Jungkook prosseguiu seu caminho, como recomendado, e Yoongi dentro da gruta, sentia-se completamente embriagado pelo cheiro do alfa em sua pele e estava grato por Kang ser um beta e não ter olfato para descobri-lo. Também se agradecia por ter pedido para ser deixado sozinho por um momento e mesmo que seu servo não tenha de fato ido embora, porque isso lhes traria grandes problemas, ele ficou distante o suficiente para não presenciar nada do que acontecera fora da gruta. Já era uma desobediência estar ali e se chegasse aos seus pais que, além de tudo, ainda havia sido visto nu por seu futuro cunhado, haveriam consequências que nem ele poderia se safar facilmente.
Por enquanto, o que o ômega devia fazer era entrar nas águas termais mais uma vez, antes de retornar à sua casa, por mais gostoso que fosse ter aquele cheiro exótico na sua pele, devia se livrar dele rapidamente. Assim como forçar-se a esquecê-lo, pois aquelas reações de seu corpo ao ter seu olfato invadido pelo cheiro desconhecido, não acarretaria nada bom para o seu futuro já incerto.
— Pelos deuses, meu lorde. — Kang enxugava o corpo alheio. — O que deu no senhor hoje? — era uma loucura um servo estar repreendendo o seu amo, porém, às vezes tinha que por algum limite nas ideias amalucadas do Min. — Sair em meio a uma nevasca? Correndo o risco de adoecer.
— Apenas sentirei saudades da neve, Kang. — suspirou ao sentir a seda do hanbok novamente deslizar por sua pele e logo depois o peso e calor da pele.
— Completamente nu? — sua voz subiu alguns tons pela histeria, pois sabia que se alguém encontrasse o ômega, filho do rei, completamente despido nas áreas comuns das termais, sua cabeça poderia ir a prêmio. — Sabe as consequências que tal ação pode ter, meu lorde? Se algum plebeu tivesse lhe visto? E pelos deuses… — suspirou mais uma vez alterado. — Não quero nem pensar se eles o tivessem machucado.
— Entendo que minha atitude mais cedo não condiz com a de um nobre, Kang. Apenas agi pela impulsividade emotiva de logo, logo ter que deixar as minhas terras tão amadas. — em certa parte a desculpa poderia ser uma completa verdade, pois desde cedo que suas ações estranhas indicavam a sua melancolia ao olhar para a paisagem de seu reino. — Porém agora estou em mim e sei que a minha atitude foi imperdoável para um ômega do meu status. Mas como ninguém viu tal cena, vamos deixar isso para trás e fingir que foi apenas um sonho bom. — naquele momento, em meio a confusão do que tinha que fazer e o que sentiu sobre toda a experiência com um alfa sem ser da família. Afinal, o ômega até podia sentir o cheiro do pai e dos irmãos, porém eles lhe traziam conforto e não um calor que beirava a uma inquietação excitante. Yoongi não sabia distinguir se em suas desculpas falava apenas da sensação boa, que sempre amou, de sentir o clima de suas terras ou o encontro turbulento e nada formal com o seu cunhado. — Pois já está anoitecendo e o jantar nos espera. — assim como o olhar dele. — Não queremos que o meu pai descubra a minha fuga.
Enquanto Yoongi e Kang se apressaram para chegar o mais rápido possível no castelo, Jungkook encarava o frio intenso da nevasca, tornando a viagem um pouco mais insuportável, entretanto, apesar do clima castigar a sua pele, o que era mais insuportável era a culpa. Culpa por não conseguir fazer sua mente parar com os flashes de lembranças do ômega do seu irmão. Seu rosto avermelhado, seus olhos assustados, contemplativos e no fim tão determinados; sua boca chamativa, sua pele suave e tão macia, e inferno, o corpo que fazia uma ereção surgir entre as suas pernas.
E “inferno” era, de fato, o termo correto, quando avaliava toda a situação. Estava acostumado a ter em seus braços todos os ômegas que desejava — afinal, era um alfa completo — mas desejar Yoongi como desejava agora, só por um contato tão breve, o jogaria no inferno, porque se conhecia e sabia que esse desejo não acabaria. No entanto, não havia saída, exceto reprimi-lo. Já estava frustrado o suficiente do longo mês em viagem, sem saciar seus desejos, e agora teria que ficar com Yoongi em sua casa e em seguida fazer todo aquele longo caminho, de volta para Teldrassil, com o ômega e seu inebriante cheiro.
