Capítulo 03:

2525 Words
Taylor fechou a porta do quarto assim que entrou e sem saber o que fazer, deitou na cama. Fechando os olhos, ela ficou repassando a lenda em sua cabeça. Puxou a corrente por baixo da blusa e ficou encarou a pedra n***a envolta no cordão. - Isso é muita loucura. - suspirou. - O que meus sobrinhos diriam se soubessem que eu conheci o protagonista da lenda que eles tanto gostam. - sorriu. O sorriso sumiu do seu rosto ao lembrar dos sobrinhos, da irmã e dos pais. O que eles estariam achando naquele momento do seu sumiço? Deitando de lado Taylor suspirou com saudades de casa e não conseguiu segurar as lágrimas.     Archer ouviu o choro de Taylor e desceu as escadas, voltou pro escritório e encontrou Vincent encarando o quadro dele com Catherine. - Você não cansa de olhar? - É a única coisa que me restou dela, esse retrato. - Vincent suspirou e acariciou o rosto dela. - Taylor está no quarto dormindo? - Sim, eu a escutei chorando. - Archer respondeu. - É normal, ela deve estar com saudades de casa, preocupada com a família e os sobrinhos. - Sim, mas depois ela se acostuma. - Archer respondeu. - Você vai precisar conquistar a confiança dela, se dar bem com ela. - Eu sei exatamente o que fazer, já fiz a mesma coisa umas quatorze vezes antes. - Archer suspirou. - Às vezes ainda não acredito no que eu fiz, que nos trouxe tudo isso. - Os Deuses poderiam ter sido mais misericordiosos com você, com todos nós. - Archer respondeu. - Eu os desobedeci Archer. - Vincent suspirou. - O Deus dos quatro elementos, o da justiça, da guerra, da paz, o Deus que protege todos os animais, o Deus da fartura e o Deus que comanda todos os outros. Eu os desafiei, não soube lidar com o presente que eles me deram, preferi m***r ao invés de descansar e ir ao encontro de Catherine. De onde ela estiver, deve sentir vergonha de mim. - Vamos dar um jeito de acabar com essa maldição, eu não quero me transformar num lobo para sempre e não quero que você e todos os outros continuem como escravos dos Deuses. Meu pai, você e todo mundo merecem o descanso merecido ao lado de suas esposas. - Eu vou pensar em algo que possamos fazer. É melhor você ir descansar. - Você vai ficar rondando a floresta? - Vou, lembre-se que é meu trabalho. - Vicente respondeu e forçou um sorriso. Archer encarou o quadro de Vincent e Catherine. - Se eu contasse que tudo é real, ninguém acreditaria. - suspirou.     Na manhã seguinte Taylor acordou com a porta do quarto se abrindo. Assustada sentou na cama quando viu Archer entrar. - Trouxe seu café da manhã. - ele respondeu e se aproximou. Sentou na cama e colocou a bandeja de cabeça da manhã entre os dois. - Eu ouvi que você chorou a noite toda, algum problema? Taylor se encolheu na cama e encarou Archer e a bandeja que ele havia trazido. - Estou com saudades da minha família, preocupada com o que podem estar achando do meu sumiço. - Eles estão bem, eu garanto. - Archer respondeu. - Por favor, não chore. - a encarou. Taylor o encarou de volta e sentiu seu rosto esquentar, sem entender porque, ela mordeu o lábio inferior e abaixou a cabeça. - Obrigada por ter trazido isso. - apontou a bandeja, sem jeito. - Era o mínimo que eu podia fazer e você deve estar com fome. - Uhum! - ela assentiu e forçou um sorriso. - Vou deixar você comer em paz, se quiser depois tomar um banho, trocar de roupa, fique à vontade, tem roupas limpas no guarda-roupa. - apontou ao lado da cama. - É... Roupa de época ou, mais atual. - fez careta. - Roupas atuais, você não ia querer usar, que Vincent não me ouça, os trapos de 175 anos atrás. - sussurrou. Taylor riu negando com a cabeça e gostou quando Archer deu um sorriso. - Vou deixar você sozinha. - ele a encarou e deu as costas. - Uma última pergunta! - levantou a mão. - Pode falar! - Archer se virou e a encarou. - É... Os banheiros desse casarão aqui são, por exemplo, com chuveiro elétrico ou aquelas banheiras enormes onde o pessoal tomava banho antigamente? - Vem comigo e eu respondo sua pergunta. - Archer respondeu. Taylor ficou de pé e seguiu Archer. Ele abriu as portas duplas ao lado do guarda-roupa dela. Taylor arregalou os olhos ao ver um banheiro luxuoso. A banheira que tinha dois encostos e a pia, eram feitas de marfim. O banheiro inteiro era recoberto de azulejos em tom de azul marinho. Uma parede de vidro dividia o banheiro em dois e atrás dela tinha o chuveiro elétrico e a privada. - Pra um casarão tão antigo, esse banheiro ta bem moderno. - Taylor sorriu aprovando o ambiente. - Foi o Vincent quem fez tudo isso. - Archer respondeu. - Assim