Entre lâminas e lábios

1296 Words
Milena — Cativeiro 8° dias desaparecida ,a luz nunca apaga,o chão é gelado,meus pulsos sangram sob as algemas,mas eu não vou chorar,eles querem isso., Yoshiro quer isso, hoje, me fizeram ajoelhar por horas, um dos capangas me bateu com um cabo de madeira ritmado, como uma música sem alma, outro sussurrava insultos, me chamavam de boneca de luxo, de deusa caída,mas eu ria, sangrava… e ria. Yoshiro entrou silêncio veio com ele, os outros recuaram como cães enjaulados, ele caminhou até mim. puxou meu queixo. — “Ainda com fogo nos olhos.” — “Eu sou sua obra-prima.” — sussurrei, cuspindo sangue na camisa dele. — “E você sabe que só vai descansar quando eu te devorar.” Ele não me bateu, pior, ele me acariciou o rosto,como quem molda barro antes de quebrar. — “Você ainda acha que sedução vai te salvar?” — “Sedução não salva, sedução escolhe quem vai morrer depois.” Na noite passada, deixaram que eu me lavasse,erro fatal, vesti uma camisola de seda, cortei a bainha, prendi alfinetes nos cabelos. Quando o guarda veio, eu sorri,cruzei as pernas, abaixei os olhos,mordi os lábios,fiz o jogo, e ele… cedeu, se aproximou. Quis me tocar, quis me “proteger dos outros” , em 30 segundos, o alfinete tava no pescoço dele, não pra m***r, só pra lembrar que mesmo acorrentada, sou uma arma, Yoshiro soube, me jogou contra a parede,me quebrou dois dedos, eu sorri. — “Quantas vezes você vai tentar me fazer pequena? eu fui violada, traída, enterrada em lama… E mesmo assim, todo homem que me olha ainda quer me chamar de deusa.” — “Você não é deusa.” — “Sou pior, sou lembrança,sou desejo que não morre, sou o inferno que você queria controlar… mas agora teme.” Cena rapida — Yoshiro sozinho no corredor, após a tortura, ele acende um cigarro. treme a mão, olha pro espelho que permite eles de me observar — “Ela ainda ri… mesmo quando grita.” Ele sabe, Milena não está quebrando, ela está queimando por dentro, e talvez… esteja se preparando pra explodir. Milena, narrando no escuro —“Não sei quanto tempo passou, não sei mais quantos ossos doem, mas toda noite, antes de dormir… eu sussurro três nomes: Bruno, Fábio e o meu, pra lembrar que ainda existo, e que a mulher que vão enterrar… é só o ensaio da que vai levantar.” Dias se passaram, era pra ser a última sessão, assim me disseram, Yoshiro queria o espetáculo, quatro homens, correntes frias, choques, tapas, imersão em água suja, minutos que pareciam horas, um corpo que já não respondia direito, mas minha mente… ah, minha mente ainda sussurrava planos, no ponto exato em que senti que algo em mim poderia apagar… eu decidi tombar, meus olhos viraram, meu corpo amoleceu, deixei cair saliva pela boca, meu pulso… quase sumiu, eles recuaram, um deles se assustou. — “Acho que ela... passou.” Yoshiro entrou se agachou perto de mim, segurou meu rosto. — “Isso é tudo, Milena? A Soberana morreu assim… suja, rasgada, desfeita?” Eu deixei uma lágrima escorrer, falsa, mas convincente, então, com os lábios partidos, murmurei: — “Me leva daqui… pai.” Yoshiro congelou, não era verdade, eu nunca aceitei isso, mas naquele momento… eu soube o que quebraria ele, O ego, Ele se levantou, eu ordens curtas. — “Preparem um quarto. Banho quente,roupas novas.” — “Vai soltar ela?” — um dos capangas questionou. — “Ela se dobrou, agora é minha.” Horas depois – Quarto escuro, mas limpo,Estou deitada, a água quente queimava, mas lavava, as roupas tinham cheiro de flor, havia até um espelho, Yoshiro me trouxe chá, deixou livros, música ambiente, tentava reprogramar minha alma, mas o que ele não sabia “Quanto mais me oferece conforto,mais eu estudo as frestas do c*******o,mais