Courtney trabalha em seu escritório na delegacia dia e noite estudando tudo sobre seu antigo colega de trabalho, Patrick Sandim.
Ela colocava em um quadro todas as informações que tinha sobre ele, Courtney tentava entender as motivações de Patrick pra toda essa chacina organizada.
O delegado Histol bate na porta, e Courtney deixa ele entrar, e quando entra, ele fica impressionado com a quantidade de papéis presos em um único quadro.
- Descobriu alguma coisa? - perguntou ele.
- Não. - ela massageava a nuca.
Histol respirou fundo e se sentou em uma cadeira em frente a mesa dela.
- Talvez seja hora de aceitar, detetive Lee. Seu ex colega de trabalho virou um completo psicopata e deve ser parado da forma que for necessária.
- Isso não faz sentido, Patrick sempre foi esnobe, mas nunca uma pessoa r**m.
- Você sendo uma detetive tão conceituada, já deveria ter entendido que nesse trabalho não existe o bom nem o mau, só criminosos que devem ser detidos.
Ela encosta as costas na cadeira, suspirando.
- Ele usa agulhas de porcelana pra atacar as vítimas, uma estratégia inteligente, já que se você tentar remover a agulha do corpo da vítima com a mão, a porcelana se quebra e te corta, injetando o veneno da agulha direto na sua corrente sanguínea.
- Isso é um trabalho de profissional, de alguém que esquematizou tudo antes de agir. Como alguém assim pode ser inocente? - questionou o delegado.
- Acredite em mim, Histol, tem mais coisas por trás de toda essa história que nenhum de nós percebeu ainda. Não acredito que Patrick Sandim seja o vilão nessa história toda.
De repente Courtney e Histol são interrompidos por um policial que bate na porta e a abre, entrando no escritório de Courtney.
- Delegado, me disseram que estava aqui. - disse o policial.
Histol se levanta da cadeira e olha para ele:
- Alguma novidade, oficial?
- Sim, senhor.
- Uma boa, eu espero. Só pra variar.
- Na verdade sim, senhor.
Histol franziu a testa, e ele e Courtney se entreolham.
- Um homem acabou de dar entrada na delegacia, ele se diz ser um ex agente dos Purificadores.
- Ex agente?
- Ele está bem ferido senhor, tem um curativos médicos aparentemente caseiros, não quer comer nada. Mas disse que está disposto a contar tudo o que sabe em troca de uma saída segura do país.
Courtney rapidamente diz:
- Precisamos falar com ele, Histol!
Ele olha para o policial e pergunta:
- Ele veio armado, grampeado ou sequer acompanhado por alguém? Mesmo que seja outro policial?
- Não, senhor.
- Essa é a nossa chance, Histol.
Histol suspira e diz:
- Leve-o o homem para a sala de interrogatório agora mesmo.
- Sim, senhor.
Em questão de poucos minutos, Evan estava dentro da sala de interrogatório sentado e com o braço enrolado em um monte de papelão com fita. Ele estava ansioso e não parava de bater o pé. Histol entra na sala e com toda a calma e paciência do mundo, ele fecha a porta e se senta na cadeira de frente para Evan, e observa o estado em que ele estava, então pega a ficha dele e a lê:
- Evan Bajaras, quarenta e um anos, diversas passagens pela polícia pelos mais variados motivos, mas nenhum por v*****e própria, bom, até hoje, pelo visto.
Evan vai sedento se debruçar na mesa e Histol fica alerta, mas as algemas seguram ele de avançar mais, e Evan diz:
- Me escuta, você pode caçoar de mim o quanto quiser, mas só depois que eu estiver fora do país, você tá me entendendo?
- Acho que é você quem não está entendendo como as coisas funcionam aqui. Eu falo, você fala quando eu mandar e obedece sem questionar.
- Ignore todos os protocolos, só dessa vez.
- Por que eu faria isso?
