— “Pronta pra quê?!”
Ele solta a fumaça e, por fim, deixa cair a máscara:
— “Guerra.”
Ele caminha até um mapa digital iluminado na parede.
— “Thiago está prestes a assumir o braço da Yakuza que opera na tríplice fronteira — Paraguai, Brasil, Bolívia. Mas tem um problema: há um pedaço da Yakuza que se aliou ao PCC. Nós temos que cortar a cabeça.”
Escuto tudo Muda. Atônita.
— “E eu?” — pergunto, com a voz de quem perdeu tudo.
— “Você, minha menina… vai assumir o que eu deixei: a guerra urbana, psicológica. Redes sociais, tráfego de informação, células silenciosas. Sua célula vai se fundir à de Thiago. Vocês vão controlar a linha entre o invisível e o visível. Entre a lâmina e a câmera.”
Encaro o mapa,minha cabeça girando,eu, neta de traficante,irmã de um príncipe da máfia japonesa,amante do próprio primo.
Líder de uma organização invisível, e agora, peça central em uma guerra entre dois mundos, é como se o universo decidisse cuspir mais um veneno:
Notificação no celular. Nome na tela:
Mensagem curta:
“A gente precisa conversar. E sei tudo.”
Gustavo
Quase derrubei o celular.
Meu vô vê a reação minha reação ao olhar para o celular e sorri de canto.
— “Ele vai te destruir se você não usar a cabeça. E cuidado com o Fábio. Quando o amor entra, a estratégia morre.”
Eu recuo, de novo aquele medo gelado rastejando na nuca.
— “Fábio é seu braço direito. Leal. Inteligente. Silencioso Mas... também apaixonado.”
Fecho meus olhos. Respira fundo,abro devagar, agora sem alma.
— “Então vamos à guerra.”
Sai da sala sem olhar para trás.
03h42 – Três dias após a conversa com vô Bene
A chuva voltou,no Rio, ela nunca cai. Ela invade como tudo na minha vida.
O telefone vibra. Outra vez.
Fábio.
Queria atender. Dizer que está tudo bem. Que ainda confio nele,mas a verdade é que não sei mais em quem confiar.
Desde que Bene cuspiu aqueles segredos na minha cara — que Bruno e Alessandra são meus primos, nada faz sentido.
Nada, exceto o silêncio.
04h01 – Número desconhecido
“Já que você não responde, talvez responda isso:
O Gustavo já está dentro da sua organização
Acha mesmo que o velho ia te contar tudo?”
Meu corpo gelou,Gustavo voltou, entrou pela porta da frente.
07h12 – Zona Oeste
Entro com o cabelo preso. Ar severo. Jaqueta preta da organização, braço direito à mostra com a tatuagem nova: o ideograma da Yakuza que Thiago me mandou do Japão
* (paciência, resistência).
Todos se levantam quando me veem,Inclusive ele,Gustavo,está ali, sentado na cadeira onde o Fábio costumava estar,rosto limpo, sorriso contido, olhos que me despem.
— “Quanto tempo, Milena.” — ele solta, como se estivéssemos no pátio da escola.
— “Nem tanto assim, Gustavo. Parece que você andou estudando a casa.”
Ele sorri.
— “Fui bem treinado. o japones me ensinou mais do que você pensa.”
—Japones?
A ficha cai.
— “Thiago sabia?”
— “Ele me chamou.”
O chão some debaixo de mim,meu irmão, meu gêmeo, me traiu? ou pior... me poupou? mais tarde, sozinha na sala de comando, a ficha continua caindo,Gustavo não voltou por mim,voltou pela informação,pelo trono invisível, e talvez...talvez pelo meu sangue.
Gravo um áudio pra Thiago:
— “Ou você começa a falar a verdade, ou eu vou arrancar ela de cada garganta que tentar me engolir.”
Envio.
Minutos depois, a resposta chega:
— “A primeira missão começa agora. Eu já estou no Brasil.”
