capítulo 26

2009 Words
Horas depois, Marina despertou. Os olhos ardiam. A cabeça latejava. E a claridade que vazava pelas cortinas m*l fechadas parecia zombar dela. — Ai… — murmurou, apertando os olhos com força. Quando finalmente conseguiu abrir os olhos, viu o caos ao redor: roupas espalhadas, móveis fora do lugar, sua calcinha jogada longe demais… e ela mesma, completamente nua sob o lençol. — Mas que diabos…? — levou a mão à cabeça, incrédula. Sentou devagar. Tentou lembrar. Flashes. Lábios. Mãos. O rosto dele tão perto, tão quente, tão certo. O coração disparou. Ela olhou para si e notou, no próprio seio, uma marca inconfundível. — Oh, meu Deus… — exclamou, levando a mão à boca. O banho gelado foi uma tentativa desesperada de colocar as ideias no lugar — e de estancar a avalanche de memórias que voltavam em ondas irregulares. Mas nada ajudou muito. Quando saiu, enrolada no roupão, ouviu o celular tocar. Achou-o dentro da bolsa, na bagunça. — Finalmente, Bela Adormecida! — reclamou Nicole na tela, num misto de alívio e irritação. — Eu te mandei umas cinquenta mensagens! — Desculpa… eu… dormi demais e… — Tá, tá, esquece! — cortou Nicole, impaciente. — Me diz uma coisa: você e o Erick se acertaram? Vocês dormiram juntos? O rosto de Marina pegou fogo na hora. — O quê?! Nicole, como você… espere… como eu voltei pra casa? — Marina… — Nicole franziu o cenho, incrédula. — Você não tá bem da cabeça ou o s**o te deixou tão zonza que apagou a memória? O Erick foi te buscar! Marina piscou. O mundo pareceu girar devagar. O beijo. O jeito como ele a segurou. A forma como ele evitava olhar demais… …e depois, a forma como deixou de evitar. Um sorriso involuntário escapou dos lábios dela. — Meu Deus… — sussurrou. — Não me enrola! — Nicole quase gritou. — Vocês transaram, não transaram?! — Nicole! — Marina cobriu o rosto, morta de vergonha. — Para de perguntar essas coisas! — Se você fosse menos recatada eu nem perguntava! — Nicole bufou. — Tá, mas e aí? Ele reagiu como quando você confessou que tava apaixonada? O sorriso de Marina evaporou. Preso por um fio. — Acho que… eu não falei isso pra ele. — murmurou. — Quando acordei… ele já não estava aqui. — Ai, caramba, Marina! Você transou com ele completamente bêbada! — Nicole passou a mão no rosto. — Ele já deve ter até viajado! Marina prendeu a respiração. Não. Não. Não podia ser. — Nicole… e agora? — a voz tremia. — O que eu faço? — Você vai atrás dele, é o que você vai fazer! — respondeu Nicole, firme. — Ele ainda pode estar no quarto dele. A esperança explodiu dentro dela. — Sim! Eu vou! — disse, levantando-se rápido demais. — Então vai, pelo amor de Deus! — e Nicole encerrou a chamada. Marina saiu praticamente como estava: descalça, de roupão, cabelos ainda molhados. No elevador, seu reflexo a encarou e ela quase arregalou os olhos. Pálida, com frizz, sem maquiagem, sem nada por baixo do roupão. Mas… dane-se. Erick já tinha visto bem pior há algumas horas. E, se ele ainda estivesse ali… nada disso importaria. Ela apertou o laço do roupão, respirou fundo e caminhou pelo corredor até o quarto 404. Cada passo parecia ecoar dentro dela. Bateu. A porta se abriu. Erick apareceu, arrumado, a mala ao lado da cama logo visível atrás dele. Ele ficou completamente estático ao vê-la daquele jeito — nervosa, ofegante, só de roupão. — Ma… Marina? — ele piscou, atordoado. — O que você…? Ela entrou sem esperar convite. Fechou a porta atrás de si e permaneceu encostada nela, tentando recuperar o ar. Erick, confuso, deu alguns passos para trás. Ela olhou para a mala. Ele seguiu o olhar. Silêncio espesso. — Marina… por que você está aqui? — perguntou, a voz rouca, insegura. Ela ergueu os olhos para ele, brilhando. — Erick… você está mesmo indo embora? Ele hesitou. Mas não mentiu. — Estou. Aquilo doeu nela como um corte. — Não