Episódio 18

1149 Words
Melissa Ele deita do meu lado, e eu me aconchego no peito dele. Ele faz cafuné na minha cabeça até que eu durmo. Eu sei que não deveria estar fazendo isso. Eu não deveria estar tendo nenhum tipo de sentimento por ele. Eu só deveria fazer o que o meu pai quer para salvar a minha mãe e a minha irmã. E se eu contasse para ele a verdade? Ele talvez poderia me ajudar. Ele disse para o meu pai que perdoaria a dívida, e se ainda tiver algum sentimento no meu pai e ele soltar as duas? Afinal, ele já vai ter o que queria. Eu poderia quem sabe, ficar com o Enzo. Quem eu estou enganando? O meu pai não tem coração, é claro que ele não vai ficar satisfeito com o que conseguiu, ele sempre quer mais e mais. Acordo com o sol raiando, olho para o lado e o Enzo está dormindo pesado. Eu passo a mão nos lábios dele é fico ali observando ele dormir. Ele é lindo. Respiro fundo, me levanto e saio do quarto na ponta do pé. Quando saio pela porta, dou de cara com a Bia saindo do quarto dela também. Ela está com uma cara horrível. — Me lembra pelo amor de Deus para eu nunca mais beber, eu estou me sentindo muito m*al! Ela diz, balançando a mão para mim. — Então somos duas. Eu falo tentando evitar que a minha cabeça caia no chão, porque é assim que eu me sinto. — Eu ouvia sempre o meu pai dizer que tomar café faz melhorar. Eu acho que se a gente tomar café, vai ajudar, vamos descer e tomar um café. Eu dou o braço para ela e descemos as escadas. Ficamos, um tempo olhando para a cafeteira tentando adivinhar como que fazia café. Graças a Deus a dona Maria não demora a chegar, e toma o controle da situação. Ela manda nos duas para a mesa e serve café com bolo. Tomamos café e voltamos para o quanto da Bia, com as luzes apagadas, depois de tomar um chá que a dona Maria obrigou a gente a tomar. Enzo Eu acordo e vejo que a Melissa, não está mais no quarto, eu passo a mão nos cabelos, pensando em tudo que aconteceu ontem, e de como essa garota mexe comigo, o que não é bom, porque sempre jurei para mim que nenhuma mulher ia ser o meu ponto fraco. Não demora e o Jp, invade o meu quarto, parecendo criança que ganhou um beijo da tia no pré-escolar. — Bora né! Que hoje é dia daquela pelada, e depois da pelada vem o melhor. O churrasco da vitoria! Eu dou um sorriso para ele, vou para o banheiro tomo uma ducha, coloco o meu uniforme e desço. Jp já está na cozinha devorando toda a comida que a Maria colocou na mesa para o café. — Bora Jp! Antes que você como até o reboco da casa. Bom dia dona Maria! Sabe das meninas? Eu pergunto pelas duas, mais o que eu quero saber mesmo é da Melissa. — Elas desceram tomaram um café, eu dei um chá de boldo, e elas subiram de novo para descansar um pouco, eu disse que quando elas acordassem elas iam se sentir bem melhor. Você não vai tomar café meu filho? — Não, eu vou comer qualquer coisa na rua. Qualquer coisa que acontecer você pode mandar me chamar. Bora Jp! Eu e Jp saímos para uma pelada que estava marcada, já tinha alguns dias. Eu dificilmente participo desses tipos de coisa, mesmo quando é dentro da comunidade. Mas, se as vezes você não esvaziar a cabeça um pouco, acaba ficando maluco. Eu preferia ficar na minha mantendo o meu sigilo, porque não é fácil você ser um dos maiores traficantes do Rio de Janeiro e não ser reconhecido em cada esquina. Mas uma coisa que a oportunidade de ter estudado me deu, é ter inteligência para estar onde estou. Isso me transforma num traficante diferente. Tenho 26 anos e tem 9 anos que eu tô nessa vida do crime e nunca nem fui preso ou sabem o meu nome, ficha limpa. Mas para isso acontecer, eu tive que molhar a mão de muita gente, e manter a mais completa discrição, não sair muito de casa, evitar circular em lugares fora da comunidade. Não dar bandeira, na verdade. Mas, uma pelada em alguns domingos era uma coisa que eu gostava de fazer. — Aiai, chega, vocês são muito patinho! O Jp Comemorou o gol e eu caio na gargalhada, negando com a cabeça, vendo os moleques desanimados depois o quarto gol. — Cansado de carregar né? — O cara faz um gol e se acha o p**a de Neymar, tá maluco. Um dos soldados murmura. Jp bateu na cabeça dele e eu acabo rindo, bebendo água. — Tem uma morena ali olhando faz maior cota, quem se garante em chegar nela? j**a, que é um dos meus soldados mais fieis falou olhando para a grade, eu desvio o olhar da briga do Jp, que está rolando com o cara na grama, e a turma do deixa disso tentando separar, e olho para a grade. Quando os meus olhos batem na morena que ele está falando eu nem posso acreditar, é a Melissa junto com a Bia. Eu não consigo desviar o olhar o seu sorriso parece que sai luzes dele, mais logo vejo que o sorriso não é para mim, e sim para dois caras que estavam assistindo o jogo e estão conversando com elas. — Que po*rra é essa? Eu amasso o copo e jogo de lado e vou direto em direção dos caras que estão conversando com elas. — Eu posso saber o que é tão engraçado. Eu digo já batendo no ombro de um deles. — Estamos apenas conversando, Enzo. Para de ser chato. Bia responde antes mesmo do franguinho abrir a boca. — Eu perguntei para ele, não foi para você, Bia. Fica na sua. Ela bufa e cruza os braços no peito. — E aí, moleque, o que está acontecendo aqui? Você é o único no morro que não sabe o que aconteceu no baile ontem? Você não sabe que essas duas são minhas? — Não Senhor, eu estava no quartel, eu cheguei hoje de manhã, eu não estava sabendo de nada não. Eu já estou indo embora, estávamos apenas conversando. O moleque abaixa a cabeça e só não correu, para não passar vergonha. — Qual é Enzo? Você não é dono de ninguém aqui não. Não somos bicho para ter dono. Vem Melissa, vamos embora e deixar esse idi*ota ai. Bia pega a Melissa pelo braço e sai puxando ela. Melissa ainda olha para mim, antes de continuar seguindo a minha irmã, e algo dentro de mim remexe. Eu só posso estar ficando maluco.
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