Consequências

2657 Words
O caos se instaurou em Pilgrim, as pessoas acordaram no meio da madrugada com o barulho estrondoso da explosão, e as que moram nas redondezas da colina tiveram suas casas praticamente soterradas pela tempestade de areia que estava caindo sobre a cidade. Histol e Courtney tinham acabado de chegar à delegacia, e imediatamente o delegado liberou tropas pela cidade para tentar controlar a situação. O corpo de bombeiros também foi acionado, todos indo prestar socorro aos afetados pela explosão. Ethan e Evelline chegam na casa dele, se refugiando da tempestade de areia. Evelline sentou em um canto da parede em choque, então Sherry apareceu na sala muito assustada. - Ethan, onde você estava?! - Eu fui... Ela olhou pro lado e viu Evelline chorando no canto. - Ah meu Deus, você está bem? Está ferida? - Sherry tentou acudir Evelline. - Deixa comigo, mãe. Ethan foi até Evelline e a abraçou, ela chorava tanto que nem conseguia falar. Imediatamente Sherry ligou a TV e o noticiário de emergência mostrava imagens da destruição na área da colina. - Aquela não era a grande biblioteca municipal? - disse Sherry. Ethan entendeu tudo na hora. - Eu sinto muito, Evelline. Sherry e Ethan se entreolham enquanto vêem o noticiário. Enquanto isso, na delegacia estava uma correria só, os policiais não estavam dando conta de tantos telefonemas. Courtney tentava se manter focada e escrevia em um quadro todas as informações que tinha sobre Patrick. Histol chega na sala em que ela está e se senta um pouco, respirando ofegante. - Que bagunça! - ele disse. - Já sabemos quem foi? - Não é meio óbvio? - Ele nunca fez nada dessa magnitude. - Bom, tudo tem uma primeira vez. Histol olhou bem pro quadro que ela estava escrevendo, tinha muitas palavras aleatórias como "Químico", "Assassinatos", "Só ele?" e "SCSP". - O'Que é SCSP? - Uma sigla simples para Seres Com Super Poderes. - Você não tá acreditando que aquele maníaco tem algum tipo de super poder, não é? - Eu conheço Patrick Sandim, ele foi meu parceiro de perícia no FBI. - revelou ela. - Devia ter me dito isso antes. - Tô dizendo agora, Patrick sempre foi um homem assustadoramente inteligente, o conhecimento dele em química é inigualável, ele sabe criar venenos e antídotos para tudo, como se não fosse nada. Ele também sempre foi do tipo espalhafatoso, mas nunca teve intenções assassinas, pelo contrário, ele sempre foi alguém altruísta. - É, mas ele está matando pessoas agora e colocando o terror na cidade. - Tem que ter um motivo plausível. Ele destruiu um banco e não levou nada, bilhões de dólares à disposição nas mãos dele. - Para todos os efeitos, ele é um anarquista. - Me dê mais alguns dias, vou descobrir exatamente o que ele quer. Uma hora depois, Evelline conseguiu dormir um pouco no sofá com o calmante que Sherry deu a ela, enquanto isso, Ethan assistia ao noticiário, que mostrava a situação das pessoas que foram pegas pela tempestade de poeira que caiu sobre a cidade e também das que moravam nas redondezas da colina, que tinham sido soterradas, mas que já foram resgatadas e passam bem. - Quem é essa mulher, Ethan? - Sherry se sentou em uma poltrona perto dele. - Evelline Piwbrins, uma amiga. - Uma amiga, é? - É. - O que nós já conversamos sobre trazer mulheres desconhecidas aqui pra casa no meio da noite? - Não é o que parece, mãe. - Jura? Porque da última vez que você disse isso, a garota se tornou sua namorada. - Foi só uma coincidência. - E o que vocês dois estavam fazendo na rua a essa hora? - Não é nada do que você tá pensando, mãe. Evelline estava comigo ontem quando