Já tinham se passado dois dias — dois dias desde que Erick e Marina finalmente pararam de fugir e se permitiram sentir. Agora estavam oficialmente juntos, e aquilo era tão intenso que só podia ser comparado a uma abstinência pela d***a mais viciante que existe: um ao outro.
Erick ainda tinha dificuldade em acreditar em tudo aquilo. Às vezes acordava e só de ver Marina dormindo ao seu lado sentia o peito expandir de um jeito que nunca tinha sentido antes. Não havia mais dúvidas, nem medo, nem hesitação. Só uma felicidade profunda e quase selvagem — a certeza de que todos aqueles sentimentos irritantes, absurdos e incrivelmente bons eram recíprocos.
E conforme os dias passavam, eles se descobriam mais. Cada conversa, cada toque, cada provocação revelava mais um pedaço do outro. Erick era insaciável — em carinho, em presença, em Marina. E ela não ficava para trás: teimosa, metida, irresistível… mas sua. Tão sua que às vezes ele se pegava sorrindo sozinho, pensando no quanto era fácil para ela domar toda a valentia dele com um único olhar.
Os dias agora eram leves. As horas que antes se arrastavam e o deixavam irritado passaram a ser preciosas. Todo minuto ao lado dela era valioso, quase sagrado.
Depois de terem passado o dia inteiro juntos — da melhor forma possível — Erick terminava de se arrumar para o jantar daquela noite. Seria a primeira vez que sairiam como um casal de verdade. Até então, só os quartos — o dele e o dela — testemunhavam o amor que os consumia.
Erick vestiu uma camisa preta social justa e calça social da mesma cor, criando um contraste marcante com seu tom de pele. Penteou os fios escuros para trás, destacando ainda mais o rosto.
Minutos depois, Marina bateu à porta e entrou.
Vestido cinza, acima dos joelhos. Costas nuas. Corpo abraçado pelo tecido. Cabelo preso num coque impecável. Maquiagem leve que só realçava o que já era naturalmente lindo.
Erick parou. Literalmente parou.
— Demorei? — ela perguntou, apoiada na porta, como se não tivesse acabado de virar o mundo dele do avesso.
— O suficiente pra me deixar com saudade — ele sussurrou, sorrindo torto enquanto enlaçava sua cintura e tomava seus lábios.
Ela riu contra o beijo, afastando-se antes que as roupas realmente fossem parar no chão de novo.
— Vamos! — disse, puxando-o pelo braço.
Os dois pegaram o elevador, de mãos dadas. Assim que saíram, Erick — sempre cavalheiro — abriu a porta do carro. Marina sorriu, encantada. Como um homem conhecido por ser austero podia ser tão bonito, tão gentil e tão absurdamente afetuoso ao mesmo tempo? A dúvida lhe atravessou o peito junto com outra pergunta silenciosa: Será que eu realmente mereço tudo isso?
Ela balançou a cabeça, afastando pensamentos que não mereciam espaço. Eu mereço. Eu mereço esse amor, repetiu para si mesma.
Logo chegaram ao restaurante. O atendente os guiou até a mesa reservada.
— Esse lugar parece ótimo — comentou Marina.
Erick sorriu.
— Escolhi a dedo. Tudo pra agradar a minha linda namorada.
A palavra namorada sempre a desmontava. Marina corou, sorrindo boba.
— Precisava ser tão fino? — perguntou, tentando disfarçar o rubor.
O carpete vinho, as luzes baixas, a música instrumental… Era um lugar elegante, sem dúvidas.
— Pra você, é inevitável — disse ele, simples e sincero.
Jantaram devagar, conversando sobre tudo e nada. Marina mencionou o date em casal que Nicole estava organizando, fazendo Erick bufar e rir, imaginando Edward o provocando por estar — finalmente — certo sobre o que ela sentia.
Então o celular dela tocou.
— Oi, mãe… Sim, estou bem… Amanhã? Claro… Até — disse, guardando o aparelho.
Erick mordia um pedaço do petit gâteau quando perguntou:
— Vai sair amanhã?
— Vou buscar meus pais no aeroporto. Por quê? Quer ir? — provocou, imaginando a reação dele.
Mas a resposta veio firme.
— Se você quiser, eu vou. Não vejo problema nenhum em dizer que estamos juntos.
Marina arregalou os olhos.
— Você fala sério? Quer mesmo passar a manhã inteira com meus pais te interrogando?
— Por que não? Não deve ser tão r**m assim — respondeu com um sorriso travesso.
Ela balançou a cabeça, sorrindo como quem não acredita, mas adora.
Depois do jantar, pediram a conta e saíram.
— E agora, pra onde? — perguntou Erick ao ligar o carro.
— Karaokê!
Ele franziu o cenho, incrédulo.
— Karaokê? Você tá brincando, né?
— Vamos! — pediu num tom manhoso. — A gente precisa ter momentos juntos.
Erick suspirou, mas os olhos dela eram sempre a ruína dele.
— Tá. Mas eu não vou cantar.
— Ebaaa! — Marina vibrou, parecendo uma criança animada.
No karaokê, Erick reservou uma sala privada. Luzes coloridas, bebidas, uma cabine de fotos. O clima perfeito.
Marina entrou e ficou encantada com o ambiente. Chamou Erick, que ainda estava perto da porta. Assim que ele se aproximou, ela o puxou para um beijo cheio de paixão.
— Eu sempre quis vir num lugar desses — disse, olhando dentro dos olhos dele.
— Você nunca esteve em um karaokê? — perguntou, surpreso.
Ela abaixou o olhar.
— Não…
Marina nunca tinha tido uma juventude de verdade. Criada para a empresa, moldada para responsabilidades, e depois presa a eventos frios com Phillipe… A vida dela nunca tinha sido leve.
Ela abraçou Erick de novo, murmurando um agradecimento sincero.
— Canta pra mim! — pediu, selando seus lábios num selinho.
Marina escolheu a música, enquanto Erick se sentava no sofá.
Ela respirou fundo e começou.
Heart beats fast
Colors and promises
How to be brave?
How can I love when I’m afraid to fall?
A voz dela preencheu a sala.
I have died every day waiting for you
Darling, don’t be afraid…
Erick ficou impressionado. Ela realmente cantava bem.
Quando terminou, ele aplaudiu.
— Agora é sua vez — disse ela.
— Nem pensar. A noite é sua. Continua. Você canta tão bem.
Ela bebeu do drink dele — sem pedir permissão — e cantou mais duas músicas. Erick já estava animado. Colocou uma música e estendeu a mão.
— Quer dançar?
— Claro — ela respondeu, aproximando-se.
Eles começaram devagar, no ritmo da música. Erick a seguia, mas logo a puxou pela cintura, aproximando seus corpos.
— Você está extremamente linda hoje — murmurou no ouvido dela, fazendo-a arrepiar inteira.
— Você também… e bem cheiroso, aliás — ela riu.
Ele arqueou a sobrancelha.
— Você tá me flertando?
— E se eu tiver? — ela sussurrou, provocante.
— Eu vou gostar muito — ele disse antes de beijar o pescoço dela, sentindo quando ela estremeceu.
Beijou de novo. Subiu pela bochecha. Parou a centímetros dos lábios.
— Me beija — pediu, quase num suspiro.
— Como quiser — ela respondeu, e o beijo veio quente, profundo, lento e urgente.
As mãos dele apertaram sua cintura. A esquerda deslizou até sua b***a, arrancando um suspiro contra seus lábios.
— Linda… — murmurou, quase sem ar.
Entre risos, beijos e provocações, tiraram fotos — algumas fofas, outras completamente comprometedoras — e, depois de mais alguns minutos, decidiram ir embora.