Jolie estava envolta numa toalha, depois que ela e Pia tomaram banho juntas, e estava revirando a mala de roupas. Enquanto a criança desfrutava completamente do chuveiro gigante e corria em círculos ao seu redor dentro dele, Jolie estava muito preocupada com o que iria acontecer hoje. Agora a criança estava pulando feliz na cama, vestida com uma pequena túnica e meias, com seus cabelos encharcados e embaraçados molhando a parte de trás de seu vestido, enquanto Jolie estava novamente perdida em seus pensamentos.
Se Elio estivesse vindo hoje, era totalmente possível que aquele fosse o seu último dia na Terra com a filha. Ela sabia melhor do que confiar em uma única palavra vinda da boca de Brixton. Ele era o segundo no comando da família de máfia mais poderosa deste lado da Itália. Ele não administra centenas de negócios legais e ilegais praticando o que ele prega. Sua baboseira sobre não gostar de mentirosos era o ápice da hipocrisia para sua família.
Pegando um par de jeans e um moletom, Jolie os jogou juntos com seu sutiã e calcinha que ela deixou na cama. Uma batida forte na porta a fez segurar firmemente a toalha e sussurrar para Pia não abrir a porta, mas a criança foi rápida e pulou da cama, abrindo a porta completamente, expondo Jolie de toalha para a sobrancelha erguida de seu tio.
"Pia, feche a porta!"
"Mamãe está nua", Pia riu alto, "tomamos banho juntas."
"Eu vejo isso", ele deixou seus olhos percorrerem seu corpo enquanto ele se apoiava na porta usando uma calça.
"Você pode sair?" ela olhou furiosa por cima do ombro para a forma como ele a avaliou. Bastardo atrevido.
"Eu poderia", ele sorriu, "mas percebo que gosto mesmo de te ver desconfortável."
Ela corajosamente levantou um dedo para ele, não deixando passar o jeito que seu sorriso fácil desapareceu diante da insolência. Virando as costas para ele, ela colocou sua roupa íntima, se esforçando para não deixá-lo saber o quanto a presença dele enquanto ela estava quase nua a deixava doente. Sua toalha escorregou pelas costas e ela ouviu nitidamente o som de seu descontentamento quando ela caiu. Ela a puxou de volta e pegou o sutiã, jeans e camisa, e saiu furiosa para o banheiro, batendo a porta atrás dela. Assim como o irmão dele, a etiqueta não estava em seu vocabulário.
Ela tinha acabado de colocar o sutiã quando a porta se abriu de novo e ele entrou no quarto. Em seu sutiã e calcinha de algodão branco, irritada que eles realmente tinham lindas flores, e ele provavelmente não tinha deixado passar, ela cruzou os braços sobre o peito, "o que diabos você está fazendo?"
"Vire-se", ele ordenou, girando o dedo indicador para baixo. "Agora."
O tom de voz dele não permitiu que ela argumentasse, o medo se instalando profundamente em seu ventre. Ela tremia como uma folha quando o fez e podia vê-lo se aproximando dela pelo espelho, admitindo que o cabelo escuro e olhos do homem que se aproximava a faziam imediatamente pensar em Valentin e seus joelhos tremiam enquanto ela segurava a pia. Ela repetia em sua cabeça repetidamente "Val está morto, ele não pode te machucar", enquanto os passos medidos de seus sapatos pretos ecoavam no piso. Ela o viu parar completamente a apenas um passo ou mais atrás dela. Ele estava tão perto que ela podia sentir o calor do seu corpo.
Ele estava parado diretamente atrás dela, sua respiração ofegante. Deus a ajudasse se este fosse outro Cacciola que decidisse que o corpo dela seria seu brinquedo.
Pia entrou correndo, "essas são as marcas de tigre da mamãe! Elas provam que ela é forte como um tigre."
Ele encontrou o olhar dela no espelho e ela percebeu que era nas cicatrizes que ele estava olhando. Ele tinha tido um vislumbre delas quando a toalha escorregou. Ele não estava no quarto para tentar forçar algo com ela. Ele não iria atacá-la. Ele queria ver os danos físicos que seu irmão causou. Ela manteve as mãos no peito e levantou o queixo desafiadoramente. "Isso mesmo", sua voz tremia enquanto ela se dirigia a Pia, "elas são minhas marcas."
