Kate.
Após o expediente, Oliver manda seu motorista me levar a um de seus apartamentos em outra parte da cidade, para que possamos passar um tempo a sós.
Minha cabeça está girando. Como atordoada e confusa, ou preciso de um padre. Estou incerta. Não sei se processei isso o suficiente para pensar que é uma boa ideia. Ou se o carisma de Oliver me atraiu. Talvez esta seja a melhor decisão que eu vou tomar. Espero que sim. Mas ainda é muita coisa para assimilar. Há algumas horas atrás, eu ainda estava surtando pra c*****o sobre os artigos vazando. Então eu fiquei apavorada quando vi Oliver sair do carro. A próxima coisa que eu sei depois disso é que estávamos fazendo sexo em seu carro. Uma conversa intensa se seguiu, e de alguma forma isso resolveu a maioria das coisas. Agora estou esperando que ele me puna.
E eu não resisti a nada disso. Parece tão natural que é bizarro pra c*****o. Chamando o Dr. Freud. Chamando o Dr. Jung. Chamando o Dr. Adler. Não sei se três deles conseguiriam me entender. Eles teriam um dia de campo comigo. Não quero f***r meu pai, mas Freud provavelmente diria que há algum problema latente com abandono ou algo assim. Meu pai tem sempre estive perfeitamente presente. Dra. Jovem seria provavelmente dizer esse
— relacionamento — é a manifestação de algum sonho que nunca realizei. E o Dr. Adler simplesmente diria que eu quero pertencer a uma família de pessoas com ideias semelhantes. Mas como ele explicaria minha repentina disposição de me ligar à família cujo m****o matou meus pais?
— Kate?
— Sim, Papai. Desculpe. Apenas pensando. — Podemos levar as coisas devagar.
Eu o observo, e acho que ele pode estar tão confuso com a forma como as coisas aconteceram quanto eu. Mas nós dois parecemos terrivelmente certos de quão confuso tudo isso é. Eu me movo para me ajoelhar, mas ele pega meus braços e me segura.
— Pequena, eu não sou seu Don. Você não se ajoelha para mim e espera submissamente que eu dê meu próximo comando. E embora eu adorasse um boquete a qualquer momento que você estivesse inclinada a dar um, eu nunca quero que você pense que tem que me servir ou me dar prazer para que possamos passar um tempo juntos. Meu perdão e meu cuidado são incondicionais.
— Poderia eu beijar você antes de começarmos?
— A qualquer momento, mo stór. — Minha querida.
Isso faz meus dedos dos pés se curvarem. Ele me chamar de menininha e pequenina já são carinhos especiais para mim. Eles definem nossa dinâmica — ele está no controle, e eu gosto disso. Mas isso é afeição genuína, e eu anseio por isso dele. Eu passo para o abraço dele e pressiono meus lábios nos seus. Começo devagar, mas eventualmente me abro para ele. Minha língua roça a dele, convidando-o para minha boca. Chupo levemente antes de pressionar meu corpo contra o dele o mais forte que posso.
— O fogo arde diante de nós, e o fogo será aceso depois de nós.
Oliver, nós dois nunca acendemos uma fogueira, mas uma foi acesa entre nós.
É uma frase tradicional irlandesa. Não sei quantas pessoas a conhecem hoje em dia, mas acho que é verdadeira para nós. A atração — talvez até mesmo o amor um dia — acontece naturalmente para pessoas destinadas a ficarem juntas.
— Katherine, is tú mo rogha. — Katharine, você é a minha escolhida.
— Eu não uso gaélico com frequência com no meu dia a dia. Só uso com a vovó quando ela esquece o inglês. Ela fala inglês há quase tanto tempo quanto sabe gaélico. Era mais uma tradição familiar continuar ensinando do que uma necessidade. Estou feliz por poder falar com você.
— Eu também.
— Mesmo que isso signifique que eu possa entender conversas que você não pretendia que eu entendesse?
— Sim. Haverá momentos em que eu possa precisar lhe dizer algo em público que não quero que mais ninguém compreenda. Algo sobre as pessoas ao nosso redor, que pertencem a outros sindicatos. Algo sobre um perigo que eu quero que você evite. Algo sobre o quanto eu quero você.
— Que romântico.
Ele levanta uma sobrancelha, sem remorso, e eu sorrio. Eu me afasto dele, minhas mãos atrás das costas. Não vou me ajoelhar, e não vou abaixar a cabeça. Mas posso sinalizar que estou pronta para o que vier a seguir.
— Kate, qual é a sua palavra de segurança?
— Já usei “Stand” no passado.