como também foi ele quem preservou todos esses móveis para que o tempo nos os destruísse. Em 175 anos, ele aprendeu muita coisa. - Mas como ele conseguiu, onde ele arrumou o material para fazer tudo isso? - Eu comprei tudo quando ainda era “vivo” para as pessoas e também criei uma identidade falsa, todos acreditam que quem cuida dos meus negócios agora, é um primo distante que vive em outro país. - Deve ser complicado viver assim! - Eu não posso contar que forjei minha morte, iria pra cadeia no mesmo instante, sem contar os desaparecimentos dos quais eu e Vincent somos responsáveis, claro que ele não pode pagar por isso, mas... - Entendo, as coisas se complicaram com o tempo e agora se você disser que está vivo... - Minha situação ficará pior do que está. - Vocês disseram que precisam de uma garota pra quebrar essa maldição, me diz no que eu posso te ajudar. - Eu só preciso de uma coisa de você Taylor. - Que coisa? - ela o encarou, curiosa. - Na hora certa você vai saber. - ele respondeu e deu as costas. Taylor piscou confusa e foi atrás dele. - Me diz o que é, quanto antes eu souber do que você precisa, mais rápido vou poder te ajudar, voltar pra casa e você vai poder recomeçar sua vida. - pediu atravessando as portas duplas e voltando ao quarto. - É só isso que você quer né? Voltar pra sua casa. - E você não? Você quer ficar preso aqui pra sempre? Não quer ter uma vida normal de novo? - Esquece Taylor. - Archer suspirou e deu as costas. - Você não pode me manter presa aqui, quanto tempo você pretende me deixar aqui? Archer não respondeu e saiu fechando a porta. Furiosa Taylor pegou o próprio sapato e jogou contra a porta. - Grosso, m*l educado, você merece a maldição que recebeu! Archer desceu os degraus e encontrou Vincent parado no pé da escada. - Está ouvindo? Mande essa garota de volta pra casa Vincent, seu plano não vai dar certo. Não com ela! - O que você fez? - Vincent cruzou os braços. - Eu estava sendo gentil, até ela começar a me encher de perguntas, de todas, essa ai é a que está mais ansiosa pra voltar pra casa, você acha mesmo que ela vai aceitar ficar aqui por 20 dias? - Pode ser que leve menos tempo. - Você tem quase 200 anos e não entende nada das coisas, o mundo mudou ta legal? Não é mais como na sua época que as pessoas se apaixonavam à primeira vista, deixa eu te atualizar sobre uma coisa. Hoje em dia não existe mais amor à primeira vista! E de todas as garotas que trouxemos essa é a última por quem eu me apaixonaria. - resmungou passando por ele e foi pro escritório. - Archer não diga bobagens, você a conheceu a poucas horas. - Vincent foi atrás dele. - Mas ela não é como as outras, já deu pra perceber que ela é petulante, curiosidade a ponto de ser intrometida. E sabe porque ela quer ajudar a gente? Só pra poder ir embora. - Você também não agiria assim se tivesse sido sequestrado? Eu senti algo de diferente nela, Archer nós não temos a vida inteira. - Ótimo, manda essa garota pra casa, eu cansei de tentar encontrar a pessoa certa, não há o que fazer, não há como parar essa d***a. - Archer entrou no escritório. - Você está dizendo isso porque perdeu as esperanças. - Vincent o encarou. Archer sentou na poltrona atrás da mesa e fechou os olhos. - Isso não vai dar certo. - suspirou. - Porque com ela vai ser diferente, é inútil a gente manter ela presa aqui, nada do que fizermos funcionou com as outras, porque com ela funcionaria? - As pessoas são diferentes, mas você tem razão. Vamos fazer diferente dessa vez. - Diferente como? - Archer suspirou cansado daquilo tudo. - Esqueça essa história de amor à primeira vista, você tem razão, isso não existe mais, se existisse você e Taylor estariam trocando declarações agora e não ofensas. - Que bom que você se tocou. - ironizou. - Eu vou deixar você a sós pra esfriar a cabeça, depois nos falamos. - Vincent deu as costas.     Enrique e Antony chegaram em casa e Maryane levantou do sofá aos prantos. - Vocês a encontraram? - Não! - Anthony suspirou. - Procuramos nos hospital, perguntamos às pessoas e ninguém a viu. - Fomos a delegacia e prestamos a queixa. - Enrique respondeu. - Eu disse à vocês, ela desapareceu exatamente como aquelas jovens. - Maryane suspirou. - O problema mãe é que nenhuma delas se lembra de onde é o c*******o, ou elas estão mentindo ou realmente esse sequestrador fez algo que assegurou seu esconderijo. - Antony respondeu. - Ela só pode estar em alguma parte daquela floresta, mas ninguém sabe andar lá, a polícia não vai se arriscar a invadir aquele lugar, ainda mais um lugar que todo