Capítulo:39-Stella POV

699 Words
Eu gritei e esmurrei a porta até ouvir Damian bater do lado de fora. ​— Damian, é você? Por favor, me tira daqui! — implorei. ​— O i****a do meu irmão te esqueceu aí... O Dylan realmente tem sorte — ele respondeu. O sarcasmo em sua voz era cortante, e o tom carregado de fúria deixava claro que, sem saber, eu havia me tornado o alvo mais fácil para a sua raiva. — Sabe, Estrelinha... enquanto você está aí trancada, meu irmãozinho está se divertindo nos braços da Anika. ​Minha única reação foi desabar na cama. Abracei o travesseiro com o cheiro de Dylan e chorei. Chorei até não ter mais forças para lutar, até a exaustão me vencer, enquanto as palavras de Damian ecoavam como uma sentença em minha mente. Ele queria alguém para descontar seu ódio e conseguiu; ele sabia exatamente onde ferir. Doeu. Machucou meu coração de um jeito que fez minha loba se calar diante da minha agonia. ​Acordei com a luz do sol atravessando a fresta da cortina. Tentei me mexer, mas senti braços fortes me envolvendo. Abri os olhos devagar e vi o rosto de Dylan, sereno no sono. Mesmo dormindo, ele me abraçava apertado, como se temesse que eu fosse fugir a qualquer momento. Senti-o se mover, puxando-me ainda mais para perto de seu peito, tratando-me como algo precioso. ​Evitei qualquer movimento. Voltei a fechar os olhos, esperando que ele acordasse primeiro. Eu não queria conversar; não queria ouvir explicações sobre sua "verdadeira companheira". Eu só queria fugir dali, sem desculpas ou promessas que jamais seriam cumpridas. O que eu realmente queria era o amor dele, e isso Dylan jamais poderia me dar por inteiro. ​Horas depois, senti-o despertar. Ele afastou uma mecha de cabelo do meu rosto e se levantou. Esperei até ouvir o barulho do chuveiro para me levantar e sair do quarto sem fazer ruído. Corri pelo corredor, esbarrando na i****a da Anika, e desci as escadas às pressas. Estava prestes a cruzar a porta da frente quando uma mão firme segurou meu braço. ​Virei-me e encontrei Damian. Seu semblante era sério, mas havia algo novo em seu olhar... algo além de raiva. Havia um ódio gélido. Fiquei imóvel, paralisada pelo medo do que ele seria capaz de fazer para atingir o irmão. ​— Bom dia, Estrelinha — ele disse, estreitando os olhos como um predador avaliando a presa. ​— Me larga, Damian! — exclamei, puxando meu braço, tentando me libertar. ​Vi quando Dylan surgiu no topo da escada. Estava apenas de calça de moletom, os cabelos ainda molhados. Notei seus punhos se fechando e sua mandíbula contrair quando ele nos viu. Mas Damian não recuou. Pelo contrário: puxou-me contra seu peito, segurou minha nuca e sussurrou em meu ouvido, tão baixo que apenas eu pude ouvir: ​— Eu quero vingança, Stella... e você é apenas o começo dela. ​Franzi a testa, sem entender o que ele dizia, mas, antes que eu pudesse protestar, ele esmagou seus lábios contra os meus. Senti seu cheiro amadeirado e o calor agressivo de sua boca pedindo passagem, devorando-me sem qualquer pudor. Não tive tempo de empurrá-lo ou xingá-lo; por mais que minha mente gritasse "não", meu corpo não resistiu. Ele era parecido com Dylan — o cheiro, a pegada, a brutalidade —, mas o gosto era diferente. Ele não era o meu Dylan. ​Tão rápido quanto começou, Damian se afastou. Ele me olhou de cima a baixo, lambeu os lábios de um jeito provocador e virou as costas. ​— Nada m*l, Estrelinha. Se eu soubesse que era assim, teria feito antes — ele debochou, saindo pela porta da frente e deixando-me sem reação. ​Olhei para trás e vi Dylan descendo as escadas com urgência, a fúria estampada em cada traço de seu rosto. ​— Que p***a foi aquela, Stella?! — ele perguntou, apertando meu braço com força excessiva. ​— Me larga, Dylan! Você está me machucando! — gritei, desvencilhando-me. — Me deixa em paz e volta para a vaca da sua companheira! ​Saí pela porta, deixando-o sozinho com sua fúria e suas escolhas.
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