A Flor Que Esconde Veneno

1247 Words
Milena Quarto privado no hotel Imperial, 27º andar — 22h41 Yoshiro mandou o endereço, mas quem escolheu a suíte… fui eu ,espelhos por todo lado,vidros fume,silêncio caro,vesti um vestido de seda vinho. Sem alças. Sem medo, perfume de ameixa n***a e madeira, batom vermelho escuro, cabelo solto como ele costumava odiar, tudo calculado, eu não vim pra me render, eu vim pra lembrar Yoshiro do que ele perdeu, e fazer ele implorar por algo que nunca vai ter de novo, ele chegou com a arrogância de sempre, terno sob media, nenhum guarda-costas, olhos de caçador antigo, parou na porta e me observou como quem avalia uma obra que já foi sua. — “Você ainda sabe como deixar um homem de joelhos.” — ele disse. — “Mas nunca soube o que fazer com ele quando ele caía.” — rebati, sorrindo, ele tirou o paletó, soltou os punhos da camisa, sentou-se na poltrona, diante da cama. — “Veio se entregar?” — “Vim seduzir você de volta à razão.” — “E acha que seu corpo vai conseguir isso?” — “Não, mas o que eu escondo dentro dele… sim.” Caminhei até ele, me inclinei, deixei que visse tudo, que lembrasse tudo. — “Você me moldou, mas quem sou agora… você nunca vai controlar.” — “Eu não quero controlar, quero possuir.” — “Então vai ter que lutar com dois homens por mim.” — “Eu já matei exércitos por menos.” Dei a volta por trás dele, toquei seu pescoço, sussurrei em japonês: — “ *のような**を*しているときは...**が**のように*じられる.” "Watashi no yōna josei o aishite iru toki wa... Jigoku ga kyūka no yō ni kanji rareru." “ Quando se ama uma mulher como eu… o inferno parecerá férias .” Ele se arrepiou, mas manteve o controle, até que… eu sentei no colo dele, cruzei os braços em volta de seu pescoço. — “Você me quer?” — “Sim.” — “Então prove.” Beijei ele, com raiva, com lembrança,com veneno e desejo,enquanto isso, com um clique do anel na minha mão, ativei o sinal silencioso no meu brinco, Fábio e Bruno — esperando do lado de fora — agora sabiam que era a hora. Yoshiro segurou meu rosto. — “Você ainda é minha.” — “Eu sou de quem me respeita.” — sussurrei,durante um beijo tão sedutor e carnívoro que senti gosto de ferro em seus lábios, A porta do quarto explodiu, vidro voou, Fábio foi o primeiro a entrar, arma em punho, Bruno atrás, como uma sombra silenciosa e furiosa, Yoshiro me empurrou longe e puxou sua própria lâmina, eu rolei pela cama, sangue nos lábios do beijo forçado, mas sorrindo, tudo saía como eu queria, como eu desenhei, como eu provoquei. Fábio gritou: — “Larga a arma!” Yoshiro apenas riu. — “Ela armou isso, essa v***a armou tudo.” Eu me levantei, lentamente, o vestido rasgado na lateral. — “Não sou v***a, Yoshiro sou sua última lição.” Eles lutaram homem contra homem, mestre contra rebeldes, o passado contra o presente, eu observava, como sempre. como quem segura o tabuleiro e já sabe qual peça vai cair, após o combate Yoshiro estava no chão,desarmado, respirando com dificuldade, Bruno tremia, Fábio sangrava no ombro, eu me aproximei. Ajoelhei ao lado dele, segurei seu queixo. — “Você me ensinou a obedecer, mas esqueceu de me ensinar a esquecer.” Ele tentou sorrir,mas gemeu de dor Beijei sua boca,agora um beijo calmo,com um toque de despedida — “Adeus, Yoshiro.” E me levantei, deixando a lâmina na mão de Bruno. Ele olhou pra mim. — “Quero que escolha.” — “Quer que eu faça?” Saí do quarto, sabendo que mesmo quando sangro…sou eu quem deixa a última palavra. Ponto de vista de Fabio Yoshiro estava no chão, rindo com a boca ensanguentada,Bruno com a lamina na mão, Milena fora do quarto, Yoshiro sussurrou. Breve relato da conversa entre Bruno e Yoshiro — “Você sabia que ela ta morta, Milena não tem mais alma ?” Bruno ficou sem reação — “Mentira.” — “Ela me entregou sua alma,alem de seu corpo,logo após o e*****o,ela fugiu de todos vocês ” — “ CALA A BOCA SEU DESGRAÇADO ” — “ Estava fora de si descalça,suja,querendo uma vingança que vocês não poderiam dar ,no auge do trauma, ela desapareceu por 4 anos ! eu tava cuidando dela todo esse tempo, a ensinando ” Eu entrei nessa hora. E Bruno só olhou pra mim, pálido,enquanto Yoshiro ainda falava, — “Ela não é vítima,ela é assassina por intenção,ela me chamou com sangue,e eu atendi,ela me pertence,e um dia… ou ela me mata,ou volta pra mim.” Bruno não responde, mas seus olhos dizem tudo, medo, raiva, e amor, o tipo que arde até o osso. Os Velhos Leões — Bruno narrando Casa Leco – 22h03 , o cigarro queimava entre os dedos do Bene, Paulo girava lentamente um copo de uísque, encarando o mapa da cidade, Leco estava de pé, coçando o queixo, inquieto, eu e Fábio estávamos sentados, silêncio mortal, respeito antigo. — “Uma semana, Bruno.” — Bene disse. — “Você sabe o que isso significa?” — “Se fosse outra pessoa, já estaria morto.” — respondi. — “Mas a Milena é diferente.” — “Ela é esperta. Mas não é imortal.” — disse Leco. — “E tem muita gente que quer vê-la desaparecer.” Paulo homem mais calculista que conheço,apesar de Silvia ter amolecido seu coração de pedra,ele nunca abandonou o Paulo que todos odiavam — “Se Yoshiro tem alguma coisa a ver com isso… então ela não está apenas escondida, ela está sendo caçada. Ou… testada.” — “Então o que a gente faz?” — Fábio perguntou. O homem que mais ama Milena… mas que ainda carrega o peso de não ter conseguido protegê-la. Bene apagou o cigarro. — “A gente ativa os fantasmas.” Leco concordou. — “Tenho um contato no Paraguai. A Milena passou por lá, meses atrás,disse que era só pra fechar um acordo. Mas ficou tempo demais, acho que deixou alguma coisa lá.” Paulo levantou. — “Eu vou ativar meus homens no Rio,tá quieta demais desde que ela sumiu, silêncio é sempre suspeito.” — “E eu?” — perguntei. Paulo olhou direto pra mim. — “Você vai fazer o que ela sempre quis que você fizesse.” — “O quê?” — “PENSAR como ela.” Entrei no quarto dela,estava intacto, mas vazio, abri a gaveta da escrivaninha, havia um bilhete amassado, escrito à mão, com pressa: “Se eu sumir, não procure onde estou, procure onde eu jurei nunca mais voltar.” E uma única palavra destacada: “Guarapuava.” Reunião dos quatro homens Bruno, Fábio, Vô Bene, Tio Leco e Paulo. Cada um de um mundo diferente,CV. Yakuza. Máfia. Família, agora juntos por algo maior Milena, Paulo fechou a pasta com os dados. — “Ela está viva.” — “Como sabe?” — perguntei. — “Porque se ela tivesse morrido… o mundo já estaria em chamas.” 
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