"Mamãe tem marcas em suas costas, sua b***a, barriga e pernas", Pia explicava animadamente enquanto dançava em torno de Jolie. "Tio Brixton, tem uma tão larga em sua b***a que é do tamanho de dois dos meus dedos! Às vezes, na banheira, mamãe deixa eu usar a tinta para pintar que fica nos meus dedos e colori-las. Mas não a da b***a dela, porque não tocamos nas partes privadas das pessoas."
Ele se agachou, "Pia, o tio Malik está no outro cômodo preparando o café da manhã. Você pode ir ver se ele precisa de ajuda? Eu não sei se ele sabe arrumar uma mesa."
"Sim!" ela foi embora feliz chamando por Malik animadamente.
"Val fez isso?" ele questionou assim que a criança estava fora do alcance de ouvido, se erguendo atrás dela.
Ela assentiu e decidiu dar a ele todos os detalhes de suas marcas, "sim. Algumas ele fez com um chicote, outras com uma vara que tinha farpas. A que ele mais gostava, aquelas que deixavam marcas de dois centímetros de largura em minhas nádegas, eram de um chicote de nove pontas com o qual ele me espancava até eu sangrar. Eu não estava animada o suficiente com a ideia de me casar com ele e isso o envergonhou. Elas levavam uma eternidade para cicatrizar porque a coisa favorita de Val era me ver sangrar. Ele gostava de misturar nosso sangue, então ele cortava as próprias mãos ou braço e depois misturava tudo na minha pele", ela sentiu uma alegria sombria quando o homem ficou pálido diante de suas palavras.
"Jolie," a voz dele estava rouca e ele limpou a garganta e levantou a mão atrás dela como se quisesse tocá-la e estivesse se contendo. Ele olhou para o lado e Jolie se perguntou se estava imaginando a aparência aquosa de seus olhos escuros e ele piscou rapidamente enquanto olhava na direção do box do chuveiro. Ele deu um passo para trás, deixando a mão cair ao lado, "Malik trouxe o café da manhã. Por favor, se vista e saia."
Sua rápida supressão de suas emoções a fez considerar que tinha interpretado errado sua frieza enquanto seu tom seco ecoava no banheiro revestido de azulejos.
Ela se vestiu rapidamente e prendeu o cabelo em um r**o de cavalo e depois seguiu o riso de Pia até a pequena cozinha. Ela encontrou Malik e Pia sentados à mesa, mas nenhum sinal de Brixton em lugar algum. Ela sentou-se em frente a Malik e notou que sua filha estava comendo a banana de uma salada de frutas.
"Mia Pia," ela fez os olhos grandes para ela, "você deve comer as uvas e as melancias."
"Eca, mamãe." Ela fez beicinho.
"E quanto ao iogurte ou queijo?" Malik indicou diversos pratos na mesa.
"Eu não gosto de iogurte e só gosto de queijo fatiado embrulhado em plástico," ela fez careta para Malik. "A mamãe sabe."
"O que você normalmente come no café da manhã, Pia?" Malik perguntou a ela. "Posso pedir para você."
"Não, você não pode", Jolie rejeitou firmemente sua sugestão. "Ela come o que estiver em seu prato ou não come. O que ela não comer pode ser guardado na geladeira para um lanche mais tarde, quando estiver com fome. O café da manhã está na sua frente, Pia. Aceite ou deixe."
Pia suspirou, "posso beber água?"
"Depois de beber o leite. Pelo menos quatro golinhos de leite." Pia normalmente adorava leite. Ela estava sendo contraditória e Jolie não estava com paciência.
"Mamãe, podemos ir ao parque hoje?" ela perguntou por cima do copo de leite.
"Isso dependerá do tio Brixton," Jolie olhou para Malik. "Onde ele está?"
"Ele foi para o terraço," Malik franzia o cenho para ela. "Ele precisava de um minuto."
