Capítulo 11 - Perto da Verdade

1258 Words
Dulce acompanhou a amiga até o computador do hospital, sabia que o que estava fazendo era totalmente errado, além de invadir um arquivo confidencial do hospital, estava em seu horário de trabalho. Com certeza o recém emprego na cidade seria perdido caso alguém descobrisse. Dulce acessou os dados onde ficava cada laudo por paciente. Candice: Obrigada mesmo, amiga. Eu nem sei como agradecer pelo que está fazendo. Eu sei que pode perder seu emprego e mesmo achando que estou louca, está me ajudando. Dulce: Amigas são para isso. Não me agradeça. Eu só quero o melhor para você. Ela digitou o nome Alana Puente e lá estava, o relatório médio, junto com a autópsia e certidão de óbito. Candice: Lê para mim, acho que não consigo. Dulce: Tem certeza? Candice: Tenho. Eu preciso disso, mesmo que seja para me destruir ainda mais. Dulce: Está bem. Dulce começou pelo relatório médico, onde constava a data e a hora que Alana deu entrada no hospital. Candice: O que diz aí? Dulce encarou a amiga. Dulce: É estranho. Disse achando está enganada. Candice: Por favor, Dulce, me diz. Dulce: Aqui diz que ela sofreu contusões nas pernas, possivelmente ossos quebrados, fraturas em duas costelas e perfurações nos pulmões. Dulce lia e cada vez mais ficava intrigada. Candice: O que mais? Disse com voz de choro. Dulce: Diz que a paciente foi a mesa cirúrgica e sofreu paradas cardiorrespiratória. Candice: Espera...Como assim? Ele veio direto para o hospital. Não fomos informados de cirurgias. Dulce: Por que não teve, Candi. Todos ficamos sabendo que ela já chegou morta ao hospital. Como é possível isso? Os horários batem, da entrada. Mas ela não sofreu nenhum hematoma no rosto, como a Bela disse que tinha. Não há lesões de queimaduras. Candice: Meu...Deus.... Está me dizendo..que.. Disse sem conseguir completar a frase. Dulce não conseguia acreditar, não era formada em medicina, mas era técnica em enfermagem e já trabalhava há muitos anos na aérea. Sabia que tinha algo errado. Dulce: A Bela mentiu... Esse tempo todo. Candice: Aquela....eu vou matar aquela desgraçada. Eu juro. Disse secando as lágrimas. Dulce: Onde vai? Disse ao ver a amiga pegar sua bolsa. Candice: Descobrir essa história. Dulce: Não faça nada precipitado. Só ela sabe dá verdade. Lembre-se disso. Candice assentiu e saiu às pressas, queria chegar a casa e vasculhar em tudo, mostrar a Bela que já sabia da verdade. Enquanto Dulce olhava para o computador sem acreditar. As lágrimas vieram com força. Alana podia estar viva. Sua amiga poderia estar viva. Ela pensou no primo, no quanto aquilo devolveria a vida a ela, na família dela. Em todos. Dulce: Por favor Deus. Que ela estava viva. Que seja verdade. Disse caindo no choro. Candice no meio da pressa com rosto molhado em uma total bagunça emocional, acabou trombando com alguém no corredor se desiquilibrando e duas mãos fortes a segurou. - Você está bem? A voz dele a despertou a fazendo o encarar. Candice: Es-tou... Ele a olhou nos olhos. - Tem certeza? Disse a olhando profundamente. Candice: Estou, só uns problemas familiares. Vai passar. Secando as lágrimas. - Eu me chamo Paul Álvares. Candice: Sou Candice. Disse o cumprimentando. Paul: Espero que fique bem. Candice: Vou ficar. Obrigada. Disse se referindo a ele a ter segurado. Paul: Por nada. Sorte minha impedir que uma moça tão bonita como você fosse direto com a cara no chão. Brincou e conseguiu fazê-la-la sorrir. - Fica mais bonita sorrindo. Candice: Assim fico sem graça. Paul: Não fique. Foi um elogio sincero e não costumo fazer isso com todas. Candice: Vou acreditar em você. Bom, preciso ir. Paul: Foi um prazer te