eu ganhei os poderes, ficamos sem sono e saímos um pouco, para espairecer. - De novo essa história de poderes? Ninguém acredita nisso! Até quando você vai mentir pra mim com isso?! - Por que eu inventaria isso? - Se você tem poderes, por que não usa eles agora? - Eu não consigo. - Aham. Eu vou descansar um pouco, senhor incrível. Ela se levantou e saiu da sala, irritada. Capítulo 10: O Muralha de Ferro No dia seguinte, a cidade estava se recuperando lentamente de toda aquela situação, as pessoas mais afetadas recebiam apoio das autoridades e dos cidadãos que se sensibilizaram em ajudar. Evelline tinha ido embora logo depois que a tempestade passou, a família dela estava se preparando para o enterro. Ethan passou o dia anterior inteiro vendo o noticiário, sem nem conseguir fechar os olhos e descansar, se sentindo m*l e de certa forma responsável por tudo que tinha acontecido. Ele sai de casa bem cedo e vai até o clube Striker treinar um pouco e espairecer. Assim que chega, ele vai até uma sala cheia de sacos de areia pendurados e enrola umas faixas nas mãos e começa a treinar socos com toda a força. - Cuidado, essas coisas são bem caras. - disse alguém na sala. Ethan olhou em volta procurando, e viu um homem n***o de cabelo baixo e corpo forte, é inconfundível, aquele é o Capitão Thomas Wood Marsh, mais conhecido como Muralha de Ferro. - Capitão? Eu só tava... - Não é comum ver você treinar assim com tanta v*****e, Miles. Chegou primeiro do que todo mundo. - Eu tô sem sono. Ele voltou a socar o saco de areia. - Quem não está? Foi um baita show de horrores que aconteceu antes de ontem. - Alguém devia fazer alguma coisa a respeito disso. - As autoridades estão fazendo o que podem. - Talvez eles não sejam o suficiente. - Se eles não forem suficientes? Quem mais vai ser? Thomas foi ignorado, ele notou que Ethan estava profundamente frustrado com alguma coisa, e então ele segurou o saco de areia, forçando Ethan a parar de socá-lo. - Fiquei sabendo da sua façanha no jogo de beisebol, tá afim de treinar comigo? - Eu? - Tá vendo mais alguém aqui? Vamos, vai ser legal. Thomas subiu em um tatame no meio da sala enquanto enrolava umas faixas em seus punhos, Ethan foi logo atrás, um pouco apreensivo. - Melhor colocar um colete, Miles. - Eu tô legal. - Eu não vou fazer carinho. - Thomas avisou. Ethan bufa, então ele pega um colete vermelho em um banco e veste. Thomas estava sem camisa, só usando short preto e as faixas da mão. - Vou deixar você dar o primeiro golpe. - disse Thomas. Assim ele fez, ele tentou acertar um soco em Thomas, mas o capitão só desviou. - Tenta de novo. Ele tentou mais uma vez, e de novo o capitão desviou. - De novo. Outra tentativa, e outro soco desviado. - Achei que fôssemos treinar. - resmungou Ethan. - Assim que você conseguir me acertar. Ethan tentou mais uma vez, só que dessa vez o Capitão Thomas segurou o punho dele e acertou uma joelhada na barriga dele com força, o que fez Ethan cair de joelhos no chão e tossindo. - Eu falei que não ia fazer carinho. Ele deu a mão para ajudar Ethan a se levantar, mas levou um t**a na mão e Ethan se levantou tentando acertar um soco nele, porém mais uma vez o Muralha de Ferro desviou e ele passou direto, quase caindo no chão. - Relaxa, Miles. Agir com a emoção não faz muito seu estilo. - Qual é a sua, Thomas?! - Ethan falou com raiva. - Fiquei curioso a seu respeito, até semana passada você era alguém que as pessoas costumavam ignorar e subestimar, agora você tá na boca do povo. - Eu não quero seu cargo, não se preocupe. Thomas riu e começou a andar pelo tatame em volta