Lis andava de um lado para o outro no quarto, Ming havia partido há três dias e não tinha nenhuma notícia, apesar de não ser com ele a sua preocupação, não saber o que estava acontecendo a adoecia. Sentia como se dessa vez realmente estivesse presa, parecia que tinha inclusive carcereiros de luxo, as descobertas sobre as ações de Ming beiraram o absurdo quando descobriu que tinha uma nutricionista contratada para decidir o cardápio.
- Não pode estar falando sério!
- Estou, fui contratada para fazer o seu plano alimentar, seu marido nos disse que tem diabetes e precisa de cuidados.
- Eu não preciso disso, quero falar com ele, sabe onde ele está?
Não sabiam, os salários foram pagos antecipadamente e os seguranças não falavam com a garota, mas naquela noite, de repente percebeu que a casa ficou silenciosa demais. Olhou o relógio, ainda era cedo, não tinham sequer jantado e normalmente estaria ouvindo o transitar das faxineiras, o barulho da cozinha, conversas dos seguranças. Estranhou e saiu do quarto com a esperança de que Ming tivesse voltado, queria respostas, precisava saber se Pablo estava bem, encontrou Hosmyn sentado na poltrona, no escuro e segurando um copo de dose de rum.
O homem olhou para Lis com um sorriso quase debochado.
- Bebe comigo?
- Meu marido não está, precisa ir, ele não vai gostar de saber que entrou sem a permissão dele.
Mais uma risada, dessa vez ruidosa.
- Não tem mais marido, senhora, nem amante. Vim trazer as boas novas, é uma mulher completamente livre, meu irmão não te quer mais e o seu amante teve seu encontro com o diαbο.
O aperto no peito de Lis foi tão forte que não conseguiu respirar, apesar de não conhecer Hosmyn sabia que era alguém perigoso, voltou para o quarto, olhou ao redor, tentou pensar em qualquer coisa que pudesse usar como arma.
Usou uma fronha de um dos travesseiros para quebrar o espelho do banheiro, conseguiu um pedaço pontiagudo o bastante e enrolou o tecido em uma das extremidades do vidro.
Esperou pelo que sabia que iria acontecer, conhecia o olhar de Hosmyn e sabia que a vingança de homens como aquele vinham de agressões e estupros. No entanto, Lis estava mais do que treinada em como lidar esse tipo de pessoas, correu para o quarto não por medo, mas por saber que isso o atrairia, ele não atiraria, gostam de ver a vítima gritar e correr, por isso ela deu a ele o sabor de achar que estava assustada.
Apesar de saber todos os passos que deveria dar, a frase do homem ainda ecoava em sua mente.
“...e o seu amante teve seu encontro com o diαbο”.
Afastou o pensamento, precisava estar focada, mas o peito insistia em doer pelo medo de que fosse verdade.
Ficou ao lado da porta e ouviu quando Hosmyn caminhou assoviando uma canção alegre. Foi a última música para o hondurenho, Lis cravou o pedaço de espelho no pescoço do homem e retirou em seguida, assistiu à pulsação expulsar o sangue e a vida arrogante do líder da Tríade, quando a respiração cessou ainda contou o placar.
- De três só falta um.
Cuspiu sobre o corpo de Hosmyn, tomou um banho e escolheu uma roupa, sairia dali mesmo que precisasse matar cada homem e mulher da casa, não precisou, o líder da Tríade já havia feito parte do serviço com os funcionários e os seguranças foram dispensados.
Pegou o celular na roupa de Hosmyn e ligou para o subchefe, não se lembrava do telefone de Solar e o de Pablo estava desligado.
O silêncio do outro lado da linha delatava que Ethan havia atendido, mas estava confuso sobre a quem pertencia o número que o chamava.
- Ethan, sou eu, Lis, preciso de ajuda.
Ganhou a atenção de Sombra e explicou o que tinha acontecido.
- Vou te mandar um endereço.
Em pouco tempo estava no hotel que Drágon se hospedou com a esposa, o Sevilla Palace é um hotel completamente diferente do que ficou hospedada com Ming, simples e quase provinciano, mas a atraiu imensamente mais.
Foi anunciada e autorizada a entrar, mas a primeira coisa que Lis perguntou assim que a porta do quarto abriu foi sobre o hacker.
- Pablo?
Dragón apenas negou, também não sabia nada a respeito do paradeiro de Pablo, contou sobre como encontrou o quarto, o sangue.
Lis abaixou a cabeça, passou a mão no cabelo, tentou raciocinar, mas a frase de Hosmyn sempre a atingia como um punhal.
“...seu amante teve seu encontro com o diαbο.”
Usou o telefone de Hosmyn e ligou para Ming, sabia que ele atenderia.
- Já disse para não me ligar!
- Sou eu Ming, preciso falar com você, por favor.
O chinês não entendeu como o telefone de Hosmyn foi parar nas mãos de Lis, mas quando ela explicou o que havia acontecido a pergunta de Ming denunciou que ele ainda se importava.
- Ele... você está bem?
- Ele está morto, esse é o tipo de poder que tenho ao seu lado, lembra?
- Me espere em casa, vou conseguir alguém para limpar a bagunça.
Lis não sabia o que fazer, se concordar, se perguntar pelo ex-noivo, mas Dragón sinalizou para que ela aceitasse.
Desligou o telefone e se despediu, estava aérea e apressada ao mesmo tempo e bastou um empurrão para que Lis desabasse.
- Você está bem, Lis?
Ela se virou para o mexicano, quis dizer que sim, mas não conseguiu.
- E se ele estiver morto? E se ele falou a verdade? O que eu faço?
Chorou e dessa vez foi abraçada, o medo que ele sentiu ao imaginar que Solar estava sozinha no hotel o fez entender o tamanho do desespero de ouvir que a pessoa que se ama está morta.
Dragón sabia que pessoas como aquelas não mentiam, não sabia como dizer isso a Lis, por isso apenas a abraçou e torceu para que ela realmente pudesse ser forte, porque já não havia o que ser feito.