Naquela mesma noite, a casa parecia maior. Não porque suas paredes tivessem mudado, mas porque o silêncio agora ocupava todos os espaços que antes estavam preenchidos por coisas não ditas. A luz da cozinha permanecia acesa. Marina estava sentada à mesa, uma xícara de chá esquecida entre as mãos. O vapor já havia desaparecido há muito tempo, mas ela ainda segurava a porcelana como se o calor estivesse ali. Do andar de cima não vinha mais som algum. O choro de Miranda cessara. E aquele silêncio — mais pesado, mais humano — dizia mais do que qualquer palavra. Erick encostou-se no batente da porta da cozinha. — Você devia descansar — disse ele com cuidado. Marina soltou um pequeno suspiro. — Descansar parece estranho hoje. Ele se aproximou e puxou a cadeira à frente dela, sentando-se