de Ethan. - Você sofreu um acidente trágico na última semana que te deixou entre a vida e a morte, mesmo tendo uma saúde e uma condição física complicada, você se recuperou mais rápido do que uma pessoa com boa saúde conseguiria. - Por que acha que sabe alguma coisa sobre mim? Você nem sabia que eu existia. - Isso é mentira, um capitão sempre deve conhecer seu time, até o garoto da água. Além do mais, um cara que soca um saco de areia sem motivo algum, claramente está frustrado. Ethan ficou olhando pra ele com desdém. - Seja lá o que esteja te incomodando, ficar socando um saco de areia não vai te ajudar. - Eu já disse, você não sabe nada sobre mim, então não aja como se soubesse. Ethan desce do tatame, desenrolando as faixas da mão. - Me derrube daqui, então. - disse Thomas. Ele parou e olhou pro capitão. - Solte essa raiva, mostre que você é bom, me derrube do tatame. Se eu encostar no chão, você vence. Ele enrolou as faixas de volta na mão e subiu no tatame. - Ataque do jeito que quiser. - disse Thomas. Ethan partiu pra cima dele mirando um soco na cara de Thomas, e ele se defendeu colocando os braços na frente do rosto, mas ele foi enganado, e Ethan acertou um soco com a esquerda nas costelas dele, mas aquilo não fez nem cócegas. - Sei que você consegue fazer melhor do que isso. Ethan levou uma cotovelada na cara e caiu no chão com a boca sangrando. O capitão segura ele pelo colete e vai arrastando até a beira do tatame pra jogá-lo pra fora, mas Ethan reage prendendo os pés no tatame e usando as mãos, ele se solta com muito esforço. - Qual é o problema, garoto da água? Ele se levanta e cospe o sangue no chão e Thomas dá um sorriso debochado. Tomando uma postura diferente, Ethan ergue os punhos até a altura do rosto e dispara pra cima do Muralha de Ferro, ele tenta a primeira investida com um soco no nariz de Thomas, então como era previsto, o Muralha de Ferro armou a guarda pra se defender, mas ele foi enganado de novo, e Ethan se abaixou e agarrou ele pela cintura, empurrando Thomas pra trás com toda a força. Os pés de Thomas iam deslizando pelo tatame até chegar na borda, e ele afunda os pés no tatame com força, parando na hora. Ethan solta e dá um chute no peito de Thomas, mas o capitão segura o pé dele, e empurra o outro, derrubando Ethan no chão. - Já chega disso, Miles. Ethan levantou irritado e tentou acertar outro soco, mas Thomas deu um soco com força na cara dele e ele caiu no chão de novo. - Você não ouviu? Eu disse que já chega. Mais uma vez ele se levantou e tentou acertar um soco em Thomas, então o Muralha de Ferro se encheu disso e segurou o punho dele, e deslocou o pulso dele, fazendo Ethan cair de joelhos, gemendo de dor. - Não haja por impulso, Ethan. Vai por mim, essa é uma péssima idéia. Thomas coloca o pulso de Ethan de volta no lugar, e ele respira aliviado. - Você é um bom homem, Ethan. O que você fez pra salvar a Mary foi uma atitude digna de alguém que tem uma excelente índole. Sou muito grato por você ter salvo a vida dela, você não tem ideia do quanto. Mas eu preciso te aconselhar, não faça nada por impulso, você é muito inteligente, forte e corajoso, mas nada disso adianta se o seu coração te guia, e não o seu cérebro. Ethan se levantou bufando e suando bastante, ele olha bem pro capitão e com muita raiva ele diz: - Eu já disse, você não sabe absolutamente nada sobre mim, então não venha me dar sermão porque nem você, nem ninguém do time ligam realmente pra mim. - É isso que você pensa? - Thomas riu. Ele desceu do tatame, foi até um armário e pegou uma ficha, então ele voltou e jogou ela