Encontro com o Diαbο

1012 Words
Lis andava de um lado para o outro no quarto, Ming havia partido há três dias e não tinha nenhuma notícia, apesar de não ser com ele a sua preocupação, não saber o que estava acontecendo a adoecia. Sentia como se dessa vez realmente estivesse presa, parecia que tinha inclusive carcereiros de luxo, as descobertas sobre as ações de Ming beiraram o absurdo quando descobriu que tinha uma nutricionista contratada para decidir o cardápio. - Não pode estar falando sério! - Estou, fui contratada para fazer o seu plano alimentar, seu marido nos disse que tem diabetes e precisa de cuidados. - Eu não preciso disso, quero falar com ele, sabe onde ele está? Não sabiam, os salários foram pagos antecipadamente e os seguranças não falavam com a garota, mas naquela noite, de repente percebeu que a casa ficou silenciosa demais. Olhou o relógio, ainda era cedo, não tinham sequer jantado e normalmente estaria ouvindo o transitar das faxineiras, o barulho da cozinha, conversas dos seguranças. Estranhou e saiu do quarto com a esperança de que Ming tivesse voltado, queria respostas, precisava saber se Pablo estava bem, encontrou Hosmyn sentado na poltrona, no escuro e segurando um copo de dose de rum. O homem olhou para Lis com um sorriso quase debochado. - Bebe comigo? - Meu marido não está, precisa ir, ele não vai gostar de saber que entrou sem a permissão dele. Mais uma risada, dessa vez ruidosa. - Não tem mais marido, senhora, nem amante. Vim trazer as boas novas, é uma mulher completamente livre, meu irmão não te quer mais e o seu amante teve seu encontro com o diαbο. O aperto no peito de Lis foi tão forte que não conseguiu respirar, apesar de não conhecer Hosmyn sabia que era alguém perigoso, voltou para o quarto, olhou ao redor, tentou pensar em qualquer coisa que pudesse usar como arma. Usou uma fronha de um dos travesseiros para quebrar o espelho do banheiro, conseguiu um pedaço pontiagudo o bastante e enrolou o tecido em uma das extremidades do vidro. Esperou pelo que sabia que iria acontecer, conhecia o olhar de Hosmyn e sabia que a vingança de homens como aquele vinham de agressões e estupros. No entanto, Lis estava mais do que treinada em como lidar esse tipo de pessoas, correu para o quarto não por medo, mas por saber que isso o atrairia, ele não atiraria, gostam de ver a vítima gritar e correr, por isso ela deu a ele o sabor de achar que estava assustada. Apesar de saber todos os passos que deveria dar, a frase do homem ainda ecoava em sua mente. “...e o seu amante teve seu encontro com o diαbο”. Afastou o pensamento, precisava estar focada, mas o peito insistia em doer pelo medo de que fosse verdade. Ficou ao lado da porta e ouviu quando Hosmyn caminhou assoviando uma canção alegre. Foi a última música para o hondurenho, Lis cravou o pedaço de espelho no pescoço do homem e retirou em seguida, assistiu à pulsação expulsar o sangue e a vida arrogante do líder da Tríade, quando a respiração cessou ainda contou o placar. - De três só falta um. Cuspiu sobre o corpo de Hosmyn, tomou um banho e escolheu uma roupa, sairia dali mesmo que precisasse matar cada homem e mulher da casa, não precisou, o líder da Tríade já havia feito parte do serviço com os funcionários e os seguranças foram dispensados. Pegou o celular na roupa de Hosmyn e ligou para o subchefe, não se lembrava do telefone de Solar e o de Pablo estava desligado. O silêncio do outro lado da linha delatava que Ethan havia atendido, mas estava confuso sobre a quem pertencia o número que o chamava. - Ethan, sou eu, Lis, preciso de ajuda. Ganhou a atenção de Sombra e explicou o que tinha acontecido. - Vou te mandar um endereço. Em pouco tempo estava no hotel que Drágon se hospedou com a esposa, o Sevilla Palace é um hotel completamente diferente do que ficou hospedada com Ming, simples e quase provinciano, mas a atraiu imensamente mais. Foi anunciada e autorizada a entrar, mas a primeira coisa que Lis perguntou assim que a porta do quarto abriu foi sobre o hacker. - Pablo? Dragón apenas negou, também não sabia nada a respeito do paradeiro de Pablo, contou sobre como encontrou o quarto, o sangue. Lis abaixou a cabeça, passou a mão no cabelo, tentou raciocinar, mas a frase de Hosmyn sempre a atingia como um punhal. “...seu amante teve seu encontro com o diαbο.” ­Usou o telefone de Hosmyn e ligou para Ming, sabia que ele atenderia. - Já disse para não me ligar! - Sou eu Ming, preciso falar com você, por favor. O chinês não entendeu como o telefone de Hosmyn foi parar nas mãos de Lis, mas quando ela explicou o que havia acontecido a pergunta de Ming denunciou que ele ainda se importava. - Ele... você está bem? - Ele está morto, esse é o tipo de poder que tenho ao seu lado, lembra? - Me espere em casa, vou conseguir alguém para limpar a bagunça. Lis não sabia o que fazer, se concordar, se perguntar pelo ex-noivo, mas Dragón sinalizou para que ela aceitasse. Desligou o telefone e se despediu, estava aérea e apressada ao mesmo tempo e bastou um empurrão para que Lis desabasse. - Você está bem, Lis? Ela se virou para o mexicano, quis dizer que sim, mas não conseguiu. - E se ele estiver morto? E se ele falou a verdade? O que eu faço? Chorou e dessa vez foi abraçada, o medo que ele sentiu ao imaginar que Solar estava sozinha no hotel o fez entender o tamanho do desespero de ouvir que a pessoa que se ama está morta. Dragón sabia que pessoas como aquelas não mentiam, não sabia como dizer isso a Lis, por isso apenas a abraçou e torceu para que ela realmente pudesse ser forte, porque já não havia o que ser feito.
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