Cavalgou sem ter mais aquela ansiedade de chegar ao seu destino. Queria estar na presença do ômega, porém não poderia tocá-lo... Não sem ir ao inferno.
Tentou deixar os pensamentos de lado e focar na sua missão, nunca falhava nas tarefas a qual era incumbido e esta não seria a primeira. Assim que chegou ao vilarejo, avistou mais próximo às montanhas uma casa enorme e deslumbrante, não precisava perguntar para saber que era o palácio dos Min.
Seguiu para lá, imediatamente, recebendo os olhares curiosos do povo de Quel’Thalas. Todos tinham a tez e olhos de tons claros como Yoongi, embora o ômega fosse o único a ter aquela cor de olhos em todo o reino, algo que herdara da família de sua mãe que não pertencia àquele local originalmente, e mesmo assim eram completamente diferentes. Quanto mais Jungkook pensava sobre o rapaz, percebia que não existiria outra beleza como aquela em qualquer reino, longe ou perto.
E de novo, se viu pensando no ômega, percebendo que parar fora apenas sua intenção e que em nenhum segundo qualquer funcionou. Min Yoongi estava gravado em sua memória e isso agitava seus instintos mais primitivos, o enlouquecendo. Após tê-lo visto, tinha certeza que era a pessoa certa para a missão. Se outro alfa o encontrasse daquele jeito, despido e com uma pele tão pura, não teria se controlado como havia feito e, por céus, sabia o quanto havia se esforçado, para não deixar claro que na realidade o queria e seus toques eram prova disso. Não era um bom comportamento para um nobre, tocar outro dessa forma e mesmo assim o fez e voltou a fazer e queria fazer novamente.
Jungkook sentia seu corpo esquentar ainda mais, agarrou seu casaco com certa agressividade e o jogou na estrada vazia, fora do vilarejo. Era aquele cheiro, o viciante cheiro de azaleias selvagens que confundia sua mente daquela maneira. Moveu os pés nas laterais de sua montaria, forçando o corcel a acelerar rumo ao lar dos Min, onde Yoongi estaria lhe esperando, como se aquele encontro houvesse sido mesmo um delírio seu.
E quanto mais cedo se acostumasse com isso, por mais que o delírio tenha sido tão palpável, menos tempo sofreria com a realidade de que aquele ômega não era seu para tomar. Que, sim, no futuro Yoongi seria um Jeon, mas que pertenceria ao seu irmão Hoseok, assim como seus beijos, seu corpo e se o Jeon mais velho soubesse cativar, seu coração. E, por falar em tal irmão, este lhe confiou tão grande incumbência e Jungkook sabia que não poderia falhar por desejo. Apesar de não acreditar muito em tal assertiva, pois o Jeon mais novo sempre fora seguidor fiel de tal sentimento, e o que sentiu ao ver beleza tão rara, despertou algo mais profundo que o tão passageiro desejo do alfa.
Pois por mais que negasse e tentasse não pensar, macular as carnes macias e em determinadas regiões, fartas. Não saciaria aquela sensação de querer do alfa, pois alguém tão precioso como Yoongi, não seria facilmente esquecido, disso tinha certeza.
Jungkook prometera para si, ao jogar o vestígio do cheiro do ômega pela estrada, não mais divagar sobre o futuro cunhado, mas involuntariamente foi o que continuou fazendo e quando finalmente se deu conta da realidade, estava na frente dos portões do castelo dos Min.
Um alfa, não tão grande como o Jeon, o cumprimentou com um aceno, logo liberando a sua passagem. Afinal, sabia que alguém com aquelas características sulista, só poderia ser o Jeon que estava vindo buscar o filho ômega do seu rei para o casamento nas terras do sul, pois era uma tradição antiga. Todos os casamentos aconteciam nas terras do noivo alfa, porém toda organização da festa seria orquestrada pelo noivo ômega. Então, por isso a ida adiantada de Yoongi para a sua futura terra, Teldrassil.
