O relógio marcava sete da manhã quando Jéssica subiu o morro, o sol ainda tímido iluminando os becos de concreto rachado e muros pichados com siglas de facção. O cheiro de pão quente se misturava ao da fumaça dos escapamentos das motos, que iam e vinham sem parar. Ela mantinha o olhar firme, mas o coração acelerado — cada passo era uma mistura de medo e determinação. Era o primeiro dia dela no mercadinho e nada naquele emprego era comum. A vaga tinha sido “arrumada” por Guto, mas ela estava ali a mando do Rato, e servia apenas para um propósito: infiltração. Jéssica não era do morro, mas sabia se disfarçar bem. Rato dizia que ela tinha o olhar atento e o rosto de quem ninguém desconfia. Era exatamente o que precisavam para saber o que estava acontecendo lá dentro — especialmente para des