Evan parecia estar pirando, com as veias da testa dele pulsando e os olhos ficando irritados.
- Você não entende... ele vai me m***r!
- Ele quem? O Patrick? O Ensurdecedor? O seu chefe? Você deve imaginar o quanto isso soa ridículo, não é?
- Eu vir voluntariamente me entregar na sua delegacia com o braço torto faz algo aqui parecer ridículo?
Histol entra fechou a ficha e se debruçou na mesa, igual a Evan, e ele começa dizendo:
- Vamos lá então, Evan. Me disseram que você tinha total intenção de cooperar?
- Desde que vocês me mandassem pra fora daqui o quanto antes.
Histol suspira, então ele ajeita a postura e fala:
- Esses são os termos: você nos dá informações realmente úteis e valiosas, em troca, nós te mandamos até pra Rússia, se quiser.
- Certo, eu vou contar.
- Quero tudo, locais, pessoas envolvidas, planos, armas, fornecedores, tudo o que tiver sobre Patrick e os Purificadores.
- Eu vou contar tudo o que sei, pode até usar um detector de mentiras, se preferir.
Histol acena com a cabeça, então olha para o vidro escuro da sala e faz um sinal, então Courtney entra com um gravador e põe o detector de mentira ligado direto no braço de Evan, e depois ela se senta ao lado de Histol, com um fichário na mão e pronta para anotar tudo.
- Pode começar a falar, Evan. - disse Courtney.
Ele suspira, e um pouco trêmulo, ele diz:
- Eu trabalhava para Patrick Sandim, ele é um louco completamente insano.
- Disso todo mundo já sabe. Pula pra parte em que você realmente é útil. - disse o delegado.
Evan lança um olhar sombrio pra eles e diz:
- Vocês não estão entendendo, ele é pior do que vocês imaginam, os noticiários pegam leve quando falam dele. Eu não sei direito o que é, mas... ele é... outra coisa agora, algo sinistro, com aqueles olhos vermelhos.
- Olhos vermelhos? - perguntou Courtney.
- Parece algo demoníaco, ele alterna de humor muito repentinamente, mas sempre têm aquele ar de ameaça e de loucura.
- Por que ele iria querer te m***r, Evan? - perguntou Histol.
Evan fica um pouco exitante, mas diz:
- Eu o traí.
Courtney e Histol se entreolham.
- Por que?
- O que Patrick busca, a verdadeira razão de ele estar fazendo toda essa grande bagunça, é por causa de uma lenda muito antiga que ele ouviu falar, a lenda do Livro de Syamar.
- O que é esse livro? Por que ele é tão especial? - perguntou Courtney.
- Dizem que concede poder a quem lê, nem que seja uma única palavra, você já muda completamente. Ele contou uma história mirabolante sobre o primeiro cara que pôde controlar o poder do livro, Syamar, e como tudo acabou pra ele. Patrick acredita que pode fazer igual, menos a parte em que Syamar morreu.
Courtney ficou com um olhar preocupado, e Histol começou a rir, isso deixou Evan confuso.
- O que é tão engraçado, delegado? - perguntou Evan.
Histol contém o riso e diz:
- Não sei porquê você entrou pra vida de bandido, rapaz. Você seria um excelente contador de histórias.
- Acha que eu estou brincando?!
- Honestamente...
- Isso não é invenção! - Evan se irritou.
Courtney olha de um para o outro e comenta:
- Delegado, francamente, acho que deveríamos dar crédito à história dele.
- Eu estou dando crédito, Hollywood deveria contratar esse cara, eles estão perdendo um excelente roteirista.
- E se tudo isso não for invenção?
- Acredita que tem um livro mágico dando sopa por aí e o maluco do Sandim tá atrás dessa... dessa... coisa?
- É a mais pura verdade, delegado. - confirmou Evan.
- Filho, me escuta. Eu sou policial provavelmente desde a época em que você usava fraldas, e em todos esses anos de serviço, em vários locais diferentes, eu posso afirmar: magia não existe.
