Milena
Quarto privado no hotel Imperial, 27º andar — 22h41
Yoshiro mandou o endereço, mas quem escolheu a suíte… fui eu ,espelhos por todo lado,vidros fume,silêncio caro,vesti um vestido de seda vinho. Sem alças. Sem medo, perfume de ameixa n***a e madeira, batom vermelho escuro, cabelo solto como ele costumava odiar, tudo calculado, eu não vim pra me render, eu vim pra lembrar Yoshiro do que ele perdeu, e fazer ele implorar por algo que nunca vai ter de novo, ele chegou com a arrogância de sempre, terno sob media, nenhum guarda-costas, olhos de caçador antigo, parou na porta e me observou como quem avalia uma obra que já foi sua.
— “Você ainda sabe como deixar um homem de joelhos.” — ele disse.
— “Mas nunca soube o que fazer com ele quando ele caía.” — rebati, sorrindo, ele tirou o paletó, soltou os punhos da camisa, sentou-se na poltrona, diante da cama.
— “Veio se entregar?”
— “Vim seduzir você de volta à razão.”
— “E acha que seu corpo vai conseguir isso?”
— “Não, mas o que eu escondo dentro dele… sim.”
Caminhei até ele, me inclinei, deixei que visse tudo, que lembrasse tudo.
— “Você me moldou, mas quem sou agora… você nunca vai controlar.”
— “Eu não quero controlar, quero possuir.”
— “Então vai ter que lutar com dois homens por mim.”
— “Eu já matei exércitos por menos.”
Dei a volta por trás dele, toquei seu pescoço, sussurrei em japonês:
— “ *のような**を*しているときは...**が**のように*じられる.”
"Watashi no yōna josei o aishite iru toki wa... Jigoku ga kyūka no yō ni kanji rareru."
“ Quando se ama uma mulher como eu… o inferno parecerá férias .”
Ele se arrepiou, mas manteve o controle, até que… eu sentei no colo dele, cruzei os braços em volta de seu pescoço.
— “Você me quer?”
— “Sim.”
— “Então prove.”
Beijei ele, com raiva, com lembrança,com veneno e desejo,enquanto isso, com um clique do anel na minha mão, ativei o sinal silencioso no meu brinco, Fábio e Bruno — esperando do lado de fora — agora sabiam que era a hora.
Yoshiro segurou meu rosto.
— “Você ainda é minha.”
— “Eu sou de quem me respeita.” — sussurrei,durante um beijo tão sedutor e carnívoro que senti gosto de ferro em seus lábios,
A porta do quarto explodiu, vidro voou, Fábio foi o primeiro a entrar, arma em punho, Bruno atrás, como uma sombra silenciosa e furiosa, Yoshiro me empurrou longe e puxou sua própria lâmina, eu rolei pela cama, sangue nos lábios do beijo forçado, mas sorrindo, tudo saía como eu queria, como eu desenhei, como eu provoquei.
Fábio gritou:
— “Larga a arma!”
Yoshiro apenas riu.
— “Ela armou isso, essa v***a armou tudo.”
Eu me levantei, lentamente, o vestido rasgado na lateral.
— “Não sou v***a, Yoshiro sou sua última lição.”
Eles lutaram homem contra homem, mestre contra rebeldes, o passado contra o presente, eu observava, como sempre.
como quem segura o tabuleiro e já sabe qual peça vai cair, após o combate
Yoshiro estava no chão,desarmado, respirando com dificuldade, Bruno tremia, Fábio sangrava no ombro, eu me aproximei.
Ajoelhei ao lado dele, segurei seu queixo.
— “Você me ensinou a obedecer, mas esqueceu de me ensinar a esquecer.”
Ele tentou sorrir,mas gemeu de dor
Beijei sua boca,agora um beijo calmo,com um toque de despedida
— “Adeus, Yoshiro.”
E me levantei, deixando a lâmina na mão de Bruno.
