Capítulo 3:
A Senhora dos Vinhos e a Promessa de um Novo Caminho
Miguel se levantou e começou a se vestir, enquanto observava Laura ainda deitada, com um brilho nos olhos. Ele abotoou a camisa lentamente e então perguntou:
— Laura, você aceita aprender a minha profissão?
Ela sorriu de imediato, sentindo um calor gostoso percorrer seu peito.
— Miguel, seria maravilhoso!
— Mas você teria que abrir mão...
— Eu sei, amor. Ser veterinária é incrível, mas ganhei uma nova paixão.
Miguel arqueou a sobrancelha, divertido.
— E... se por um acaso a Senhora dos Vinhos desejar o Senhor dos Vinhos lá no meio do processo?
Laura mordeu o lábio inferior, provocando-o.
— Estou tendo que me controlar, minha menina. Eu ainda não posso entrar em você, então não me castigue muito.
— Não gostou dessa forma? — ela questionou, os olhos brilhando com malícia.
— É gostoso demais, mas não se compara a estar dentro de você, a sentir seu prazer por completo.
Laura suspirou, concordando.
— É verdade. É delicioso um orgasmo na sua boca, mas depois que você entra em mim... é perfeito!
Miguel se inclinou e a beijou profundamente, saboreando o gosto dela, explorando com calma, mas com fome. Quando se afastou, seus olhos estavam iluminados por uma expectativa animada.
— Que dia você quer ir? — ele perguntou.
— Que tal sábado? — Laura respondeu, cochichando.
Miguel franziu a testa, curioso.
— Por que sábado?
Ela sorriu, mordendo de leve a orelha dele antes de sussurrar:
— Betânia vai vir ficar com Dion, e eu posso aprender tudo e ainda...
Ela o puxou mais para perto, murmurando algo no ouvido dele que fez Miguel prender a respiração.
— Posso provar da fonte.
Os olhos de Miguel ficaram sérios de repente, cheios de emoção e desejo.
— Onde você estava todo esse tempo? Me deixou aqui sozinho sem você? — ele perguntou, fingindo um tom de tristeza.
Laura sorriu, deslizando os dedos pelo rosto dele.
— Amadurecendo, para te dar o melhor vinho.
Miguel não resistiu e a beijou com fervor, segurando seu rosto com ambas as mãos e se entregando à intensidade daquele momento.
O choro de Dion soou pelo quarto, trazendo a realidade de volta. Laura sorriu e se ajeitou na cama.
— Nosso pequeno está chamando.
Miguel foi até o berço, pegando Dion nos braços.
— Bom dia, meu príncipe! Vamos tomar café com a vovó Sandra?
Ele saiu do quarto carregando o bebê e foi para a cozinha. Sandra estava terminando de organizar a mesa quando viu Miguel chegar com Dion nos braços.
— Bom dia, vovó Sandra! — Miguel sorriu.
Sandra se aproximou, tocando de leve a mão gordinha de Dion com carinho.
— Oi, meu menino!
Ela beijou a pequena mão de Dion e sorriu para Miguel.
— Que mistura linda deu essa união de vocês!
Então, virou-se para Laura, curiosa.
— Me responde uma coisa, Laura...
Laura, que acabava de entrar na cozinha, arqueou a sobrancelha.
— Você não é n***a, mas tem uma cor bronzeada pelo sol do Brasil. Essa sua pele... de onde vem?
Laura sorriu, entendendo a curiosidade de Sandra.
— Meu pai era n***o e minha mãe, índia.
Sandra assentiu devagar, surpresa.
— Era? Você nunca me contou sobre seus pais.
Laura respirou fundo antes de responder:
— Eles faleceram em um acidente de carro. Eu tinha 20 anos. Conheci Gabriel no velório dos meus pais. Ele estava lá para o funeral de um amigo. Namoramos por três anos, depois ficamos noivos e logo fui morar com ele no Rio.
Sandra olhou para ela com carinho.
— Entendi. Uma mistura linda a união dos seus pais. Agora sei de onde vem essa cor tão bonita.
Ela olhou para Dion e sorriu.
— Dion não vai ter a cor de Miguel, mas herdou os olhos verdes.
Laura riu.
— Se ele gostar de sol, pode acabar ficando da minha cor!
Todos riram juntos. Miguel entregou Dion para Laura e se despediu com um beijo carinhoso.
— Vou me preparar para ir para a empresa.
Laura sorriu e seguiu para o quarto, onde sentou-se confortavelmente na poltrona e começou a amamentar Dion, sentindo-se completa e feliz.
Era sábado, oito da manhã, e o som da campainha ecoou pela casa. Laura ainda estava de camisola quando abriu a porta e encontrou Betânia e Anderson sorrindo.
— Bom dia, dorminhoca! — Betânia entrou animada, já se dirigindo para o quarto de Dion. Anderson a seguiu mais tranquilo, cumprimentando Laura com um aceno.
— O que vocês estão fazendo aqui tão cedo? — Laura perguntou, desconfiada.
— Viemos buscar o Dion — Betânia respondeu simplesmente, abrindo o guarda-roupa do bebê e começando a pegar algumas roupinhas.