— Jovem Jeon. — Min Kihyun, que assim como o filho ômega e os outros três alfas que estavam ao seu lado, possuía os cabelos brancos e a única coisa que indicava sua idade eram as linhas de expressões ao redor de seus olhos. — Como foi a viagem?
— Cansativa, solitária e agora, no fim, fria, meu lorde. — desceu do cavalo e logo teve o animal levado por um servo, afinal, assim como o Jeon, o corcel sentia o cansaço da viagem.
— Imagino que sim. — o trouxe pelo ombro, em um gesto amigável, e saiu guiando Jungkook para dentro, que estava inegavelmente acolhedor pelas diversas lareiras, tornando o clima agradável. — Mas nada que um banho quente e um bom jantar não ajude, sim? — recebeu um aceno positivo do alfa do sul. — Minho.
— Sim, meu lorde? — um dos servos que acompanhava o rei logo se colocou aposto.
— Leve o convidado até os seus aposentos.
O servo dos Min tomou a frente e o estrangeiro refez seus passos, não estava atento aos cômodos da casa ou a qualquer detalhe. Estava cansado demais e achava que o banho, assim como a janta, viria muito bem a calhar, então, se concentrou apenas nisso. Minho parou de repente, localizando o banheiro e entrou na frente. Jungkook ficou do lado de fora, esperando que seu banho quente fosse preparado pelo serviçal e, assim que foi feito, este se retirou para que o alfa ficasse sozinho naquele local privado.
Jungkook entrou no cômodo, se fechando lá dentro, largou sua bagagem e começou a tirar suas roupas. Passou os dedos pelo nó de seu hanbok pesado e o deixou cair no chão com um farfalhar do tecido sob sua pele bronzeada e desenhada por algumas cicatrizes de luta. Foi para dentro da banheira de madeira e sentou-se, achando o objeto menor que na sua terra, mesmo assim ainda conseguia comportar seu corpo de porte mais forte que os dos nortistas, e nada disso importava quando podia desfrutar do prazer da água quente abraçando todo o seu corpo e sem querer imaginou que o abraço quente vinha do corpo de um ômega, não qualquer ômega, Yoongi. Com aquela pele cheirosa e hidratada, as curvas perfeitas que adoraria cravar suas presas e garras. Seu p*u até já ameaçava despertar, em desejo por aquela b***a alva e cheia, queria tanto aquele ômega, que achava que nenhum outro se comparava a este que não podia ter.
Com um rosnado baixo de frustração, Jungkook acelerou seu banho e pegou uma nova vestimenta na bagagem, ajeitou seus cabelos em um r**o de cavalo frouxo e deixou o banheiro. Minho o esperava no lado de fora, pronto para mostrá-lo seu quarto e em seguida levá-lo até a mesa. Tudo aconteceu muito rápido, quando se deu conta estava sentado com os alfas da família Min, bebericando o soju típico daquela região, que tinha um sabor muito diferente do qual estava acostumado e mesmo dentre tantas conversas tolas com seus anfitriões, sua mente ainda vagava para onde estava o jovem futuro noivo de seu irmão.
Em seu banheiro especial, pois Yoongi possuía um apenas para si, o rapaz desfrutava de um longo banho hidratante. Mergulhado em leite, mel e algumas essências de flores, assim como pétalas, sua cabeça girava um pouco e seu corpo estava mais quente que o comum.
— Seu corpo e rosto estão um pouco quente, meu lorde.
O ômega não estava mais na banheira, já tinha passado um bom tempo no banho hidratante, pois ao se despir para tomar um banho aromatizante, Kang havia percebido que sua pele demonstrava alguns aspectos de rachadura devido a forma crua que fora exposta ao frio intenso. E agora tinha o seu corpo sendo limpo dos resíduos do leite com toalhas mornas.
— Achei que era apenas impressão. — omite a leve tontura, não queria escutar um grande sermão.
— Eu lhe avisei que se expor tanto o faria adoecer. — sussurra para que os outros betas na sala, que não eram tão próximos do ômega, não escutassem.
Afinal, a ignorância sobre o ocorrido de mais cedo na gruta e a falta de um olfato apurado do beta, para sentir o cheiro marcante do lobo de Jungkook — que devido ao constante estado excitação tinha a potência do alcance de seus feromônios aumentada — o servo não via outra explicação para aquela reação do Min, senão aquela de que o amo adoeceu. Até porque o cio do ômega, que sempre em seu início era controlado por ervas sedativas, estava muito longe de chegar.
