Capítulo 07

1635 Words
Terminei de me arrumar, o vestido azul royal que a minha madrinha escolheu para mim, ficou magnífico, ele é frente única, e tem um decote que eu não teria escolhido, ainda mais sabendo em como serei julgada perante a sociedade dessa pequena cidade. Não conseguir deixar de rir, eu realmente estava aqui, me importando o que eles tinham a dizer? Como se eu fosse uma menina de dezasseis anos. Logo Helena chegou toda arrumada, ela usava um vestido cor de rosa, parecia uma fada, ela me olhou sorriu. — Nossa tia quer perturbar o Marcos. — Eu sorri e sim, imaginei como seria seu olhar para mim, como seria flertar com ele. Mas, ao mesmo tempo sinto meu coração pesar, eu sabia que não seria tão fácil, e como Helen disse ele tinha declarado minha morte no dia que eu o deixei. E não posso culpá-lo por fazer isso por que a Liz que ele conheceu de fato morreu, e não da forma tão heróica que eles pensam, não morri escolhendo meus sonhos, morri quando me destruíram, quando tiram minha melhor versão de mim. — Liz, tudo bem? — Claro. — Respirei fundo, eu tinha prometido trancar isso onde devia ficar no passado, se eu não pensasse não teria acontecido. — Ficou distante por um tempo. — Helen me avaliou por um momento. — Não seja boba, vamos preciso entrar antes e deixar que falem de mim, antes da madrinha entrar, não quero estragar a entrada triunfal dela. — A fofoca está correndo solta já, estão dizendo que como não conseguiu ninguém decidiu pegar Marcos de volta, afinal ele tem a herança de família. — Sorrir, claro que eu ainda era a interesseira desprezível. — Então vamos diverti-los, ao menos aqui minha vida é mais interessante do que em São paulo, lá eu era só uma artista fracassada, aqui ao menos ganhei o papel de vilã. — Helen ri, eu me satisfazia com isso, não deixaria ninguém saber o quanto eles me afetam, se era um sem vergonha que eles queria, talvez eu vestisse esse papel, daria a eles o que queriam. E começamos a sair do quarto quando ouvir a voz nada gentil da minha mãe falando alto com minha madrinha. — Isso que dá querer inventar essas coisas, depois de velha. — Minha Madrinha riu alto. — Mandei reformar esse maldito vestido para esse dia, ele vai caber ou eu troco de nome. — Minha madrinha falou, eu e Helen nos olhamos e sabíamos que precisávamos ver aquela cena. E quando abrimos a porta, estava minha madrinha puxando o ar esticado na cama e minha mãe com bobes na cabeça, com o traseiro para cima, tentando subir o zíper do vestido. — Comadre Isso não te serve. — Minha mãe então olhou para nós que estavamos na porta. — Eu disse a ela, que não existia reforma do mundo que fizesse esse vestido caber, ela era uma vareta de p*u quando se casou, agora com quase 50 anos e três filhos, ainda quer se nova. — Lucrécia não seja r**m, claro que serve a costureira pegou minha medidas, não sou alienada sei que não tenho o mesmo corpo. — Minha madrinha disse se sentando na cama com, o vestido claramente não servia. — Mas ela tinha sua medida de três meses atrás antes da sua ansiedade atacar, e você comer feito uma jiboia. Te falei para voltar lá e fazer última prova, mas achou que era bobagem, estamos agora presas aqui sem nada para você vestir. — Eu e Helen ficamos olhando e segurando a risada, aquelas duas eram uma peça, e eu as amava demais. — Tem o seu vestido, ele é verde água, sei que ficará bonito em mim. — O olhar da minha mãe de puro choque deixava claro que ela não estava disposta abrir mão do seu vestido. — Meninas, venham até aqui, vá comadre se deita de novo, com ajuda das meninas talvez consiga subir o zíper. E então depois de muito sacrifício conseguimos, minha madrinha não se sentaria,comeria ou respiraria, mas o vestido estava ali e ela estava belíssima, o vestido dela era liso, um tecido bonito e cintilante, era ombro a ombro o que a deixava com um belo decote, seus cabelos castanhos estavam amarrados em um coque, e ela sorria feliz com resultado, sim ela estava linda e mesmo que corresse o risco do vestido abrir no meio da cerimônia, só vê-la assim já valia pelo escada-lo que seria. Eu e Helen as deixamos para que terminasse de se arrumar. — Liz nossa mãe é uma pessoa terrível. — Helen disse rindo.