Evan torceu o nariz.
- Vou ser bem sincero com você, Evan, assim como eu espero que você seja sincero comigo após isso. Isso tá me parecendo que você fez, sei lá, alguma coisa que não devia no trabalho, e agora Patrick, o Ensurdecedor, está caçando você para matá-lo como punição. Estou certo?
- É exatamente isso, eu já falei.
- Então, você vem buscar um refúgio contra o maior criminoso da cidade debaixo das asas da polícia de Pilgrim, acreditando que, contando meia dúzia de lorotas, nós te iríamos tirar você da cova que você mesmo cavou. É rapaz, aqui vai uma lição: a vida do crime não compensa.
Evan começa a respirar mais ofegante, começando até um surto de ansiedade, mas Courtney interrompe tudo e diz:
- Delegado, podemos conversar?
Evan olha para ela com um olhar de esperança, e os Courtney leva Histol para conversar na sala ao lado do espelho escuro.
- O que quer falar comigo, policial?
- Detetive, francamente, eu acredito no que o Evan contou pra nós.
Histol revira os olhos e diz:
- Ele inventou essa história Courtney, isso é óbvio.
- E se ele não inventou?
- Não trabalhamos com possibilidades, trabalhamos com fatos.
- Também trabalhamos para salvar a vida de pessoas.
- Pessoas inocentes. Evan é um bandido da pior organização criminosa atualmente. Eu estou quase que diariamente tendo que providenciar enterros coletivos dos meus agentes por causa desse tipo de gente, e você espera que eu acredite nesse folclore? Tem gente morrendo, detetive Lee, gente de verdade está morrendo.
Já se esqueceu do que matou essa gente inocente? Até agora o que aconteceu na perseguição de banco não tem explicação.
A polícia indicou explosivos.
Você tá falando sério?
Eu não brinco em serviço, detetive Lee, você já deveria saber disso a essa altura.
- Eu sei disso. Não estou dizendo que deveríamos soltar ele livre por aí nem nada disso, mas você e eu estivemos em diversas cenas de crime deixadas pelos Purificadores. Você viu o quão fora da lógica as coisas são, foi exatamente por esse motivo que eu fui enviada para cá.
- Então Patrick Sandim tem poderes sobrenaturais e está caçando um antigo livro mágico pra ganhar o que? Mais poder?
- Achei que em todos esses anos de serviço em vários locais diferentes, você já soubesse que o ser humano é ganancioso por poder e posses.
- Você n******e estar pensando em proteger esse marginal, Courtney. Ele não é uma vítima, ele é a razão de nosso trabalho existir, ele faz parte da razão das pessoas viverem com medo.
- Ele era. Tudo o que eu vejo agora é um brutamontes com quarenta e três de bíceps, alto e tremendo igual vara verde dá cabeça aos pés. O detector de mentiras nem sequer está acusando ele.
- Vai ver ele se convenceu de que essas mentiras são a mais pura verdade.
- Você tá falando sério?!
Histol suspira.
- Além do que, eu conheci Patrick Sandim, eu convivi com ele por anos, dia após dia eu conhecia mais dele, e eu posso dizer, ele estava muito longe de ser esse monstro que as pessoas hoje em dia enxergam que ele é.
- Qual é o seu plano então?
- Me deixe falar com ele, quero fazer algumas perguntas. Se as respostas dele forem suficientemente satisfatórias, deveríamos atender o pedido dele em troca.
Histol suspira, e acena que sim com a cabeça.
- Vamos fazer do seu jeito, mas se a situação não proceder da forma que deve prosseguir, eu não exitar em mandar esse cara para a prisão.
- Entendido.
Então eles dois voltaram para a sala de interrogatório, Evan estava com o queixo apoiado na mesa, e levanta na mesma hora, alerta a tudo.