— Não se preocupe, um ensopado quente e uma boa noite de sono me fará novo, Kang. — tentou acalmar o servo. — Eu sou um filho do Norte, não será uma pequena friagem que me adoecerá. Agora vamos que logo mamãe estará aqui para irmos jantar. — desceu o degrau do pequeno altar, onde ficava a grande banheira de madeira, e logo se viu indo até o grande espelho do quarto, analisando sua pele alva, achando estranho o fato de seus m*****s estarem um pouco eriçados. — Sabe como ela fica irritada.
— E como sei. — o beta resmunga mais para si, enquanto pegava o hanbok de seda vermelha que não fora reservado para o ômega usar aquela noite, mas ajudaria a disfarçar o rubor do lorde.
— Vermelho? — perguntou, preferia os tons frios.
Sabia que já chamava atenção suficiente por sua beleza, e cores vivas só fazia mais atenção recair sobre si. E por mais que alguns ômegas dissessem que aquilo era bom, não se sentia bem com olhares lascivos, a não ser aqueles negros.
"Não pense, não aconteceu!" , se repreende.
— Cores quentes irão deixar a coloração de sua pele menos chamativa. — explicou já colocando o tecido macio no corpo alheio.
O jovem mestre não se opôs mais, sabia que aquilo era uma consequência de sua desobediência e ele não costumava ser desobediente, então, um certo medo o tomou, ainda mais porque seu inocente banho tinha gerado um encontro que não devia. Ficou quieto e deixou que Kang lhe vestisse, como sempre fazia, e nem protestou quando o servo colocou um enfeite, no mesmo tom do hanbok, em seus cabelos brancos.
— Vamos, meu lorde, já devem estar todos à mesa.
O ômega assentiu silenciosamente e saiu de seus aposentos, se sentindo nervoso como nunca antes. Jungkook ainda ansiava sua presença e sabia que o ômega estava se aproximando, porque seu cheiro estava ficando mais forte a cada passo. Quando Yoongi apareceu no cômodo viu seus familiares entre conversas animadas e uma figura que se destacava das demais, a figura lhe encarava deslumbrado e acabou levando o copo à boca, para bebericar e disfarçar seu interesse no menor.
— Vamos, meu lorde. — Kang o apressou com um pressentimento.
Yoongi sentou-se no seu lugar, próximo ao seu pai e de frente ao visitante.
— Aqui está o noivo! — Min Kihyun falou orgulhoso, erguendo suas mãos. — Esse é meu filho mais jovem, Min Yoongi, o futuro senhor da casa dos Jeon. — riu gentilmente, encarando a beleza do filho com admiração, ainda mais naquela noite, que o mesmo usava vestes tão lindas, com cores que realçavam sua beleza e que Yoongi não costumava usar.
Sabia o quão valioso era seu filho e não conseguia esconder o ânimo pela aliança feita. Jungkook abaixou a cabeça em respeito.
— É um prazer, jovem Min Yoongi.
— Este será seu futuro cunhado, Yoongi, e aquele que irá escoltá-lo até seu destino. O mais bravo dentre os Jeon e homem de confiança do seu senhor, Jeon Jungkook.
Yoongi sentiu a face se avermelhar ainda mais e, assim como Jungkook fizera, abaixou a cabeça em um aceno leve e com movimentos menos bruscos.
— Agora vamos comer, enquanto planejamos o grande dia.
A refeição começou, entre diversas conversas e se perguntassem a Jungkook o que ele ingeria, talvez o rapaz não soubesse responder, porque sua atenção estava toda em seu futuro cunhado e mesmo que o outro tentasse disfarçar, desviando o olhar com frequência, ele sempre voltava ao Jeon. Seu pai, que estava falando dos benefícios da aliança, não percebia. Sua mãe, que planejava o casamento, não percebia. Seus irmãos mais jovens, que nunca haviam ido ao sul, assim como os mais velhos que já haviam visitado o local com seu pai, não percebiam, pois estavam dispersos em contar suas experiências, mas havia uma pessoa atenta a tudo. Um experiente servo, parado atrás do ômega, que em um ato delicado, curvou-se para mais perto do seu lorde e lhe disse palavras que fizeram todo o corpo de Yoongi tremer de medo.
