Sangue Frio, Alma Oculta

1115 Words
Milena Peu levantou as mãos, assustado. Pela primeira vez em muito tempo, ele estava com medo de verdade. Me aproximei, encarando ele nos olhos. — “Isso é pra você aprender que mulher nenhuma é tua propriedade. E que quando você brinca com alguém, uma hora a conta chega.” — “Tu vai me m***r?” — ele sussurrou, com os olhos arregalados. — “Não. Isso seria fácil demais. Tu vai viver com a humilhação.” Eu fiz sinal com a cabeça. Dinho puxou a câmera do carro e filmou Peu ajoelhado, desarmado, rendido. Depois mandou o vídeo pros grupos que Peu vivia se gabando de ser “o cara”. Três dias depois Eu caminhava pelas ruas da vila com os fones no ouvido, curtindo o respeito silencioso que agora a seguia. Ninguém mais ria pelas costas. Ninguém encarava tempo demais. eu era temida. Mas não era só isso... era observada. Enquanto comia um salgado na lanchonete da esquina, um carro prata, vidros escuros, parou lentamente do outro lado da rua. O motor ficou ligado. O vidro do passageiro abaixou apenas alguns centímetros. — "Milena Yamaguchi?" — a voz masculina era firme, sem sotaque. Me virei devagar. Não respondi. — "Entra aqui. Temos uma proposta pra você." Eu riu. Dei mais uma mordida no salgado. — "E se eu não quiser?" — "Você vai querer. Isso aqui é maior que Peu, maior que escola, maior que vingança. É o mundo real." Curiosa e cautelosa, eu entro. O banco de trás era espaçoso e escuro. Um homem de terno, com expressão séria, me observava. — "Sabemos o que você fez com Peu. Vimos a gravação. E, mais importante, vimos como você pensou em cada detalhe. Você tem frieza, estratégia... coragem. Coisas que não se ensinam." Ficou em silêncio. O coração acelerado, mas o rosto inexpressivo. — "Estamos montando uma célula. Jovens como você. Inteligentes. Invisíveis. Uma força que se move entre os vilas, escolas, redes sociais... onde ninguém espera. Você seria útil." — "E o que vocês ganham com isso?" — rebato. — "Controle. Informação. Influência. Queremos moldar o futuro das ruas. Dos bairros. Mas pra isso precisamos de soldados que pensam como generais." Olhei pela janela. Aquilo era um convite perigoso. Mas ao mesmo tempo… era como se a vida estivesse me entregando um propósito. Um jeito de nunca mais vacila, De ser parte do jogo — mas jogando nas sombras. — "E se eu recusar?" O homem sorriu pela primeira vez. — "Você é livre. Mas saiba: mesmo se sair agora… o mundo que você entrou com Dinho… já te puxou. O sangue já secou na tua mão a muito tempo Milena. Agora ele te pertence." Eu sai do carro, com um cartão simples na mão: um número. Sem nome, sem nada. Apenas os quatro últimos dígitos: 0913. Naquela noite, deitada na cama, encarava o teto. O telefone na mão, os olhos no número. Eu sabia que a escolha que fizesse agora iria mudar tudo. E, no fundo, já sabia o que eu iria fazer. Com um toque firme, digitou: "Estou dentro." Depois de aceitar o convite daquela organização misteriosa, comecei a desaparecer aos poucos da vida comum. Deixei de ser só “a menina que bateu na Katia”, ou “a ex do Peu”. Passei a ser ninguém,so mais uma nos corredores do colégio e nas ruas. Invisível. E era exatamente isso que eles queriam. O treinamento não aconteceu em campos, nem em ginásios. Aconteceu na mente. Foram semanas de doutrinação psicológica. Leitura de pessoas. Estudo de sistemas de segurança. Comunicação por códigos. Aulas com ex-militares, psicólogos e hackers. aprendi a disfarçar emoções, a plantar mentiras como quem planta sementes — e a colher resultados. Eu agora atendia por um codinome: Aka — vermelho, em japonês. Um apelido que não foi escolha minha, mas da organização que reconheceu o sangue que corria em suas veias. Certa noite, depois de completar uma missão onde expôs um vereador envolvido com tráfico de mulheres, voltei para minha casa,como sempre fugindo na minha querida madrasta,dei um beijo rápido na vitoria ,e segui para meu quarto, ao abrir a porta, encontrou um envelope preto sobre a mesa. Dentro, uma única folha: "Sabemos quem você é de verdade. Está na hora de parar de fugir do que carrega no sangue. Comando Vermelho ou Yakuza? Vai ter que escolher. Meu coração quase parou. Nunca contei sobre minha família,so Peu sabia sobre meu avó,afinal trabalhava para ele,sera? Por parte da minha mãe, a linhagem vinha do Japão, de uma família ligada à Yakuza de Osaka. Por parte do meu pai, sou neta de um dos fundadores do Comando Vermelho, do Rio de Janeiro,mesmo não tendo mais contacto com meu vô Bene sei que ele sabe de tudo que acontece aqui ,sempre foi assim,sera que ele sabe onde estou me metendo?,meus pensamentos não me deixam em paz. Me sentei no chão, com o envelope na mão. A cabeça girava. Eu tinha entrado nesse jogo pra me proteger. Pra me vingar. Mas agora... era como se a própria escuridão da sua linhagem estivesse puxando ela de volta. Alguns dias se passaram,a rotina normal de sempre casa escola ,as vezes uma coisa ali outra aqui,então recebi uma nova missão: infiltrar-se em uma operação de tráfico de armas que envolvia membros do Comando Vermelho atuando discretamente em Curitiba. Ao ver os nomes, congelei. Um deles era Leandro “Leco”, meu tio. Aceitei. Silenciosamente. Mas por dentro, algo se partia.so tinha o visto uma única vez apos a morte do Lucas,morte essa que foi minha culpa,aquela vez que estivemos próximos,no velório da Tia Carla,nem não falamos.eu não tinha coragem de olho para ele . Na noite da operação, eu entrei num galpão como se fosse uma compradora do Paraguai. Roupas caras, peruca loira,maquiagem que disfarçava minha idade, sotaque falso. eu fui levada até o “Leco”, que não me reconheceu de imediato. afinal eu estava irreconhecível. Mas ao encarar os olhos dele… algo brilhou. — “Tu tem os olhos do teu pai…” — ele sussurrou. Congelei. Mas continuei o teatro. Quando tudo parecia correr como planejado, o galpão foi cercado. Fui me virando para sair — mas fui traída pela organização. Eu era só isca. Um peão descartável para derrubar os intermediários. Na confusão, tiros, gritos, correria. Eu escapei por pouco, ferida no ombro. E naquele momento, no sangue que escorria quente por minha pele, Fiz um juramento: Nunca mais ser usada. Nunca mais ser peão. Eu não escolho a Yakuza. Não escolho o Comando Vermelho. Serei Uma sombra. Um nome que os dois lados temeriam.
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