- Muito bem, vamos recomeçar, Evan Bajaras.
Courtney se sentou em sua cadeira novamente, afastando a de Histol pro lado enquanto ele ficou em pé encostado na porta e observando tudo.
- Antes de qualquer coisa, quero deixar claro que você só está recebendo essas segunda oportunidade de ser ouvido, porque seu detector se mentiras não está te acusando de nada. Eu espero que continuemos assim, porque esse é o caminho pra você conseguir o que está pedindo.
- Eu só estou falando a verdade, não vou dar pra trás agora.
- Assim esperamos. - disse Histol.
Courtney olhou bem pra ele e perguntou:
- Há quanto tempo trabalho para os Purificadores?
- Há alguns meses.
- Por que entrou para esse "trabalho"?
- Eu tava quebrado. Patrick ofereceu 100.000 para trabalhar pra ele, e como eu tenho um pouco de experiência com preparo militar, eu aceitei.
- Hm... - Courtney estava anotando tudo no fichário - continua falando, o que exatamente você fez para trair Patrick?
- Eu... conspirava pelas costas dele com alguns outros capangas do g***o para... roubar o Livro de Syamar para nós e logo depois, nos livrarmos de Patrick e de tudo mais que nos quiséssemos, incluindo toda a cidade de Pilgrim.
Histol faz um som com a garganta e Courtney olha pra ele de r**o de olho, em seguida volta a olhar para Evan.
- Onde estão os seus colegas que estavam conspirando com você?
- Todos foram mortos a tiros a mando do Patrick Sandim.
- Por que só você sobreviveu?
- Eu não sei, um capricho do Patrick, talvez.
- Precisamos de mais do que não sei. - disse Histol.
Evan olhou pra ele, então detalhou a situação:
- Eu tentei apunhalar ele com uma faca, ele segurou meu braço e usando aqueles poderes malucos, ele deu um jeito de torcer meu braço todo em um movimento bem simples. Depois de me forçar a assistir meus colegas serem mortos, ele me deixou ir. Ninguém veio atrás de mim, eu fugi pra casa e fiz essa tala muito m*l improvisada no meu braço, eu acho que quebrou alguns ossos, eu não consigo mexer meu braço sem sentir dor.
- Por que Patrick não usou os poderes para m***r seus amigos? Por que apenas você foi privilegiado? - perguntou o delegado Histol.
- Eu não sei, eu já disse, entender como aquele cara age é uma coisa além da minha capacidade mental.
Histol revirou os olhos. Courtney então lê seu fichário e pergunta:
- O Patrick tem alguma forma secreta de agir? Digamos que, tem algum fundamento pra forma como ele assassina as pessoas?
- Tá perguntando o porquê o maluco é maluco? Vai saber.
- Ele não é louco. As ações dele tem um padrão, um padrão muito estranho que nós ainda não conseguimos entender.
- Se vocês não conseguiram entender, então ninguém mais vai conseguir.
Histol se irrita e vai até Evan dando um t**a na mesa e o assusta, dizendo:
- Escuta aqui, essa mulher na sua frente tá bancando o policial bom, mas eu posso bancar o policial mau se você for continuar dando essas repostas irônicas!
Evan se assusta e Courtney diz:
- Acabamos por aqui.
Histol olha pra ela e diz:
- Isso só acaba quando eu disser que acabou. Eu sou o delegado aqui, detetive Lee. Se o Patrick Sandim acha graça em mandar um de seus lacaios pra cá, então eu vou mostrar pra ele que...
- Caramba, como vocês gostam de falar o meu nome...
A voz veio de um canto escuro da sala, e assim que eles ouviram, Histol e Courtney sacam suas pistolas e se levantaram mirando lá.
- Isso não vai acabar bem pra vocês, então só guardem essas armas e vamos pular a parte chata.
