Com o fato de Belinda estar focada em se aproximar do Afonso, Candice estava cada mais livre para começar a vasculhar as coisas da meia irmã. Por isso logo quando ela viu Bela sair e dizer a mãe que iria almoçar com uma amiga no restaurante do Afonso, Candice viu ali uma oportunidade de começar a tirar suas dúvidas, tinha dias que não dormia com essa ideia na cabeça.
O problema é que se o sonho do Afonso fosse apenas um sonho, Candice teria que encarar e aceitar a dirá realidade de que a irmã estava morta. Mas se o sonho do Afonso fosse um aviso que ela poderia estar por aí, em algum lugar precisando dele? As vezes ela se achava louca por estar criando expectativas apenas em cima de um sonho? E se fosse só uma forma frustrada de não ter que aceitar a morte da irmã?
Ela que sempre acreditou em sonho, universo, destino. Ela que sempre foi o tipo de pessoa mais supersticiosa começava a duvidar de si mesma. Levantar uma teoria de que a irmã pudesse estar viva, baseada em um sonho, que poderia ser só a subconsciente do Afonso reagindo a falta de Alana.
No fundo, ela já estava perdida. Não sabia mais no que acreditar. Ela precisava desabafar. Por isso ligou para uma das pessoas que poderia a escutar sem preconceitos ou julgamentos.
Candice: Eu preciso muito conversar com alguém. Disse assim que a pessoa atendeu - Em quinze minutos estou aí. Disse e encerrou a ligação. - Mãe, eu vou dá uma saída. Vou encontrar uma amiga.
Maria: Tudo bem, querida. Se cuida. Daqui a pouco eu e o seu pai também sairemos. Ele cismou que devemos sair mais. Disse tentando sorrir.
Candice: Ele está certo. Vocês precisam fazer coisas diferentes, sair da rotina. Acho que só assim iremos superar. Disse triste.
Maria: Espero que esteja certa. Embora eu acho que nunca superarei a morte de uma das minhas filhas. Candice também achava difícil superar a perda de Alana. No entanto, a única que parecia superar muito bem, era Belinda. E isso questionava ainda mais Candice.
Candice entrou no hospital quase meia depois, ainda com a cabeça cheia de questionamentos sem saber no que acreditar.
No que você acreditaria? Na intuição ou na Razão?
Por isso ao ver a amiga sentada da cantina, ela se aproximou.
Candice: Desculpa te ligar assim, Dul.
Dulce: Ei, relaxa! Amiga são para essas coisas. Só não vou poder te dá muita atenção, temos uns vinte minutos. Você me pareceu muito angustiada, por isso sugeri que viesse aqui. Mesmo na pressa.
Candice: Você tem razão. Eu estou mesmo. Não sei mais no que acreditar.
Dulce: Como assim?
Candice: Se o seu coração pedisse para fazer uma coisa e a sua cabeça outra. O que você seguiria?
Dulce: Depende. Acho muito relativo. Me explique o que está acontecendo.
Candice: Você vai achar que é loucura minha.
Dulce: Independente do que seja eu sou sua amiga. E vou te ouvir.
Candice: Eu acho que a Alana pode estar viva. Desabafou e Dulce ficou paralisada. - É, eu sei o que está pensando. Que estou me iludindo que não aceitei a morte da minha irmã.
Dulce: Foi tão repentino e brusca a perda dela e será difícil para todos nós lidar com isso.
Candice: Tenho os meus motivos para acreditar nisso. Aliás para acreditar que por trás da morte da Lana existe outra história.
Dulce: O que quer dizer com isso?
Candice: Eu não vi o corpo, Dul. Ninguém viu.
Dulce: Candi, ela sofreu um acidente. Falaram que foi feio. Acho que ninguém gostaria de ter essa imagem dela.
Candice: O Afonso dormiu esses dias lá em casa, ele sonhou com ela, Dul. Ela pedia ajuda. Dizia que estava viva.
Dulce: Foi um sonho. Ainda mais do Afonso. Ele está despedaçado por dentro.
Candice: Pensa comigo, ninguém além da Bela viu o corpo da Alana, o laudo da autópsia está com a Belinda, o caixão fechado. Ninguém além da Bela viu a Lana naquele dia após o acidente.
Dulce: É impossível, Candi. O Afonso viu. Não só ele como todos viram em frente aquele banco os bandidos colocando a Alana como refém naquele carro e o acidente da estrada.
Candice: E se não for ela? Se de alguma forma não era a Alana?
Dulce: Olha, eu também queria que ela estivesse aqui. Queria acreditar que tudo isso fosse verdade, mas que interesse a Bela teria em dizer que era a Alana? Era a irmã dela também. Disse e pegou seu copo de café.
Candice: Ela teria todo o interesse do mundo. E o Afonso estaria livre.
Dulce: Espera. O que o meu primo teria ver?
Candice: Você não vê? A Bela é apaixonada pelo Afonso. Disse categórica e Dulce cuspiu todo o café que estava em sua boca em seguida um engasgo.
Dulce: Quê?
Candice: Vai dizer que nunca percebeu? Seja sincera.
Dulce: Bom, ela o olha de um forma diferente sim, mas daí ser apaixonada e pior mentir sobre a morte da irmã só para ter o Afonso. Seria desumano e c***l com todos nós.
Candice: Pois ela seria capaz sim, disse e de muito mais. Mas também penso que pode não ser o que penso. Que talvez seja uma teoria absurda minha querendo acreditar que a Alana está viva.