A descoberta e a reação

1473 Words
No Brasil o galpão também testemunhava uma conversa nada agradável. - Você deveria estar morto, se eu tivesse sido mais inteligente estaria. Seria o primeiro, mas buscaria cada um dos que se envolveram com a morte do meu irmão. Ela apareceu e eu fui fraco, graças a isso, agora sou cornο. Foi atrás da minha mulher e eu quero que saiba que não vai acontecer outra vez, ou enterro os dois vivos. É tudo o que precisa saber. Pablo teve de Ming a resposta que não conseguiu da esposa, Rachel tinha jurado que nada de errado aconteceu naquela noite, mas as lembranças estavam lá, nada muito claro, mas o choro de Lis ainda o fazia acordar a noite. - O bar! Eu não bebi tanto assim, foi você. - Fui, fui eu, mas você estava se divertindo. Comendo a minha cunhada enquanto a sua noiva tentava salvar a sua vida. Nunca entendi o que faz uma mulher como Lis se apaixonar por um frouxο como você. Não é nada! Só um bostα brincando de enfiar o pαu em qualquer lugar para compensar o fato de ser só um aleijado de merdα. Fez a sua escolha e ela a dela, vai viver com isso, ou morrer choramingando como é típico de pessoas como você. Pablo golpeou o rosto do chinês com a mão esquerda, o maxilar de Ming foi quebrado com apenas um golpe, o braço robótico lhe conferia mais força, mas não foi uma escolha, só reação. O homem estava inconsciente já após o primeiro golpe, mas Pablo não parou, a raiva que sentia de si mesmo, e tudo o que passou durante aquele tempo o fizeram cego. Estava chorando apesar da raiva e a única coisa que falava com algum sentido era por lembrar da noite de réveillon. - A gente ia se casar! O hacker só parou de bater no rival quando Sombra entrou achando que os barulhos eram o oposto, pensou que Ming era o perigo e não o amigo. Olhou por alguns minutos, gostaria de ter uma cerveja gelada, se sentar para assistir, mas o dever o chamava. - Parou, Pablo, vamos trazer ela de volta, eu juro que vamos! O hacker parecia uma criança chorando abraçado ao subchefe, a saliva no canto da boca, os olhos que teimavam em não obedecer... - É culpa minha, foi eu, foi por minha causa, eu briguei com ela, eu achei que ela estava me traindo, eu... Falou várias coisas, poucas deu para entender, mas a dor e o desespero eram óbvios. Ming foi levado para o centro médico e Pablo voltou para casa, estava cego pelo ódio e quebrou a porta do chalé quando entrou. - Por que não me falou sua vαdia manipuladora? Eu vou te matar eu juro que vou! Rachel estava com Noah no colo, segurou o filho desde que o marido saiu para falar com Ming, imaginava aquele desfecho e pensou que o filho aplacaria a raiva de Pablo. - Pablo você está me assustando! - Assustando? Você não viu nada sua vagabundα! O hacker segurou o braço de Rachel e a fez soltar o filho, Pablo colocou o bebê no berço, Noah estava chorando por causa da confusão, mas isso não o impediu de arremessar a esposa para fora de casa. - Some daqui! Da minha vida! - Pablo, vamos conversar, por favor, eu te amo, para com isso, você não é assim. - Você não sabe quem eu sou, mas vai descobrir se eu vir essa sua cara dissimulada na minha frente outra vez, esquece que teve um filho, ou eu juro que ele vai ficar órfão. A esposa de um dos soldados ajudou a mulher a se levantar, Rachel estava chorando compulsivamente, não apenas por estar machucada, mas pela vergonha e principalmente porque realmente tinha acreditado no sonho que achava estar vivendo. Pablo não era carinhoso, nem romântico, mas era um porto seguro, alguém com quem conversar, uma pessoa que admirava e respeitava. De certa forma se sentiu bem ao lembrar que Lis teria ao lado de Ming a mesma vida que ela teve ao lado de Wan. Rachel era casada com Wan, o antigo líder da Tríade, o homem foi assassinado após cometer o erro de sequestrar Endi, o filho do subchefe da máfia americana. Ela foi resgatada por Dylan, o marido da mulher que agora a acolhia, pensou que o destino não aplicava lógica aos seus desenhos. No passado, Rachel teve um flerte