Eles vivem num mundo onde mulher é prémio, mas eu sou a guerra, a paz , o vício.
— “E o que quer de nós agora?” — Fábio perguntou.
— “A lealdade dele.” — apontei pra ele.
— “O fogo dele.” — olhei pra Bruno.
— “E se não dermos?”
— “Então me perdem, e tentem viver com isso.”
Eles não disseram nada, mas não precisavam,no fim daquela noite…não houve mais guerra,nem aliança, houve corpos,três,no mesmo lugar, no mesmo tempo, sem culpa,sem palavra,apenas desejo, sozinha na varanda do meu quarto, depois, eu os deixei dormindo, o vento batia nos meus cabelos, as luzes da cidade acesas lá longe, eles estão jogando comigo? talvez, mas não mais do que eu jogo com eles, no fundo, eu sei, não sou de ninguém, sou de mim,sou da noite, sou da história que ainda tô escrevendo.
E se eles quiserem me amar...que aprendam a dividir,ou a cair.
Eles aceitaram o pacto,com olhos tensos,corações em alerta, e o ego… em silêncio forçado.
“Sem cobrança. Sem exclusividade. Sem promessa.” foi o que eu disse, mas todos sabíamos que isso era uma mentira vestida de acordo,Bruno fingia calma, fingia controle, e eu… eu fingia que não via o que se acumulava debaixo da superfície, comecei com toques pequenos, beijos mais demorados em um do que no outro,olhares calculados, sumiços pontuais.
— “Onde você estava ontem?” — Bruno perguntou certa noite.
— “No mesmo lugar que estive com você anteontem.” — respondi, de costas, nua, enquanto trançava o cabelo.
Fábio observava, ele nunca fazia perguntas, mas guardava tudo nos olhos,eles começaram a se evitar na casa.
Revezavam os horários, trocavam indiretas com palavras doces demais pra não estarem envenenadas, e eu? eu alimentava, me dava prazer ver dois homens poderosos, se corroendo em silêncio por causa de mim, não por vingança, não por maldade,mas porque era a primeira vez que eu sentia o mundo girar ao meu redor, não por medo, mas por desejo, até que a bomba chegou.
Do Japão um presente entregue por um emissário,uma caixa de madeira escura, uma adaga cerimonial, e um bilhete, escrito em kanji, com caligrafia que eu conhecia bem demais:
「あなたはまだ*のものです。」
“Você ainda é minha.”
Yoshiro Watanabe
Ele não morreu,só se escondeu, meu antigo mentor,meu antigo algoz, e por um tempo… meu amante.
Na mesma noite, recebi um e-mail,sem remetente rastreável,uma foto minha com Bruno,outra com Fábio, e a última… com Yoshiro anos atrás, vestida de branco num templo vermelho em Kyoto, e um único áudio em japonês:
— “Você traiu o sangue, Milena, mas sangue cobra, e vem buscar o que é seu.”
Eu tremi, mas não deixei transparecer, convidei os dois pra jantar,Fabio trouxe vinho, Bruno chegou atrasado.
— “Preciso contar algo.” — eu disse, mas antes que eu pudesse abrir a boca, Fábio jogou o copo contra a parede.
— “Já sei! Você esteve com ele ontem, você some e volta com perfume que não é o meu nem do dele!”
Bruno se levantou:
— “Você tá marcando território como um cachorro agora?”
— “Pelo menos não fico escrevendo carta como um i****a apaixonado!”
— “Vocês terminaram?” — interrompi, com calma.
Era isso, a tensão que eu plantei tinha germinado, agora a raiz era ciúme, e o fruto… ódio.
Mas ainda não era o pior, porque enquanto eles se destruíam por mim…
Yoshiro estava vindo, Watanabe não negocia, Watanabe não divide, Watanabe mata.
meu quarto, luz apagada e sozinha deitada, vestida só com a adaga dele ao meu lado, os dois homens que mais me amaram agora se encaram como inimigos, e o homem que um dia me treinou, moldou e prendeu… está a caminho e eu?