Patrick saiu do meio das sombras com as mãos para cima e um sorriso psicopata no rosto. Evan começou a gemer de medo e tenta se soltar das algemas. Patrick olha pra ele e sorri, dizendo:
Oh! Parece que vocês pegaram meu ratinho assustado.
Evan se agarrou a Histol e implorou:
NÃO DEIXA ELE ME PEGAR, POR FAVOR!
Como entrou aqui? - perguntou Histol para Patrick.
Oh… p***e delegado. Será que é tão inocente ou será que é tão burro? Eu não consigo decidir.
Courtney ficou chocada ao ver a aparência dele, os cabelos brancos e escorridos e toda aquela magreza davam um aspecto de louco para Patrick.
- Patrick... o que aconteceu com você? - disse Courtney.
- Que bom que lembra de mim, parceira.
Histol disparou contra ele, e a bala simplesmente parou flutuando em frente a testa de Patrick, e ela caiu no chão toda amassada.
- Dessa vez eu vim fazer uma trégua. - disse Patrick.
- Não fazemos trégua com bandidos. - respondeu Histol.
E quanto a esse cara aí atrás de você?
Evan gemeu de medo outra vez.
A propósito, falando em você, Evan…
Patrick olhou pra ele e soprou, então do nada o pescoço de Evan quebrou com força e ele bateu de cabeça na mesa, caindo mole em cima da mesa. Isso fez Histol arregala os olhos, principalmente quando o sangue começou a vazar da boca dele e escorrer pela mesa.
NÃO! - gritou Courtney vendo aquela cena.
Em seguida ela começou a disparar contra Patrick, mas as balas caíam direto no chão quando se aproximavam dele.
Então Courtney joga a p*****a nele, e Patrick agarra a a**a no ar e a amassa com uma mão só. Courtney parte pra cima dele, completamente enfurecida.
Patrick revirou os olhos e fez um sinal com a mão, então Courtney e Histol começaram a flutuar, e caíram sentados em duas cadeiras no escritório de Courtney, depois tiveram suas mãos e pés amarrados por cabos de eletricidade que foram arrancados das paredes. Sem entender como eles tinham ido parar da sala de interrogatório para o escritório de Courtney, eles começaram a olhar em volta assustados.
Em seguida, dois lápis bem apontados voaram de um estojo na mesa de Courtney e pararam em frente às testas do delegado e da detetive.
O vilão sorriu, e olhou para o quadro que Courtney estava montando, com uma foto dele no centro de vários papéis com informações.
- Eu tô péssimo nessa foto, isso foi muito rude da sua parte, Courtney. Podia ter pego um ângulo melhor.
Ele pegou mais um papel em cima da mesa e escreveu alguma coisa nele com uma caneta, e então ele colocou aquele papel embaixo da foto dele e prendeu com um alfinete, nele estava escrito:
"Patrick, o Ensurdecedor"
Courtney olhou para aquilo bem atenta.
- Bom, vamos começar.
Patrick fez outro sinal com a mão e os dois se viraram para a mesa de Courtney, e o vilão se sentou nela, cruzando as pernas com classe.
- Conforme eu disse, vim fazer uma trégua. Não quero mais que a polícia se envolva nesse caso, do contrário, serei obrigado a m***r todos vocês.
- Pensei que você fosse um anarquista. - comentou Histol.
- Eu sou, mas não sou um completo monstro. Acho que ainda tenho consideração pela minha antiga parceira que infelizmente se envolveu nessa história. - ele olhou sorrindo para Courtney.
- Por que está fazendo tudo isso? - ela perguntou.
- Poder absoluto. A muitos anos atrás, um livro que pertenceu a um homem chamado Syamar, foi escondido aqui em Pilgrim, esse livro basicamente concede poder absoluto a quem consegue ler o que está escrito nele.
- Você está se envolvendo com misticismo agora? Pare com isso, Patrick, tudo isso não passa de um mito.
- É aí que você se engana, minha cara.
Ele desceu da mesa e ficou parado em pé na frente deles.