"Por que ele precisava de um minuto?" Pia perguntou enquanto colocava um pedaço de banana na boca e mastigava com barulho. "Está muito mole."
"Não está muito mole e tenho certeza de que o tio Brixton deve ter algo que precisava fazer." Jolie encontrou o olhar de Malik e viu a compaixão ali e sentiu a raiva subindo em seu peito.
Ela pegou uma uva da tigela de Pia, "não faça isso." Ela ouviu a porta da suíte se abrir e olhou por cima do ombro, notando a expressão fria no rosto de Brixton. "Pia está perguntando se podemos ir ao parque hoje."
"Ela pode sair com uma infecção de ouvido quando está frio lá fora?"
"Ela pode usar seu chapéu e luvas e ficar aquecida. Um pouco de ar fresco pode lhe fazer bem."
"Podemos ir por uma hora depois do café da manhã. Temos um compromisso às onze." Ele pegou um envelope na bancada e o colocou na frente dela, sentando-se imediatamente ao seu lado. "Pia, coma sua salada de frutas, por favor."
"O que é isso?" ela pegou o envelope dele de forma hesitante. Ela queria gritar com sua filha enquanto a menininha colocava a melancia na boca e dizia como era gostosa. Ela ouviu a risada de Malik e quis estrangulá-lo. Ela abriu e franziu a testa. "Eu tenho uma conta bancária."
"Agora Pia também tem uma e a sua tem o saldo correspondente à mãe de uma Cacciola."
"Eu não quero o seu dinheiro." Ela sentiu seu peito arfando enquanto arfava por ar. Eram documentos bancários com os nomes dela e de Pia. Havia muitos zeros ali para que ela não sentisse que não estava sendo subornada.
"Não é meu dinheiro. É seu. O equivalente a seis anos de pensão alimentícia e o reembolso de todas as suas despesas médicas." Ele apontou para a documentação, "o fundo fiduciário para Pia é igual aos que as crianças da irmã de Malik têm em seus nomes. Quando ela completar vinte e um anos, ela será muito rica por conta própria."
"Eu não quero o seu dinheiro", ela repetiu furiosamente. "Já disse que não vou dizer nada. Eu não preciso de dinheiro para o silêncio." Seus dedos tremiam enquanto folheavam múltiplos documentos com o nome completo de Pia. Ele não perdeu tempo em garantir que agora tivesse todos os detalhes deles. Ele até tinha o número do seguro social de Jolie. Ela se perguntou quão fundo eram os bolsos que ele tinha que encher para conseguir informações pessoais assim. Será que foi isso que ele estava fazendo quando ela estava acordada com Pia depois da meia-noite? Será que o mundo inteiro simplesmente fazia o que ele queria, quando ele queria?
"Não é dinheiro para o silêncio", ele pegou um garfo da mesa, espetou um morango e ofereceu a Pia, que abriu a boca prontamente e alegremente mastigou a fruta. Ele apontou para um recipiente de isopor, "também coma seu café da manhã, Jolie. Vocês duas estão magras demais."
"Não estou muito magra! Estou mais pesada agora do que nunca na vida." Suas palavras fizeram com que ela ficasse furiosa imediatamente. Ela era um tamanho dez sólido.
"Jolie, temos um dia agitado hoje e eu não vou passá-lo discutindo com vocês dois", ele acenou com o garfo de Pia entre ela e a criança, "sobre comida. Vocês vão comer. Vocês vão parar de discutir sobre as contas e é bom lembrarem quem está no comando."
O resmungo de Malik deixou Jolie ainda mais irritada. Até mesmo sua própria filha estava fazendo a vontade desse homem sem hesitação, enquanto ele apontava para o leite e ela o bebia até o final, limpando a boca com as costas da mão e um grande sorriso.
"Eu não quero passar o dia com você, discutindo ou não", retrucou ela.
"Jolie, nós tivemos uma conversa ontem à noite. Você se lembra da conversa? Quando eu digo pule?", seus olhos estavam escuros e furiosos enquanto segurava seu olhar.