— Ela prefere que nossa tia fique pelada no altar ao emprestar o seu vestido para ela. — Sim, mas vamos fingir que ela só queria a felicidade da amiga. — E então Helen ri. — Com uma amiga dessa quem é que precisa de inimigos Liz. — E eu comecei a ri, mas então eu o vi. Não achei que me afetaria tanto, não imaginei que olhar doeria tanto vê-lo, mas sentir como se levasse um soco no estômago, senti meu ar desaparecer, meu coração começou a acelerar. Então voltei correndo para o meu quarto, Helen correu atrás. — O que foi Liz!!! E como eu diria para minha irmãzinha o que eu estava sentindo, pensei em falar que não foi nada, mas meu estômago começou a revirar e então corri para o banheiro para vomitar. — Acho que comi algo estragado na estrada. — Helen pareceu desconfiada — Mas foi tão de repente, quer que eu chame a mamãe? — E eu sorri com a fala dela, porque sim eu queria minha mãe. Mas não era o momento, ela ficaria louca comigo e minha madrinha também, e hoje eu não estragaria o dia dela, eu já estraguei cerimônias demais. — Vamos ficar um pouco aqui, me dá um pouco de água. — Acho que o melhor é chamar nossa mãe, ela vai trazer um chá e em um instante vai está melhor. — Não seja irritante Helen, vou ficar bem. — Ela me deu língua, então me levantei e escovei os dente, ainda me sentia mole, mas puxei o ar e decidi que eu ia fazer o meu melhor. Não sei se o meu melhor naquelas circunstância era grandes coisas, mas assim eu faria. Quando sair vi minha mãe e minha madrinha saindo do quarto dela, minha madrinha tinha um brilho no olhar, ela queria tanto aquilo, e a conhecendo como a conheço, ela estava dançando por dentro, feito uma criança. — Bora meninas, não querem perder a minha entrada, querem? — Jamais. — Helen piscou para mim. Ela começou a descer as escadas, e ele a esperava, estava em um terno n***o, imagino que no dia do nosso casamento usou um igual e ele estava lindo, e eu podia ver seus olhos sob o meu corpo, lancei um sorriso para ele,mas nesse momento ele já estava em uma conversa com mãe,e quando me dei conta minha madrinha estava me olhando e dizendo… — Ele ainda é o melhor partido que essa cidade pode oferecer. — E Marcos me olhou e revirou os olhos. — Mamãe! — Eu dei de ombros e ri baixinho. — Não seja modesto, mas agora vamos, antes que aquele velho infarto acabe com a cerimônia que me deu tanto trabalho. O lugar estava impecável, Helen pegou em meu braço e me segurou com firmeza enquanto encontrávamos os nosso lugar, enquanto eu passava pelo corredor cheio de pétalas de rosas, e pessoas cochichando sofre o inevitável, eu vi Luiz com seu topete e seu olhar presunçoso, mas erguir o meu queixo o mais alto que eu podia,ele não me amedrontava aqui, não quando eu estava rodeada das pessoa que me amam, não aqui em que só uma palavra minha e a vida dele estaria acabada. — Liz está branca de novo. — Helen sussura. — Se for desmaiar é melhor saímos, sem ser vistas. — Eu ficarei bem Helen, vamos olhar a entrada da minha madrinha, ela nos matará se não estivermos aqui. E então meus olhos se encontram com os de Marcos, enquanto ele entrava com sua mãe nos braços e sentia meu coração palpitar, eu o imaginei ali daquele mesmo jeito me esperando no altar, imaginei em como tudo poderia ter sido diferente se eu tivesse feito escolhas diferente. — Já está arrependida? — Uma voz familiar me fez virar para encará-la, e então Biaca sorriu, ela continuava com seu sorriso perfeito e com seu jeito perfeito. — É tarde agora, ele é meu. — Ele todo seu Bianca, não vim atrás dele. — Sussurrei de volta me virando para olhar novamente para minha tia. — Não teria a menor chance mesmo se vinhesse, o tempo não foi favorável a você.— Então Helen levantou a cabeça de forma rápida fazendo sua cabeça bater no maquicilar de Bianca. — Aí! — Bianca falou mais alto do que o necessário. — Sua pestinha. — Me perdoe. — Helen fez uma cara de aflita, mas ao se virar para mim, deu um pequeno sorrisinho. Voltei meu olhar para a cerimônia que já havia se iniciado e todos estavam rindo de algo que eu perdi, olhei para o meu padrinho que estava com um sorriso nos lábios enquanto minha madrinha vermelha,meus olhos perdido acabaram encontrando os do meu padrinho, quando entrei estava tão concentrada em mim mesma, que não o notei parado ali. E então ele piscou e eu soube que estava tudo bem, sempre achei que me odiava como os outros, já que ele nunca me ligou ou tentou contato, mas quando ele piscou para mim, aquela sensação h******l que eu tinha se foi. E por um momento, por um breve momento, deixei a felicidade me tomar.
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