Visitas do Passado

1337 Words
CAPÍTULO SETE - Visitas do Passado Lorena decidiu tirar alguns dias de folga. Isolou-se na casa de campo da família e levou consigo o silêncio que sempre evitou. Lá, entre livros velhos e lembranças guardadas, encontrou cartas antigas de Miguel. Todas nunca entregues. Escondidas por seu pai. Cada palavra que lia feria e curava ao mesmo tempo. Enquanto isso, Miguel enfrentava sua própria dor. Recebera um telefonema inesperado de Clara Monteiro, mãe de Lorena. - Se ama minha filha, lute por ela. Já chega de orgulho - ela disse, em tom baixo. - Mas saiba que ela é mais forte agora. E não aceitará menos do que a verdade inteira. CAPÍTULO OITO - O Beijo Interrompido Ao retornar à cidade, Lorena aceitou encontrar Miguel em um café discreto. A conversa foi honesta, limpa, como nunca antes. As mãos se tocaram sobre a mesa, e o olhar dele buscava respostas, mas não pressionava. - Se eu pudesse voltar atrás, eu enfrentaria tudo com você - ele disse. - Mas agora não podemos voltar. Podemos apenas decidir se vamos seguir... juntos ou não. Ele se aproximou. Os rostos estavam tão próximos que o ar parecia elétrico. Mas antes do beijo acontecer, uma ligação. Dr. Alberto. Chamando-a para uma reunião urgente. A mágoa, sempre à espreita, reapareceu. E ela se afastou. CAPÍTULO NOVE - O Sufoco Na reunião com Alberto, Lorena foi surpreendida com insinuações. Ele questionava sua conduta por "estar próxima demais do juiz". - Está sugerindo que minhas decisões são emocionais? - Estou dizendo que isso pode ser interpretado assim. Cuidado com as aparências, Dra. Monteiro. Lorena o enfrentou. - Eu tenho nome, mérito e uma carreira limpa. Se pretende me ameaçar, que seja com provas. Do contrário, recomendo que escolha melhor as palavras. Ele não esperava tamanha firmeza. Mas Alberto não era homem de recuar... e começava a guardar mágoas que logo colocaria em prática. CAPÍTULO DEZ - Um Presente Esquecido Miguel visitou Letícia para desabafar. E foi ali que ela lhe entregou algo que guardava há anos: o presente de casamento que ele nunca conseguiu dar a Lorena. Um colar simples, com um pingente em forma de balança. - Porque ela é o meu equilíbrio - dizia a pequena carta que o acompanhava. Miguel soube, naquele instante, que não podia mais esperar. Ele precisava lutar. Não por perdão, mas pelo direito de amar. CAPÍTULO ONZE - Tentativas Miguel passou a ir discretamente aos mesmos lugares que Lorena frequentava. Não para forçar encontros, mas para mostrar que estava presente. Enviava mensagens curtas. Flores com bilhetes anônimos. Pequenos gestos. Lorena, embora relutante, não conseguia evitar o sorriso quando encontrava algo inesperado. Até que numa noite, ao sair do fórum, ela o viu encostado em seu carro, segurando o colar. - Não vim te pedir nada. Só quero que saiba que nunca deixei de te amar. Ela pegou o colar com mãos trêmulas. E não disse uma palavra. CAPÍTULO DOZE - O Escândalo Dr. Alberto, inconformado, armou um escândalo. Espalhou boatos no fórum sobre Miguel e Lorena. Tentou criar uma sindicância. Mas Clara Monteiro, inesperadamente, foi até o tribunal e denunciou os abusos verbais que Alberto já cometera contra sua filha. Com provas, testemunhas e coragem, ela desmontou a reputação dele. - Nenhum homem, juiz ou advogado, vai sujar o nome da minha filha - disse Clara. Pela primeira vez, Lorena viu a mãe lutar por ela. E isso... a desarmou por completo. CAPÍTULO TREZE - Encontro à Luz da Lua Naquela noite, Lorena ligou para Miguel. - Preciso ver você. Encontraram-se na antiga igreja onde deveriam ter se casado. O silêncio entre eles não era mais pesado. Era maduro. Carregado de tudo o que aprenderam. Ela o encarou. - Eu não quero mais fugir do que sinto. Mas preciso de tempo. Para confiar outra vez. Para amar de novo sem medo. Ele assentiu, emocionado. - Eu espero. Porque amar você... nunca foi escolha. Foi destino. E dessa vez, o beijo aconteceu. Profundo, calmo, cheio de perdão e promessas silenciosas. CAPÍTULO CATORZE - Quando o Orgulho Cai O tempo passou. Meses de reencontros e reconstrução. Nenhuma pressa. Nenhuma cobrança. Aos poucos, Lorena e Miguel encontraram o ritmo de um novo começo. Na última audiência daquele semestre, ela defendeu uma jovem vítima de abuso - e venceu com firmeza. Miguel, do púlpito, olhou para ela com orgulho. Não pelo que ela fazia por ele, mas pelo que ela era: forte, justa, brilhante. E ali, no silêncio respeitoso do tribunal, trocaram um olhar cheio de significado. Porque quando o orgulho cai... o amor encontra morada. CAPÍTULO QUINZE - A Proposta Miguel não resistia mais à vontade de ter Lorena em sua vida de forma definitiva. Após um jantar simples, em sua casa - regado a memórias, vinho e risadas suaves - ele se ajoelhou. - Não te peço um casamento imediato, nem promessas eternas. Só peço que caminhe comigo. Que sejamos nós. Desta vez, de verdade. Lorena o olhou com lágrimas nos olhos. Não por dúvidas, mas por tudo que superaram. - Sim... Miguel. Eu quero caminhar contigo. Com orgulho deixado para trás. --- CAPÍTULO DEZESSEIS - Luz sobre Feridas Lorena recebeu a visita do pai, após anos afastado. Ele queria perdão. - O orgulho me cegou, filha. E por orgulho... perdi os momentos mais importantes da tua vida. Ela o ouviu, em silêncio, e respondeu com voz firme: - O perdão não vem com palavras, pai. Vem com ações. Ainda há tempo, se estiver disposto a fazer diferente. Foi o primeiro passo de uma reconciliação cautelosa, mas necessária. --- CAPÍTULO DEZESSETE - O Presente da Justiça Lorena foi surpreendida com uma homenagem no tribunal. Recebeu uma medalha por sua atuação em causas sociais e jurídicas. Miguel, ao seu lado, não conteve a emoção. - Eu sempre soube que você era brilhante. Mas ver todos reconhecendo isso... é ainda mais bonito. Ela sorriu, segurando firme sua mão. - E pensar que tudo começou num embate em sala de audiência... --- CAPÍTULO DEZOITO - Feridas Abertas Clara, a mãe de Lorena, foi internada após uma crise súbita. No hospital, ela revelou um segredo guardado há anos: - Eu sabia que seu pai havia interceptado cartas. Eu... consenti. Queria te proteger de um futuro instável. Lorena ficou em choque. Mais uma camada de mentiras. - Vocês me privaram de viver a verdade. - Eu sei, filha... e não espero que me perdoe. Lorena chorou. Pela dor, pela verdade, pela força que precisaria encontrar outra vez. --- CAPÍTULO DEZENOVE - Entrega Lorena e Miguel viajaram. Longe do fórum, dos julgamentos, das lembranças. Foi ali, no alto de uma serra silenciosa, que ela se entregou totalmente. Corpo, alma e amor. - Eu não sei o que o futuro nos reserva, Miguel... mas hoje, eu estou inteira. E sou tua. Ele a envolveu num abraço que parecia eterno. - E eu sou teu. Agora... e todos os dias depois deste. --- CAPÍTULO VINTE - Quando o Orgulho Cai Na cerimônia discreta de casamento civil, rodeados apenas por amigos e alguns familiares, Lorena e Miguel disseram "sim". Não havia ostentação. Mas havia paz. Letícia foi madrinha. Clara assistia, emocionada. E o pai de Lorena, discretamente ao fundo, sorriu, torcendo para que o tempo lhe permitisse reparar o que destruiu. Na dança lenta após o almoço, Lorena sussurrou: - Sabia que seria você. Mesmo quando lutei contra isso. Miguel a beijou na testa. - Porque o verdadeiro amor... nunca se perde. Só se esconde até que o orgulho caia. EPÍLOGO - Dois Anos Depois O escritório de advocacia agora levava o nome: Monteiro & Souza. Parceiros no amor e na justiça. Lorena dava aulas esporádicas na faculdade, inspirando novas juristas. Miguel, ao lado dela, encontrava o equilíbrio entre o juiz sério e o homem apaixonado. Na varanda da casa, com uma xícara de chá em mãos, Lorena sentia o bebê se mexer em seu ventre. - Nosso orgulho virou amor. E nosso amor... virou família. Miguel se abaixou, beijando sua barriga. - A melhor sentença que já recebi.
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