Entre Ordens e Desejos

1030 Words
Me senti com uma sensação estranha de vitória e derrota ao mesmo tempo. Vitória porque tinha conseguido enfrentar o CEO arrogante, não cedendo ao dinheiro sujo que ele tentou enfiar goela abaixo como se eu fosse uma qualquer. Derrota porque, apesar de tudo, o cheiro dele ainda grudava em mim. Pior: a lembrança daquela noite insana continuava latejando como uma ferida que não cicatrizava. Joguei água fria no rosto, tentando afastar os flashes de mãos fortes, olhares queimando, gemidos abafados pela parede da suíte luxuosa. Mas não adiantava. Era como se ele tivesse se infiltrado em cada músculo do meu corpo. Peguei o celular e vi a enxurrada de mensagens das amigas da boate. Todas perguntando onde eu tinha sumido, se estava viva, se tinha ido embora com “aquele homem misterioso dos olhos frios”. Suspirei. Se elas soubessem… Estava prestes a responder qualquer coisa vaga quando a tela do meu celular piscou com um número desconhecido. Atendi no automático. — Vista-se. Um carro vai buscá-la em vinte minutos. A voz dele. Aquela mesma, grossa, firme, cortante. Meu coração gelou. — O quê? Está maluco? — respondi, incrédula. — Não repito ordens. Apenas as dou. Vinte minutos. E desligou. Fiquei encarando o celular, indignada. Quem ele pensava que era para achar que podia me convocar assim? Um chefe? Um rei? Talvez na cabeça dele, sim. Mas na minha, só um canalha arrogante. Dez minutos depois, meu prédio inteiro já devia estar ouvindo meus passos furiosos pelo corredor. Eu xingava, reclamava, dizia que não ia, que não tinha a menor obrigação de obedecê-lo. Mas, quando a buzina soou lá embaixo e eu vi da sacada a limousine preta estacionada, meu corpo estremeceu. — Não, não, não… eu não vou. — Mas minhas mãos já agarravam a bolsa. Desci resmungando, disposta a entrar no carro só para dizer uns desaforos bem na cara dele. Dentro da limousine, o silêncio era tão sufocante que eu quase ouvia meus próprios batimentos. Havia apenas um motorista de terno preto, óculos escuros, cara de robô. Nenhuma palavra, nenhum sorriso. Apenas o percurso até um restaurante luxuoso, iluminado de forma tão dramática que parecia cenário de cinema. Lá estava ele. De pé, terno perfeitamente alinhado, cabelo escuro penteado para trás, olhos fixos em mim como se estivesse me possuindo sem sequer tocar. As mãos estavam nos bolsos, postura imponente, como se dominasse não apenas aquele salão, mas o mundo inteiro. — Vejo que decidiu obedecer. — A voz dele cortou o ar quando me aproximei. — Eu não obedeci. — rebati, firme. — Eu vim para dizer que não sou uma marionete. Um sorriso torto surgiu em seus lábios, perigoso. — Pode repetir isso quantas vezes quiser. Mas está aqui, exatamente onde eu queria. Arregalei os olhos, indignada. — Você é insuportável! Ele apenas inclinou a cabeça, e o maître surgiu imediatamente para nos conduzir à mesa. Éramos o centro das atenções: mulheres o seguiam com os olhos, homens o cumprimentavam com respeito, como se ele fosse intocável. E eu? Eu me sentia uma peça fora do tabuleiro, mas presa ao jogo. Sentamos. Ele não abriu o cardápio. Apenas falou: — Traga o que sempre peço. — E eu? — perguntei, cruzando os braços. — Vai comer comigo. — respondeu, como se fosse óbvio. — Não vai escolher por mim. — protestei. — Já escolhi. Soltei uma risada incrédula. — Você é patético. — E você é fascinante quando me desafia. — Ele se inclinou levemente sobre a mesa, a voz baixa, quase um sussurro erótico. — Mas sabemos como isso sempre termina. Senti o rosto queimar. Lembrei da noite anterior. Da forma como ele me quebrou e me incendiou ao mesmo tempo. Desviei os olhos, mordendo o lábio para não responder. O jantar foi um campo de batalha silencioso. Ele falava de negócios, mas cada frase tinha um subtexto de provocação. Eu revidava com ironias, tentando não mostrar o quanto minha pele queimava sob o olhar dele. Quando finalmente saímos, ele não me perguntou nada. Apenas colocou a mão na minha lombar e me guiou até a limousine. O toque era firme, possessivo, e mesmo que eu quisesse gritar, meu corpo reagiu com arrepios. Dentro do carro, o silêncio durou pouco. Ele se aproximou, invadindo meu espaço. — Você gosta disso. — murmurou. — Do quê? Do seu controle doentio? — Da forma como eu tomo decisões por você. Da forma como eu não peço, apenas levo. Minha respiração acelerou. — Você é um i****a arrogante. — E ainda assim… não consegue me tirar da cabeça. Ele encostou o rosto perto do meu, tão perto que nossas bocas quase se tocaram. Meu corpo gritava sim, mas minha mente berrava não. Estava em guerra comigo mesma. — Eu te odeio. — sussurrei. — Então me odeie mais perto. — E seus lábios encostaram nos meus. O beijo foi brutal, urgente, faminto. Eu devia empurrá-lo, mas minhas mãos agarraram sua nuca com fúria. Era ódio, era desejo, era o caos absoluto. Quando percebi, ele me puxava para o colo dele, e nossas bocas se devoravam como se o carro fosse apenas um universo particular. Suas mãos exploravam, dominavam, enquanto eu me rendia e resistia ao mesmo tempo. — Você não manda em mim. — falei entre os beijos, arfando. — Já mandei. — retrucou, deslizando os lábios pelo meu pescoço. Arfei alto, odiando o quanto aquilo me excitava. O cheiro dele, o toque, a presença esmagadora. Ele não precisava de muito: só de estar ali, e eu já me sentia cercada, queimada, vencida. O motorista, impassível, fingia não notar nada. Isso só aumentava a tensão — como se estivéssemos cometendo um pecado escancarado. Antes que fosse longe demais, empurrei o peito dele, tentando recuperar o ar. — Eu não vou ser sua diversão de luxo. — avisei, ofegante. — Já é. — respondeu, com um sorriso perigoso. O carro parou diante do meu prédio. Ele segurou meu queixo com firmeza, obrigando-me a encará-lo. — Você pode me odiar o quanto quiser. Mas vai me obedecer de novo. Desci correndo, coração disparado, pernas bambas, corpo em chamas. E a pior parte? Eu sabia que ele estava certo.
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