conhecer. Candice só sorriu e seguiu em direção a saída do hospital. Paul se virou e sorriu. Assim que encontrou com Nina no corredor, ela logo percebeu algo diferente. Nina: Que sorriso é esse? Perguntou sorrindo. Paul: Vai rir de mim, mas acabei de trombar com uma mulher linda. Nina: Ela deveria ser muito bonita mesmo para te deixar com essa cara de bobo. Paul: É estranho, mas senti algo diferente. Sei lá. Não foi a beleza dela que me chamou atenção. Nina: Como assim? Paul: Ela estava chorando, dava pra ver que está passando por algo difícil de lidar, tinha um olhar triste e angustiado. Mas ao mesmo era a mulher mais linda que já vi. Nina: Assim fico com ciúmes. Disse brincando. Paul: Sabe que não precisa, sempre terá um lugar no meu coração. Nina: Eu sei, você também sempre terá um lugar no meu coração. E agora estou curiosa para conhecer essa mulher que mexeu com você. Paul: Esquece, vai ver nunca mais vou vê-la de novo. Nina: Nunca se sabe né? Vai que ela volte aqui atrás de você. Eles riram. Paul: Boba. Nina: Tem um tempo para um café? Paul: Com você todo tempo do mundo. Ela deu o braço a ele e os dois seguiram até a cantina do hospital. Sem saber que os caminhos se cruzariam um dia, Dulce se levantou de uma das cadeiras da cantina e seguiu para o seu trabalho ainda com relatório médico em sua cabeça. Ela nem percebeu direito quando seguiu direto para a parte do hospital onde ficava o legista. Dulce: Sérgio? Disse ao entrar na sala e vê o homem sentado preenchendo os documentos. Sérgio: Sim? Dulce: Talvez não me conhece ainda, sou nova aqui no hospital. Mas precisava muito de uma informação. Sérgio: É a nova enfermeira? Dulce assentiu. - Em que posso ajudar? Dulce: Se alguém perdesse o laudo médico ou um atestado de óbito, o hospital poderia fornecer um novo? Sérgio: O hospital até poderia fornecer uma cópia, mas o responsável que ficou com a certidão e assinou os termos de responsabilidade com o hospital, teria que comprovar a perda da certidão e só ela poderia pedir outra, sendo autenticada e registrada em cartório. Mas por que? Dulce: Tenho uma amiga que precisa da certidão da irmã, mas não foi quem retirou. No dia do acidente foi você quem estava aqui né? Sérgio: Que acidente? Seja mais específica. Dulce: No dia daquele assalto. Sérgio: Dulce, seja mais específica no que quer saber. Perguntou direto. Ela respirou fundo. Dulce: Eu fiz uma coisa totalmente errada e que pode custar meu emprego. Mas quero saber se posso confiar em você. É uma coisa muito séria e muito importante para minha família e preciso saber se posso confiar em uma pessoa que é um estranho pra mim. Sérgio: Você está me assustando. O que fez de tão errado? Dulce: Eu posso confiar em você? Sérgio: Como posso dizer que pode se nem sei do que se trata e aliás eu m*l te conheço. Dulce: Então esqueça tudo o que te falei. Disse se virando para ir embora. Sérgio: Dulce, no dia do assalto fiz autópsia em muitos corpos não teria como saber exatamente de quem fala. Dulce: E quantas foram mulheres? Sérgio: Duas. Por que? Dulce: Talvez uma delas seja minha amiga. Minha amiga que estava grávida e foi levada como refém por aqueles bandidos. Sérgio: Olha Dulce, naquele dia, todos os feridos e mortos foram trazidos para cá e posso te garantir uma coisa, naquele dia, os corpos que chegaram para mim, foram de cinco homens e duas mulheres e nenhuma delas tinham um feto. Se tivesse eu saberia. Dulce ficou pálida e Sérgio se levantou ao ver Dulce perder as forças e desmaiar. - Dulce! Acorde! Disse a segurando sem esperar pela reação dela. Pelo visto a verdade estava cada vez mais próxima.
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