Miranda passou o dia inteiro consciente do que estava acontecendo. Não perguntou horários. Não acompanhou a saída. Não quis transformar a ida em um ritual doméstico. Mas sabia. Sabia desde a noite anterior, quando sugerira na escada que levassem algo para a menina. Sabia desde o silêncio estranho que tomou a casa pela manhã, quando Patrício e Marina saíram. E passou o resto do dia convivendo com essa ausência. No fim da tarde, quando o motor do carro parou diante da mansão, ela reconheceu o som imediatamente. Patrício sempre desligava o carro com aquele pequeno intervalo entre a ignição e o silêncio completo — como se precisasse de um segundo extra para atravessar de um mundo para o outro. Miranda estava sentada na poltrona do quarto. A janela aberta deixava entrar um vento frio

