco caras e com minha irmã. Então fiquei com raiva ao lembrar por que estávamos no carro em primeiro lugar. Depois, quis confortá-la — foi por isso que a puxei para o meu colo. Então eu quis… eu não sei… dar a ela uma parte da minha alma. Não faço a menor ideia do que foi aquilo, além do fato de que era mais do que apenas f***r. Não era fazer amor, nem mesmo num sentido bruto. Ainda não chegamos lá — e talvez nunca cheguemos. Mas era mais do que coçar uma coceira. Ela está abotoando minha camisa enquanto eu fecho o zíper da calça dela. Ela poderia ter saído do meu colo, e poderíamos arrumar nossas próprias roupas. Mas nenhum de nós se moveu. Quando estou vestido o suficiente, pego as mãos dela e as coloco sobre o meu coração. — Kate, eu apareci e disse que você viria comigo. Eu iniciei isso. Eu estava exigindo. Eu estava no controle até agora. Estamos na minha casa. Se isso não é o que você quer, se você não quer o que eu disse, então me diga. Eu vou levar você para algum lugar seguro. Não vou forçar você a concordar com nada que não queira por vontade própria. — Muita merda aconteceu nos últimos quatro dias. f**a-se, nas últimas seis semanas. Esta foi a primeira vez que me senti no controle de alguma coisa — e isso porque deixei você ter todo o controle. Não foi outra pessoa me fodendo. Não foi meu trabalho. Não foi sua posição. Foi você. Eu ainda preciso de você. Eu preciso disso. Se você mudou de ideia, eu vou lidar com isso. Mas eu quero o que você me disse que iria acontecer. Eu nunca chamei outro homem de “papai”. Nem mesmo o meu. Só consigo pensar que fiz isso porque me sinto protegida quando estou com você. Como se você fosse cuidar de mim. Como se fosse sólido e confiável — as coisas que eu acho que um pai deveria ser. Mas eu não sou uma criança que precisa de proteção. — Eu estou aqui para te proteger. Quero que você se sinta segura comigo, eu… Eu paro. As palavras ficam presas na garganta, não por falta do que dizer — mas porque nunca precisei dizer isso antes. Segurança, para mim, sempre foi estratégia. Armas. Homens posicionados. Portas blindadas. Com ela, é diferente. — Eu não sei fazer isso de forma suave — continuo, a voz mais baixa. — Não sei prometer finais felizes ou vidas tranquilas. O que eu sei fazer é garantir que ninguém encoste em você sem passar por mim primeiro. O que eu sei fazer é assumir o risco no seu lugar. Seguro o rosto dela com cuidado, como se fosse algo raro demais para apertar. — Eu quero que, quando estiver comigo, você não precise olhar por cima do ombro. Quero que durma sem imaginar sombras. Quero que confie que, aconteça o que acontecer, eu vou estar de pé na sua frente. Engulo em seco. — Eu posso não ser um homem fácil. Posso não ser o tipo certo. Mas, se você ficar comigo, nunca vai estar sozinha. Nunca. Ela assente e olha ao redor procurando o casaco. Quando o veste, lembramos que os botões voaram. Eu estremeço, mas ela ri. Segura meu rosto e me beija. — Nenhum homem jamais foi tão impaciente para me f***r. Foi bom experimentar isso. — Impaciente não descreve nem um décimo do que eu senti. Nem do que sinto agora. Jake entra na minha garagem nos fundos do brownstone. O motor é desligado e a porta da garagem está fechada. É seguro sair. Procedimento padrão: não desligar o motor até que a porta esteja quase tocando o chão — tão fechada que nem uma bala passaria por baixo. Ninguém sai até que ela pare completamente. Eu a ajudo a sair do carro e a levo pela garagem até a casa. Jake volta e faz um aceno. Ele já fez a varredura. Sei que algo está acontecendo com Kate que está além do controle dela. Mas ainda não sei o quê. Qualquer um poderia tê-la visto entrando no carro comigo. E, depois dos artigos, qualquer um poderia estar furioso o suficiente para vir atrás de mim. Nem sempre peço para revistarem a casa antes de entrar, mas estou sendo duplamente cauteloso agora. Levo Kate para a sala de estar. Ofereço o sofá; sento-me na poltrona reclinável. Inclino-me para frente e seguro suas mãos. — Minha pequena, você precisa me dizer o que está acontecendo. Quem fez você dizer aquilo? Ela congela por um instante — menos do que o tempo de uma respiração. Está decidindo quanto da verdade vai me contar. Isso significa que há merda que eu realmente não sei — e eu já fiz uma investigação profunda no passado dela. Eu encontrei algo. — Oliver, você descobriu meu nome verdadeiro. O que mais descobriu sobre minha família? — Que você imigrou para os Estados Unidos quando era criança. Eram seus pais, sua avó e você. Vocês se estabeleceram em Connecticut. Sua mãe é professora, seu pai é vice-presidente de vendas de