Eu criei tudo isso, eu quis isso, mas agora… talvez nem eu escape.
Porque quando você se torna o objeto do desejo de três homens perigosos… o amor vira guerra, o toque vira sentença, e o corpo vira território, quando o passado volta armado, ele entrou como sempre fez, sem ser anunciado, sem ser autorizado, sem pedir.
Yoshiro não toca campainhas ele entra.
03h24 da manhã – Minha casa
Câmeras desligadas , seguranças dopados com algo que nem sei identificar, portas abertas como se nunca tivessem trancado nada, e lá estava ele.
Parado no centro da sala, camisa preta de linho, cabelos escuros penteados para trás, um olhar frio… e calmo, como se estivesse me esperando, na minha casa.
— “Milena.” — ele disse, o som da sua voz dizendo meu nome me tirou o ar, aquele japonês lento, perfeito, cortante, eu respirei fundo,ali avia reacendido um desejo a temos guardado, segurei meu medo e t***o como se fosse uma taça de cristal prestes a cair.
— “ Yoshiro .”
Ele sorriu de canto.
— “Você ainda pronuncia meu nome como quando era minha aprendiz.” — fala enquanto caminha em minha direção
— “Não sou mais sua.”
Ele se aproximou lentamente e parou atras de mim,nosso corpos quase em fusão
— “Você nunca deixou de ser.” — diz rente ao meu ouvido, seu alito quente faz meu corpo arrepia,e meu copo ferver, minhas mãos tremiam, mas eu mantive o queixo erguido.
— “O que quer?”
Ele caminha novamente para minha frente colocou um envelope de seda vermelha na mesa.
— “Três propostas.” — ele disse, como se falasse de pratos de um jantar.
Você volta comigo como deve, como sempre foi, ou destruo tudo que você construiu — do Bruno ao Fábio, da Yakuza ao CV.
Ou eu deixo o mundo saber quem você realmente é… e eles fazem o resto, sentei no sofá, cruzei as pernas com calma.
— “E se eu recusar os três?”
Yoshiro sorriu, aquele sorriso que eu já vi antes… antes de ele mandar cortar a garganta de um traidor sem sequer piscar.
— “Então eu invento um quarto caminho, onde você sofre, mas ainda assim termina… ao meu lado.”
Nesse momento, Fábio entrou, ele parou ao ver Yoshiro a tensão no ar ficou densa, explosiva, Bruno se virou pra mim.
— “Quem é esse?”
Yoshiro se virou também.
— “Ela nunca te contou, né? Eu fui o homem que a ensinou a m***r sem se sujar, a dobrar generais sem usar roupa de gala, a mentir… com poesia, a seduzir com maestria”
Fábio deu um passo à frente.
— “Sai da casa dela. Agora.”
Yoshiro riu, e pela primeira vez, eu vi, o velho sangue do clã correndo de novo em suas veias, ele sacou lentamente uma adaga cerimonial, Bruno apertou os punhos, eu me coloquei entre eles
— “Ninguém luta aqui.”
— “Então escolhe.” — Yoshiro disse, sério.
— “O que você quer de mim?” — eu perguntei.
Ele me olhou… como quem olha para um império de concreto e lembra do tempo em que era só terra.
— “Quero o que é meu, quero você, Milena inteira,com as suas cicatrizes, seus segredos, seu perfume, você pode brincar de rainha com esses dois, mas comigo… você é fogo e ferro,você é a soberana do meu império”
Ja é madrugada, me encontro sozinha no quarto, Yoshiro foi embora por enquanto, mas deixou mais do que ameaça, deixou presença, deixou lembrança, deixou arrepio, Fabio quer me proteger, Bruno quer me amar, Yoshiro quer me dominar, eu quero fugir,ou queimar tudo, ou… talvez… fazer deles minhas peças, e dessa guerra, minha obra-prima.