Ainda me Perco Nela.

1555 Words
Capítulo 3: A Senhora dos Vinhos e a Promessa de um Novo Caminho Miguel se levantou e começou a se vestir, enquanto observava Laura ainda deitada, com um brilho nos olhos. Ele abotoou a camisa lentamente e então perguntou: — Laura, você aceita aprender a minha profissão? Ela sorriu de imediato, sentindo um calor gostoso percorrer seu peito. — Miguel, seria maravilhoso! — Mas você teria que abrir mão... — Eu sei, amor. Ser veterinária é incrível, mas ganhei uma nova paixão. Miguel arqueou a sobrancelha, divertido. — E... se por um acaso a Senhora dos Vinhos desejar o Senhor dos Vinhos lá no meio do processo? Laura mordeu o lábio inferior, provocando-o. — Estou tendo que me controlar, minha menina. Eu ainda não posso entrar em você, então não me castigue muito. — Não gostou dessa forma? — ela questionou, os olhos brilhando com malícia. — É gostoso demais, mas não se compara a estar dentro de você, a sentir seu prazer por completo. Laura suspirou, concordando. — É verdade. É delicioso um orgasmo na sua boca, mas depois que você entra em mim... é perfeito! Miguel se inclinou e a beijou profundamente, saboreando o gosto dela, explorando com calma, mas com fome. Quando se afastou, seus olhos estavam iluminados por uma expectativa animada. — Que dia você quer ir? — ele perguntou. — Que tal sábado? — Laura respondeu, cochichando. Miguel franziu a testa, curioso. — Por que sábado? Ela sorriu, mordendo de leve a orelha dele antes de sussurrar: — Betânia vai vir ficar com Dion, e eu posso aprender tudo e ainda... Ela o puxou mais para perto, murmurando algo no ouvido dele que fez Miguel prender a respiração. — Posso provar da fonte. Os olhos de Miguel ficaram sérios de repente, cheios de emoção e desejo. — Onde você estava todo esse tempo? Me deixou aqui sozinho sem você? — ele perguntou, fingindo um tom de tristeza. Laura sorriu, deslizando os dedos pelo rosto dele. — Amadurecendo, para te dar o melhor vinho. Miguel não resistiu e a beijou com fervor, segurando seu rosto com ambas as mãos e se entregando à intensidade daquele momento. O choro de Dion soou pelo quarto, trazendo a realidade de volta. Laura sorriu e se ajeitou na cama. — Nosso pequeno está chamando. Miguel foi até o berço, pegando Dion nos braços. — Bom dia, meu príncipe! Vamos tomar café com a vovó Sandra? Ele saiu do quarto carregando o bebê e foi para a cozinha. Sandra estava terminando de organizar a mesa quando viu Miguel chegar com Dion nos braços. — Bom dia, vovó Sandra! — Miguel sorriu. Sandra se aproximou, tocando de leve a mão gordinha de Dion com carinho. — Oi, meu menino! Ela beijou a pequena mão de Dion e sorriu para Miguel. — Que mistura linda deu essa união de vocês! Então, virou-se para Laura, curiosa. — Me responde uma coisa, Laura... Laura, que acabava de entrar na cozinha, arqueou a sobrancelha. — Você não é n***a, mas tem uma cor bronzeada pelo sol do Brasil. Essa sua pele... de onde vem? Laura sorriu, entendendo a curiosidade de Sandra. — Meu pai era n***o e minha mãe, índia. Sandra assentiu devagar, surpresa. — Era? Você nunca me contou sobre seus pais. Laura respirou fundo antes de responder: — Eles faleceram em um acidente de carro. Eu tinha 20 anos. Conheci Gabriel no velório dos meus pais. Ele estava lá para o funeral de um amigo. Namoramos por três anos, depois ficamos noivos e logo fui morar com ele no Rio. Sandra olhou para ela com carinho. — Entendi. Uma mistura linda a união dos seus pais. Agora sei de onde vem essa cor tão bonita. Ela olhou para Dion e sorriu. — Dion não vai ter a cor de Miguel, mas herdou os olhos verdes. Laura riu. — Se ele gostar de sol, pode acabar ficando da minha cor! Todos riram juntos. Miguel entregou Dion para Laura e se despediu com um beijo carinhoso. — Vou me preparar para ir para a empresa. Laura sorriu e seguiu para o quarto, onde sentou-se confortavelmente na poltrona e começou a amamentar Dion, sentindo-se completa e feliz. Era sábado, oito da manhã, e o som da campainha ecoou pela casa. Laura ainda estava de camisola quando abriu a porta e encontrou Betânia e Anderson sorrindo. — Bom dia, dorminhoca! — Betânia entrou animada, já se dirigindo para o quarto de Dion. Anderson a seguiu mais tranquilo, cumprimentando Laura com um aceno. — O que vocês estão fazendo aqui tão cedo? — Laura perguntou, desconfiada. — Viemos buscar o Dion — Betânia respondeu simplesmente, abrindo o guarda-roupa do bebê e começando a pegar algumas roupinhas. — Buscar o Dion? — Laura arqueou as sobrancelhas. — Você nunca me