Renata
Arrumo minha roupa depois da cena constrangedora que passei, quero saber como Andrei pôde fazer aquilo comigo em um cômodo aberto, não vou saber como olhar para Aline agora.
Saio dali e vou para a cozinha, no momento em que entro os olhos de todos os homens se direcionaram a mim, consigo sentir a vergonha passar por mim, vou até a cadeira e me sento.
—meu filho Nicolae estava dizendo como você achou estranho o seu chefe. / Diz Aurelious me olhando.
—eu achei um pouco estranho, mas provavelmente foi só imaginação minha. / Falo forçando um sorriso, Andrei está comendo como se nada tivesse acontecido.
—eu acho que você devia voltar para seu país, aqui não é lugar para você. / Diz Nicolae me olhando.
—ela quer conhecer o país e ficar aqui por um tempo, deixem ela em paz. / Andrei fala parecendo um pouco bravo.
—claro que quer ela aqui, está apaixonado por essa britânica. / Aline fala olhando o irmão, eu fico sem reação e com muita vergonha, será que eles esqueceram que eu tô aqui.
—chega dessa conversa, vamos comer. / Daciana diz e come um pedaço de carne.
Acho que eu nunca passei tanta vergonha na minha vida, parece que eles me vêem como criança. Sei que devo me cuidar mais já que estou em outro país, mas eles não precisam falar isso toda hora.
Depois de jantar vou para o meu quarto, tudo aqui é tão estranho, me sinto tentando desvendar um enigma, apesar de não ter motivos para me sentir assim.
Depois de fazer minha higiene dental vou para a cama dormir, deito na cama e fecho os olhos, adormeço rapidamente.
(...)
Acordo assustada, tenho certeza que ouvi um uivo. Me levanto da cama, saio do quarto e caminho pelos corredores em silêncio, a casa está completamente escura e ainda não amanheceu, vou até o quarto do Andrei, abro a porta e entro, ele está deitado na cama, mas parece que seus olhos estão abertos, me aproximo mais e tomo um susto quando ele me puxa para seus braços e me abraça.
—esta com insônia também?— pergunta me olhando, Andrei me solta e eu fico alí perto dele.
—acho que ouvi alguma coisa lá fora.— falo um pouco ansiosa e curiosa.
—Ren, por favor, não saia dessa casa de madrugada e em hipótese alguma na lua cheia. Você sabe que essas foram uma das regras para você ficar aqui.— Diz sério, acho que não devo desobedecer apesar de ser curiosa.
—tudo bem, mas sabe que não consigo dormir sozinha quando estou ansiosa.— Falo e consigo ver ele sorrir.
—pode dormir ao meu lado então.— diz com a voz animada.
—não, parece que vai tentar algo.— Falo lembrando do que ele fez ontem.
—prometo não tentar mais nada, ter você ao meu lado já me anima.— Ele parece estar dizendo a verdade.
Deito ao seu lado, Andrei coloca uma mão em cima de minha cintura, ficamos minutos assim até eu conseguir pegar no sono.
(...)
Acordo escutando uma discussão na parte de baixo da casa, me levanto curiosa e vou lá ver, quando chego lá a conversa para, será que eles ouviram eu chegando?
Entro no cômodo, todos estão comendo o café da manhã, me sento na cadeira e começo a comer.
—o britânica, me passa seu número de celular.— diz Nicolae me olhando.
—é Renata!— falo, mas ele não parece se importar muito.
O ruivo me entrega o celular dele e eu escrevo o contato, vejo que ele conversa com várias mulheres.
—esta afim de mim para estar olhando meus contatos?— pergunta o ruivo me olhando, fico com vergonha e entrego o celular dele.
—desculpa, qual das 17 mulheres que tem coração no contato é sua namorada?— pergunto curiosa.
—nenhuma, todas ficantes, não namoro, se quiser ter um coraçãozinho também...—interrompo o ruivo antes que ele diga o resto.
—não obrigada.— falo e término de comer o café da manhã.
Vou para o quarto fazer minha higiene diária, tomo um banho e escovo os dentes, vai ser meu segundo dia de trabalho, espero que continue sendo tranquilo.
(...)
Entro no carro de Nicolae para ir ao trabalho, apesar de ele parecer ser um cara que só pensa em mulheres é super atencioso.
—olha, Renata, recomendo que fique longe do seu chefe.— diz enquanto dirige.
—me de um bom motivo?— pergunto não tanto muita atenção.
—a maioria das estrangeiras que somem vem trabalhar aqui em empresas como a sua, minha família se preocupa com seu bem estar então, por favor, tome mais cuidado.— sua voz realmente mostra preocupação.
—eu irei tomar.— falo olhando a paisagem, vejo uma coisa passar pela floresta, acho que foi impressão minha.
—onde você aprendeu a falar romeno?— ele parece curioso.
—eu sempre estudei essa língua, mas seu irmão me ensinou a ser fluente.— falo olhando os cabelos ruivos dele.
(...)
Finalmente chegamos a empresa, saio do carro e me despeço de Nicolae, parece que vou ter que começar a trabalhar agora.
Entro no prédio e passo meu cartão na entrada, vou em direção ao escritório do chefe, bato na porta e entro quando ele pede.
—espero que já tenha se adaptado a morar na Romênia, senhorita Renata.— diz com um sorriso galanteador.
—sim, estou me adaptando muito bem, o que devo fazer hoje? Senhor Griffor....— meu chefe me interrompe.
—por favor, me chame de Anthony, estamos sozinhos, não precisa ser formal. Hoje irá tirar fotos do nosso trabalho e da empresa, um jornal vai publicar um artigo e quero que as fotos saiam ótimas.— diz com um sorriso, pelo menos o dia está lindo para as fotos.
—sim senhor.— falo brincando, vejo que seu olhar para mim não muda, parece interessado.
—pode ir, senhorita.— saio da sala dele e vou para minha mesa pegar a câmera.
(...)
Finalmente terminei, já mostrei as fotos para meu chefe e ele gostou, acho que vou no refeitório comer um pedaço de pizza antes de ir embora.
—oi, meu nome é Lana, sou nova na empresa também.— a mulher fala inglês, mas tem um sotaque estranho, seus cabelos são cacheados num tom de loiro escuro, seus olhos são azul meio cinza.
—sou Renata, é americana?— pergunto curiosa.
—sim, viu como o nosso chefe é gato?— pergunta alegre.
—não é para tanto.— falo, mas na verdade é sim.
—é uma pena que ele tenha noiva— diz meio para baixo, eu não sabia disso.
—ela deve ser muito bonita.— falo comendo meu pedaço de pizza enquanto ela come sua lasanha.
—deve sim, mas pelo que parece nosso chefe dorme com quem ele sente interesse, até presenteia com jóias caras e diamantes. Quero tanto conhecer conhecer a terceiro perna dele.— Engasgo ao ouvir ela dizer isso.
—você não deveria dizer essas coisas para quem acabou de conhecer.— Falo e ela ri inocentemente.
—já somos melhores amigas, falamos inglês e somos estrangeiras, já começamos bem.— Diz sorridente, ela é muito extrovertida.
—se você diz, então tá....— falo e término de comer.
—vai embora com alguém?— ela parece curiosa para saber.
—sim, por quê?— pergunto olhando para ela.
—eu ia te chamar para beber, mas deixa para outro dia.— ela fala e depois vai embora.
(...)
O dia vai até bom, até fiz uma amiga, espero que os próximos sejam tranquilos também.