Ele olhou pra mim.
— “Quero que escolha.”
— “Quer que eu faça?”
Saí do quarto, sabendo que mesmo quando sangro…sou eu quem deixa a última palavra.
Ponto de vista de Fabio
Yoshiro estava no chão, rindo com a boca ensanguentada,Bruno com a lamina na mão, Milena fora do quarto, Yoshiro sussurrou.
Breve relato da conversa entre Bruno e Yoshiro
— “Você sabia que ela ta morta, Milena não tem mais alma ?”
Bruno ficou sem reação
— “Mentira.”
— “Ela me entregou sua alma,alem de seu corpo,logo após o e*****o,ela fugiu de todos vocês ”
— “ CALA A BOCA SEU DESGRAÇADO ”
— “ Estava fora de si descalça,suja,querendo uma vingança que vocês não poderiam dar ,no auge do trauma, ela desapareceu por 4 anos ! eu tava cuidando dela todo esse tempo, a ensinando ”
Eu entrei nessa hora.
E Bruno só olhou pra mim, pálido,enquanto Yoshiro ainda falava,
— “Ela não é vítima,ela é assassina por intenção,ela me chamou com sangue,e eu atendi,ela me pertence,e um dia… ou ela me mata,ou volta pra mim.”
Bruno não responde, mas seus olhos dizem tudo, medo, raiva, e amor, o tipo que arde até o osso.
Os Velhos Leões — Bruno narrando
Casa Leco – 22h03 , o cigarro queimava entre os dedos do Bene, Paulo girava lentamente um copo de uísque, encarando o mapa da cidade, Leco estava de pé, coçando o queixo, inquieto, eu e Fábio estávamos sentados, silêncio mortal, respeito antigo.
— “Uma semana, Bruno.” — Bene disse.
— “Você sabe o que isso significa?”
— “Se fosse outra pessoa, já estaria morto.” — respondi.
— “Mas a Milena é diferente.”
— “Ela é esperta. Mas não é imortal.” — disse Leco.
— “E tem muita gente que quer vê-la desaparecer.”
Paulo homem mais calculista que conheço,apesar de Silvia ter amolecido seu coração de pedra,ele nunca abandonou o Paulo que todos odiavam
— “Se Yoshiro tem alguma coisa a ver com isso… então ela não está apenas escondida, ela está sendo caçada. Ou… testada.”
— “Então o que a gente faz?” — Fábio perguntou.
O homem que mais ama Milena… mas que ainda carrega o peso de não ter conseguido protegê-la.
Bene apagou o cigarro.
— “A gente ativa os fantasmas.”
Leco concordou.
— “Tenho um contato no Paraguai. A Milena passou por lá, meses atrás,disse que era só pra fechar um acordo. Mas ficou tempo demais, acho que deixou alguma coisa lá.”
Paulo levantou.
— “Eu vou ativar meus homens no Rio,tá quieta demais desde que ela sumiu, silêncio é sempre suspeito.”
— “E eu?” — perguntei.
Paulo olhou direto pra mim.
— “Você vai fazer o que ela sempre quis que você fizesse.”
— “O quê?”
— “PENSAR como ela.”
Entrei no quarto dela,estava intacto, mas vazio, abri a gaveta da escrivaninha, havia um bilhete amassado, escrito à mão, com pressa:
“Se eu sumir, não procure onde estou, procure onde eu jurei nunca mais voltar.”
E uma única palavra destacada: “Guarapuava.”
Reunião dos quatro homens
Bruno, Fábio, Vô Bene, Tio Leco e Paulo.
Cada um de um mundo diferente,CV. Yakuza. Máfia. Família, agora juntos por algo maior Milena, Paulo fechou a pasta com os dados.
— “Ela está viva.”
— “Como sabe?” — perguntei.
— “Porque se ela tivesse morrido… o mundo já estaria em chamas.”