— Buscar o Dion? — Laura arqueou as sobrancelhas. — Você nunca me falou nada sobre isso.
— Porque se eu falasse, você ia dizer não. — Betânia olhou para ela com um sorriso travesso. — Vou levá-lo para passar o dia com minha mãe.
— Betânia, ele ainda é muito pequeno para viajar! — Laura cruzou os braços, sentindo um aperto no peito.
— Laura, já faz 20 dias! Ele está ótimo, eu vou cuidar dele direitinho, prometo. Minha mãe está ansiosa para conhecê-lo.
Laura suspirou, relutante. Tinha combinado com Miguel de visitar a vinícola naquele dia, mas a ideia de Dion longe dela a deixava inquieta. Ainda assim, sabia que Betânia era de confiança e que sua sogra seria carinhosa com o bebê.
— Tudo bem… Mas liga assim que chegar, e se precisar de qualquer coisa, me avisa.
— Pode deixar, mãezona! — Betânia piscou, pegando a bolsa de Dion.
Minutos depois, elas estavam do lado de fora, e Laura ajudava a amiga a ajeitar a cadeirinha do bebê no carro. Com o coração apertado, deu um último beijo na testa do filho e sorriu ao vê-lo tranquilo.
— Se comporta, meu amor. A mamãe te ama. — Seus olhos marejaram quando se afastou e viu Betânia fechar a porta do carro.
Quando o veículo sumiu na estrada, Laura respirou fundo e seguiu para o quarto. Tomou um banho longo, tentando afastar a ansiedade. O dia seria importante, e ela queria impressionar Miguel. Vestiu um vestido leve e elegante, prendeu os cabelos em um r**o de cavalo e colocou óculos de sol. Estava pronta.
No caminho para a vinícola, dirigiu com certa expectativa. Sabia que aquele lugar significava tudo para Miguel, e agora ela teria a chance de fazer parte disso. Quando chegou, seus olhos se arregalaram diante da beleza do local. As vinhas se estendiam até onde a vista alcançava, em fileiras perfeitamente alinhadas. O aroma de uvas maduras misturava-se ao frescor da manhã. Os grandes barris de carvalho estavam armazenados em uma construção rústica, e trabalhadores caminhavam entre os vinhedos, colhendo os frutos com precisão.
Laura saiu do carro, e imediatamente sentiu os olhares sobre si. Os funcionários interromperam o que estavam fazendo por um instante, admirados com sua presença. Sua pele dourada contrastava com o azul do céu, e seu jeito confiante fazia com que parecesse uma verdadeira dama da vinícola.
Um homem bem vestido se aproximou. Marcos, o secretário de Miguel, a cumprimentou educadamente sem saber quem ela era.
— Bom dia, senhora. Posso ajudá-la? Está aqui para uma reunião?
Laura sorriu, divertida com a confusão.
— Estou aqui para ver Miguel Barny.
Marcos franziu o cenho e assentiu.
— Claro, vou avisá-lo. Qual o seu nome?
— Laura Paixão. — Ela respondeu com naturalidade.
Marcos se afastou apressado, sem perceber a tensão em seu próprio rosto. Chegou até Miguel, que estava supervisionando a fermentação dos vinhos.
— Senhor Barny, uma senhora chamada Laura Paixão está aqui para vê-lo. Parece ser uma empresária ou uma cliente importante.
Miguel parou abruptamente e seu coração disparou. Um sorriso abriu-se lentamente em seus lábios.
— Marcos, essa é a Senhora Barny. Minha esposa e futura CEO dessa empresa.
O secretário ficou visivelmente surpreso, mas disfarçou bem.
— Claro, senhor. Vou trazê-la até aqui.
Quando Laura apareceu, Miguel a observou com admiração. O vestido delineava seu corpo com elegância, e seu sorriso iluminava o ambiente. Assim que seus olhos se encontraram, Miguel se aproximou e segurou suas mãos com carinho.
— Está pronta para conhecer o nosso mundo?
— Mais do que nunca. — Laura respondeu com um brilho nos olhos.
Miguel a levou pelos corredores da vinícola, apresentando cada setor. Mostrou como as uvas eram colhidas no ponto exato de maturação, como passavam pelo processo de prensagem e fermentação. Laura ficou encantada ao ver os barris de carvalho onde os vinhos envelheciam, absorvendo aromas e sabores únicos. O cheiro da madeira misturado ao vinho a envolvia como um abraço quente.
Os funcionários a cumprimentavam com respeito, e Miguel fazia questão de apresentá-la a cada um deles. Ele estava radiante, e Laura sentia-se cada vez mais parte daquele mundo.
— Aqui é onde a mágica acontece — Miguel disse, conduzindo-a para uma sala de degustação. — O vinho é mais do que uma bebida. Ele carrega histórias, sentimentos, paixão.
Laura pegou uma taça e girou o líquido dentro dela, observando a cor intensa.
— Parece com a nossa história. Um processo longo, cheio de detalhes, mas no final, o resultado é extraordinário.
Miguel sorriu e se inclinou para beijá-la.
— Exatamente, minha Senhora dos Vinhos.