falou nada sobre isso. — Porque se eu falasse, você ia dizer não. — Betânia olhou para ela com um sorriso travesso. — Vou levá-lo para passar o dia com minha mãe. — Betânia, ele ainda é muito pequeno para viajar! — Laura cruzou os braços, sentindo um aperto no peito. — Laura, já faz 20 dias! Ele está ótimo, eu vou cuidar dele direitinho, prometo. Minha mãe está ansiosa para conhecê-lo. Laura suspirou, relutante. Tinha combinado com Miguel de visitar a vinícola naquele dia, mas a ideia de Dion longe dela a deixava inquieta. Ainda assim, sabia que Betânia era de confiança e que sua sogra seria carinhosa com o bebê. — Tudo bem… Mas liga assim que chegar, e se precisar de qualquer coisa, me avisa. — Pode deixar, mãezona! — Betânia piscou, pegando a bolsa de Dion. Minutos depois, elas estavam do lado de fora, e Laura ajudava a amiga a ajeitar a cadeirinha do bebê no carro. Com o coração apertado, deu um último beijo na testa do filho e sorriu ao vê-lo tranquilo. — Se comporta, meu amor. A mamãe te ama. — Seus olhos marejaram quando se afastou e viu Betânia fechar a porta do carro. Quando o veículo sumiu na estrada, Laura respirou fundo e seguiu para o quarto. Tomou um banho longo, tentando afastar a ansiedade. O dia seria importante, e ela queria impressionar Miguel. Vestiu um vestido leve e elegante, prendeu os cabelos em um r**o de cavalo e colocou óculos de sol. Estava pronta. No caminho para a vinícola, dirigiu com certa expectativa. Sabia que aquele lugar significava tudo para Miguel, e agora ela teria a chance de fazer parte disso. Quando chegou, seus olhos se arregalaram diante da beleza do local. As vinhas se estendiam até onde a vista alcançava, em fileiras perfeitamente alinhadas. O aroma de uvas maduras misturava-se ao frescor da manhã. Os grandes barris de carvalho estavam armazenados em uma construção rústica, e trabalhadores caminhavam entre os vinhedos, colhendo os frutos com precisão. Laura saiu do carro, e imediatamente sentiu os olhares sobre si. Os funcionários interromperam o que estavam fazendo por um instante, admirados com sua presença. Sua pele dourada contrastava com o azul do céu, e seu jeito confiante fazia com que parecesse uma verdadeira dama da vinícola. Um homem bem vestido se aproximou. Marcos, o secretário de Miguel, a cumprimentou educadamente sem saber quem ela era. — Bom dia, senhora. Posso ajudá-la? Está aqui para uma reunião? Laura sorriu, divertida com a confusão. — Estou aqui para ver Miguel Barny. Marcos franziu o cenho e assentiu. — Claro, vou avisá-lo. Qual o seu nome? — Laura Paixão. — Ela respondeu com naturalidade. Marcos se afastou apressado, sem perceber a tensão em seu próprio rosto. Chegou até Miguel, que estava supervisionando a fermentação dos vinhos. — Senhor Barny, uma senhora chamada Laura Paixão está aqui para vê-lo. Parece ser uma empresária ou uma cliente importante. Miguel parou abruptamente e seu coração disparou. Um sorriso abriu-se lentamente em seus lábios. — Marcos, essa é a Senhora Barny. Minha esposa e futura CEO dessa empresa. O secretário ficou visivelmente surpreso, mas disfarçou bem. — Claro, senhor. Vou trazê-la até aqui. Quando Laura apareceu, Miguel a observou com admiração. O vestido delineava seu corpo com elegância, e seu sorriso iluminava o ambiente. Assim que seus olhos se encontraram, Miguel se aproximou e segurou suas mãos com carinho. — Está pronta para conhecer o nosso mundo? — Mais do que nunca. — Laura respondeu com um brilho nos olhos. Miguel a levou pelos corredores da vinícola, apresentando cada setor. Mostrou como as uvas eram colhidas no ponto exato de maturação, como passavam pelo processo de prensagem e fermentação. Laura ficou encantada ao ver os barris de carvalho onde os vinhos envelheciam, absorvendo aromas e sabores únicos. O cheiro da madeira misturado ao vinho a envolvia como um abraço quente. Os funcionários a cumprimentavam com respeito, e Miguel fazia questão de apresentá-la a cada um deles. Ele estava radiante, e Laura sentia-se cada vez mais parte daquele mundo. — Aqui é onde a mágica acontece — Miguel disse, conduzindo-a para uma sala de degustação. — O vinho é mais do que uma bebida. Ele carrega histórias, sentimentos, paixão. Laura pegou uma taça e girou o líquido dentro dela, observando a cor intensa. — Parece com a nossa história. Um processo longo, cheio de detalhes, mas no final, o resultado é extraordinário. Miguel sorriu e se inclinou para beijá-la. — Exatamente, minha Senhora dos Vinhos.
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