com o marido de Zoey, trocaram fotos íntimas e chegaram a marcar um encontro que foi arruinado quando o falecido marido descobriu a traição. Agora, era Zoey quem a ajudava a escapar do seu segundo marido. - Obrigada, estou bem, vou ficar bem, ele só está nervoso. Zoey conhecia o hacker, era incapaz de usar a violência contra quem quer que fosse, lutou em situações extremas e que não teve como evitar, mas jamais iniciava uma confusão, gostava do seu mundo pacato na frente dos computadores. - O que você fez, Rachel? A chinesα confessou o que tinha acontecido e como o marido descobriu e Zoey também teve vontade de bater em Rachel. - Qual o seu problema, hein? Deu em cima do meu marido, do noivo dela, e sabe mais lá de quantos homens comprometidos, indiretamente ela salvou a sua vida e você, mais do que ninguém, sabia o que ela ia passar nas mãos desse lunático e mesmo assim ficou quieta e se enfiou na cama do homem dela como uma cobra. Sério? - Obrigada por me ajudar, eu vou para casa. - Senta aí, você não vai a lugar nenhum! Ele vai acabar te matando e sendo punido por isso. Esse lugar tem regras estranhas, porque de onde eu venho você que deveria pagar. O chefe do morro já teria reunido as meninas pra te dar uma lição, mas aqui são certinhos demais para isso, então senta e cala a boca e se olhar para o meu marido quando ele chegar aí é comigo, pirαnhα. Rachel foi levada da casa de Zoey para um hotel, Ivan entregou o filho a ela, sabia que Pablo sofreria, mas era o certo, não iria separar um bebê da mãe só porque ela cometeu um erro. - Vamos encontrar um lugar adequado para vocês, Rachel, ficaram seguros e todas as despesas serão custeadas por nós, tudo que o moleque precisar, qualquer coisa, pode entrar em contato comigo, mas espero que entenda que não há mais lugar para você no condomínio, por enquanto, fica aqui, mas só até encontrarmos uma casa confortável e perto o bastante para que Pablo possa visitar o filho. - Ivan, não, olha, a gente vai se acertar, foi só uma briga de casal, é normal. - Não, não é normal e ele vai pagar por cada marca que deixou em você, pode ter certeza disso. E aproveite para aprender que homem nenhum, não importa o motivo, tem o direito de bater em você. Caso vocês se acertem você está errada e aí os dois estão fora da família, não vou compactuar com esse tipo de cena, não na minha casa. Rachel recebeu um cartão de crédito e autorização para usar com o que precisasse, mais tarde haveria um teto para os gastos, mas em meio a situação Ivan entregou o próprio cartão para a garota. Pablo realmente pagou o preço pelo descontrole, foi posto no ringue com outros oito soldados, só não sentiu a surra que levou, estava em uma espécie de transe que o tirou a capacidade de sentir, ou pensar em qualquer coisa que não fosse a ex-noiva e tudo o que tinha feito e falado, as vezes que a acusou de estar traindo, as desconfianças, o que falou dela inclusive para outros soldados, o casamento com Rachel, ter trαnsado com outra mulher na cama dela, na casa dela... Se culpava por muitas coisas, e isso doía muito mais do que a surra que levou. Ivan e Sombra ainda não sabiam o que fazer, se o deixassem solto estragaria o plano que tinham, sabiam que Pablo não deixaria Lis continuar com Ming depois do que descobriu e de acordo com Dragón a garota também não estava tão decidida assim a ficar longe do hacker. Isso era só mais um dos problemas que tinham para resolver, ainda precisavam torcer para Ming acordar e desejar mantes o acordo, ou tudo seria em vão. - Magrelo, essa sua ideia é uma bostα, vai acabar fodеndo todo mundo. - Quando te coloquei em roubada, Grandão? - Posso começar a lista? Deram risada e dividiram algumas cervejas, podiam ter muitos problemas para resolver, mas fariam isso juntos como sempre foi. Desde que se tornaram amigos quando Ivan era só um empresário em uma cadeira de rodas e Sombra um soldado executor de Hermes, até hoje, enfrentaram cada passo, juntos.
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