UMA NOVA CHANCE

1218 Words
Sentamos com nossos sorvetes, e ela olhou para mim com os olhos profundamente vazios. — Então, porque eu? — Ela olhou em volta como se fosse um absurdo alguém nota-la. — Primeiro, estou cansado de correr, segundo, você é muito bonita e eu desejei sua companhia para um sorvete, que está delicioso por sinal! —Você não mente muito bem, só para esclarecer, eu não sou nada interessante para alguém como você, e você não gostou do sorvete, tomou apenas uma colherada e fez careta. Então, motivo real? —Bom ponto, excelente observadora! — Me entreguei surpreso, levantei-me indo a lixeira e joguei fora o horripilante sorvete. — Você acertou a respeito do sorvete, mas errou feio a seu respeito, você é linda e muito interessante, não se engane. — Isso a pegou de surpresa, e ela desviou os olhos. — Mas você tem razão, o motivo maior não foram esses. Eu vi os seus olhos e o que está escrito neles! — Eu afirmei com medo da sua reação. — O que poderia estar escrito em meus olhos? —Essa avenida é bastante movimentada! — Eu desviei o assunto. — Sim, todos os dias pelo menos um atropelamento acontece ao longo dela! — Pensei que você não conhecia a cidade! — Indaguei surpreso. — Não disse que não conhecia, disse que não sou daqui, mas venho para cá algumas vezes, e esse lugar é especial para mim, só isso! — Pera mim também, e agora mais ainda! —Penso ter ouvido você dizer que não é daqui também! — Ela devolveu minha fala, com um muito leve sorriso. Eu ri, ela é esperta. — Você me pegou, sou americano, estou aqui a trabalho, vinha muito aqui com meu pai, desde criança! — Percebi, eu conheci alguns americanos, dois na verdade! — Namorados? — Pega leve Nick! Corrigi-me mentalmente. — Hã? Não claro! — Ela me olhou como se eu tivesse perguntado se tem agua em Marte. — Uau! Americanos idiotas! — Deixei escapar e ela riu pela segunda vez. — Um deles foi namorado da minha irmã, e o outro conheci no trabalho! — Você tem namorado? — Tentei ir direto para tentar entende-la, um namorado possessivo e violento, explicaria boa parte do problema. — Hã? Não, e não sei é uma boa área para essa conversa, eu... Uh! Não tenho intenção de..., quer dizer, não estou afim de... — Ei tudo bem, eu não pensei nisso, eu só tentando entender o que vi nos seus olhos. Não quis ser abusado, desculpe. — Ah! Então espero que não seja uma cantada i****a de gringo, porque seria uma merda mesmo — avisou mostrando sua irritação pelo que fosse que eu interrompera — Meu dia, para não dizer minha vida, não está bem hoje! — Talvez eu possa te ajudar! — Uau! Você tem uma máquina do tempo? – ela disse colocando a mão na boca. Eu ri, adorei seu senso de humor, isso é bom. — Não, eu adoraria ter uma, mas elas não existem, momentos ruins não vão embora e não são desfeitos infelizmente! Eu disse não conseguindo evitar a tristeza nas minhas palavras, e ela pareceu perceber, pois senti um leve relaxamento em seus ombros. — Então você não pode me ajudar, não tem outro jeito! Ela disse e seus olhos ficaram vazios e distantes outra vez. Meu coração se doeu por ela. — Você não me disse seu nome? — Eu disse trazendo-a de volta. — Acho que você não perguntou! — Bom ponto de novo, fui indelicado desculpe-me mais uma vez. — Olá! Eu sou o Nicholas, mas pode me chamar de Nick, É um prazer conhecê-la senhorita? —Eu disse pegando sua a mão e beijei a no dorso. Ela retirou a mão rapidamente. —Oi! Eu me chamo Nina, e estou decidindo se é um prazer conhecê-lo, senhor Nicholas! — Brilhante mais uma vez. Então Nina! Eu estou aqui a trabalho e o que a trouxe a Belo Horizonte? — Uh! Eu vou fazer uma prova amanhã, eu acho! — Prova? — Exames de bolsa. Estou tentando uma vaga em uma faculdade aqui! —Legal! Você estuda o que? — Uh! Estudo administração, mas tento uma vaga em Analista de Marketing! — Uau! Excelente escolha, mercado promissor esse! — É sim, eu acho! — Você me parece uma pessoa que tem projetos, uma meta a seguir, gosto disso! — Não sei se ajudou muito, mas se eu conseguir esta bolsa poderia arrumar um emprego, e me mudar pra cá, acho! — É um bom plano, posso perguntar sua idade? — Dezoito anos por enquanto, faço dezenove em duas semanas! — Bom motivo para comemorar então! Eu disse batendo palmas. — Você é estranho! — Ela riu pela terceira vez e eu vibrei. — Não tenho muitos motivos para comemorações ultimamente! — Janta comigo hoje? Por favor! — Eu convidei calmamente, tentando não assustá-la. — Não acho uma boa ideia, além do mais não trouxe roupas para isso! — Ela apontou para a mochila. — Não se preocupe, é um jantar informal! — Não sei, além do mais não conheço você e nem a cidade o suficiente para sair à noite! Pensa Nick, pensa. — Concordo, segurança é tudo, mas e se eu mandar um carro até seu hotel, digamos às 18h? Em que hotel você está? — Não vou entrar em nenhum carro com você ou qualquer outro estranho, pode esquecer! — Tudo bem, você é bem desconfiada e isso é bom! Faremos assim! — Dei lhe um cartão do hotel. — Estou hospedado aqui, você pode chamar um táxi, lá tem um excelente restaurante, você vai gostar, e também terá total controle sobre a sua chegada e partida, o que acha? — Você é bem insistente, tudo bem eu vou, a que horas? — Que tal as sete? — Você janta cedo assim? — Não, mas quero ter tempo para conversar com você, sua companhia é agradável e além do mais não falamos sobre seus olhos! — Em que hotel você está? — Não custa nada tentar né? Pensei rindo da minha audácia. — Uh! Bem eu... — Tá não precisa dizer, mas eu gostaria muito de ver você de novo. — Eu preciso ir, te vejo a noite então, até mais Nick. — Posso te levar até seu carro? — Eh! Não eu, vou de ônibus! — Promete que vou te ver a noite? — Bom, eu acho, e se você for um… Bom acho que não faz diferença, além do mais estou curiosa a respeito do que meus possa estar escondendo de mim! — Ela riu tímida. — Eu não acho que eles escondem, eu acho que os ouço gritar. — Já disse que você é estranho? — Eu ri Ela é incrível, como alguém pode tentar destruir isso. — Me empresta o seu celular? — Hã? Pra que? — Por favor? — Ela me deu eu anotei meu número, e tirei uma foto minha, meu consciente bufou em reprovação. — Pronto se eu for serial killer, eles saberão onde me encontrar certo? — Ela riu e saiu, e eu chamei o Oscar. — Siga-a, vá onde ela for, e interfira se preciso. — Sim senhor! — Oscar me deu as chaves do carro e eu voltei ao hotel.
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