— Meu lorde, lembre-se da lenda.
Desde novo o beta sempre escutou:
"Um bom servo sempre está atento a tudo que acontece no local em que seus amos estão. Pois apenas assim, podemos servi-lo sem cometer nenhum erro. Amos podem ser temperamentais ou intolerantes a erros."
Então, sempre que estava com o ômega, aquele que fora designado a servir, prestava atenção em todas as suas ações, para saber se ele seguia as suas lições, assim como a reação que ele causava em terceiros. E bem naquele momento, não gostou nenhum pouco da troca de olhares do Min com o seu futuro cunhado. Aquilo era perigoso demais e se mais alguém percebesse uma desgraça poderia acontecer.
O alfa, como mais experiente, sabia disfarçar a quantidade de vezes que olhava para o cunhado, entretanto, maquiar a intensidade contida neles para olhos atentos e sóbrios — já que quase todos da mesa estavam alterados pelo soju — era impossível. E o ômega, tão inocente e sempre super protegido por todos ao seu redor, não conseguia controlar o quão forte o seu corpo reagia àquele cheiro, estranho e viciante, que o Jeon exalava, e que se fosse possível, estava mais forte que no encontro de mais cedo.
— Acho que não me sinto bem, pai. — falou pela primeira vez durante o jantar, m*l tinha tocado na comida e o aviso de seu servo pessoal tirou de vez qualquer apetite.
Pela primeira vez Kihyun olhou para o filho com mais atenção, seu rosto estava bastante avermelhado, tocou a pele de suas bochechas e a sentiu quente.
— O que sente, meu bebê? — falou doce, tom que era exclusivo para os ômegas de sua vida.
Com um olhar atento a tudo que acontecia com Yoongi e ao seu redor, o Jeon percebeu a inquietação do mesmo ao seu servo beta lhe sussurrar algo. E agora, m*l focava na conversa dos alfas ao seu lado, mas sim àquela conversa baixa de Kihyun e seu futuro cunhado, mesmo que não mudasse o futuro, gostava de se apegar a ideia que Yoongi ainda não era nada seu.
— O que acha, Jeon? — foi puxado de volta para a conversa banal dos irmãos do ômega, perdendo assim a sua resposta para a pergunta do pai.
— O que?
— Estamos falando que o seu cheiro está bastante forte, então, pensamos em mandar um bom ômega para os seus aposentos para lhe satisfazer. — por estar muito alto, o alfa Min nem percebia que gritava e que do outro lado da mesa alguém não recebia aquela notícia tão bem. — Sabemos que uma boa f**a após uma longa viagem é o próprio paraíso.
Ao escutar as palavras rudes do irmão, o ômega deixou a colher com a sopa — que seu pai insistira em fazê-lo comer mais um pouco antes de se retirar — cair de suas mãos, fazendo um barulho estridente ressoar pela sala e seu rosto ficar mais vermelho por chamar tanta atenção.
— Siwon. — esbravejou ao pressupor que aquela reação do filho ômega fora causada pela conversa de baixo calão à mesa. — O que eu já disse sobre esses assuntos na presença de sua mãe e irmão?
—D-desculpe, pai. — Siwon falou com um tom temeroso, em seguida encarou a mãe e o irmão, repetindo o pedido de desculpa. — Só queria ser um bom anfitrião para nosso convidado, mas me excedi.
— Você já bebeu o suficiente por hoje. — Kihyun, que tinha um tom severo, suavizou sua expressão e voz, ao encarar o filho mais novo. — E você, meu bebê, pode se recolher. Mais tarde pedirei para Kang lhe levar algo para comer, você não pode ficar doente agora, a viagem será longa e em breve.
Yoongi mostrou um sorriso forçado ao seu pai e se levantou, mas antes de deixar a mesa, encarou Jungkook que sorria com certa malícia, enquanto seus irmãos mais velhos lhe falavam coisas usando tons baixos, o que lhe fazia imaginar que o teor da conversa anterior continuava.
