Alguns dias depois, O quarto estava envolto numa quietude densa, quase opressiva. A luz suave da manhã atravessava as cortinas e se espalhava pelo ambiente com delicadeza, contrastando com o turbilhão que habitava Patrício por dentro. Ele estava sentado na poltrona ao lado da cama. Fora liberado da UTI, mas ainda em observação. O corpo dava sinais claros de recuperação — a mente, não. O silêncio o engoliu. E, com ele, vieram os fantasmas. Patrício passou a mão pelo rosto, cansado, sentindo o peso dos dias e dos anos acumulados nos ombros. Quando ergueu os olhos, seu olhar escapou pela porta entreaberta do quarto. Do lado de fora, através do vidro da janela do corredor, ele viu Marina parada ali, distraída, a mão repousando sobre o ventre num gesto quase instintivo. Proteção. Vida.