- Tive o privilégio de conhecer a verdade, pude ver o quanto esse universo é grande, quantas possibilidades existem nele. Coisas como a morte se tornam irrelevantes quando se tem esse tipo de conhecimento.
- Você está louco! - disse Histol.
Patrick fez um sinal com a mão, e o lápis desceu da testa de Histol para o pescoço, e ele foi avisado:
- Se quiser falar, precisa levantar a mão, delegado. Isso vale pra você também, Court.
Histol começou a suar, enquanto Courtney olhava pra ele muito séria.
- Espero que entendam que eu preciso desse livro, preciso dele pra trazer de volta algo que as pessoas desse lugar me tiraram.
- Seus pais? - perguntou Courtney.
O lápis se aproximou mais da garganta dela.
- Você não levantou a mão.
- Vai mesmo apelar pra isso? Eu sei a sua história, Patrick, sei o quão trágico foi quando você perdeu seus pais.
Patrick começou a rir descontroladamente, enquanto isso, Histol tentou pressionar um botão de alerta que ficava no relógio dele.
- Acha que tudo isso só se trata de uma coisa que aconteceu a sei lá quantos anos atrás, Court? Não. Isso é maior do que sua cabeça pequena pode entender, eu vou me tornar absoluto, insuperável. Vou tornar o mundo um lugar novo, um lugar melhor.
- Matando inocentes? Você realmente ficou completamente louco.
- Eu também pensei nisso. Acredite, eu pensei em muitas coisas, e nenhuma delas é verdade.
Histol consegue alcançar o relógio e pressiona, disparando o alarme na sala, mas pra surpresa dele, Patrick não ficou nem um pouco preocupado.
- Ah, delegado... que idéia i****a.
Patrick pegou a p*****a na cintura dele e começou a disparar nas lâmpadas da sala, assustando Histol e Courtney.
Para surpresa deles, nenhum policial apareceu pra ajudar, pelo contrário, todos que eles viam passando pelo lado de fora, nas janelas, pareciam despreocupados e fazendo suas tarefas normalmente.
- Desculpe desapontá-lo, delegado. Você esperava que essa sala estivesse cheia de policiais armados até os dentes agora, não é?
Patrick apontou a p*****a na cara de Histol, e o delegado fechou os olhos, tremendo muito.
- Não mije nas calças, delegado.
Ele apontou a a**a na cara de Histol, e Courtney tentou dizer:
- E-Ei! Patrick!
Sem pensar duas vezes, Patrick puxou o gatilho, mas a a**a já estava descarregada.
- Brincadeirinha.
Histol e Courtney ficam em choque, mas em seguida respiram aliviados, Patrick ri até ficar sem ar.
- Vocês tinham que ter visto a cara de vocês! - ele disse.
Eles se entreolham. Patrick se recompõe, e ainda risonho, ele explica:
- Nada entra ou sai dessa sala sem que eu queira, nem pessoas e nem ruídos.
Courtney olha para ele indignada.
- Vocês ouviram o que eu tenho a dizer, fiquem longe disso, estou oferecendo uma trégua em respeito aos velhos tempos, Courtney. Se vocês decidirem meter o nariz de vocês nisso mais uma vez, eu vou fazer questão de m***r cada policial que aparecer na cena.
Patrick fez um sinal com a mão, e os cabos de energia soltaram eles, depois ele ajeitou seu terno e foi andando em direção ao canto escuro que ele tinha saído.
- Sayōnara, Courtney. - ele disse e depois desapareceu nas sombras.
Histol cai no chão, e Courtney vai imediatamente acudir dele, quando percebe que o delegado tinha mijado nas calças.
O som do alarme chamou a atenção dos policiais, que entraram no escritório armados e alertas, mas só encontraram o delegado e a detetive no chão.
- O que aconteceu aqui? - perguntou um oficial.
Courtney olha pra ele preocupada.