Na manhã seguinte, Marina chegou à mansão pouco depois das nove. A casa ainda estava quieta, envolvida naquele silêncio típico das primeiras horas do dia, quando a rotina ainda não retomou completamente seu ritmo. Ela entrou sem pressa. A luz da manhã atravessava as janelas amplas da sala, espalhando uma claridade suave sobre os móveis. Miranda estava sentada no sofá, as mãos repousadas sobre o colo, o olhar voltado para o jardim. Parecia exatamente como sempre fora. Postura firme. Respiração controlada. Mas havia nela uma imobilidade nova — como quem ainda está aprendendo a habitar uma realidade diferente. Miranda ergueu os olhos quando percebeu a presença da filha. Não houve abraço. Mas também não houve frieza. Apenas um olhar prolongado. Marina atravessou a sala devagar e s