mundo acredita ser amaldiçoado. - Tatte comentou. - O que o delegado disso? - Maryane perguntou, enxugando o rosto. - Para não nos preocuparmos que em vinte dias ela irá retornar como todas as outras jovens. - respondeu. - Ele estava sendo irônico, a gente acha que a polícia está largando o caso, as família retiraram as queixas depois do retorno das suas filhas. - Antony respondeu. - Mas agora é minha filha quem está desaparecida, precisam procura-la. - O delegado já nos deu sua resposta, se depois de vinte dias Taylor não aparecer, eles vão procura-la. - Isso é um absurdo! - Tatte protestou. - Eles não sabem mais se acreditam que isso é um sequestro, todas as moças juram que foram tratadas bem, eles disseram pra gente não se preocupar, que em vinte dias nossa filha estará de volta. - Eu vou na delegacia agora, falar com esse homem. - Maryane se levantou. - Não adianta, eles não vão fazer nada querida. - Enrique respondeu. - Isso é um absurdo. - Tatte suspirou indignada.     Vincent bateu na porta do quarto e colocou a cabeça pra dentro. - Posso entrar? Taylor o encarou e estreitando as sobrancelhas assentiu. Vincent entrou e fechou a porta. - Porque está me olhando assim? - É estranho olhar pra um cara que nasceu há quase 200 anos, porque você não troca essa roupa de época? Dá um jeito no cabelo... Essas coisas? - Taylor deu de ombros. - Você é a primeira que me pergunta isso sabia? - Vincent sorriu. - É bastante observadora e inteligente. - Como as outras garotas agiam quando vinham pra cá? - Exceto uma que ficou apavorada, as outras ficaram deslumbradas com o casarão, comigo, com todo o dinheiro envolvido, com a história da lenda e da maldição. Todas dispostas a ajudar para que a maldição se quebrasse, todas ansiosas para conquistar o coração do meu último herdeiro. - Também não é pra menos, ele pode ser meio chato e m*l educado, mas é bonito. - Taylor deu de ombros. - Que bom que você reparou que ele é bonito, acho que para as outras se ele fosse f**o não importaria, contanto que se casassem com ele um dia e se tornassem primeira dama da cidade. A maioria não via a hora de ver o choque que a cidade levaria quando reaparecesse ao lado do homem mais rico da cidade, que todo mundo acredita ter morrido. - Agora entendi porque Archer ficou bravo comigo quando eu disse que queria ajudar pra voltar logo pra casa, ele deve estar achando que eu também quero me aparecer pra cidade toda, ao lado dele. - Fico feliz em saber que não está. - Minha vida não é mais aqui, eu moro na capital, fiz faculdade de Literatura lá, só vim pra cá pra passar algumas semanas com minha família. Minha irmã está doente, não podia trabalhar e cuidar dos meus sobrinhos, por isso eu vim. - Largou tudo lá pra cuidar de sua família? - Vincent perguntou surpreso. - Sim, eles são minha família, as primeiras pessoas com quem eu posso contar. - Taylor sorriu. - Eu não estava errado, realmente você é diferente. - sorriu. - Diferente bom ou... Diferente r**m? - fez careta. - Definitivamente diferente bom! - Vincent sorriu. - Eu vi como transformou o banheiro, ficou muito bom, parabéns. - Na minha época chamávamos de quarto de banho, eu não mexeria em nada aqui se não fosse a presença de Archer. Ele merecia que eu lhe desse uma casa confortável e para um ser como eu que não se alimenta ou dorme, tenho bastante tempo para aprender coisas. - Você não come... Nem dorme? - Taylor arregalou os olhos. - Eu não sou mais um humano, sou apenas uma alma e almas não se alimentam, não descansam, porque nunca se cansam e também não mudam de roupa, tomam banho ou cortam o cabelo. - Então você está “congelado”? Não pode mudar a forma com que se apresenta pra mim? - Não, a única coisa que posso fazer é me transformar em lobo, mas apenas ao anoitecer e enquanto o sol não nascer. - Por isso todas nós sumiram a noite, era quando podia assumir sua forma de lobo. - Sim, posso me transformar em homem a noite, mas não posso me transformar em lobo durante o dia. - Entendo! - Taylor assentiu. - O café da manhã estava de seu agrado? - Sim, obrigada. Você quem preparou? - Não, foi Archer, eu não preciso me alimentar, então ele precisou aprender a cozinhar para sobreviver. Perdoe-o se ele foi um tanto rude com você, ele só está cansado de tudo isso. - Tudo bem eu entendo. Sem ressentimentos. - Taylor deu de ombros. - Vou deixa-la a vontade, com licença. - Vincent sorriu e deu as costas. - Sete gerações de diferença da nisso, um o gentleman perfeito, o outro, um ogro. - Taylor resmungou.
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