capítulo 27

1192 Words
Já tinham se passado dois dias — dois dias desde que Erick e Marina finalmente pararam de fugir e se permitiram sentir. Agora estavam oficialmente juntos, e aquilo era tão intenso que só podia ser comparado a uma abstinência pela d***a mais viciante que existe: um ao outro. Erick ainda tinha dificuldade em acreditar em tudo aquilo. Às vezes acordava e só de ver Marina dormindo ao seu lado sentia o peito expandir de um jeito que nunca tinha sentido antes. Não havia mais dúvidas, nem medo, nem hesitação. Só uma felicidade profunda e quase selvagem — a certeza de que todos aqueles sentimentos irritantes, absurdos e incrivelmente bons eram recíprocos. E conforme os dias passavam, eles se descobriam mais. Cada conversa, cada toque, cada provocação revelava mais um pedaço do outro. Erick era insaciável — em carinho, em presença, em Marina. E ela não ficava para trás: teimosa, metida, irresistível… mas sua. Tão sua que às vezes ele se pegava sorrindo sozinho, pensando no quanto era fácil para ela domar toda a valentia dele com um único olhar. Os dias agora eram leves. As horas que antes se arrastavam e o deixavam irritado passaram a ser preciosas. Todo minuto ao lado dela era valioso, quase sagrado. Depois de terem passado o dia inteiro juntos — da melhor forma possível — Erick terminava de se arrumar para o jantar daquela noite. Seria a primeira vez que sairiam como um casal de verdade. Até então, só os quartos — o dele e o dela — testemunhavam o amor que os consumia. Erick vestiu uma camisa preta social justa e calça social da mesma cor, criando um contraste marcante com seu tom de pele. Penteou os fios escuros para trás, destacando ainda mais o rosto. Minutos depois, Marina bateu à porta e entrou. Vestido cinza, acima dos joelhos. Costas nuas. Corpo abraçado pelo tecido. Cabelo preso num coque impecável. Maquiagem leve que só realçava o que já era naturalmente lindo. Erick parou. Literalmente parou. — Demorei? — ela perguntou, apoiada na porta, como se não tivesse acabado de virar o mundo dele do avesso. — O suficiente pra me deixar com saudade — ele sussurrou, sorrindo torto enquanto enlaçava sua cintura e tomava seus lábios. Ela riu contra o beijo, afastando-se antes que as roupas realmente fossem parar no chão de novo. — Vamos! — disse, puxando-o pelo braço. Os dois pegaram o elevador, de mãos dadas. Assim que saíram, Erick — sempre cavalheiro — abriu a porta do carro. Marina sorriu, encantada. Como um homem conhecido por ser austero podia ser tão bonito, tão gentil e tão absurdamente afetuoso ao mesmo tempo? A dúvida lhe atravessou o peito junto com outra pergunta silenciosa: Será que eu realmente mereço tudo isso? Ela balançou a cabeça, afastando pensamentos que não mereciam espaço. Eu mereço. Eu mereço esse amor, repetiu para si mesma. Logo chegaram ao restaurante. O atendente os guiou até a mesa reservada. — Esse lugar parece ótimo — comentou Marina. Erick sorriu. — Escolhi a dedo. Tudo pra agradar a minha linda namorada. A palavra namorada sempre a desmontava. Marina corou, sorrindo boba. — Precisava ser tão fino? — perguntou, tentando disfarçar o rubor. O carpete vinho, as luzes baixas, a música instrumental… Era um lugar elegante, sem dúvidas. — Pra você, é inevitável — disse ele, simples e sincero. Jantaram devagar, conversando sobre tudo e nada. Marina mencionou o date em casal que Nicole estava organizando, fazendo Erick bufar e rir, imaginando Edward o provocando por estar — finalmente — certo sobre o que ela sentia. Então o celular dela tocou. — Oi, mãe… Sim, estou bem… Amanhã? Claro… Até — disse, guardando o aparelho. Erick mordia um pedaço do petit gâteau quando perguntou: — Vai sair amanhã? — Vou buscar meus pais no aeroporto. Por quê? Quer ir? — provocou, imaginando a reação dele. Mas a resposta veio firme. — Se você quiser, eu vou. Não vejo problema nenhum em dizer que estamos juntos. Marina arregalou os olhos. — Você fala sério? Quer mesmo passar a manhã inteira com meus pais te interrogando? — Por que não? Não deve ser tão r**m assim — respondeu com um sorriso travesso. Ela balançou a cabeça, sorrindo como quem não acredita, mas adora. Depois do jantar, pediram a conta e saíram. — E agora, pra onde? — perguntou Erick ao ligar o carro. — Karaokê! Ele franziu o cenho, incrédulo. — Karaokê? Você tá brincando, né? — Vamos! — pediu num tom manhoso. — A gente precisa ter momentos juntos. Erick suspirou, mas os olhos dela eram sempre a ruína dele. — Tá. Mas eu não vou cantar. — Ebaaa! — Marina vibrou, parecendo uma criança animada. No karaokê, Erick reservou uma sala privada. Luzes coloridas, bebidas, uma cabine de fotos. O clima perfeito. Marina entrou e ficou encantada com o ambiente. Chamou Erick, que ainda estava perto da porta. Assim que ele se aproximou, ela o puxou para um beijo cheio de paixão. — Eu sempre quis vir num lugar desses — disse, olhando dentro dos olhos dele. — Você nunca esteve em um karaokê? — perguntou, surpreso. Ela abaixou o olhar. — Não… Marina nunca tinha tido uma juventude de verdade. Criada para a empresa, moldada para responsabilidades, e depois presa a eventos frios com Phillipe… A vida dela nunca tinha sido leve. Ela abraçou Erick de novo, murmurando um agradecimento sincero. — Canta pra mim! — pediu, selando seus lábios num selinho. Marina escolheu a música, enquanto Erick se sentava no sofá. Ela respirou fundo e começou. Heart beats fast Colors and promises How to be brave? How can I love when I’m afraid to fall? A voz dela preencheu a sala. I have died every day waiting for you Darling, don’t be afraid… Erick ficou impressionado. Ela realmente cantava bem. Quando terminou, ele aplaudiu. — Agora é sua vez — disse ela. — Nem pensar. A noite é sua. Continua. Você canta tão bem. Ela bebeu do drink dele — sem pedir permissão — e cantou mais duas músicas. Erick já estava animado. Colocou uma música e estendeu a mão. — Quer dançar? — Claro — ela respondeu, aproximando-se. Eles começaram devagar, no ritmo da música. Erick a seguia, mas logo a puxou pela cintura, aproximando seus corpos. — Você está extremamente linda hoje — murmurou no ouvido dela, fazendo-a arrepiar inteira. — Você também… e bem cheiroso, aliás — ela riu. Ele arqueou a sobrancelha. — Você tá me flertando? — E se eu tiver? — ela sussurrou, provocante. — Eu vou gostar muito — ele disse antes de beijar o pescoço dela, sentindo quando ela estremeceu. Beijou de novo. Subiu pela bochecha. Parou a centímetros dos lábios. — Me beija — pediu, quase num suspiro. — Como quiser — ela respondeu, e o beijo veio quente, profundo, lento e urgente. As mãos dele apertaram sua cintura. A esquerda deslizou até sua b***a, arrancando um suspiro contra seus lábios. — Linda… — murmurou, quase sem ar. Entre risos, beijos e provocações, tiraram fotos — algumas fofas, outras completamente comprometedoras — e, depois de mais alguns minutos, decidiram ir embora.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD