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Diário de um Demônio

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Blurb

Samael é um demônio, que após muitos anos preso na escuridão, conseguiu passar por um portal e agora vive entre os humanos.Charlotte lê um diário antigo e acaba recitando sem querer um ritual que liga o mundo humano ao inferno.Samael está vinculado a pessoa que o invocou, e para se livrar do vínculo e viver livremente sobre a terra ele precisará m***r Charlotte Spencer. Mas há um problema: ele está perigosamente atraído por Charlotte, e esse desejo proibido ameaça desfazer sua determinação e destruir ambos.

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Capítulo 1 - Sombras na Livraria
PARTE I - O RITUAL E O VÍNCULO "E não é de admirar, pois o próprio Satanás se transforma em anjo de luz." — 2 Coríntios 11:14 Charlotte Spencer Às vezes, penso que sou feita de cinzas. Não porque minha vida foi destruída por algum incêndio devastador, mas porque tudo parece cinza — a cidade onde vivo, as ruas que percorro, até mesmo as pessoas ao meu redor. Sou Charlotte Spencer, uma estudante de literatura que, ironicamente, raramente encontra poesia na vida. Aos 22 anos, moro em um apartamento minúsculo na periferia de Red Hollow, uma cidade onde o tempo parece estagnado, como se estivesse preso em um relógio quebrado. Red Hollow é pequena, esquecida, mas não charmosa. As casas são alinhadas como soldados cansados, todas iguais em sua monotonia. Eu costumo dizer que a cidade é um cemitério de sonhos, mas talvez isso seja apenas uma projeção da minha própria falta de perspectiva. Minha mãe morreu quando eu tinha 10 anos, e meu pai — bem, ele está por aí em algum lugar, provavelmente em um bar, afogando suas mágoas em doses baratas de uísque. Desde então, fui criada por minha avó, Evelyn, uma mulher devotada a Deus e às suas infindáveis tarefas de tricô. — Deus testa aqueles que ama — ela costumava dizer, quando eu perguntava por que a vida parecia tão c***l. Cresci ouvindo essas palavras, mas hoje, confesso, não tenho certeza se acredito nelas. Meu quarto em seu sobrado era pequeno, mas acolhedor. Depois que me mudei para o meu apartamento na universidade, trouxe comigo poucas coisas — livros, um cobertor antigo que minha avó me deu e um crucifixo que ela insistiu que eu levasse. Não que eu fosse religiosa, mas algo no olhar dela naquele dia me fez aceitar sem discutir. O crucifixo agora está pendurado na parede da sala, uma lembrança silenciosa da única pessoa que realmente se importou comigo. Era uma terça-feira comum, e eu estava voltando da biblioteca da universidade, onde passara horas revisando textos para um trabalho sobre simbolismo em romances góticos. As ruas estavam molhadas pela chuva recente, o céu coberto por nuvens espessas. O ar tinha aquele cheiro metálico de tempestade à distância. Eu caminhava devagar, imersa nos meus pensamentos, até que algo me chamou a atenção. Uma livraria. Não era possível. Eu conhecia bem aquele caminho, já o percorri incontáveis vezes, e nunca tinha visto aquela loja antes. A fachada era antiga, com trepadeiras cobrindo parte das janelas empoeiradas. O letreiro acima da porta estava desgastado, exibindo apenas a palavra "Livros", quase ilegível. Algo naquela cena me incomodou profundamente, mas também me atraiu de maneira inexplicável. O sino sobre a porta tilintou fracamente quando entrei. O ar lá dentro era pesado, quase sufocante, carregado com o cheiro de papel envelhecido e madeira úmida. As prateleiras, altas e desordenadas, formavam corredores estreitos que pareciam se estender para além do que os olhos podiam alcançar. A luz era fraca, vindo de lustres antigos que lançavam sombras dançantes pelas paredes. Uma mulher idosa estava sentada atrás do balcão, sua figura quase indistinguível no crepúsculo da loja. Sua pele era pálida, marcada por rugas profundas, e seus olhos eram pequenos e penetrantes, como se pudessem enxergar dentro de mim. — Procura algo específico? — sua voz era rouca, baixa, como um eco vindo de muito longe. — Não sei ao certo — respondi, minha voz hesitante. — Talvez algo raro... ou antigo. Ela inclinou levemente a cabeça, como se ponderasse minha resposta, e então apontou para o fundo da loja. — Lá no final. Às vezes, os livros escolhem as pessoas, e não o contrário. Por um momento, pensei em agradecer e sair, mas minhas pernas já estavam se movendo na direção indicada. O corredor que ela apontou parecia mais escuro do que os outros, como se a luz se recusasse a penetrar ali. As prateleiras estavam abarrotadas de volumes antigos, suas lombadas manchadas pelo tempo. Foi então que o vi. Um livro solitário, inclinado de maneira quase calculada na prateleira mais baixa. Sua capa de couro n***o parecia absorver a pouca luz ao redor, e o símbolo gravado nela — um círculo entrelaçado com runas intricadas — parecia pulsar, quase como um coração batendo. Quando me abaixei para pegá-lo, senti um calafrio percorrer minha espinha, um arrepio que não vinha do frio, mas de algo mais profundo. O livro parecia mais pesado do que deveria, como se carregasse consigo o peso de um segredo antigo. Segurei-o com ambas as mãos e passei os dedos pelas runas, que pareciam quase vivas sob meu toque. — Parece que ele escolheu você — a voz da mulher me fez sobressaltar. Ela estava parada atrás de mim, embora eu não tivesse ouvido seus passos. Seu olhar estava fixo no livro, mas havia algo em sua expressão que eu não consegui interpretar — algo entre curiosidade e... medo? — O que é isso? — perguntei, minha voz soando mais alta do que o necessário no silêncio da loja. — Um diário — ela respondeu, o sorriso em seus lábios não alcançando os olhos. — Mas tome cuidado. Nem todas as histórias merecem ser lidas. Aquelas palavras ecoaram em minha mente enquanto eu me aproximava do balcão para pagar. Ela não mencionou preço, apenas colocou o livro em uma sacola de papel pardo e me entregou. — Boa noite, Charlotte — disse, e a maneira como pronunciou meu nome me fez gelar. Eu não havia dito como me chamava. A chuva começou a cair novamente enquanto eu caminhava de volta para casa, mas não me incomodei em abrir o guarda-chuva. Meu apartamento estava vazio como sempre, o único som vindo do relógio na parede da sala. Coloquei o livro sobre a mesa de centro e o encarei por alguns instantes. Algo nele parecia me chamar, mas também me repelia. Finalmente, sentei-me no sofá e o tirei da sacola. A capa n***a parecia ainda mais escura sob a luz amarelada do abajur, as runas brilhando fracamente. Respirei fundo e o abri. As páginas estavam preenchidas com uma caligrafia antiga, linhas e mais linhas de texto em tinta preta que ainda parecia fresca. Algumas palavras estavam escritas em inglês arcaico, outras em um idioma que eu não conseguia identificar. Nas margens, desenhos de símbolos intricados, assustadoramente detalhados. Enquanto folheava as páginas, senti uma estranha inquietação. Não era apenas curiosidade — era algo mais, algo que fazia meu coração acelerar e minha pele formigar. Era como se o livro tivesse uma presença própria, algo vivo e consciente. Fechei-o abruptamente e me recostei no sofá, sentindo o peso da tensão nos ombros. Uma parte de mim queria devolver o diário à livraria e esquecer que ele existia, mas outra, mais sombria, sabia que não conseguiria. Algo dentro de mim havia mudado no momento em que coloquei as mãos naquele livro. Naquela noite, quando finalmente apaguei a luz do abajur e me deitei, o sono não veio facilmente. Meus pensamentos ainda estavam no livro. Cada vez que fechava os olhos, via aquelas runas pulsantes, como se dançassem em uma melodia que eu não conseguia ouvir, mas que sentia nas profundezas do meu ser. Quando o sono finalmente me alcançou, ele não trouxe o alívio que eu esperava. Eu estava em um campo vasto, com a grama n***a se estendendo até onde a vista alcançava. O céu acima não tinha estrelas, apenas uma lua cheia, brilhando em um vermelho profundo, como sangue fresco. O ar era pesado, impregnado com o perfume de rosas e ferro. Caminhei sem rumo, sentindo uma estranha atração em direção ao horizonte. Foi então que o vi. No sonho, o homem parecia ter sido esculpido pela própria essência do desejo humano. Ele era alto, com ombros largos e uma presença que dominava o espaço ao seu redor. Vestia uma jaqueta de couro preta que parecia ter vivido mais histórias do que eu jamais poderia imaginar. A jaqueta abraçava seu corpo de forma perfeita, moldando o peitoral bem definido e os braços fortes que surgiam por baixo de uma camiseta justa, preta como a noite. As botas de couro que ele usava, com detalhes gastos pelo tempo, ecoavam no chão de grama úmida enquanto ele caminhava em minha direção. Cada passo dele era uma promessa, uma dança entre o perigo e o fascínio. As calças jeans escuras, um pouco desgastadas nos joelhos, revelavam um toque rebelde, quase selvagem. Os traços do seu rosto eram afiados, mas equilibrados. Ele possuía uma mandíbula forte e um maxilar impecavelmente delineado. O nariz reto e as maçãs do rosto altas conferiam-lhe uma beleza clássica, quase angelical, mas que era subvertida pelo brilho predatório de seus olhos. Eram de um tom profundo de âmbar, como o reflexo do sol em um copo de uísque, e pareciam queimar em intensidade cada vez que pousavam sobre mim. Seus cabelos, bagunçados pelo vento, eram de um vermelho intenso, um contraste com a sombra ao seu redor. Algumas mechas caíam sobre sua testa, dando-lhe um ar despretensioso, como se não soubesse o quanto era hipnotizante. No pescoço dele, uma corrente prateada brilhava discretamente contra a pele bronzeada. Quando se moveu, algo na sua jaqueta deslizou levemente, e eu vislumbrei uma tatuagem que cobria grande parte de suas costas. Era o desenho de asas intricadas, como as de um anjo caído. As linhas eram detalhadas, quase vivas, com cada pena esculpida com perfeição. Mas o que mais me prendia era sua presença. Ele tinha aquele tipo de comportamento que fazia o mundo ao redor desaparecer. Uma mistura de confiança inabalável e mistério calculado. Quando ele sorriu, revelando dentes perfeitamente brancos, havia algo perigoso naquele gesto, algo que prometia destruir e curar ao mesmo tempo. Seus olhos estavam fixos nos meus, e havia um desafio neles, como se quisesse ver até onde eu teria coragem de ir. Ele se aproximou, sua jaqueta rangendo levemente com o movimento, até que estava tão perto que o cheiro dele, uma mistura de couro, fumaça e algo doce, tomou conta de mim. — Charlotte — disse ele, minha mente vacilando ao ouvir meu nome saindo de seus lábios. A voz dele era baixa, rouca, mas carregada de uma sensualidade perigosa. Ele se inclinou, a mão em meu rosto, o polegar traçando minha bochecha. Sua proximidade fazia o ar parecer mais denso, como se eu tivesse mergulhado em águas profundas e quentes. Tudo nele era excessivamente humano, mas ao mesmo tempo... havia algo mais. Algo que eu não conseguia identificar. Um brilho nos olhos, um sorriso que parecia conter segredos demais para um único homem carregar. E, ainda assim, ele estava ali, real, palpável. E tão incrivelmente lindo que me fez esquecer, por um instante, quem eu era. Ele me observava como se eu fosse uma chama que ele quisesse tocar, mesmo sabendo que seria queimado. E naquele momento, percebi que ele era tanto a tentação quanto a punição. E eu, tola, estava pronta para ceder.

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