18h47 – Hangar secreto, interior do Rio
La esta ele Thiago meu irmão por anos meu confidente meu porto seguro, mais alto,cabelos mais escuros do eu me lembrava a pele um pouco mais pálida totalmente ao contraria da minha,a nossa maior diferença era o que nos unia, olhar afiado, terno sob armadura tática,traz cicatrizes novas, e um colar com o símbolo da família em Kyoto.
— “Você tá diferente”
— “Você também”
Ele sorri. E por um segundo, eu sou criança de novo,mas só por um segundo.
“A missão é limpar a célula traidora no Mato Grosso do Sul. Gustavo vai com a gente.”
— “Você é louco?!”
— “Confio nele.”
— “E em mim?”
— “Sempre. Mas você precisa entender: Gustavo quer se redimir. E ele está disposto a morrer por isso.”
Engulo o veneno seco na garganta,Fábio ainda não apareceu, está sumido há 48 horas,e Gustavo...
Gustavo está mais presente do que nunca,subimos no avião.
Me sento ao lado da janela. Thiago ao centro. Gustavo no fundo.
Antes de decolar, uma mensagem aparece no meu celular.
Fábio: "Eles vão te usar. O velho, Thiago, Gustavo. Todos. Você tem que decidir quem você vai ser. Não o que eles querem que você seja."
E pela primeira vez...eu não sei quem sou.
Mato Grosso do Sul
– 02h13 da madrugada
A missão era clara: identificar, infiltrar, eliminar, célula da Yakuza aliada ao PCC havia estabelecido um novo centro de inteligência.
Faziam tráfico de dados, não só de armas e d***a, eu era o vírus que a organização precisava soltar dentro da rede.
Mas não estava sozinha, Thiago. meu irmão, agora mais guerreiro que humano, Gustavo. Ex-amigo Ex-namorado, Infiltrado.
Fábio. O braço direito que desapareceu... e agora estava ali.
Eu encaro Fábio do outro lado da clareira, os olhos dele estão escuros de mágoa, mas ainda quentes de desejo.
— “Você sumiu.” — eu falo grossa, a arma meio erguida.
— “Você me tirou de jogo como se eu fosse descartável.”
— “Você se apaixonou.”
— “E você me usou.”
Ficamos frente a frente, os dois armados, os dois feridos.
— “Você ainda confia em mim?” — ele pergunta, voz rouca.
Engolu seco.
— “Depende. Você veio aqui pra me m***r ou pra me proteger?”
Ele sorri de lado, e joga a arma no chão.
— “Pra te lembrar quem você era… antes de tudo isso.”
A missão começa.
Eu e Thiago entramos disfarçados no galpão-fortaleza.
Rosto coberto. Comandos em japonês. Gustavo no ponto remoto, me guiando pela câmera térmica, eliminamos silenciosamente os sentinelas, Eu hackeio o servidor, baixo os dados.
Quando a voz de Gustavo estala no ponto:
—"Milena, FÁBIO SUMIU DO MAPA."
Eu paralisa, o sistema trava de repente, o galpão escurece ,um único sussurro ecoa nas caixas de som:
—“Você ainda me ama, Milena?”
Era Fábio, tinha virado a chave, agora ele era o código-fantasma da missão.
Horas depois, num hotel de beira de estrada, eu está sozinha, o corpo sujo, as mãos tremem adrenalina virou cansaço mas a cabeça… gira.
A porta bate ,Fábio, ferido, ensanguentado, vivo.
— “Você mentiu pra mim. Pra todos.”
— “Você sumiu. E voltou quebrando tudo.”
— “Sabe por quê?” — ele chega mais perto. — “Porque te amo. E te odeio por isso.”
— “Então me destrói de uma vez.”
E ele a puxa.
Beijo violento,beijo de raiva, de desejo, colidimos como dois atomos,as roupas somem.
Os gemidos se misturam ao som da tempestade lá fora,não há carinho, só guerra,s**o suado, urgente, sujo.
Eu gemia como quem sangra e Fábio seguro como quem afunda.
Ali, na cama de lençol barato, nos dois selamos uma aliança feita de desejo e morte.