GUTO - ENCONTRO NA AREIA

1180 Words

O céu ainda estava em tons de cinza quando Guto estacionou a moto perto da areia. Aquela hora do dia era o seu refúgio — antes do morro acordar, antes das vozes, das broncas, das ordens e do cheiro de fumaça que se espalhava pelos becos. Ele gostava da solidão da praia, do barulho do mar batendo forte, das ondas lavando os pensamentos. Tirou o capacete, passou a mão pelos cabelos e caminhou até a beira da areia. O vento frio da manhã arrepiava os braços, mas ele não se importava. Ficou um tempo só olhando o horizonte, aquele risco dourado que começava a surgir quando o sol dava sinal de vida. Naquela solidão, Guto se sentia gente, não soldado. Podia pensar no pai que morreu cedo, nos dias em que ainda acreditava em destino. Podia, por um instante, não ser o braço direito de Chacal —

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