Jane narrando Eu ainda tava com a cabeça zunindo. Era muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Ver o Guilherme. Ver a Letícia. Entender, do jeito mais amargo possível, que os dois estavam juntos. E pior: perceber que a Letícia, mesmo sabendo exatamente quem ele era, mesmo conhecendo cada faceta daquele monstro, tinha escolhido se enfiar no mesmo buraco onde eu quase morri afogada durante anos. Eu não conseguia entender. Não entrava na minha cabeça como uma mulher consciente, adulta, formada, com família, com sonhos, conseguia se submeter àquilo por vontade própria. Porque depois que a gente sai, depois que a gente respira fora daquele ambiente, depois que a gente sente o ar puro sem o cheiro de medo, a gente enxerga. E quando enxerga, não tem como fingir que não viu. Não tem como voltar

