A mensagem da Clara ainda brilhava na tela do celular quando eu decidi ir. Não pensei demais, não pesei prós e contras. Só fui. Peguei as chaves do carro e saí. O ar da noite estava frio, a cidade parecia mais silenciosa do que o normal. As luzes dos postes se alongavam no asfalto molhado, refletindo como espelhos tortos — e eu, no meio disso, tentando entender o que diabos tava fazendo. No fundo, eu sabia. Tava indo atrás de algo que nunca deixei de sentir, só aprendi a esconder. O portão da casa da Clara estava entreaberto. As luzes da varanda acesas, e a janela da sala iluminava o jardim com um tom amarelado e quente. Ela me esperava na porta, com um suéter cinza e o cabelo solto, meio bagunçado, como se tivesse passado a mão várias vezes tentando domar o nervosismo. — Você vei