Kang apoiou a mão nas costas de Yoongi e o direcionou rapidamente para seu quarto. Estava gostando cada vez menos da reação de seu amo diante do visitante. Podia ser um simples serviçal e um beta, mas sabia avaliar o quão bonito seu amo era e como os alfas reagiam na presença de qualquer ômega, a conversa de Siwon e a falta de negativa do estrangeiro enfatizava isso. Tinha que fazer algo para tirar a atenção do jovem Min daquele alfa ao qual não estava prometido.
— Meu lorde. — começou a falar, enquanto despia Yoongi, para colocar algo mais leve para dormir. — Eu vou pedir para que lhe façam um chá forte para dormir. O senhor precisa descansar bem e o lorde Jeon receberá uma visita, pelo que vimos. Viveu entre alfas, sabe como eles ficam quando estão se divertindo com um ômega da vida. — escolheu muito bem suas palavras.
Sem saber o porque Yoongi sentiu todo o seu sangue esquentar, não pelo cheiro de Jungkook que ainda dominava a casa, era por raiva. Não conseguia mais fingir que o encontro em meio a nevasca não havia ocorrido, que Jungkook não havia lhe tocado a pele e falado de modo tão gentil, mostrando interesse em todos os seus gestos e nos olhares até durante a janta. Se sentia patético por ter sentindo seu corpo esquentar por ele, por ter desejado que o corpo másculo e amorenado do alfa o abraçasse e seus cheiros se tornassem uma fragrância sufocante. Porque parecia óbvio que para o alfa qualquer ômega serviria para saciar seus desejos mais vis.
— Porco! — esbravejou olhando para a janela, contemplando as belas cores no céu, que devido a aurora boreal tornava tal visão uma verdadeira obra de arte com suas cores bonitas.
— O que disse, amo? — se fez de sonso ao receber a reação esperada de seu lorde.
— Que alfas são porcos. Sempre sendo levados por desejos vis. E agora terei que praticamente ser dopado por causa de um que não consegue manter seu pênis dentro das calças.
— Meu lorde, alfas geralmente são assim, guiados por desejos carnais e ômegas que não se preservam acabam tendo as vidas arruinadas, enquanto eles saem ilesos. — jogou mais lenha na fogueira, o medo era um bom aliado naquelas situações. — Agora não se preocupe com tais pensamentos, apenas deite-se que logo voltarei com o seu chá.
Enquanto o beta saia, Yoongi apenas virava-se de um lado para o outro na cama, tentando achar uma boa posição para dormir e finalmente acabar com aquele maldito e estranho dia. Porém os pensamentos sobre tudo o que o alfa estaria fazendo com outro ômega em algum lugar do castelo, lhe era contínuo, e por mais que tentasse não pensar, as imagens pareciam vividas e o impedia de relaxar.
Não era nenhum t**o sobre o quesito s****l, pelo menos não em teoria, e agora que estava prestes a casar a sua mãe vinha conversando bastante sobre o que acontecia na noite de núpcias de um casamento. Então agora todas aquelas conversas se tornaram imagens e os protagonistas eram Jungkook e um ômega sem rosto. E isto o fazia ferver de indignação.
E, enquanto o Min praguejava o alfa mentalmente, Jungkook, agora em seus aposentos, olhava para o ômega que se despia à sua frente. Ele era menor que Yoongi, sua pele apesar de ainda pálida, não parecia ser tanto quanto a do futuro cunhado, e também, nem de aparência tão suave. O corpo era magro demais, não tinha tantas curvas e com certeza a b***a não era tão redonda quanto o ômega de olhos violeta.
De início Jungkook até pensou em negar a presença daquele que agora sentava-se em seu colo e tirava o seu hanbok, mas não podia incentivar mais aqueles pensamentos inadequados com o futuro marido do irmão. E, assim como Siwon disse, talvez uma boa rodada de sexo com um ômega fácil, fizesse o t***o constante que vinha sentindo ir embora. Afinal, precisava descarregar aquela tensão s****l que estava lhe enlouquecendo. Ia passar dias na presença de Yoongi, seu fruto proibido. Por isso, enquanto tocava o ômega, como se realmente o desejasse, repetia em sua cabeça, até que se fixasse na mesma, que Yoongi pertencia a seu irmão e jamais seria seu.
Foder aquele ômega era sua melhor opção no momento. Afundou o nariz em seu pescoço e inalou o cheiro adocicado que nem se deu ao trabalho de identificar, seu único intuito era abafar o cheiro de azaléia selvagem que realmente o excitava.
