Na quinta-feira, o dia amanheceu pesado. Não por causa do tempo, mas por causa da minha cabeça. Desde que a Clara apareceu na loja, o tempo parecia andar diferente — os minutos demoravam, os pensamentos corriam, e eu, no meio disso, me sentia cada vez mais perdido. Passei a manhã toda distraído, errando coisa boba, esquecendo café na máquina, trocando nomes de clientes. Até que, no meio da tarde, o celular vibrou. “Clara”. Parei de respirar por um instante. Atendi. — Oi, Beto. — a voz dela soou calma, mas trêmula. — Você pensou no jantar? Fechei os olhos. Respirei. Aquela pergunta simples carregava mais coisa do que parecia. — Pensei, sim. — E...? — Eu aceito. — saiu sem eu planejar. Do outro lado, silêncio. Depois, um suspiro leve. — As crianças vão ficar felizes. Desliga

