MELISSA
Chegamos num lugar grande. Logo percebi que era um galpão. — Que lugar é esse? Eu pergunto tentando não demostrar que estou com medo.
— Desce! Ele fala abrindo a porta do carro.
— Eu não vou descer até você me dizer, que lugar é esse!
Ele me puxa para fora do carro e me sacode pelos braços. — Você não passa de uma ninfeta mimada, que acha que o mundo gira em torno de você. Vai fazer o que eu mando. E acho que está na hora de eu começar a pensar em experimentar o meu brinquedinho. Já que você está se tornando uma mulher tão forte, destemida, já se acha uma mulher. Ele me olha nos olhos e me beija na boca!
Eu fico apavorada que não consigo me mexer. Ele separa os nossos lábios, me olha nos olhos e me empurra. Eu caio no chão.
Ele continua me olhando e eu estou completamente em choque. Eu sei que o meu pai seria capaz de muitas coisas. Mas, nunca imaginei que ele seria capaz de uma coisa assim. — Agora anda! Quero que fique bem claro para você como vai funcionar a partir de agora.
Entramos no galpão e a primeira coisa que eu vejo é uma gaiola. E o que me assusta é que a minha mãe e a minha irmã estão dentro dele.
— Mãe? Ju? Solta elas! Eu grito e vou correndo em direção da gaiola. Tento abraçar as duas pelas grades.
— Solta elas! Por que você está fazendo isso? Eu pergunto chorando.
— É muito simples Melzinha, do papai! Eu quero que você faça um serviço para mim. E esse é o único jeito que garante que você vai fazer sem estragar tudo.
— Eu te odeio! Eu vou para o lado dele e começo a socar o seu peito. A única reação dele é revirar os olhos. Quando me canso, eu vou arriando até o chão, exauta e em lágrimas.
— Acabou? Bem agora que você viu o que eu tenho, e entendeu que precisa fazer o que eu quero. Vamos para casa, que eu vou te dizer exatamente o que eu quero que você faça.
Eu olho para ele com os olhos vermelhos. Respiro fundo e me levanto e vou até a grade novamente. — Eu juro que vou tirar vocês daqui! Respiro fundo e me viro. — Sabe que quando isso acabar eu vou matar você! Eu falo encarando o meu pai.
— Espera na fila.
Eu não respondo nada e saio batendo o pé. Assim que chegamos em casa, vamos para o escritório.
— O que você quer? Me diz o que eu tenho que fazer?
— Além de ser minha distração? Você se tornou uma linda mulher Mel! É difícil um homem não desejar você. Ele fala passando a mão no meu rosto e eu me afasto.
— Kkkkkk, você é uma onça! Isso é bom! O que eu quero é muito simples. Eu andei me envolvendo com umas pessoas e acabei perdendo muito dinheiro. E o irmão da sua amiguinha, é o meu principal credor.
— Bianca?
— Exato! Você está na mesma turma que ela não é coincidência. Eu perdi, para ele quase todos os meus bens. Ele tem a escritura dessa casa, e praticamente todas as ações da empresa. O seu trabalho é simples! Você tem que fazer ele ficar de quatro por você. Ele precisa amar você acima de qualquer coisa. Você tem que se tornar o calcanhar de Aquiles do Imperador! Kkkkkkk, não tem plano mais perfeito. Você vai roubar esses documentos e depois vai levar ele para uma emboscada! Se você fizer tudo direitinho e for uma boa menina, eu solto a sua mãe e a sua irmã.
— Ela é sua filha! Como você pode prender a sua própria filha?
— Kkkkkk, Melissa, você parece que nunca entende. Eu não fiquei rico me apegando a família. Tudo que me interessa é o dinheiro o resto é descartável. Agora você pode ir. E pense bem, antes de fazer qualquer coisa.
Eu saio correndo do escritório e me tranco no meu quarto. Me jogo na cama e desabo em choro.
— Melzinha você não vai almoçar? Talita a empregada me pergunta, ela trabalha na casa desde quando eu era criança e o meu pai era casado com a minha mãe.
— Não quero! Eu respondo sem abrir a porta.
— Vou deixar a bandeja aqui. Ela responde.
Eu estou morrendo de fome, então, espero alguns minutos, abro a porta e pego a bandeja.
A única coisa que vem na minha mente é o meu pai me beijando. E a minha irmã e a minha mãe presas naquela gaiola.
Eu abro a porta devagar e vou até o banheiro do quarto dele. Pego dois calmantes da minha madrasta e tomo. Quero dormir e acordar só amanhã.
....
Acordo com o sol bem na minha cara, já que não fechei a janela. Me levanto tomo um banho e coloco o biquíni, hoje quero ficar na piscina.
— Piran*ha, vai vir que horas? Eu mando mensagem para a Bianca.
— Bom dia, pra você também. Estou esperando o meu irmão acordar! Bianca responde. — Porque era para o Jp me levar, mas já mandei um milhão de mensagens. E ele não responde!
— Olha o sol ! Acorda o belo adormecido! Eu falo num tom sarcástico.
— Se eu fizer isso ele vai me matar! Ela responde bufando.
— Kkkkk, vai nada ! Anda, eu preciso te contar uma coisa, muito séria. Eu preciso desabafar com alguém, mesmo que seja para contar apenas uma parte já que não posso contar tudo.
— O que você quer dizer? Bia pergunta assustada, e pelo tom de voz ela entendeu que é sério.
— Meu pai! Eu falo controlando o choro.
— O que que tem ele? Fala Mel! Você está me assustando.
— Ontem a gente discutiu. Eu respiro fundo.
— Normal isso né? Bia responde me lembrando das milhares de vezes que contei para ela sobre os meus problemas com o meu pai.
— Mas não foi só isso. Ele me beijou. Eu falo já com as lágrimas escorrendo.
— Beijou? Como assim? Ela pergunta aumentando o tom de voz.
— Me beijou na boca. Eu falo já chorando.
— Meu Deus ! Você fez o que? Bia pergunta apavorada.
— Nada. Eu não soube o que fazer, eu fiquei com medo. Na verdade, estou com medo! Bia, eu já até pensei em morrer.
— Tô indo aí. Me espera. Bia responde.