A noite passou rapidamente para Jungkook que se afundou no prazer passageiro daquele corpo estranho que lhe ajudava a manter calmo o seu lobo e passou ainda mais rápido para Yoongi que dormia pesado após tomar seu chá sedativo, mas o dia de ambos seria longo e o alfa nem imaginava isso.
Bastou acordar e deixar seus aposentos para perceber isso. Cruzar com Yoongi pela casa não era corriqueiro, principalmente porque este passava o dia em salas separadas, terminando seu treinamento de esposo, mas quando ocorria, não recebia mais a atenção do olhar do jovem ômega e quando ocorria via a frieza do reino inteiro nas orbes violetas.
Os dias se seguiram com o mesmo clima e mesmo que isso incomodasse o alfa, já que ele não entendia a mudança de comportamento do futuro cunhado, ele estava certo que era o melhor, que isso resolvia o seu problema até que entregasse Yoongi nas mãos de seu irmão mais velho. Mas havia mais nas atitudes de Yoongi do que Jungkook poderia imaginar. O jovem ômega da família Min começava a se sentir estressado sobre seu futuro, estava cada vez mais perto de partir para Teldrassil e pensar em todos os detalhes da vida matrimonial o colocava sob extrema pressão.
— Meu lorde. — Kang o chamou suavemente, para lhe despertar.
Yoongi sentou-se e notou que a janela de seu quarto estava aberta, a neve ainda caia lá fora, o vento rugia e seu coração que sempre se aquecia com a paisagem bela e montanhosa, simplesmente doeu em um misto de saudade e sentimentos confusos demais para que ele definisse, mas com certeza havia medo dentre eles.
— Temos que prepará-lo para a viagem... É hoje. — Kang concluiu a sentença e uma lágrima rolou pelo rosto delicado de seu amo.
O ômega soltou um suspiro longo e enxugou sua tristeza, pregando na face um sorriso de resiliência. Olhou para trás e viu um pequeno baú com algumas roupas e vários casacos de pele para aplacar o frio da longa viagem que estava por vir, que consigo levaria o dobro do tempo, já que em vez de cavalos a viagem de volta seria feita em uma carruagem.
Todos sabiam que um ômega não tinha mesma resistência de um alfa, e quando se tratava de um nobre, que sempre fora criado cheio de regalos, os cuidados tinham que ser duplicados, e no caso do Min, que tinha tantas características sensíveis, como sua pele extremamente clara, assim como seus olhos de cor tão rara, que não trazia tanta resistência aos raios solares, exigiria ainda mais cuidado.
— Adoraria ir com o senhor, meu lorde. — foi tirando as roupas finas de dormir do ômega, enquanto o guiava para a banheira de água quente. — O senhor precisa de alguém para cuidar de suas vestes, de seus banhos… — começou um monólogo sobre tudo que fazia para o ômega.
— Ficarei bem, Kang, não se preocupe.
— Como não, meu Lorde? — falou estridente. — Um alfa não está qualificado para cuidar de suas necessidades. Além de claro, não poder atender algumas delas. — se referia ao banho que dava no Min. — Isso é uma loucura.
— Eu saberei me cuidar, Kang. Se lembra que praticamos isso? Eu farei meu próprio banho e cuidarei das minhas próprias roupas e, além do mais, é só por alguns dias. — tentou tranquilizar o servo.
Algo que não serviu tanto, pois Kang cuidava do ômega desde cedo, cuidava como um filho. Tinha se apegado bastante àquele que tinha que servir, por isso muitas vezes fazia os seus caprichos. Então, até podia-se dizer que estava mais angustiado com aquela viagem que a própria mãe de Yoongi. No entanto, algo o tranquilizava, afinal, o ômega não mais mostrava qualquer interesse no alfa vindo do sul, na verdade, parecia odiá-lo depois daquela primeira noite.
Mas o que o beta não sabia, era que o ômega apenas fingia não sentir mais interesse, pois por mais chateado, sem motivos, que estivesse com Jungkook. Não conseguia controlar as reações do seu corpo a sua presença forte de alfa, porém jurou a si mesmo que não cairia em desgraça por desejo, com sua próprias palavras: "não era um alfa para ser guiado por um p*u".