"Até que altura?", ela perguntou e colocou os documentos no envelope e pegou o cartão de crédito preto que ele estendia para ela entre dois dedos. "O que vamos fazer hoje?"
"Pia quer ir ao parque, portanto nós iremos ao parque. Depois, vamos nos encontrar com alguém às onze. Faremos compras de roupas às uma. Meu pai estará na cidade às cinco. Vamos encontrá-lo aqui e teremos um jantar em família com ele e minha madrasta."
Jolie sentiu seus pulmões esmagando com as palavras. "Madrasta? Chiara está vindo?" Chiara, a mãe do homem que a brutalizou impiedosamente por meses e que já lhe disse que a melhor coisa que ela poderia fazer era morrer e acabar com tudo, estaria aqui e perto de Pia. A necessidade de pegar a criança e fugir era inimaginável.
Brixton e Malik imediatamente perceberam que o tremor nas mãos dela se tornara espasmódico e violento, e Brixton tomou seu queixo e forçou-a a olhá-lo. "Ela sabia?", sua pergunta era direta e ela sabia o que ele estava perguntando.
Com um lento aceno de cabeça, e uma única lágrima escorrendo por sua bochecha, ela sentiu Pia se sentar em seu colo.
"Mamãe, por que você está chorando?"
Ele girou sua cadeira ao redor da mesa e os envolveu com seus braços, Jolie se enrijecendo contra o movimento. Ele sussurrou em seu cabelo, "se recomponha. Sua filha está assistindo. Você não tem nada a temer de Chiara."
"Me solte", ela sussurrou de volta.
"Nem em um milhão de anos", ele acariciou seu ombro. "Agora você está sob a minha proteção, Jolie. Ninguém nunca mais irá machucar vocês duas, ou terá que lidar comigo."
Ela sentiu um segundo par de mãos em sua cabeça e depois o beijo mais gentil depositado em sua testa.
Malik sussurrou para Brixton em italiano e ela percebeu que eles não sabiam que ela era fluente.
"Vou ligar para o papai e deixá-lo saber. Ele vai ficar furioso."
Brixton respondeu: "ele vai querer provas."
Jolie respirou fundo e respondeu a ambos, falando a língua deles "no banheiro, atrás da pintura do vaso com as flores, há um outro cofre. Mesma combinação. As provas estão lá dentro."
O silêncio foi finalmente preenchido por uma risada baixa e grave de Malik. "Eu gosto dela", ele balançou a cabeça.
Brixton se afastou dela e encontrou seu olhar. "Existem mais cofres ou compartimentos escondidos na casa?"
"Na mesa de cabeceira do lado esquerdo da cama, há uma caixa de depósito escondida na gaveta. No closet, sob a gaveta de sapatos, há um botão que abre um painel na parte de trás do closet. É onde ele guardava todos os seus brinquedos." Ela sabia que a maioria deles estava manchada com seu sangue.
O beijo gentil de Brixton em sua testa a surpreendeu e Pia não o deixou passar despercebido.
"Tio Brix, eu também quero um!" Ela exigiu em italiano e inclinou a cabeça para frente pedindo um beijo.
"Você ensinou italiano a ela?"
"Meus pais são italianos, Brixton. É o que falamos em casa na maior parte do tempo, mas porque ela precisa do inglês para a escola, alternamos entre as duas línguas."
Ele lutou com Pia das mãos de Jolie e a jogou no ar, pegando-a novamente. "Coma", ele instruiu Jolie. "Precisamos seguir em frente para aproveitar o resto do dia. Nada de pensar em coisas ruins pelo resto da manhã. Nenhuma discussão, briga ou recordação. Hoje será o melhor dia."
"Por que, tio Brix", Pia estava sem fôlego enquanto o abraçava apertado pelo pescoço. "É seu aniversário?"
"Não. É o melhor dia porque eu posso passá-lo com você, Pia!" Ele beijou sua bochecha novamente e depois puxou casualmente o r**o de cavalo de Jolie. "Finalmente te encontrei, e ninguém jamais vai te tirar de mim."
Com suas palavras, Jolie ficou dividida entre riso histérico e um colapso total.