Vulcano Narrando Eu não devia ter esperado. Essa frase martelava na minha cabeça igual britadeira desde o momento em que eu descobri que ela tinha sumido. Cada volta que eu dava com o carro, cada rua vazia, cada beco escuro, a mesma frase voltava, repetia, ecoava dentro de mim. Você não devia ter esperado, Vulcano. Você sabia que ele era perigo. Você viu o que ele fez com ela no corredor. Você sentiu o medo no olho dela. E ainda assim você esperou. Enquanto eu rodava o Rio de Janeiro igual um maluco sem rumo — mas com destino, com ódio, com fúria — volta e meia eu batia no volante com a palma da mão aberta e xingava a mim mesmo em voz alta, dentro do carro, sozinho, igual doido. — Tu foi burro, Vulcano. Burro pra c*****o. Burro que nem pedra. Eu nunca fui de esperar sinal. Nunca