nos pés de Ethan. - Ethan Stevens Miles, 25 anos, filho de Henry Gregory Stevens e Sherry Conrad Miles. Perdeu o pai aos cinco anos, asmático, tolerante à lactose, diagnosticado com depressão aos 8 anos de idade, toma remédios controlados, tem imunidade baixa e uma tremenda força de v*****e pra se pôr em situações de perigo pelos outros. Ethan olhou a ficha com a assinatura dele. - Você acha que a vistoria pra entrar no clube é puro charme? Eu exerço a mentoria aqui, se um de vocês não está bem, isso é problema meu também. Ele fica sem dizer nada, olhando a ficha no chão, depois olha pro capitão. - Só tem uma coisa que eu não entendi, como foi que você se recuperou de repente depois daquele tiro? - Você não acreditaria se eu te dissesse. - Tente. Ele respira fundo e conta: - Eu ganhei super poderes. - Tem razão, eu não acredito. Ethan revira os olhos. - Se você não quer me contar, tudo bem, é direito seu. Agora faça um favor pra você mesmo e pra todos nós, e não faça nenhuma imprudência. Saiba o momento certo de agir, e não faça as coisas só por emoção. - Mas eu tenho o poder pra impedir isso, se eu tivesse agido antes, talvez todas aquelas pessoas não teriam morrido! - Seria muito bom se super heróis existissem, mas essa não é a realidade infelizmente. A revolta, quando é bem aplicada, se torna uma força imparável. Sabia o momento de usar isso, só assim as pessoas realmente vão ser salvas, se isso for o que você quer. Ele segura Ethan pelos ombros e diz: - Nós não podemos controlar tudo, e se nós não aceitarmos isso, na próxima você não consegue nem seguir em frente, ou talvez nem tenha próxima. Ethan se acalma, e Thomas muda o semblante, dizendo: - Eu sei como é a sensação de estar de mãos atadas, ver o mundo desmoronando e não poder fazer nada. Mas acredite em mim, dê valor a o que você já tem, senão no fim, nem isso você terá mais. Ethan tira as faixas de sua mão, e Thomas arranja uma sacola de gelo para ele. Antes dos treinos começarem, Ethan foi embora do clube com a sacola de gelo no pulso, ele vai andando pela rua, até que encontra Evelline. - Evelline? Que bom te ver. Como você está? - Vou ficar bem. Vim direto do enterro e passei pela sua casa, mas sua mãe disse que você estaria aqui. Ela olhou pra mão dele com a bolsa de gelo. - O que foi isso? - Mentoria. - Vocês não brincam em serviço. - Heh... não mesmo. - Falando em serviço... Ela pegou um panfleto no bolso e mostrou pra ele, era um anúncio de um mega evento que os cidadãos de Pilgrim estavam organizando para ajudar as famílias afetadas na explosão da colina. - Muita gente precisa de ajuda nesse momento, a maioria perdeu tudo que tinha por conta da explosão, os cidadãos se juntaram e vão organizar uma enorme doação aos necessitados. - Uau, que ótimo. - Nós podíamos ajudar. - Eu não sei bem como posso ajudar. - ele falou com um sorriso sem graça. - Você e eu podemos trabalhar na organização, Jarbas e os outros vão estar trabalhando também, o ponto central vai ser a igreja. - Isso não é arriscado? - Arriscado? - Tem um bando de malucos colocando terror por aí, um evento assim seria um prato cheio pra eles. - A polícia autorizou, fora que, eles acabaram de fazer um ataque, com certeza eles não vão estar planejando atacar agora. Ethan fica pensativo. - O evento é daqui alguns dias, e eu... gostaria muito que você estivesse lá. - ela disse olhando nos olhos dele. - Eu? - É, eu gosto da sua companhia. Fora que eu sei que você quer fazer isso tanto quanto qualquer um. Um pouco relutante, Ethan acaba aceitando.
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