uma empresa farmacêutica. Você cresceu lá, foi para Dartmouth e depois se mudou para Boston. Trabalhou no jornal de lá antes de conseguir emprego aqui. Foi isso que descobri. — Você sabe por que nos mudamos para cá? Há uma razão para essa pergunta — e tenho quase certeza de que não vou gostar da resposta. — Você não contou a um colega. Você escreveu os artigos, não foi? Quando Conor fez a verificação dos antecedentes antes de contratá-la, procurou antecedentes criminais e qualquer ligação sindical. Eu li a inscrição dela. Ela não mencionou ter trabalhado em jornais. Só descobri depois, investigando mais a fundo. Eu deveria ter juntado tudo naquele dia. Fui um i****a. — O que você está escondendo de mim? Minha voz sai baixa — enganosamente calma. Ela tenta se afastar; eu solto apenas uma das mãos. Ela congela por um momento. Menos do que o tempo de uma respiração. Está decidindo o quanto da verdade eu mereço ouvir. — Oliver… os arquivos estão errados. Eu franzo a testa. — Eu sei tudo sobre você. — Não. Você sabe o que eu deixei que estivesse lá. O ar parece ficar mais pesado. — O que isso quer dizer? Ela respira fundo, e quando fala, a voz já não tem raiva — tem cansaço. — Eu falsifiquei os registros. O mundo inclina levemente sob meus pés. — Você… o quê? — A versão que você encontrou. A infância perfeita. A mudança para Connecticut. O pai executivo. A mãe professora. — Ela balança a cabeça. — Nada daquilo é a história verdadeira. Eu precisei que fosse aceitável. Limpa. Sem perguntas. Eu fico em silêncio. — Minha família morreu e não foi por acaso. — A voz dela treme agora. — Eles foram mortos porque meu pai devia dinheiro à máfia. Meu maxilar se contrai. — Você tem certeza disso? — Eu descobri investigando. Anos depois. — Os olhos dela se enchem, mas ela continua. — Ele fez negócios errados. Pegou dinheiro que não podia pagar. Achou que teria tempo. Achou que poderia negociar. Ela ri, mas é um som quebrado. — Não havia negociação. Sinto algo apertar dentro do peito. — Então você falsificou todos os registros? — Sim. Eu precisava sobreviver. Precisava de uma identidade que não carregasse o peso de ser filha de um homem que morreu devendo para criminosos. — Ela me encara. — Você sabe o que acontece com famílias assim. Eu sei. — Você acha que foi… minha família? — Eu não sei. — A resposta é honesta, crua. — Eu só sei que foi gente como você. Gente que opera nas sombras, que cobra dívidas com sangue. As palavras não vêm. Eu estou tentando juntar peças que não estavam no tabuleiro antes. — Por que não me contou? — Porque eu precisava ter certeza. — Ela engole em seco. — Eu me tornei jornalista para seguir rastros. Para entender como esse mundo funciona. Para descobrir nomes. Fluxos de dinheiro. Estruturas. — E você chegou até mim. — Eu cheguei até uma organização poderosa o suficiente para ter respostas. Eu passo a mão pelo rosto, confuso. — Então tudo isso… não era só vingança. — No começo era. — Ela fecha os olhos por um segundo. — Era raiva. Era a ideia de que alguém precisava pagar pelo que tiraram de mim. Mas quando eu comecei a olhar de verdade… eu vi que as coisas não são simples. Que as decisões vêm de cima, mas as consequências caem em quem está embaixo. — E agora? Ela dá um passo mais perto. — Agora eu sei que você não é o homem que matou minha família. — A voz dela quebra. — Mas você lidera um mundo onde isso é possível. Isso dói mais do que uma acusação direta. — Eu nunca mandaria matar uma família por dívida. — Eu quero acreditar nisso. Eu seguro o rosto dela. — Acredite. Ela fecha os olhos com o toque. — Eu falsifiquei os registros porque precisava de uma versão da minha história que não me definisse como filha de uma dívida. Eu precisava que, se alguém cavasse, encontrasse algo normal. Algo que não me condenasse antes mesmo de eu abrir a boca. — E você veio até mim sabendo disso tudo? — Eu vim atrás da verdade. — Ela abre os olhos. — Mas não esperava encontrar você. O silêncio entre nós não é mais acusação. É dor compartilhada. — Você deveria me odiar — digo baixo. — Eu tentei. — Um sorriso triste surge. — Seria muito mais fácil. — E por que não odeia? Ela encosta a testa na minha. — Porque se você fosse como os homens que tiraram minha família de mim… eu não estaria aqui agora. Eu a envolvo nos braços, não como chefe, não como homem de poder — apenas como alguém que está tentando entender onde termina a culpa do mundo e onde começa a escolha de quem queremos ser. E, pela primeira vez, eu realmente não sei se estou tentando salvá-la… ou se é ela quem está tentando me salvar.
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