eu conheço seus ritmos,mais eu me torno o veneno dentro da casa dele.” Estou sozinha, frente ao espelho, toco meus lábios, sangue seco, as marcas, sorri, cansada, mas com os olhos brilhando. “Eles acham que me salvaram,mas fui eu quem decidi viver,fingir submissão… é o preço da porta aberta.” Pego o grampo do cabelo, o primeiro item de uma futura fuga,então sussurro “Fábio…Bruno…a guerra vai começar.” Quarto de observação – Dia 13 de cativeiro Yoshiro mudou o tom, deixou de me bater pra me adestrar, aos poucos, trouxe livros, perfumes antigos, uma cadeira de balanço e...erguntas. — "O que te motiva, Milena?" Respondi baixo, com a voz quebrada: — "Ser cuidada por alguém que me entenda." Mentira,mas ele queria isso,um eco de afeto, então, dei a ele, gatilhos emocionais, esse era o jogo. Etapa 2 — Vigiando a rotina –Corredor de acesso – Dia 14 Fingindo tontura, ganhei permissão para caminhar pelo espaço controlado, notei três coisas:os turnos de troca de guarda duravam 27 minutos, um dos seguranças, Kenji, fumava escondido perto da entrada elétrica, o banheiro tinha uma grelha solta no teto — dava pra alcançar com ajuda. Voltei pro quarto, fiz anotações mentais, e chorei.,chorei como nunca, por cena, gritei. sussurrei o nome de Yoshiro, beijei a mão dele com gratidão. — "Você me salvou." E ele acreditou, porque homens assim preferem mentiras ditas com olhos molhados do que verdades ditas com faca na mão. Etapa 3 — Criando um cúmplice – Quarto de contenção – Dia 15 Kenji, oguarda fraco, usei perfume, roubei um cigarro, dividi com ele, sorri entre tosses falsas. —"Quando tudo isso passar, quero uma casa no campo,Longe dos gritos." Ele me ouviu, baixou a guarda, me deixou segurar o rádio por um segundo, um segundo, mas foi o suficiente, gravei a frequência. Me conectei com o mundo de fora. A Fuga – noite do Dia 17 – narrador onisciente Milena está no banheiro, a grelha acima da cabeça, a cadeira do quarto, desmontada, os pés cortados, as mãos feridas, mas a vontade? Afiada, ela sobe, se arrasta, respira poeira, engole o medo, chega até o corredor da manutenção, ativa o rádio, sussurra uma palavra-chave gravada com Bruno anos atrás: "Babilônia caiu." Do outro lado do mundo, o código aciona uma rede adormecida, Bruno se levanta, Fábio pega a arma, Thiago e os outros correm para os carros,Bene sorri com o cigarro na boca,ele sabe a neta que tem, o inferno vai acordar. Milena caminha entre sombras, com o cano de ferro da cadeira como arma, silenciosa, fria, letal, o primeiro guarda não a vê, o segundo vê tarde demais, quando chega na porta de aço… Yoshiro está lá, sozinho, como se soubesse que ela viria, Milena sangra. Ele sorri. — "Você ainda acha que pode sair daqui, pequena loba?" — "Não ! eu sei que vou sair, mas não sei ainda se com o seu corpo…ou só sua cabeça." Há sangue nas paredes,dois homens tombam atrás dela,Yoshiro observa enquanto seus homem tentam parar Milena sem sucesso um com a garganta aberta, outro com o crânio afundado o ferro da cadeira ainda em sua mão, a camisola, agora vermelha, o olhar… morto por dentro, vivo de propósito, — “Você sobreviveu, pequena loba,mas agora… vai morrer como símbolo.” — “Eu morri no dia em que me prendeu, o que sobrou aqui…é a sentença final.” Ele avança,rápido, feroz, Milena tropeça, cai mas ri como se dançasse com a more, Yoshiro levanta a espada mas ela rola pro lado, em um movimento perspicaz ela chuta o joelho dele fazendo assim o mesmo se quebrar,devido a força do impacto,Yoshiro gritou — “Você queria que eu fosse sua ?” — “Você é minha obra-prima.” — ele sussurra, cuspindo sangue. — “Então admira.
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