Significa parar em gaélico. Fácil para um parceiro entender e lembrar. Fácil de dizer quando você está no limite. Mas não quero usar isso com Oliver. Não quero reciclar algo quando acabamos de declarar nossas intenções e pelo menos alguns dos nossos sentimentos.
Tento pensar em outra coisa. “En iomarca” significa demais, mas eu poderia dizer isso por desespero sem realmente querer parar. “Go leor” é suficiente, mas também pode ser usado em outro contexto. “Rua” é vermelho, e sei que muitas pessoas usam cores em inglês. Mas isso parece genérico demais para o que quero que compartilhemos. O gaélico parece íntimo entre nós.
— Croiméal.
— Bigode? — Ele ri, franzindo a testa.
— Sim. Eu estava tentando pensar em algo e observando você. Outro dia pensei que você provavelmente conseguiria deixar um bigode crescer facilmente, já que já tem barba por fazer. Então pensei em como eu não gostaria de pelos faciais em você, porque gosto de ver seu rosto inteiro. Você é bonito. Isso ficou na minha cabeça.
— Tudo bem. Croiméal será. Suba na cama. Mãos e joelhos.
Sigo suas instruções, certificando-me de erguer o quadril. Aceitarei a punição. Ele caminha até o pé da cama, onde há uma bolsa. Ao abri-la, fala comigo, preparando-me.
— Qual é sua tolerância à dor, Kate?
— Bem alta, eu acho.
— Você tem algum limite rígido para impacto?
— Nenhum.
— Você sabe disso por experiência ou está presumindo?
— Experiência.
Ele para e vem até onde pode ver meu rosto, ajudando-me a ficar ajoelhada.
— Não gosto da ideia de te dar uma surra. Não quero ver marcas duradouras em você. Mas isso é algo de que você gosta?
— Já gostei, mas não preciso disso. Se você não quiser, não precisamos fazer.
— Mais importante: já dei surra em outras mulheres e nunca tive problema com isso. É com você que é diferente. Preciso que saiba disso.
Meu coração derrete um pouco.
— Sim. Eu percebo.
Ele volta para trás de mim. Ouço o som de embalagens sendo abertas. Fico aliviada por saber que tudo é novo. Não por ciúme — também — mas por higiene. Não quero pensar nele usando essas coisas com outra mulher. Quero pensar apenas em nós.
— Você está nervosa.
— Nunca tentei gengibre antes.
— O gengibre te assusta?
— Não. Só sei que vai queimar.
— Vai, sim. Mais alguma coisa incomoda?
— Não.
Ele ajusta alguns acessórios, e a sensação mistura dor e antecipação.
— Por que você está sendo punida, Kate?
— Eu traí sua confiança. Menti sobre por que trabalhava para você. Me infiltrei. Escrevi artigos com a intenção de machucar você e sua família…
— Isso dói, mas não é por isso. Você fez o que fez pelos seus. Eu estou te punindo porque você se infiltrou na minha vida para abusar da minha confiança. Você me traiu. Ponto.
— Eu sei.
— Você poderia ter me contado.
— Eu estava com medo. E envergonhada.
— Você tinha minha confiança, mas eu não tinha a sua. Isso também é traição.
Eu me posiciono novamente.
— Não vou aquecer você. Começaremos com minha mão.
Ele me instrui a não colocar as mãos para trás. Eu concordo.
A primeira palmada me acerta.
— Ai!
Dói muito. Seguro o edredom, lutando contra o impulso de chutar ou gritar. Ele alterna os lados, conta até cinquenta, depois esfrega suavemente para aliviar um pouco.
— Você está bem?
— Sim. Dói muito.
— Eu sei.
Ele pega a raquete com furos. Sei que vai doer mais.
— O que você diz se for demais?
— Bigodel.
Ele começa novamente. Eu conto. Minha respiração falha. A dor aumenta, misturada à culpa e à necessidade de perdão.
— Preste atenção. Não se perca para fugir da dor. Conte para mim.
Eu conto. Entre uma palmada e outra, peço desculpas. Prometo não trair de novo. Digo que falarei com ele se houver problema.
Ele permanece sério. Não parece gostar disso.
Quando tudo termina, estou tremendo. Ele me envolve nos braços, senta na beira da cama e me puxa para si. Remove os acessórios com cuidado. O sangue retorna, trazendo outra onda de sensação intensa.
Eu choro.
— Oliver, eu sinto muito. Muito mesmo.
E dessa vez não é a dor que fala. É o arrependimento.
— Eu sei que você está. Mas está feito. Está perdoada. Nós apagamos tudo do nosso relacionamento. Agora seguimos em frente juntos.
É realmente tão simples assim? Como parecer ser?