vá. — disse rápido, quase sem ar. Ele engasgou na própria respiração. — Co… como? — Não vá. Fica comigo. — repetiu, os olhos marejando. — Eu… eu não consigo mais ficar longe de você. Erick ficou imóvel. Atônito. Como se tudo que sempre quis ouvir finalmente tivesse sido dito — e ele não tivesse preparo emocional nenhum para isso. A mala, o quarto, a culpa, o medo… tudo desapareceu. Ele deu um passo. Depois outro. E a abraçou com força, como se tivesse esperado aquilo por vidas inteiras. — Então não fica longe. — sussurrou contra o cabelo dela. — Eu esperei tanto por isso… Marina congelou por um segundo — e então derreteu nos braços dele, soluçando baixinho. — Eu não quero te perder. — chorou, apertando-o como se temesse que ele sumisse. — Desculpa por ser tão confusa… por favor… não vai embora. Ele ergueu o rosto dela com as mãos e encostou sua testa na dela. — Eu não vou a lugar nenhum. — garantiu, com a voz embargada. — Você não vai me perder. Eu… sempre fui seu. O sorriso dela surgiu tremido, lindo, real. Ela respirou fundo, tentando colocar as emoções em ordem. — Erick… você me faz tão bem. Eu devia ter dito antes, mas eu… — Não precisa explicar nada. — ele murmurou, sorrindo pelo nariz. — Poxa, Marina… você ainda vai me deixar louco. Eles riram baixinho, ainda abraçados, os corações batendo rápido demais, como se o mundo finalmente tivesse se encaixado. E, pela primeira vez, ambos souberam — sem dúvida alguma — que aquilo era amor. Erick ainda segurava o rosto dela entre as mãos, as testas coladas, o fôlego deles se misturando. Marina estava tão perto… tão entregue… tão real. E foi nesse exato momento — entre um soluço e o sorriso mais tímido que ela já deu — que ele simplesmente não conseguiu mais se segurar. Bem devagar, como se tivesse medo de quebrá-la, Erick aproximou os lábios dos dela. O beijo aconteceu como um suspiro. Lento. Molhado. Profundo — mas sem urgência. Era um beijo cheio de promessa. Cheio de sentimento. Cheio de uma calma intensa, quase reverente. Como se ambos soubessem que aquele momento mudava tudo… e não quisessem desperdiçar nem um segundo dele. As mãos dele tremiam levemente ao segurarem suas costas. O coração dele parecia bater contra o corpo dela, sem nenhuma barreira. Ele estava completamente atordoado pela confissão de Marina. Aquilo que ela dissera — não vá, fica comigo… eu não consigo ficar longe de você — ainda ecoava como música dentro dele. Pela primeira vez em muito tempo, Erick sentia algo que nem lembrava ser possível: Paz. Felicidade. Pertencimento. Quando precisaram interromper o beijo para respirar, Erick manteve seu rosto próximo ao dela. Seus olhos se perderam nos dela como se tentasse gravar cada detalhe. O sorriso bobo que surgiu nos lábios dele foi espontâneo, impossível de conter. — Eu amo você. — ele sussurrou, cada palavra carregada de verdade. Marina sentiu o corpo inteiro esquentar. A respiração falhar. Os olhos arderem. Era tão forte, tão inesperado e tão desejado que ela m*l conseguiu responder. Erick percebeu a emoção crescendo nela e a envolveu num abraço apertado, encaixando-a completamente contra seu peito. Beijou o topo da cabeça dela com carinho — um carinho antigo, profundo, íntimo. — Erick… — ela sussurrou, erguendo o rosto para ele, ainda presa em seus braços. Ele a segurava como se alguém pudesse arrancá-la dali a qualquer segundo. — Eu também amo você. — disse suave, mas firme. Os olhos dele se arregalaram num misto de surpresa e adoração. Antes que ele pudesse falar qualquer coisa, Marina tentou explicar: — Eu sei que é rápido… precipitado até. — ela ruborizou. — Mas essa semana eu não conseguia parar de pensar em você. Eu sentia sua falta de um jeito que até doía. Eu… quero você. Sempre. Quero estar ao seu lado. Só posso concluir que isso… que isso é amor. Erick sorriu com uma expressão que era quase vulnerável. — É amor. — confirmou, baixinho. — É exatamente o que eu sinto por você. E então ele a beijou novamente — dessa vez sem esconder nada. O beijo se aprofundou devagar, depois mais… e mais… até que a respiração de ambos começou a ficar quente, irregular, faminta. Era como se meses de tensão finalmente tivessem encontrado uma a******a para explodir. Erick deslizou as mãos pela cintura dela, puxando-a contra si. Marina gemeu baixinho, involuntariamente. O desejo deles era uma coisa viva. A velocidade aumentou. A intensidade cresceu. O mundo foi ficando cada vez menor, até existir apenas os dois. Quando a boca dele desceu para o pescoço dela, Marina arqueou o corpo, ofegante. Os dedos dela se enroscaram nos cabelos dele enquanto aspirava aquele cheiro que já era viciante. Os olhos dos dois se encontraram por um breve instante — negros e castanhos flamejando desejo, ansiedade, paz, tudo junto numa mistura impossível. Foi assim que Erick puxou o laço do roupão dela, devagar demais para ser acidental. O tecido se abriu como uma revelação. Marina prendeu a respiração. Ele a olhou como se estivesse vendo algo sagrado. — Você é perfeita… e veio pronta pra mim. — sussurrou, a voz grave, cheia de arrepio. — Estou. — ela respondeu, quase trêmula. — E… e sou toda sua. Sóbria. Por completo. O sorriso torto dele denunciou o quanto aquilo o incendiou. Ele a puxou pela cintura, colando o corpo dela ao seu. Um gemido escapou do peito dele — e Marina sentiu tudo, cada milímetro. O resto aconteceu como um colapso de necessidade e amor. As mãos dela tirando a camisa dele devagar, torturantemente devagar. A boca dela beijando sua clavícula, descendo. A mão acariciando o que ele já m*l conseguia controlar. — Gosta disso? — ela provocou no ouvido dele, a voz pequena, mas carregada de fogo. — Gosta quando eu faço isso? Ele praticamente tremeu. — Assim você me enlouquece… Marina… — rosnou, antes de erguê-la pela cintura, fazendo-a enlaçar as pernas ao redor dele. O beijo que se seguiu foi devastador. Ele a deitou sobre a cama, ficando por cima — as mãos dele desbravando cada curva do corpo dela como se quisesse memorizá-la pelo tato. Quando sua boca encontrou o seio dela e o sugou, Marina soltou um gemido que ele sentiu direto no instinto. A partir dali, o mundo deixou de existir. Eles se amaram com uma intensidade que beirava o reverente — quente, suada, profunda, apaixonada. Uma mistura de urgência com carinho. Fome com adoração. Quando chegaram juntos ao ápice, ficaram imóveis, testas coladas, respirações enroladas uma na outra. Marina ainda tremia enquanto o sentia pulsar dentro dela. Ela afastou apenas o suficiente para enxergar o rosto dele — e nunca o tinha visto tão vulnerável e tão feliz. — Promete que vai passar o resto da vida comigo? — ela sussurrou, ainda sentada sobre ele. Erick riu baixinho, incrédulo, tocando o rosto dela. — É claro que eu prometo. — respondeu sincero, antes de puxá-la para um beijo lento. — Você é tudo que importa. Marina suspirou, apoio a cabeça em seu peito, sentindo o coração dele bater forte. — Erick… e sua vida em Houston? Seu trabalho? — perguntou baixinho. — Eu… eu estou feliz, mas não consigo parar de pensar nisso. Ele ergueu o rosto dela pelo queixo. — Ei. — disse suave. — Isso eu resolvo. — Mas você só tem mais alguns dias de férias… Erick fechou os olhos por um instante, respirou fundo e respondeu: — Se for o preço para estar com você… eu abro mão de qualquer coisa. — Você… faria isso por mim? — ela perguntou, sem ar. — Eu nunca escolheria distância se posso escolher você. — disse com firmeza. — Sempre vou estar onde você estiver. Marina sorriu, emocionada. — Eu amo você, Erick Vegas. Ele encostou os lábios nos dela. — E eu amo você, Marina. Minha casa… é você.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD